PERTO DEMAIS
(CLOSER)
(CLOSER)
Direção: Mike Nichols.
Roteiro: Patrick Marber.
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen.
Uma coisa todos podem ter certeza, ao final de 2005, esse filme com certeza estará em várias listas de melhores do ano (já que só estreou aqui no Brasil esse mês), na minha com certeza estará. Fazia bastante tempo que eu não via, se é que eu já vi, um filme de relações amorosas tão bom quanto esse. Onde o pior das relações é mostrado de forma tão crua e contundente e ao mesmo tempo tão sensível e correta, sem exageros. Onde amor e sexo são faces da mesma moeda e responsáveis por unir e separar casais da melhor e da pior forma possível.
Dan (Jude Law) é um editor de obituários em um jornal que acaba conhecendo a jovem Alice (Natalie Portman) e começa um romance com ela, após um acidente. Anna (Julia Roberts) é uma fotógrafa que conhece Dan quando tem que fotografá-lo para a foto que ilustrará seu livro, que fala da vida de Alice. E finalmente temos Larry (Clive Owen), um médico que acaba casando com Anna, depois de uma tentativa de vingança por parte de Dan, que é rejeitado por ela. Esses são os trágicos personagens que encenam essa história, feita a partir da adaptação de uma peça de teatro feita por Patrick Marber, roteirista do filme. E é isso que a direção de Nichols faz parecer. Observamos uma verdadeira peça de teatro, onde os excelentes diálogos e as ótimas atuações são aqui, valorizadas ao máximo. Toda relação é egoísta. Sempre pensamos primeiro em nós mesmos e depois na outra pessoa. E os personagens, principalmente os masculinos, demonstram isso durante todo o filme. Em falas como a de Dan em que ele utilizando de uma sinceridade absurdamente destrutiva, diz que está abandonando Alice porque acha que será mais feliz com Anna e posteriormente em um diálogo com Anna, reclama do seu excesso de sinceridade. Ou como no caso de Dan, que insiste em saber de Anna, detalhes da sua traição, como uma forma de machucá-la, para assim vingar-se dela pela traição. E é isso que os personagens do filme parecem querer o tempo todo, se machucar, mas em muitos casos, como um recurso para ficar juntos e não o contrário. Todos assumem papéis definidos de vilões e vítimas no desenrolar da história.
Um filme que obrigatoriamente deve ser visto, sob pena de perca de um dos melhores filmes do ano, com grandes atuações, um roteiro maravilhoso, uma trilha sonora absurdamente bonita (impossível não ficar todo arrepiado com a primeira cena do filme ao som da música “The Blower’s Daughter” de Damien Rice) e uma direção soberba de Mike Nichols, que com certeza torna-se a partir desse filme, um dos meus diretores preferidos.