Direção: Chris Kentis
Roteiro: Chris Kentis
Elenco: Blanchard Ryan, Daniel Travis, Saul Stein, Estelle Lau, Michael E. Williamson, Cristina Zenarro, John Charles.
É muito difícil e ao mesmo tempo muito fácil falar sobre um filme como esse. Difícil pela coragem do Diretor em realizar um longa completamente diferente da maioria dos filmes que estamos acostumados a ver, principalmente em se tratando de uma história baseada em fatos reais. E fácil por o filme ser uma pequena obra-prima do suspense. Um filme que se coloca perfeitamente entre aqueles casos de “ame ou odeie”. Eu como vocês podem ver, amei.
A história todo mundo já sabe, um casal que resolve tirar férias as pressas, na tentativa de salvar o já desgastado relacionamento, o que fica completamente claro na primeira meia hora do filme. Acompanhamos os diálogos frios e forçados entre o casal e a intimidade bastante casual dos dois, o que reforça ainda mais a nossa empatia por eles, devido a excelente atuação de Blanchard Ryan (melhor do filme) e Daniel Travis.
Na segunda parte do filme, após o mergulho e a ida do barco, começa um segundo momento do filme, bem mais angustiante e interessante que o primeiro. Os personagens se vêem em alto mar, abandonados pela sorte, mas com esperanças de ainda serem resgatados por seu barco, o casal passa por diversas situações que de tão reais tornam o filme ainda mais assustador. Em um determinado momento a personagem diz que não sabe se prefere ou não ver o que está embaixo deles, e é exatamente isso o que passou por minha cabeça. Eu não queria saber o que ia acontecer, só queria que aquela agonia que eles (e nós) estávamos sofrendo acabasse o mais rápido possível.
Como se trata de uma história real, deduzi de cara como seria o final do filme, só nunca imaginei que Chris kentis acabaria sua obra de uma forma tão surpreendente e assustadora. Então não espere um final de filmes baseados em fatos reais a la Supercine, pois esse realmente parece ser real.
Destaco o tipo de câmera que foi usado no filme, o que dá uma aparência de veracidade ainda maior e uma cara de documentário, como o ótimo e controverso “Bruxa de Blair” (mais um ame ou odeie, que eu também fico com a primeira opção). Outro ponto é a ausência de trilha sonora nos momentos mais fortes do filme, o que torna tudo muito mais tenso e assustador (não quero usar mais a palavra real). O filme não é claustrofóbico como o de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, pelo contrário, possui ótimas fotografias e a única diferença é que a filmagem é feita com câmeras digitais, que dão a aparência de filme caseiro à obra.
Mar Aberto não é um filme de Tubarões como muitas pessoas que não gostaram disseram, como Bruxa de Blair também não é apenas um filme de Bruxas. Na minha opinião, ambos são filmes de relações e comportamentos de um determinado número de indivíduos normais e comuns em uma situação completamente inusitada e assustadora (Principalmente no caso desse filme, já que “Blair” se trata de uma ficção).
Então, vá ver o filme e tire suas próprias conclusões, pois com certeza você lerá muitas críticas apaixonadas e outras esculhambando essa pequena pérola no Oceano (desculpem o péssimo trocadilho).
Eu perdi toda vontade de ver esse filme depois das comparações com o horrível A bruxa de Blair.
neste feriado com certeza vai dar para dar uma conferida neste surpreendente sucesso. espero gostar tanto quanto voce.
Será que vale a pena ver um filme tão curto? Se bem que até me deu vontade, após ler texto tão elogioso…
Boa crítica Vlad. Casos de “ame ou odeie” são comuns no cinema mas normalmente pendendo para o lado pior. Este, com certeza, esta na (extensa) lista de filmes a assistir.
É Gabriel, acho muito difícil não comparar um com o outro. E Chefe, essa idéia de ame ou oudei veio da quantidade de gente que conheço e odiou esse filme, mas quem gostou, gostou muitol.
Eu ainda não fui assistir esse filme… mas agora vou… gosto de coisas simples… rsss.
Ahhh Esse eu vou ver!!! Pois é, fiquei sabendo desse festival argentino!! Valentín é lindo!! Se puder, veja Histórias Mínimas e Lugares Comuns. (o segundo eu não vi, mas é muito elogiado).
Gostei muito tambem. Muito bom. Eu nao vi Blair :/ talvez eu veja depois. A frase desse filme eh: nao sei o que eh pior, ver ou nao ver o que ta embaixo de nos? Muito show.
Valeu Dani, vou tentar ver sim.
Olha, apesar de ser um filme legal, eu esperava mais. Na maior parte das cenas os atores ficam boiando e discutindo. Parece que os atores não sabem expressar a emoção da cena. Outra coisa ruim nesse filme é que não tem desfecho. O que acontece com os responsáveis pela morte do casal? É arrepiante pensar que pode acontecer com qualquer um de nós, mas o diretor não investiu no filme.
Mas acho que a idéia é essa M.P. deixar realmente o final em aberto e deixar as pessoas que virem especularem sobre o que ocorreu. Além disso, o mais importante do filme é com certeza a agonia do durante do que a certeza do que pode ter ocorrido no final, não acha?
Bom, primeiramente gostaria de dizer que respeito a opinião do autor da crítica, e ditar uma frase que se encaixa muito bem aqui: “Gosto não se discute”. Dito isto, darei a minha opinião sobre o filme.
Não gostei nem um pouco. Ponto.
Até entendo a posição do autor que, como ele mesmo disse, se identificou com a situação vivida pelo casal no filme. Porém, acho que o mesmo ficou muito aquém do que poderia ser.
Se você não assistiu ainda, não entre com muita expectativa, pois você certamente vai se decepcionar, assim como eu.
Achei que num filme com essa temática, as cenas que todo mundo esperava, as dos tubarões, foram bem fraquinhas.
Os atores são totalmente desconhecidos, e logo no começo do filme, você percebe que isso não poderia ser diferente.
Uma atuação forçada e uma edição num ritmo chatíssimo, marcam o filme do começo ao fim.
Gostaria de citar o autor quando este diz que “possui ótimas fotografias e a única diferença é que a filmagem é feita com câmeras digitais, que dão a aparência de filme caseiro à obra.”, pois o simples fato de ser gravado em formato digital não significa dar ao filme uma aparência caseira ou amadora (defeito que, para quem se liga um pouquinho que seja em fotografia, tira grande parte do tesão em continuar assistindo esse mesmo). Vide Star Wars “Ataque dos Clones” por exemplo, que foi produzido totalmente DV50. Não que eu queira comparar as duas produções (seria loucura da minha parte), mas trabalho com produção de vídeo no formato digital, e posso dizer que já vi muitas coisas simplesmente fantásticas feitas com as mesmas câmeras usadas em Mar Aberto, que deixam a fotografia deste no chinelo. Tanto que no começo, quando o fato de a maioria das vezes em que aparece o casal a câmera estar na mão do fotógrafo e sem tripé começaram a me incomodar; eu preferi acreditar que essa técnica poderia estar sendo usada desde o começo para compensar a segunda parte do filme que teria sido gravada sem equipamento que evita o “tremelique” em alto mar. Mas não me convenci.
E quando o autor da crítica compara a qualidade fotográfica ao ótimo (na minha opinião) “Bruxa de Blair”, ele comete uma “gafe” gravíssima, pois os temas e técnicas usadas nos dois filmes são monstruosamente diferentes, pois (Bruxa de Blair) nada mais é que um material de vídeo feito por 3 jovens sem nenhum equipamento profissional (e sem nenhuma intenção de produzir imagens de qualidade profissional) no meio de uma floresta.
O que se vê nesse filme são imagens tremidas quando não existe contexto para isso, e enquadramento amador do começo ao fim (prefiro enfatizar o começo, pois compreendo a falta de orçamento em que o filme foi produzido e sei que as imagens em alto mar são feitas da melhor maneira possível dentro da limitação de orçamento).
Enfim, se pra você, passar uma hora e meia vendo um casal boiando em alto mar é um programa bacana, vá em frente.
Caso contrário, é uma boa chance de levar a sua namorada ao cinema pra dar uns bons amassos…
O filme não faz o básico a que se propõe: assustar.
Ou, se você sofre de insônia, tá recomendadíssimo!