Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


31/7/2005

SIN CITY


Direção: Robert Rodriguez, Frank Miller e Quentin Tarantino (uma cena) .
Roteiro: Frank Miller.
Elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Clive Owen, Nick Stahl, Powers Boothe, Rutger Hauer, Elijah Wood, Rosario Dawson, Benicio Del Toro, Michael Clarke Duncan, Frank Miller, Josh Hartnett.

Sin City pode até não ser a melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos, mas com certeza esse filme abre uma gama de possibilidades para esse estilo de filme. Robert Rodriguez, graças a Eru, deve ser um dos maiores fãs dos quadrinhos do Frank Miller, pois só isso para justificar a coragem em traduzir a sua obra máxima, ipsi litri, para o cinema. Sin City não é uma adaptação, com algumas mudanças necessárias para adequar os hq’s ao cinema. Esse filme é nada mais nada menos do que a própria Graphic Novel em movimento. Sin City é mais do que um filme, pois é também uma das melhores experiências cinematográficas desse ano. Colocando para traz filmes como Star Wars: Episódio III e Batman Begins .

Robert Rodriguez e Frank Miller (Tarantino só dirigiu uma única cena e bem curta, diga-se de passagem) optaram por mostrar aqui 3 histórias, O Assassino Amarelo, com um Bruce Willis matador, assumindo o avançar de sua idade na pele do policial Hartigan; A Cidade do Pecado, protagonizado por Mickey Rourke que está perfeito como o truculento Marv (personagem mais marcante da Cidade do Pecado); e A Grande Matança, tendo a frente o ator Clive Owen (Dwight), que a cada dia se recupera mais da bomba “Rei Arthur”. Além dos protagonistas, temos um elenco sensacional, composto por nomes como Benicio Del Toro, Rutger Hauer (que está tendo a carreira salva pelas adaptações de HQ), Nick Stall, Josh Hartnett, Elijah Wood (provando que nem só de Hobbits se vive um ator), Rosário Dawson entre muitos outros. Propositalmente, prefiro não falar mais nada sobre a história do filme em si.
A quebra de linearidade é para mim um dos pontos mais fortes do filme. Rodriguez mistura os personagens de suas histórias, tornando-os protagonistas, coadjuvantes e figurantes de todas elas, o que torna a narrativa ainda melhor. As cores também merecem um grande destaque. O filme, como os quadrinhos de Miller, são basicamente em branco e preto, com exceção de alguns momentos, onde cores fortes como vermelho e amarelo, são utilizados como forma de dar ênfase a sentimentos, como amor, luxúria, ódio ou repugnância. Isso foi bastante facilitado pela utilização de cenários virtuais, como feito no filme Capitão Sky e o Mundo do Amanhã . ou em Star Wars. E isso tudo com apenas 45 milhões de dólares, orçamento baixo para um filme desse grau de complexidade e com um elenco tão grande.

A maquiagem do filme também é excepcional, deixando os atores que já eram parecidos com os personagens, idênticos. Olhe o desenho de Marv, Jack Boy ou do Amarelo Bastardo, veja o filme e veja como não é nem um pouco fácil descobrir os atores que os interpretam.
Nudez e violência também são presenças constantes do filme. A violência é um artifício utilizado por todos os lados, como algo corriqueiro e necessário dentro da Cidade do Pecado. Todos são heróis e vilões, e todos têm motivos para fazer o que fazem. A violência nunca é gratuita, é sempre justificada. Prepare-se também para ver personagens com força, vigor, e responsáveis por ações completamente impossíveis no mundo real, mas completamente comuns no universo do nanquim e papel (afinal de contas, esse filme não é o Batman).
Cada uma das histórias possui um final surpreendente e matador, além disso, há muita coisa a ser mostrada, inventada e muitas pontas soltas para futuras e bem vindas continuações, além da própria quebra de lineariedade citada anteriormente, que tornará tudo ainda mais interessante, pois possibilitará a participação de personagens que supostamente morreram nesse primeiro filme nas espero eu, continuações que virão. No fim a constatação é óbvia. Para nossa alegria, Quadrinhos e Cinema são dois meios que podem coexistir e se unir indefinidamente, principalmente se mantiverem a alta qualidade e respeito à obra original que o diretor Robert Rodriguez teve.

Arquivado em: Vladimir @ 12:27 am

27/7/2005

ALONE IN THE DARK
“O DESPERTAR DO MAL”





(_*_) (_*_) (_*_) (_*_) (_*_)


Direção: Uwe Boll.
Roteiro: Élan Mastai, Michael Roesh, Peter Scheerer.
Elenco: Christian Slater, Tara Reid, Stephen Dorff, Will Sanderson, Frank C. Turner, Mattew Walker, Françoise Yip.


CONTÉM SPOILLERS,
MAS LEIA PARA EVITAR ALGO PIOR!!!


Mais uma adaptação de um game chega aos cinemas (no caso do Brasil, felizmente, direto às vídeo locadoras). Depois de um bom começo com o primeiro Resident Evil, fomos de certa forma, meio que bombardeados por outras adaptaçõesn de games, na maioria muito mal feitas e com histórias muito bobas, caso da própria continuação do Residente Evil (Nemesis), como também da aparente bomba, House of Dead (acho que é esse o filme). Por vir, ainda teremos mais uma continuação do Resident Evil, Silent Hill e Doom (esses dois últimos não deixam de ser uma esperança, pelos nomes envolvidos e pelos jogos, que são muito bacanas), entre outras mais desconhecidas por mim, que confesso não ser um grande conhecedor de Games.
Mas vamos ao Alone in the Dark.
Essa é com certeza uma das maiores bombas do ano até o momento. Fico até assustado em admitir a possibilidade de ver esse ano, filmes ainda piores, apesar de ter a certeza de que isso ocorrerá. Várias coisas são responsáveis por isso, em um projeto onde não existe um só culpado, pois todos devem ser responsabilizados.
A história do filme é a seguinte: Cientista realiza experiências com crianças órfãs, envolvendo mutações com estranhas criaturas, algo da errado as crianças são massacradas, com exceção de uma. Anos depois, acompanhamos claramente osobrevivente desses órfãos (que apesar da tentativa do diretor em tranformar isso em uma surpresa, ele passa muito, mas muito longe mesmo, de conseguir), que agora é detetive sobrenatural e arqueólogo e está prestes a descobrir algo muito importante sobre uma milenar e extinta civilização. Carnby (o tal detetive), também foi membro de uma agência do governo, chamada de Agência 713 (investigações paranormais). Então, paralelamente, Carnby e o cientista louco realizam a mesma busca, mas por motivos diferentes, aos artefatos dessa tal civilização. Pronto, agora é só somar a essa besterada as criaturas das sombras (diga-se de passagem, nem malfeitas) que foram presas há milhares de anos pela civilização antiga e libertadas pelo cientista doidão para acabar com seus inimigos e dar início a um sem sentido mundo de trevas, onde até o cientista se lascaria. Se você ainda não foi convencido de que o filme é uma porcaria, continue.



Como forma de ilustrar a resenha e só para vocês sentirem o drama da coisa, relato aqui alguns dos clichês vistos no filme:

· Cientista “do mal”, que fica louco depois de ter seus planos inicialmente frustrados;
· Agente substituto e antigo amigo do mocinho, que briga com ele o filme inteiro, para no final, antes de se sacrificar, redescobrir o “verdadeiro valor da amizade”;
· Cena de sexo sem nenhuma necessidade e de uma sensualidade digna de um discurso do Papa Bento XVI;

Se você ainda não saiu do Blog, ou ainda não vomitou, espere que tem mais….

· Sustos e Mortes desnecessárias, Mortes desnecessárias e sustos, mais tentativas de sustos, sustos e sustos. O problema? Não assustam…;
· Essa é de lascar: No final do filme, vários soldados e os três mocinhos tem que ir até uma mina que tb é um laboratório secreto, chegando lá eles tem que atravessar três pisos, onde os figurantes vão morrendo aos poucos, ou aos muitos. Ganha um dãããããããã quem acertar quem chega até o último nível;
· Mas essa é ainda pior: Um dos três se sacrifica (no começo do filme, assim que o personagem aparece, vc já sabe que ele cedo ou tarde comerá capim pela raiz e mais, tudo com uma grande explosão e com um final descaradamente copiado do primeiro filme, onde a cidade se encontra devastada pelas forças do “malauauauauaua” que foram liberadas…

Encerro aqui com uma das frases mais interessantes do filme: “Se você não morreu até aqui, você já está morto”. E eu digo, só se for de rir, ou de raiva.

PS: O amigo HENRIQUE MIURA, acertou em cheio a resenha do filme que seria publicada e ganhou uma minicoleção de cartazes de filmes, com o selo de qualidade do NEM TODOS SÃO ARTE.

Arquivado em: Vladimir @ 4:53 pm

22/7/2005

KUNG FUSÃO
(KUNG FU HUSTLE)






Direção: Stephen Shou.
Roteiro: Stephen Chow, Tsang Kan Cheong, Chan Man Keung.
Elenco: Stephen Chow (Sing), Leung Siu Lung, Yuen Wah, Yuen Qiu, Dong Zhi Hua, Chiu Chi Ling, Xing Yu, Huang Sheng Yi, Lam Tze Chung, Tin Kai Man, Lam Suet, Jia Kang Xi, Fung Hak On.

Com certeza, Kung Fu Hustle (me recuso a utilizar a tradução que fizeram aqui no Brasil) é a comédia das férias. A ator/diretor chinês Stephen Shou, mais uma vez nos dá uma prova de toda a genialidade do cinema Chinês, nos mais diversos estilos.
Quem gosta de boas comédias, com ótimas cenas de ação e artes marciais, com certeza vai começar a prestar muita atenção, em tudo que esse diretor/ator chinês fez e fará de agora em diante. O seu segundo filme aberto ao ocidente, Kung-Fusão é simplesmente, até agora, uma das comédia mais divertidas do novo milênio (isso porque ainda não vi o Shaolim Soccer, que quase todo mundo que viu diz ser melhor). O que importa mesmo, é que esses dois filmes de Shou para mim, estão para o estilo comédia, assim como “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” estavam para esse estilo quando foram lançados. Tudo isso, devido as muitas inovações do diretor no filme, como a aproximação das cenas com desenhos animados e o retorno a filmes de anti-heróis simpáticos e no fundo bondosos, como eram os estrelados pelo vagabundo de Chaplin, e o Trinity de Terence Hill.
No filme, Sing é um vagabundo, sempre acompanhado por um pateta amigo, ambos sempre buscando uma forma de entrar na Gangue do Machado, grupo criminoso que domina a cidade, menos um pequeno vilarejo, traduzido no filme como XI-KEIRO (sem comentários).A dificuldade de Sing e da própria gangue em dominar o pequeno vilarejo, é a série de grandes mestres das artes marciais que viviam clandestinamente no local. Então, os lideres da gangue, passam o filme procurando uma forma de acabar com os mestres, tomando definitivamente o vilarejo (mais uma alusão aos antigos desenhos da Looney Toones). Por fim, Sing tem que descobri o seu verdadeiro papel nesse conflito e descobrir quem realmente é e qual o seu verdadeiro potencial, antes que seja muito tarde.
Referências a filmes como Chicago, Gangues de Nova York, Forrest Gump e Homem-Aranha. O filme possui uma influência mais do que explícita aos maravilhosos desenhos animados da Turma do Pernalonga (Looney Toones), presente em cenas de corrida que lembram o ligeirinho ou o papa léguas, ou as famosas quedas de lugares altos e esmagamentos de membros depois de brigas. Além dessa semelhança, podemos perceber também a grande alusão feita ao filme Matrix, principalmente na luta com os membros da Gangue do Machado no final do filme, clara homenagem a super briga de Matrix Reloaded.
Um filme imperdível para os apreciadores de boas comédias…

PS: Desculpem as demoras nas atualizações, e a minha ausência durante esses dias. Mas eu estou de férias né pow? hehehe.
PS2: Cenas do próximo capítulo (novamente valendo uma minicoleção de cartazes): CRIATURAS MILENARES, MONSTRUOSAS E ASSASSINAS, DE VOLTA A ATIVA, APÓS UM GANANCIOSO E LUNÁTICO CIENTISTA LIBERTÁ-LAS, QUEM PODERÁ DETÊ-LAS? (Não é O Chapolim, infelizmente). UMA SÉRIE DE IMBECIS E RIDÍCULOS CLICHÊS NUMA DAS PIORES ADAPTAÇÕES DO ESTILO NESSE MILÊNIO.

Arquivado em: Vladimir @ 9:02 pm

17/7/2005

ESPECIAL: SESSÃO HUMOR NEGRO
TODO MUNDO QUASE MORTO
(SHAUN OF THE DEAD)





Direção: Edgar Wright.
Roteiro: Simon Pegg, Edgar Wright.
Elenco: Simon Pegg, Kate Ashfield, Nick Frost, Dylan Moran, Lucy Davis, Penelope Wilton, Bill Nighy, Peter Serafinowicz, Jessica Stevenson, Mark Donovan.

Um dos melhores filmes de Humor Negro que vi até hoje e um dos filmes mais legais que vi esse ano. Todo Mundo Quase Morto (tradução ridícula para Shaun of the Dead), é uma sátira aos excelentes filmes de Zumbi do George Romero.
Shaun é um solitário e fracassado ser humano que acaba de perder a namorada por não conseguir se livrar de seu inconveniente e folgado melhor amigo, Ed. Além disso, Shaun não é levado a sério por ninguém, desde os companheiros de trabalho, até seus próprios pais (mãe e padrasto) e namorada. Então, em um desses dias que tudo de ruim acontece, onde só falta um vírus atacar a população e transformar a todos em mortos vivos comedores de carne humana, incrivelmente, de uma hora para outra, o que era ruim fica ainda pior, e um vírus começa a transformar os londrinos em zumbis comedores de carne humana e Shaun, acaba liderando um grupo de sobreviventes (onde a maioria NÃO confia nele), em busca de um abrigo seguro.
Esse filme deveria ter sido lançado juntamente com Madrugada dos Mortos, mas devido à semelhança com o mesmo, acabou ficando na geladeira por algum tempo. Uma das justificativas também, seria a que esse filme seria uma sátira direta ao filme do Zack Snyder, o que é um engano, já que as piadas aqui são todas relacionadas diretamente em torno da mitologia criada pelo Mestre George Romero. As piadas são feitas em cima dos muitos clichês existentes em filmes do gênero, como a movimentação lenta dos zumbis, o pequeno grupo que vai sendo aos poucos dizimado pelos mortos vivos e em que cada indivíduo possue uma função comum (o gente boa que se torna líder do grupo e seu par romântico, o idiota, o arrogante que odeia o líder, a vadia e os completamente descartáveis) e como aos poucos o desespero do confinamento vai destruindo-os um a um.



Mais um exemplar do refinado e excelente humor inglês, dessa vez com pitadas de terror e aventura.
O filme se tornou um cult desde que foi lançado, com excelente bilheteria mundo a fora, escolhido como um dos melhores filmes do ano na Inglaterra, e até virou revista em quadrinhos nos Estados Unidos.
Um filme para se ver e rever, rir e rir. Indispensável para os fãs do estilo.

PS: O pontapé inicial para uma tentativa de criação de uma homenagem ao mestre George Romero.

Arquivado em: Vladimir @ 8:53 pm

15/7/2005

A MALDIÇÃO DE CARRIE
(CARRIE 2)





(_*_) (_*_) (_*_) (_*_) (_*_)


Direção: Katt Shea.
Roteiro: Rafael Moreu.
Elenco: Emily Bergl, Jason London, Dylan Bruno, J. Smith-Cameron, Amy Irving, Zachery Ty Bryan, John Doe.

Eu não tenho a menor dúvida de que a cada 100 continuações de filmes que Hollywood produz, 97,5 delas são verdadeiras bobagens caça-níqueis. A Maldição de carrie se enquadra perfeitamente nesse perfil (do lado ruim, é claro).
Devemos levar em conta que Carrie, foi uma ótima adaptação de um livro de Stephen King na década de 80, sobre uma garota paranormal com sérios problemas de relacionamento e que após ser enganada por adolescentes e humilhada por eles no meio do baile de sua escola, utiliza seus poderes para matar a todos, com a exceção de Sue Snell (Irving); coisa, que essa continuação nem de longe conseguiu fazer.
Em 1999, passamos a acompanhar a vida da jovem Rachel Lang (Emily Bergl), que é meia irmã de Carrie e também é telecinética, também é menosprezada pelos colegas; também se apaixona por um dos caras (Jason London) que é gente boa, mas é amigo da galera que quer humilhá-la; também vai para uma festa semelhante a um baile; também bota pra fuder em todo mundo e também acaba morrendo. Mas não, não se trata de um remake do filme com Sissy Spacek, é sim uma tentativa de… e eu que vou saber???
Ah, e antes que eu esqueça, se Sue Snell escapou no primeiro filme, dessa vez ela tomou no FRU FRU. Insistir no erro aqui, com certeza foi uma grande burrice.

PS: Cenas do próximo capítulo: O QUE PODERIA SER PIOR DO QUE, UM PÈSSIMO EMPREGO, UM FORA DA NAMORADA E O DESCRÉDITO DOS PAIS E DE TODOS? ESPERE QUE VOCÊ VERÁ…
PS2: Tem atualização no Literatura Fantástica.

Arquivado em: Vladimir @ 1:35 am

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