Direção: Jonathan Glazer.
Roteiro: Milo Addica, Jean-Claude Carrière e Jonathan Glazer.
Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Danny Huston, Lauren Bacall, Arliss Howard, Anne Heche e Peter Stormare.
CONTÉM SPOILLERS!!! CONTÉM SPOILLERS!!! CONTÉM SPOILLERS!!!
Birth é talvez o filme mais ridículo do ano… Parece que o filme foi feito em duas partes, uma sobrenatural e outra realista. O resultado é um filme surrealista, no mau sentido.
Bom, mas não comecemos pelo fim. Uma jovem mulher (ANNA – Nicole Kidman) perde o seu marido (SEAN). O enredo leva-nos a crer que a sua paixão era imensa e eterna, mesmo na sinopse ouvimos a frase do miúdo “Casamo-nos 30 vezes em 30 dias”. A cena da morte de Sean é cortada por uma outra cena a informar-nos que passaram 10 anos e com imagens do nascimento de uma criança – mais uma vez mais a sugerir uma espécie de reencarnação. E Anna ainda não esqueceu completamente o falecido (do qual nunca vimos à cara), no entanto aceita uma proposta de casamento do seu atual namorado, realizando para tal uma festa de arromba. Durante esta parte do filme, o realizador mostra-nos a chegada de um casal amigo (Clifford e Clara), porém o elemento feminino do par inventa uma desculpa e não entra, ainda, na festa. Esta mulher (Anne Hetche) traz consigo uma prenda/caixa que resolve enterrar num parque ali perto. Ela não nota que é seguida pelo miúdo de 10 anos.
Com a data marcada, surge o tal rapaz de 10 anos afirmando ser o SEAN Marido de Anna. Aos poucos esta vai acreditando que o petiz é mesmo SEAN…
Para mostrar o ridículo do filme tenho que contar o fim, por isso se não quiserem saber não leiam mais! Após ser questionado por diversos familiares e amigos, o rapaz sempre confiante e entrosado responde a todas as perguntas acertadamente. Anna acredita profundamente que o rapaz é a reencarnação de SEAN, seu marido.
Nisto convoca o casal amigo para verem o seu marido reencarnado. Anne Hetche, sabendo que algo está mal (porque ao regressar ao local onde enterrou a prenda /caixa não a encontrou) convida o miúdo para a sua casa e confronta-o, dizendo que ele não é o SEAN, porque se assim fosse ela seria a primeira a ser contatada, visto serem amantes. Como prova do amor de SEAN por Clara, ele nunca abriu as cartas enviadas por Anna, que esta enviava ao marido quando ele estava numa das suas viagens freqüentes para o estrangeiro (que conveniente). Assim, Clara abre a mochila do puto e vê as cartas que este andou a ler e a decorar… Sinceramente, como é que o miúdo sabe sequer o que é uma reencarnação ou consegue mentir à frente de toda as pessoas sem vacilar um segundo. É difícil de acreditar.
Há quem diga que o puto é realmente a reencarnação de SEAN, devido à cena da casa de banho em que Clara convida o miúdo para a sua casa e porque ele diz “Não digas à Anna”, sabendo perfeitamente quem ela é. Eu não concordo porque quando ela o confronta na casa ele faz um ar de quem mentiu e tenta fugir. E se assim for o fim do filme torna-se ainda mais estúpido ou então inventa uma nova teoria de reencarnação, uma reencarnação em que mudamos de personalidade e gostos, uma reencarnação a gosto!?!? Cá para mim o puto sabia que este comportamento é um íman de mulheres e por isso aceitou o convite de Clara e já queria pôr os cornos à Anna.
Em princípio, tudo não passou de uma brincadeira, face à carta do miúdo enviada a Anna, lida em voz off. Enfim gozou com a cara de toda a gente e ainda ficou a rir!
A cena da banheira entre a Nicole e o miúdo, é digna de uma cena pedófila… A cena final, onde Anna chora compulsivamente no dia do seu casamento com o novo marido e parece que vai enlouquecer, indica que a Clara tenha enviado as cartas.
Por Bruno
P.S.: Essa crítica foi escrita pelo amigo Bruno do Blog Cinema Existencial de Portugal, especialmente para o Nem Todos São Arte, abrindo mais uma nova sessão, chamada PARTICIPAÇÃO ESPECIAL, apesar de outros amigos já terem colaborado, essa é a primeira vez nessa fase “Interativo” do Blog. O Bruno é um dos nossos companheiros mais antigos e pela primeira vez assina um texto por aqui. Sinceramente espero que esse seja o primeiro de muitos e que outros também sigam esse exemplo e me enviem opiniões sobre filmes ruins como esse.