SIN CITY
Direção: Robert Rodriguez, Frank Miller e Quentin Tarantino (uma cena) .
Roteiro: Frank Miller.
Elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Clive Owen, Nick Stahl, Powers Boothe, Rutger Hauer, Elijah Wood, Rosario Dawson, Benicio Del Toro, Michael Clarke Duncan, Frank Miller, Josh Hartnett.
Sin City pode até não ser a melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos, mas com certeza esse filme abre uma gama de possibilidades para esse estilo de filme. Robert Rodriguez, graças a Eru, deve ser um dos maiores fãs dos quadrinhos do Frank Miller, pois só isso para justificar a coragem em traduzir a sua obra máxima, ipsi litri, para o cinema. Sin City não é uma adaptação, com algumas mudanças necessárias para adequar os hq’s ao cinema. Esse filme é nada mais nada menos do que a própria Graphic Novel em movimento. Sin City é mais do que um filme, pois é também uma das melhores experiências cinematográficas desse ano. Colocando para traz filmes como Star Wars: Episódio III e Batman Begins .
Robert Rodriguez e Frank Miller (Tarantino só dirigiu uma única cena e bem curta, diga-se de passagem) optaram por mostrar aqui 3 histórias, O Assassino Amarelo, com um Bruce Willis matador, assumindo o avançar de sua idade na pele do policial Hartigan; A Cidade do Pecado, protagonizado por Mickey Rourke que está perfeito como o truculento Marv (personagem mais marcante da Cidade do Pecado); e A Grande Matança, tendo a frente o ator Clive Owen (Dwight), que a cada dia se recupera mais da bomba “Rei Arthur”. Além dos protagonistas, temos um elenco sensacional, composto por nomes como Benicio Del Toro, Rutger Hauer (que está tendo a carreira salva pelas adaptações de HQ), Nick Stall, Josh Hartnett, Elijah Wood (provando que nem só de Hobbits se vive um ator), Rosário Dawson entre muitos outros. Propositalmente, prefiro não falar mais nada sobre a história do filme em si.
A quebra de linearidade é para mim um dos pontos mais fortes do filme. Rodriguez mistura os personagens de suas histórias, tornando-os protagonistas, coadjuvantes e figurantes de todas elas, o que torna a narrativa ainda melhor. As cores também merecem um grande destaque. O filme, como os quadrinhos de Miller, são basicamente em branco e preto, com exceção de alguns momentos, onde cores fortes como vermelho e amarelo, são utilizados como forma de dar ênfase a sentimentos, como amor, luxúria, ódio ou repugnância. Isso foi bastante facilitado pela utilização de cenários virtuais, como feito no filme Capitão Sky e o Mundo do Amanhã . ou em Star Wars. E isso tudo com apenas 45 milhões de dólares, orçamento baixo para um filme desse grau de complexidade e com um elenco tão grande.
A maquiagem do filme também é excepcional, deixando os atores que já eram parecidos com os personagens, idênticos. Olhe o desenho de Marv, Jack Boy ou do Amarelo Bastardo, veja o filme e veja como não é nem um pouco fácil descobrir os atores que os interpretam.
Nudez e violência também são presenças constantes do filme. A violência é um artifício utilizado por todos os lados, como algo corriqueiro e necessário dentro da Cidade do Pecado. Todos são heróis e vilões, e todos têm motivos para fazer o que fazem. A violência nunca é gratuita, é sempre justificada. Prepare-se também para ver personagens com força, vigor, e responsáveis por ações completamente impossíveis no mundo real, mas completamente comuns no universo do nanquim e papel (afinal de contas, esse filme não é o Batman).
Cada uma das histórias possui um final surpreendente e matador, além disso, há muita coisa a ser mostrada, inventada e muitas pontas soltas para futuras e bem vindas continuações, além da própria quebra de lineariedade citada anteriormente, que tornará tudo ainda mais interessante, pois possibilitará a participação de personagens que supostamente morreram nesse primeiro filme nas espero eu, continuações que virão. No fim a constatação é óbvia. Para nossa alegria, Quadrinhos e Cinema são dois meios que podem coexistir e se unir indefinidamente, principalmente se mantiverem a alta qualidade e respeito à obra original que o diretor Robert Rodriguez teve.

