Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


31/3/2007

DÁLIA NEGRA
(THE BLACK DAHLIA)




Direção: Brian De Palma.
Roteiro: Josh Friedman, baseado em livro de James Ellroy.
Elenco: Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Aaron Eckhart, Hilary Swank, Mia Kirshner Mike Starr.

Para grande felicidade dos admiradores do trabalho do diretor Brian De Palma, ele finalmente volta a nos entregar um trabalho digno de seus melhores momentos, como em “Os Intocáveis” e “Scarface”.
“Dália Negra” é a adaptação do livro do escritor James Ellroy (mesmo de “Los Angeles - Cidade Proibida). Ellroy foca sua história na Hollywood dos anos 40, tendo como principal foco o bizarro assassinato da aspirante a atriz Elizabeth Short, ou como ficou conhecida pela imprensa, “Dália Negra” (a mãe de Ellroy também foi brutalmente assassinada no mesmo período e o autor ainda hoje acredita na possibilidade de que ambos os assassinatos tenham sido cometidos pela mesma pessoa). Em busca de desvendar o caso, encontramos os policiais Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e Bucky Bleichert (Josh Hartnett) que acabam se envolvendo, cada um de uma forma diferente, drasticamente na situação.
Ellroy e De Palma misturam fatos verídicos com ficção em um filme com forte inspiração do cinema noir (o que também lembra “Os Intocáveis”) para desvendar um dos maiores, e ainda não solucionados, crimes da recente história norte-americana, além de novamente presentear seus fãs com um grande trabalho, se redimindo dos questionáveis (para não dizer ruins) “Missão: Marte” e “Femme Fatale”. Agora, quem ainda não viu, é só ir em uma boa videolocadora e conferir esse excelente retorno do mestre DePalma.

Arquivado em: — Vladimir @ 9:33 am

25/2/2007

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CANDIDATOS A MELHOR FILME NO OSCAR 2007

BABEL

Dos 5 filmes, impressionantemente (pelo menos para mim, que sou fã dos trabalhos anteriores do diretor mexicano), esse foi o que gostei menos. O intricado quebra cabeças multi-lingüístico e cultural que é “Babel”, até que possui um ótimo elenco, uma boa história, e claro, um excelente diretor. Mesmo assim ainda passa a sensação de que falta alguma coisa e que tudo poderia ser muito melhor. Ou será que o já conhecido estilo do diretor Alejandro González Iñárritu, já não surpreende mais? Acredito que existiam filmes bem melhores que esse, como o próprio “Vôo United 93”, lembrado na categoria Direção e esquecido na categoria Filme.

A RAINHA

Surpreendente filme do grande Stephen Frears sobre os tensos momentos posteriores à trágica morte de Diana, ex-princesa de Gales. Frears conta com leveza e sem preconceitos o estardalhaço causado pela mídia após o acontecido, o que levou a um forte questionamento da população inglesa sobre próprio sentido de manutenção do secular sistema monárquico britânico nos dias de hoje. Uma tensão que uniu a Rainha Elizabeth com o primeiro ministro britânico recém eleito, Tony Blair. “A Rainha” é uma desapegada mostra do choque de tradição e modernidade em um dos sistemas políticos mais antigos e respeitados do mundo. Excelentes atuações e uma ótima direção são os maiores atrativos desse filme.

PEQUENA MISS SUNSHINE

Sem dúvida umas das maiores surpresas do ano. A academia parece que vem, desde que indicou o ótimo “Sideways”, reservando uma vaguinha entre os principais indicados para um filme independente. Se acertaram no filme estrelado por Paul Giamatti, aqui eles foram ainda mais felizes. “Little Miss Sunshine” é sem sombra de dúvida um dos melhores filmes feitos no ultimo ano. Em uma história com trejeitos de simples, encontramos uma cativante e perfeita representação das diferenças no mundo capitalista (leia individualista, competitivo e excludente) pós-moderno estampada nos ótimos personagens. O filme também nos dá de presente a linda e talentosa Abigail Breslin, além de colocar o ótimo comediante Steven Carrel, no mesmo hall de Tom Hanks, e principalmente, Jim Carrey e Paul Giamatti (comediantes que mostram ter muito mais atrativos artísticos do que aparentam).

CARTAS DE IWO JIMA

Se tem um diretor que, na minha opinião, pode estragar esse ano, e na segunda vez consecutiva, a oportunidade do Mestre Scorcese levar a sua tão merecida estatueta do Oscar, é esse genial Clint Eastwood. De ator de westerns e filmes de ação, Mr Eastwood se tornou simplesmente um dos maiores diretores de Hollywood. Se até hoje não concordo com sua vitória em “Menina de Ouro”, dessa vez aceitaria e bateria palmas caso ele levasse o prêmio máximo com esse seu maravilhoso filme sobre o ponto de vista japonês do maior conflito armado já visto nesse planeta. Sensibilidade e ausência de maniqueísmos, fazem de “Cartas de Iwo Jima” o melhor filme do implacável “Dirty Harry” e um dos melhores filmes do gênero já realizados até hoje.

OS INFILTRADOS

Escorcese, comandando um magnífico elenco encabeçado pelo genial e insano Jack Nicholson, em uma trama que é a sua maior especialidade, não poderia dar em outra coisa. “Os Infiltrados” mostra sem dó e piedade porque o baixinho descendente de italianos é “o cara” quando se trata de filmes com temáticas violentas urbanas entre facções opostas, aqui representadas pela Máfia e Polícia de Boston. Um magnífico labirinto de espionagem e contra espionagem. Para ler a critica do filme no NTSA, é só clicar aqui .

ESQUECIDOS, ABANDONADOS OU INJUSTIÇADOS

Além de “Vôo United 93” de Paul Greengrass não ter sido indicado, outros filmes que na minha opinião foram esquecidos e que poderiam estar nessa lista, inclusive substituindo alguns dos filmes presentes, são, o excelente “Pecados Íntimos” (o chute nos testículos na absurda hipocrisia humana, em especial a presente nos E.U.A.) e o magnífico “Filhos da Esperança”, o qual pretendo comentar aqui em outra ocasião.

Arquivado em: — Vladimir @ 10:42 pm

30/1/2007

DIAMANTE DE SANGUE
(BLOOD DIAMOND)






Direção: Edward Zwick.
Roteiro: Charles Levitt.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Connelly, Djimon Hounson, Kagiso Kuypers, Arnold Vosloo.

Não é de impressionar que nos dias de hoje, com tanta escassez de boas histórias fictícias para se contar, filmes com temáticas ativistas polêmicas passem a gerar mais uma importante tendência Hollywoodiana. Temáticas que eram vistas apenas em filmes estrangeiros ou independentes considerados “marginais”, passam a ser preferidas e disputadas entre poderosos estúdios, famosos diretores e grandes astros (Nic Cage, George Clooney, Matt Damon, Brad Pitt e agora Leonardo DiCaprio). Os filmes que tocavam em temas considerados tabus na terra do “Tio Sam” vêm cada vez mais sendo explorados pela grande indústria cinematográfica norte-americana, o que acabam, sem dúvida alguma, levando a uma manipulação da informação a partir dos interesses de quem conta à história e conseqüentemente levam também a um esvaziamento da própria polêmica do tema que é colocado em segundo plano perante cenas de ação forçadas e romances mal colocados. “Diamante de Sangue” seria então, um perfeito exemplo disso tudo que acabei de falar.
O filme conta à história de Solomon Vandy (Djimon Hounson), a partir do momento em que ocorre o violento ataque de um grupo revolucionário em sua aldeia, o que leva ao seqüestro de seu filho e sua prisão para trabalhar em minas de diamantes clandestinas que fornecem o capital para a manutenção do aparelho guerrilheiro. Solomon então, arrisca sua vida quando encontra um raro diamante e vê nele a chance de reaver seu filho e o restante da sua desaparecida família. É aí que ele encontra o ambicioso Danny Archer (DiCaprio), um africano de passado obscuro, que vive do tráfico dos chamados diamantes de sangue (diamantes garimpados através do trabalho escravo e em zonas de conflito que geralmente sustentam as guerras nesses países) e que tenta de todas as formas conseguir o diamante de Salomon para vendê-lo e abandonar o sofrido continente africano. O único peso na consciência de Archer se encontra na figura da repórter norte-americana Maddy Bowen (Jennifer Connelly).
Luta, redenção, arrependimento, amor, indignação e medo são sensações bastante presentes em “Diamante de Sangue”, mas que são minimizadas e até ofuscadas por situações novelescas cheias de clichês e um final bastante previsível. Não estraga completamente o filme, mas é o suficiente para torná-lo dispensável.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:07 pm

21/1/2007

A MISSA DA MEIA NOITE
(MIDNIGHT MASS)





Direção: Tony Mandile.
Roteiro: Tony Mandile, F. Paul Wilson.
Elenco: Douglas Gibson, Pamela Karp, Marvin W. Schwartz, Julia Cornish, Dave Dwyer, Mariana Matthews.

Adaptação de um livro do grande autor norte-americano F. Paul Wilson (O Fortim, Renascido, Represália, Kuroikase), onde os vampiros dominam o mundo e escravizam os poucos mortais restantes. Algumas pessoas, buscando a imortalidade auxiliam os vampiros, tornando-se seus escravos. Já outros abominam os sanguessugas e lutam contra eles. Os vampiros de Wilson seguem a linha dos vampiros criados por Bram Stocker, tementes a cruz cristã e morrendo com estacas enfiadas no coração. Os vampiros são essencialmente maléficos, completamente contrários aos complexos vampiros criados pela escritora Anne Rice em suas maravilhosas crônicas vampirescas.
Infelizmente a produção é uma verdadeira porcaria e o filme parece ter sido feito, literalmente, nas coxas (acredito no seguinte, se não tem dinheiro pra fazer valer a pena, melhor então que nem faça). Nada se aproveita. O elenco é terrivelmente constrangedor, com atuações que pulam completamente o precipício do ridículo, efeitos especiais piores do que os dos antigos programas do “Chaves” e “Chapolim”, maquiagem digna dos momentos menos inspirados da telessérie “Power Rangers” e um roteiro tão mal escrito que parece ter sido feito, em conjunto, por roteiristas dos filmes do Renato Aragão e da Xuxa.
Vale ressaltar, que o próprio F. Paul Wilson participou diretamente da realização dessa pequena pérola. Além de assinar com o infame Tony Mandile o rizível roteiro, ainda faz uma pequena ponta no filme, logo em seu início, como um estudioso sendo entrevistado em um canal de tv sobre a infestação de vampiros no planeta.
Não recomendo esse filme nem para os vários fãs do autor, mesmo sabendo que, como eu, assim que souberem da existência dele, farão o possível para assisti-lo.

Arquivado em: — Vladimir @ 12:24 pm

17/1/2007

ZONA DE RISCO
(JOINT SECURITY AREA)







Direção: Chan-wook Park.
Roteiro:Chan-Wook Park, Seong-san Jeong, Sang-yeon Park.
Elenco: Yeong-ae Lee, Byung-hun Lee, Kang-ho Song, Tae-wo Kim, Ha-kyun Shin.

O coreano Chan-wook Park é definitivamente um dos meus diretores favoritos. Essa certeza veio logo ao término de um dos filmes realizados anteriormente à trilogia que o apresentou ao mundo (a trilogia da vingança composta por “Sympathy for Mr. Vengeance”, “Oldboy” e “Lady Vengeance”).
O magnífico “Zona de Risco” é uma pequena obra prima que tem como temas centrais, a amizade e a forçada e triste separação de um povo da mesma origem, mesma cultura, língua e descendência, absurdamente divididos pelas diferenças dos regimes políticos de seus países e a forte intransigência dos mesmos, no caso, as Coréias do Norte e Sul. A ação se passa no ponto mais conhecido da fronteira entre os dois países, local onde a única barreira de separação é a diferença na cor do chão dos territórios. Um crime ocorre dentro do lado Sul e os principais suspeitos são dois soldados do Norte encontrados em estado de choque. Uma jovem antropóloga norte-coreana passa a acompanhar o caso, tentando desvendá-lo e evitando que essa crise diplomática se transforme em algo muito pior. A partir daí o filme é desvendado em uma série de flashbacks que mostram todos os acontecimentos que antecederam o crime.

Chan-wook Park é dono de uma visão brilhantemente diferenciada, possuidor de uma surpreendente sensibilidade e prova nesse filme não estar preso ao mundo cruel e pessimista de outros filmes seus como “Oldboy” e as demais partes de sua brutal trilogia. “Zona de Segurança” é uma prova perfeita da grande genialidade desse jovem diretor e ítem obrigatório em qualquer coleção de Dvds que se preze.

CLIQUE NOS POSTERS PARA LER AS CRÍTICAS DA MAGNÍFICA TRILOGIA DA VINGANÇA DE CHAN-WOOK PARK:



Arquivado em: — Vladimir @ 9:39 pm

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