Arquivo de fevereiro de 2005

LUTO OFICIAL DE 3 DIAS

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Por mais uma injusta derrota de Scorcese. Parece que o seu destino é mesmo receber a estatueta pelo conjunto da sua obra.
Pelo menos a derrota foi para o Eastwood, o que minimizou bastante os efeitos. Mesmo assim, me desculpem os fãs de Menina de Ouro, mas O Aviador era o melhor dos indicados. O Oscar é igual a jogo de futebol, nem sempre o melhor vence.

I PRÊMIO CUZIM D’OURO

sábado, 26 de fevereiro de 2005


PIORES FILMES (PRÊMIO COLETIVO)


TRÓIA
O pior desse filme foi a decepção que ele me causou depois que o assisti, uma detuparção ridícula e completa da obra de Homero, quase nada presta nesta bomba.
VAN HELSING
Esse é absolutamente terrível. A história é uma bobagem sem tamanho, é mal feito e o Hugh Jackman e e quase todos os outros atores estão péssimos.
REI ARTHUR
Mais um que se apresenta como “filme histórico” e é na verdade um absurdo de detuparções e erros diversos. Muito melhor seria se nem existisse.
PAIXÃO DE CRISTO
Um filme péssimo que se sustenta apenas pela ousadia da violência. Serviu apenas para encher os bolsos do Sr. Mel Gibson.
EXORCISTA – O INÍCIO
Mais uma continuação, ou prequel, caça níquel, completamente dispensável e bobo que passa é longe do clima e sombriedade da história original.

ANACONDA 2 - A CAÇADA A ORQUÍDEA SANGRENTA
Se o primeiro já foi terrível, o que falar da continuação? Muito pior, pelo menos o outro era o ruim que fazia rir.
OLGA
Uma novela ruim da Globo disfarçada de filme. Uma bosta!!!
A BATALHA DE RIDDICK
Vin Diesel é comprovadamente um canastrão, não segura um filme só. Pro pinico com Ridick pelo amor de Deus!!!
CONTATO DE RISCO
A consagração de Ben Afleck como um dos piores atores existentes na face da terra e de J-Lo como uma das piores atrizes.
DRÁCULA 3.000
Esse é brincadeira. Brevemente postarei a crítica dele aqui.
MULHER GATO
Alguém duvida que esse seja o pior e mais absurdo filme de 2004, quiçá de todos os tempos? Eu não duvido.


PIOR ROTEIRO ORIGINAL


CONTATO DE RISCO
Com certeza esse é o pior de todos. Reunião do pior casal da história do cinema, em uma história ridícula de seqüestro a um retardado mental. Retardado aqui só quem fez e quem gostou.


PIORES ROTEIROS ADAPTADOS


OLGA
O nosso cinema é representado aqui orgulhosamente com uma fraquíssima adaptação. Só quem viu pra saber o quanto é ruim.
TRÓIA
Com certeza o que mais me indignou em relação ao cinema no ano passado. Homero deve ter dado voltas e voltas em seu túmulo.
MULHER GATO
Esse é o pior em todas as categorias em que ele pode ser incluído.


PIOR ATOR


BEN AFLECK
Ben Afleck em tudo o que ele fez em 2004, incluindo pontas, comerciais, fotos em revistas e jornais, Internet…


PIOR ATRIZ


HALLE BARRY
Impossível alguém tomar da Halle Barry. Imaginem ela ronronando… Ela também merece uma menção honrosa pelo terrível Na Companhia do Medo (Mais um que merece a estatueta).
JENNIFER LOPEZ
A única que chegou a assustar a mulher gato. J-Lo está aqui pelos mesmos motivos dos seu Ex-namorado.


PIOR FIGURANTE


HEYDEN KIRSTENSEN
Esse prêmio é só masculino e com certeza pertence ao novo Darth Vader, Heyden Kirstensen, na sua desonrosa substituição do personagem que fez o Vader original no final do filme O Retorno do Jedi, lançado em DVD esse ano. O Box e os filmes estão sensacionais, mas esse cara, é ruim hein?


GRANDE VENCEDOR


PS: Além de influenciado pelo Oscar, resolvi fazer esse post somente agora, pois em Fevereiro o NEM TODOS SÃO ARTE completou o seu primeiro ano de existêcia. Parabéns para mim e principalmente para vocês que sempre estão visitando esse Blog!!! :-)

OSCAR 2005:
MAR ADENTRO

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005






Direção: Alejandro Amenábar.
Roteiro: Alejandro Amenábar e Mateo Gil.
Elenco: Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas, Mabel Rivera, Celso Bugallo, Clara Segura.

Na realidade, o quanto vale a vida?
Com certeza essa não é uma resposta simples e fácil de elaborar, mas para Ramón Sampedro, com certeza uma palavra poderia resumir essa pergunta: Liberdade. Para Ramón, não é vida ser tetraplégico e viver preso em uma cama tendo sempre que ser ajudado por outras pessoas. Numa belíssima cena em que ele explica suas limitações a advogada, mostrando como não pode chegar perto dela com suas próprias forças, mesmo estando muito próximo. E são cenas como essa que acabam nos levando manipulando, e mesmo no início sendo contra a eutanásia, saímos do cinema com a convicção de que cada um realmente tem o direito de fazer o que quiser com a sua própria vida.
Ramón Sampedro se torna um personagem ainda mais interessante, por realmente ter existido e lutado pelo direito de morrer durante quase 30 anos. O que gerou diversas polêmicas, com a Igreja Católica (o que rendeu uma ótima cena do filme) e inclusive com sua família, acusada (injustamente) de não dar o carinho necessário a ele. Mas os destaques do filme além da conturbada e emocionante vida de Sampedro, com certeza estão na magnífica performance de Javier Bardem (um dos melhores atores da sua geração) e na belíssima direção de Alejandro Amenábar, que mais uma vez trabalha com o tema morte (Os Outros e Abre los Ojos), que já parece ser um tema recorrente e preferido de sua filmografia.
Será que todos temos o direito de fazer o que quisermos com nossas vidas? Será que escolher continuar vivendo ou decidir morrer, é uma decisão que realmente não cabe a nós? Amenábar mostra no filme três casos completamente diferentes, e mesmo a decisão de Ramón sendo a principal, não tem como não aplaudi-lo por mostrar também as outras opções.
Ramón era um homem que gostava de ser livre, que fez a volta ao mundo de barco ainda com 18 anos e que sofreu o acidente que mudou sua vida logo depois. E a única forma de sair da cama era através do pensamento (o vôo com a música Nessum Dorma é de emocionar até coveiro), o que nunca foi suficiente para ele.

Sobre a não indicação e as suas indicações: Absurdamente, Javier Bardem não foi indicado para a Categoria de Melhor Ator, mesmo sendo um dos francos favoritos para isso (não foi só o Giamatti que foi sacaneado). Sobre sua indicação para Melhor Filme Estrangeiro, para mim é difícil falar, pois não vi nenhum dos outros. Mas mesmo assim vai ganhar minha torcida. A outra indicação foi na categoria Maquiagem, contra Desventuras em Série e Paixão de Cristo, logo contra Jesus, o maior suicida da história!!!

OSCAR 2005:
SIDEWAYS – ENTRE UMAS E OUTRAS
(SIDEWAYS)

sábado, 19 de fevereiro de 2005






Direção: Alexander Payne.
Roteiro: Alexander Payne e Jim Taylor.
Elenco: Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh.

Mais um excelente filme estrelado por Paul Giamatti. É impossível não sair do cinema com isso na cabeça. Depois do ótimo Anti-Herói Americano, Giamatti nos brinda com mais uma excepcional atuação em mais um grande filme.
Giamatti é Miles, um depressivo professor de inglês, escritor fracassado e amante de vinhos, que dá de presente ao amigo Jack como despedida de solteiro, uma grande viagem pelas vinículas do vale de Santa Inez na Califórnia. E é nessa simples viagem de apreciação de vinhos que temos um dos melhores filmes do ano. E é exatamente nas diversas comparações do estilo de vida e comportamento do ser humano com vinhos e nas excelentes atuações de seu elenco que Sideways tem suas melhores cenas. Li em vária críticas comentários sobre o olhar de Giamatti, mas isso é algo que ele já apresentava no “Anti-Herói”. É impossível não se apegar ao sofrimento do seu personagem, o que nos torbna ainda mais próximos da história. Quem nunca ficou bêbado e ligou para uma ex-namorada querendo se desculpar e piorando ainda mais a situação? Quem nunca se sentiu depressivo por ter possibilidade de realização de um sonho frustrada? Quem nunca encobriu as coisas de um(a) grande amigo(a), mesmo sendo contra isso? São por essas e outras situações que a vida dos personagens desse filme se aproximam tanto de nós.
O interessante sobre os protagonistas dos filmes de Alex Paine, são as suas grandes fraquezas expostas de forma crua e cruel. Se em “As Confissões de Schimdit” o personagem principal odiava tudo o que sua mulher fazia e após a morte dela passa a sentir uma terrível falta sua. Miles demonstra algo muito parecido ao utilizar como pretexto o aniversário da mãe para tirar seu dinheiro escondido, seu desconforto por ter feito isso é tocante, principalmente após a mãe, sem saber do furto, oferecer dinheiro para ele.
Sideways é um drama que faz rir, ou uma comédia que emociona. Não sei a definição certa, mas ambas as coisas estão presentes e diga-se de passagens, muito bem dosadas. Repleto de questões que afligem o homem pós 30-anos, como a dúvida da seriedade de um relacionamento, o medo do fracasso sexual, financeiro e intelectual. E também o balanço de uma amizade, pois Miles e Jack já não sabem se são realmente amigos, principalmente pela diferença com que ambos enxergam o mundo e suas vidas. Sideways é um dos filmes mais profundos e interessantes de 2004.

Sobre as indicações: Impressionante como a carreira de Giamatti me lembra a de Jim carrey. Ator que começou em filmes de comédia e que por isso sofre uma marcação tremendamente injusta por parte da academia. Carrey ficou de fora ou não ganhou nada, apesar das brilhantes atuações em “O Show de Truman”, “O Mundo de Andy” e recentemente no magnífico “Brilho Eterno…”. Já Giamatti é pela segunda vez ignorado (a primeira foi no sensacional “Anti-Herói Americano”). Thomas Haden Church foi indicado a Melhor A. Coadjuvante e está muito bem no filme como o grande amigo de Miles, responsável pelas cenas mais engraçadas do filme. E Virginia Madsen (Indicada para Melhor Atriz Coadjuvante), também está muito bem como a bela garçonete conhecedora de vinhos. Mesmo assim, acho difícil levar qualquer um deles. Quem sabe melhor roteiro adaptado?

MAIS GIANATTI…




ANTI-HERÓI AMERICANO
(AMERICAN SPLENDOR)





Direção: Robert Pulcini, Shari Springer Berman.
Roteiro: Robert Pulcini, Shari Springer Berman.
Elenco: Paul Giamatti, Hope Davis, James Urbaniak, Earl Billings, Harvey Pekar, Judah Friedlander, Toby Radloff, Donal Logue, Molly Shannon e Daniel Tay.

Sinopse: O balconista de hospital Harvey Pekar deixa cair no chão alguns arquivos de óbito e encontra a ficha de um homem que trabalhou a vida inteira como balconista em Cleveland um emprego burocrático, exatamente como o dele. Esse episódio, combinado com o fato de ter visto o seu amigo Robert Crumb se tornar uma pequena celebridade em São Francisco como cartunista, o inspiram a criar a sua própria revista em quadrinhos, chamada American Splendor. A revista, publicada em 1976 com grande sucesso, retratava com realismo o cotidiano do próprio Harvey, um amante compulsivo de jazz e livros.
Harvey Pekar é o cara!!! Uma das figuras ao mesmo tempo mais estranhas e mais comuns das quais já ouvi falar em toda a minha vida. Não sei se pela presença do cada vez melhor Paul Giamatti, que acabou me fazendo lembrar de outro ótimo filme (O Mundo de Andy), ou se pela brilhante adaptação da série de histórias em quadrinhos “American Splendor” que retrata a vida cotidiana do marrento arquivista de hospital, Harvey Pekar, mas o fato é que esse filme é com certeza um dos melhores feitos em 2003. Fiquei maravilhado ao ver mais uma vez quão interessante pode ser a vida desinteressante de uma pessoa qualquer. Alternando entre cenas reais e desenhos animados toscos feitos pelos próprios desenhistas da série (que o retratam de diferentes formas a partir dos roteiros das histórias, e que Giamatti consegue passar para a tela perfeitamente), e entre cenas que contam com a participação do próprio Pekar e outros “personagens” reais do seu dia a dia, que em alguns momentos interagem todos entre si, nos envolvemos completamente com as sensacionais tiradas e observações pessimistas do personagem principal, insatisfeito até com a própria imagem no espelho, que é para ele “uma decepção com a qual sempre pode contar”. Inclusive a quebra da linearidade do filme ligada à questão das múltiplas realidades, onde atores, personagens reais e atores que interpretam os atores (só vendo para compreender melhor) que se encontram durante diversas partes do filme, o tornam ainda mais fascinante. Sensacional a entrevista de Pekar ao Jô Soares norte-americano David Letterman. Mais um filme imperdível e que pelo reconhecimento obtido no festival de cinema independente de Sundance, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri, nos mostra qual o festival norte-americano que realmente merece nossos créditos. A primeira grande injustiça para com o trabalho de Paul Giamatti.

OSCAR 2005:
EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA
(FINDING NEVERLAND)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005






Direção: Marc Forster.
Roteiro: David Magee.
Elenco: Johnny Depp, Kate Winslet, Julie Christie, Radha Mitchell, Dustin Hoffman, Julie Christie, Freddie Highmore.

Em busca da Terra do Nunca era o filme que eu estava precisando ver para melhorar meu humor. O único dos filmes que tem como objetivo passar uma mensagem essencialmente positiva, de que se não atentarmos para o tempo e não dermos vida à criança que existe dentro de nós, nos tornaremos piratas sem graça, com vidas extremamente tediosas e cada vez mais distantes de uma utópica terra do nunca.
E era exatamente isso o que acontecia na vida de James M. Barrie até ele conhecer a viúva Sylvia e seus 4 filhos. É o contato e posterior grande amizade com essa família que dão uma reviravolta na até então entediante e complicada vida de dramaturgo de James. Com repercussões positivas (Inspirado na família surge uma das mais importantes histórias de fantasia de todos os tempos) e negativas, como a raiva de sua esposa pela intimidade do marido com a viúva e seus filhos, os diversos boatos que incluíam desde um caso de James e Sylvia até uma possível relação de pedofilia entre ele e as crianças.
O filme não é completamente fiel à vida real do escritor, e sim uma adaptação de uma peça de teatro sobre o mesmo.
Mas a sensibilidade reina no filme, e Davi Magee e marc Foster resolvem aqui deixar de lado as maiores polêmicas e focar sua história nos belos acontecimentos cotidianos da amizade que deu origem a aventura do menino que não queria crescer. É um filme extremamente emocionante (a cada 5 minutos de exibição meus olhos ficavam rasos d’água) e belo, com diálogos maravilhosos.
Além disso temos o excepcional Johnny Depp em mais uma atuação soberba, e pelo jovem Freddie Highmore, que está muito bem como o problemático Peter.
É delicioso para quem conhece bem a história de Peter Pan, ver no filme os momentos em que o autor se inspirava para escrever a história. Em Busca da Terra do Nunca é realmente um dos melhores filmes de 2004, principalmente pela sua simplicidade, sensibilidade e delicadeza. “Use sua imaginação” e se divirta. Um filme imperdível!!!

Sobre as indicações: Apesar de ter gostado bastante do filme e torcer que ele leve alguma coisa, acho difícil ele catar alguma das principais categorias, como filme, ator e roteiro adaptado.