Arquivo de abril de 2005

ESPECIAL ZHANG YIMOU – PARTE 2:

HEROI
(YING XIONG)

terça-feira, 19 de abril de 2005







Direção: Zhang Yimou.
Roteiro: Li Feng, Zhang Yimou e Wang Bin.
Elenco: Jet Li, Tony Leung, Maggie Cheung, Zhang Ziyi, Daoming Chen, Donnie Yen.

soberano de uma das sete províncias chinesas, luta ferozmente contra as outras com o intuito de unificar todo o território, criando assim um poderoso império. Contra ele, lutam os maiores guerreiros da China, até um deles, conhecido como “Sem Nome”, destruir todos e ir até o próprio Qin, para contar sua versão dos fatos e receber as devidas homenagens e recompensas do soberano.
Em Herói, Zhang Yimou trabalha com as múltiplas verdades, ou seja, uma forma de trabalhar um fato ocorrido, de acordo com a percepção, discernimento e vontade da pessoa que está relatando. Outra relação com o estudo histórico é a parcialidade com que o diretor relata sua história, se aproximando do pensamento Maoísta que vê Qin como um dos grandes heróis da China. Yimou trata a figura do governante com bastante simpatia, seus personagens o vêem como um “mal necessário” para a união do futuro povo chinês e não como um sanguinário assassino que alguns estudos recentes apontam.
Cada cor utilizada aqui pelo Diretor (Azul, Verde, Branco), representa uma versão diferente da mesma história. Cada versão contada de uma maneira apaixonada e romântica, que justificaria os atos em si.
Acho Herói o filme mais poético de Yimou, principalmente pela maravilhosa e emocionantes cenas do lago, da floresta, da luta dentro do palácio e muitas outras, onde vemos que muitas vezes as palavras não são necessárias para expressar um sentimento. Herói é um filme pouco falado (se não tivesse diálogos quase não faria diferença) e que valoriza bastante seus belíssimos cenários e sua vertiginosa ação.
Com mais uma soberba fotografia, uma magnífica direção de arte e uma coreografia de lutas de cair o queixo (dá-lhe Mestre Ping Pong), Zhang Yimou cria mais um clássico moderno do estilo, rivalizando e sendo superior ao Tigre e o Dragão de Ang Lee e o novo Clã das Adagas Voadoras também de sua autoria.

ESPECIAL ZHANG YIMOU – PARTE 1:

O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS
(SHI MIAM MAI FU)

sábado, 16 de abril de 2005







Direção: Zhang Yimou.
Roteiro: Zhang Yimou, Li Feng e Wang Bin.
Elenco: Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Zhang Ziyi, Song Dandan.

Como disse meu amigo Jedi , os filmes de Zhang Yimou são tão belos que a cada cena que vemos, temos a sensação de estarmos observando uma pintura, uma obra de arte dentro de uma galeria. Esse é o terceiro filme que vejo do diretor e pude através dos que vi, concluir que Yimou gosta de mexer com os sentidos dos seus espectadores. Sentimos o cheiro, o gosto das suas cores, como se estivéssemos também, junto com os atores dentro do filme. Seus filmes são uma mistura perfeita dos antigos filmes chineses de artes marciais, dentro do mundo dos Sonhos idealizado por Kurosawa.
A cada filme, apaixono-me mais por essa cultura milenar e tão desconhecida por nós ocidentais, que é a cultura chinesa. Estamos tão acostumados à vida urbana, ao concreto e asfalto e a loucura do mundo moderno, que muitas vezes estranhamos o que originou isso. No caso da Cultura chinesa, o que mais impressiona, é o cuidado que eles possuem em resguardar suas tradições, em manter seus costumes, em valorizar o seu passado (o que no Ocidente pouco fazemos). A prova disso é o próprio grau de desenvolvimento que a China se encontra, dentro de uma sociedade onde passado, presente e futuro se interligam de maneira completamente construtiva.
Novamente, como em Herói, vemos uma história que tem como pano de fundo a luta de um grupo contra um governante déspota, corrupto e sanguinário. Se em Herói víamos a tentativa de alguns assassinos em destruir o futuro Imperador chinês Qin, nesse filme, temos um Grupo inteiro (O Clã das Adagas Voadoras) que buscam de todas as formas, dar um fim definitivo ao sanguinário Imperador Tang. As épocas também são diferentes, o primeiro se passando cerca de 2.000 anos A.C. e o segundo no século IX depois D.C..
O filme se inicia em um momento crucial para a guerra entre os soldados do Império e o Clã. O líder do grupo de assassinos havia sido assassinado há pouco tempo, devido a isso, o Imperador redobra as tentativas de acabar de vez com seus inimigos. Para isso, os soldados Jin e Leo, armam um plano para seguir Mei, uma jovem cega, que pode ser filha do líder assassinado do Clã.
Mas o foco principal do novo filme de Yimou não se encontra na guerra entre esses dois grupos antagônicos. O principal é um belíssimo triângulo amoroso, onde o diretor/roteirista mostra de uma forma maravilhosa como se fazer uma bela história de amor, utilizando clichês, mas sem ser piegas em nenhum momento. Geralmente simpatizamos com um personagem quando vemos um filme do tipo, mas nesse caso, fiquei na dúvida até o final da exibição.
A cena final do filme é de uma beleza ímpar, onde o próprio clima é alterado para acompanhar os sentimentos dos personagens e aumentar a beleza visual da cena. Um filme que deve ser visto e revisto inúmeras vezes.

OLHOS FAMINTOS 2
(JEEPERS CREEPERS 2)

quinta-feira, 14 de abril de 2005






(_*_) (_*_) (_*_) (_*_) (_*_)


Direção: Victor Salva
Roteiro: Victor Salva
Elenco: Uma porrada de gente sem talento nenhum e que não interessa a ninguém e Jonathan Breck, que apesar de também não interessar a ninguém, interpreta o demônio que tenta matar todo mundo.

No filme em que nem o Diretor Victor se Salva (trocadilho idiota como o filme. hehehe), temos a mesma bobagem de todos os milhares outros do gênero (ah, como eu odeio Pânico, o maior culpado por tudo isso). Um demônio psicopata, que a cada 23 anos, durante 23 dias mata diversas pessoas para arrancar partes específicas do corpo, já que ele se alimenta e se regenera a partir delas. No 22º dia de massacre, a criatura ataca um ônibus escolar cheio de adolescentes idiotas, matando vários deles. Os alimentos do capeta só podem contar com a ajuda de um fazendeiro e um de seus filhos, que tenta de toda forma matar o monstro que levou seu filho caçula Repleto de clichês, um final completamente sem graça, a ausência de personagens carismáticos e a deixa para MAIS uma seqüência (sinceramente, assim não tem quem agüente), fazem desse filme uma experiência a se evitar. Uma bomba que não deveria ser filmada nem “há cada 23 primaveras”.

P.S.: E parabéns a nossa linda e maravilhosa cidade de Fortaleza, que completou ontem (13/04), 279 anos de sua emancipação política!!!

DOIS EM UM

sábado, 9 de abril de 2005


OS INCRÍVEIS
(THE INCREDIBLES)




Direção: Brad Bird.
Roteiro: Brad Bird.
Elenco (Vozes): Craig T. Nelson (Roberto Pêra / Sr. Incrível), Holly Hunter (Helen Pêra / Mulher-Elástica), Samuel L. Jackson (Lucius Best / Gelado), Jason Lee (Bochecha / Síndrome), Dominique Louis (Bomb Voyage), Teddy Newton (Narrador), Jean Sincere (Sra. Hogenson), Wallace Shawn (Gilbert Huph), Spencer Fox (Flecha Pêra), Lou Romano (Bernie Kropp), Sarah Vowell (Violeta Pêra), Michael Bird (Tony Rydinger), Elizabeth Peña (Mirage), Bud Luckey (Rick Dicker), Brad Bird (Edna Moda), Bret Parker (Kari)

A melhor animação já feita até hoje!!!
Isso define muito bem o que achei de mais uma pequena obra prima da Pixar. Mas não confundam melhor animação com melhor história de uma animação, pois ainda prefiro Toy Story 2.
Os incríveis com certeza é um divisor de águas no estilo, pois até o momento não lembro de nenhum estúdio que fez um filme como esse. Quebra-se então uma barreira, portanto abrindo espaço para outros tipos de histórias serem feitos no computador.
Digo isso pois não achei Os Incríveis um filme infantil. Achei sim um filme de ação com alguns personagens que agradam as crianças (O Flecha e o bêbê por exemplo).
Com poderes muito semelhantes a familia de heróis mais conhecida dos quadrinhos, o Quarteto Fantástico, a Pixar com certeza torna ainda mais difícil a vida dos responsáveis pela adaptação do quarteto, afinal de contas as cenas em que a familia do Sr. Incrível utiliza seus poderes é de fazer cair o queixo. O roteiro do filme foi outro grande acerto, Brad Bird acertou em cheio em fazer sua história partindo da mesma idéia dos outros filmes de heróis produzidas ultimamente, onde eles mostram também ser vulneráveis, com vidas pessoais desenvolvidas e complexas, como qualquer um de nós.
Um filme que deve ser visto e revisto, não só pela criançada, mas por todos que gostam de uma boa aventura de super heróis.


BOB ESPONJA – O FILME
(THE SPONGEBOB SQUAREPANTS MOVIE)





Direção: Stephen Hillenburg
Roteiro: Derek Drymon, Tim Hill, Stephen Hillenburg, Kent Osborne, Aaron Springer e Paul Tibbett, baseado em estória de Stephen Hillenburg
Elenco (Vozes): Wendell Bezerra (Bob Esponja), Luiz Carlos de Moraes (Sr. Sirigueijo), Daoiz Cabezudo (Lula Molusco), Marco Antônio Abreu (Patrick), Guilherme Lopez (Plankton), Affonso Amajones (Dennis), Raquel Marinho (Mindy), Antônio Moreno (Rei Netuno).

Outro ótimo desenho animado (esse é no estilo convencional, se diferenciando um pouco pelas utilizações de cenas reais) exibido durante essas férias de final de ano. E Stephen Hillenburg está de parabéns por essa primeira empreitada de Bob Esponja e sua turma na sala escura. Pelo menos para quem já viu alguns dos hilariantes episódios desses maravilhosos personagens marinhos criados por ele. É impressionante o carisma que essas criaturas inventadas (os sobrinhos da minha namorada que não leiam isso) possuem e como elas podem animar até defunto. No caso, é claro, do defunto não sofrer de nenhum preconceito imbecil por tratar-se de um filme para crianças. E isso é uma das coisas que mais me impressionam, o desenho é super infantil, claramente feito para aqueles que ainda não podem ficar até mais tarde esperando o Corujão começar. Mas como toda boa animação, a história é infantil mas pode agradar a todos que estiverem assistindo mesmo fora do perfil da maioria dos fãs do Bob Esponja (crianças e mulheres). Então não se sinta admirado se na sala que você foi a proporção de casais seja maior que a de crianças.
Nessa aventura, Bob Esponja e Patrick (depois do personagem principal, o melhor da série) vão atrás da coroa de Netuno que foi roubada, dessa forma eles podem provar a todos que não são mais crianças. No caminho acabam enfrentando diversos perigos, entre monstros marinhos, vilões perigosos e diversos bandidos.
E pra completar minha felicidade, temos no final, uma versão muito legal de uma das maiores musicas de Rock n’ Roll de todos os tempos, I Wanna Rock, do Twisted Sister. Diferentemente dos Incríveis, Bob Esponja é um filme realmente infantil, mas tão bom que com certeza agradará a todas as idades.

PS: Para quem ainda não viu nem um dos dois, Os incríveis já deve ter nas locadoras. E o filme do Calça Quadrada deve estar disponível até o final do mês.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
REENCARNAÇÃO
(BIRTH)

sexta-feira, 8 de abril de 2005




Direção: Jonathan Glazer.
Roteiro: Milo Addica, Jean-Claude Carrière e Jonathan Glazer.
Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Danny Huston, Lauren Bacall, Arliss Howard, Anne Heche e Peter Stormare.

CONTÉM SPOILLERS!!! CONTÉM SPOILLERS!!! CONTÉM SPOILLERS!!!

Birth é talvez o filme mais ridículo do ano… Parece que o filme foi feito em duas partes, uma sobrenatural e outra realista. O resultado é um filme surrealista, no mau sentido.
Bom, mas não comecemos pelo fim. Uma jovem mulher (ANNA – Nicole Kidman) perde o seu marido (SEAN). O enredo leva-nos a crer que a sua paixão era imensa e eterna, mesmo na sinopse ouvimos a frase do miúdo “Casamo-nos 30 vezes em 30 dias”. A cena da morte de Sean é cortada por uma outra cena a informar-nos que passaram 10 anos e com imagens do nascimento de uma criança – mais uma vez mais a sugerir uma espécie de reencarnação. E Anna ainda não esqueceu completamente o falecido (do qual nunca vimos à cara), no entanto aceita uma proposta de casamento do seu atual namorado, realizando para tal uma festa de arromba. Durante esta parte do filme, o realizador mostra-nos a chegada de um casal amigo (Clifford e Clara), porém o elemento feminino do par inventa uma desculpa e não entra, ainda, na festa. Esta mulher (Anne Hetche) traz consigo uma prenda/caixa que resolve enterrar num parque ali perto. Ela não nota que é seguida pelo miúdo de 10 anos.
Com a data marcada, surge o tal rapaz de 10 anos afirmando ser o SEAN Marido de Anna. Aos poucos esta vai acreditando que o petiz é mesmo SEAN…
Para mostrar o ridículo do filme tenho que contar o fim, por isso se não quiserem saber não leiam mais! Após ser questionado por diversos familiares e amigos, o rapaz sempre confiante e entrosado responde a todas as perguntas acertadamente. Anna acredita profundamente que o rapaz é a reencarnação de SEAN, seu marido.
Nisto convoca o casal amigo para verem o seu marido reencarnado. Anne Hetche, sabendo que algo está mal (porque ao regressar ao local onde enterrou a prenda /caixa não a encontrou) convida o miúdo para a sua casa e confronta-o, dizendo que ele não é o SEAN, porque se assim fosse ela seria a primeira a ser contatada, visto serem amantes. Como prova do amor de SEAN por Clara, ele nunca abriu as cartas enviadas por Anna, que esta enviava ao marido quando ele estava numa das suas viagens freqüentes para o estrangeiro (que conveniente). Assim, Clara abre a mochila do puto e vê as cartas que este andou a ler e a decorar… Sinceramente, como é que o miúdo sabe sequer o que é uma reencarnação ou consegue mentir à frente de toda as pessoas sem vacilar um segundo. É difícil de acreditar.
Há quem diga que o puto é realmente a reencarnação de SEAN, devido à cena da casa de banho em que Clara convida o miúdo para a sua casa e porque ele diz “Não digas à Anna”, sabendo perfeitamente quem ela é. Eu não concordo porque quando ela o confronta na casa ele faz um ar de quem mentiu e tenta fugir. E se assim for o fim do filme torna-se ainda mais estúpido ou então inventa uma nova teoria de reencarnação, uma reencarnação em que mudamos de personalidade e gostos, uma reencarnação a gosto!?!? Cá para mim o puto sabia que este comportamento é um íman de mulheres e por isso aceitou o convite de Clara e já queria pôr os cornos à Anna.
Em princípio, tudo não passou de uma brincadeira, face à carta do miúdo enviada a Anna, lida em voz off. Enfim gozou com a cara de toda a gente e ainda ficou a rir!
A cena da banheira entre a Nicole e o miúdo, é digna de uma cena pedófila… A cena final, onde Anna chora compulsivamente no dia do seu casamento com o novo marido e parece que vai enlouquecer, indica que a Clara tenha enviado as cartas.

Por Bruno

P.S.: Essa crítica foi escrita pelo amigo Bruno do Blog Cinema Existencial de Portugal, especialmente para o Nem Todos São Arte, abrindo mais uma nova sessão, chamada PARTICIPAÇÃO ESPECIAL, apesar de outros amigos já terem colaborado, essa é a primeira vez nessa fase “Interativo” do Blog. O Bruno é um dos nossos companheiros mais antigos e pela primeira vez assina um texto por aqui. Sinceramente espero que esse seja o primeiro de muitos e que outros também sigam esse exemplo e me enviem opiniões sobre filmes ruins como esse.