Direção: Steven Spilberg.
Roteiro: David Koepp e Josh Friedman
Elenco: Tom Cruise, Dakotta Fanning, Tim Robins, Miranda Otto, Justin Chatwin.
A invasão começou, e os aliens de Spilberg deixaram de acender o dedo e pedir para ir para casa ou tocar músicas para se comunicar…
CONTÉM SPOILLERS
H. G. Wells foi um dos mais importantes escritores do gênero Ficção Científica. Criou obras como “A Ilha do Dr. Moreau”, “O Homem Invisível” e obras de maior importância, como “A Máquina do Tempo” e “Guerra dos Mundos”, recém adaptada por Steven Spilberg.
Em Guerra dos Mundos, Wells utilizou seu vasto conhecimento científico e político, para retratar como seria a invasão de seres alienígenas hostis a nosso planeta e como reagiríamos a essa invasão, mesmo sendo belicamente inferiores ao inimigo. Vindos de Marte, o planeta vermelho, esses seres seriam a personificação dos nossos maiores medos. Com uma clara carga política anti-imperialista (Wells aparentemente seria socialista e grande opositor dos avanços imperialistas europeus aos países da Ásia e África), essa obra não seria nem de longe apenas entretenimento, e sim uma espécie de recado a essas potências, que da mesma forma que invadiam, poderia também ser invadidas e destruídas. Outro ponto fundamental, a história se passava no final do século XIX, sendo essa, uma versão contemporânea da mesma.
Então, o que Spilberg utilizaria dessa obra em seu remake? Muito pouco, ou melhor, quase nada, já que o diretor claramente foca seu filme em um contexto micro (a família do personagem de Cruise), e não no macro (a guerra, os motivos e conseqüências da invasão em si). Para não ser injusto, em alguns momentos do longa são feitas referências a um lado mais político, como a personagem de Dakota Fanning pergunta a assustada ao seu pais, se eles estão sendo atacados por terroristas (clara crítica a cultura do medo do Governo Bush pós 11 de Setembro), ou no próprio desfecho do filme, onde é feita uma interessante alusão a chegada do Conquistador Europeu ao novo Mundo e as devastações causadas pelo mesmo (no filme ocorre em um sentido meio que inverso, já que são os invasores que são derrotados devido às “impurezas do povo oprimido”). É impressionante também, a forma como o diretor trabalha os dois momentos da população em relação aos acontecimentos. Num primeiro, o deslumbre e a curiosidade são os focos principais, para logo depois serem substituídos pelo mais completo pavor, desespero e perplexidade perante a destruição realizada pelos alienígenas (que no filme, diferentemente do livro, não são apresentados como marcianos, ficando para mim, apenas a alusão disso devido a tentativa dos mesmo de deixar o planeta vermelho com sua bizarra vegetação).
Portanto, Spilberg dá mais uma vez o seu toque família (um dos seus pontos fracos), colocando como espinha dorsal do filme, o sofrido relacionamento do personagem de Tom Cruise com seus filhos, que de pai distante, omisso e irresponsável, passa no final da fita, após enfrentar as inúmeras ameaças e proteger seus filhos, a ser o herói do lar.
Mas mesmo não gostando muito dessa abordagem, gostei bastante do filme, pois ele é um dos poucos blockbusters, possuidor de um final que nos deixa com uma pulga atrás da orelha e nos fazem pensar (eu não fiquei apenas com uma pulga, mas com uma população inteira delas).
Tecnicamente o filme é quase impecável, com cenas de destruição assustadoras (que apesar de sensacionais, são estranhas e não tão contundentes devido à ausência de realismo (nesse caso, entenda violência como realismo), com exceção às cenas onde Ray chega em casa em choque e completamente sujo das cinzas das pessoas desintegradas pelos tripodis e a cena dos corpos seguindo a correnteza do rio. Além dessas, quase não são mostrados corpos, o que é no mínimo estranho já que as máquinas alienígenas não tem como única arma e forma de matar, os seus raios desintegradores) criadas pela Industrial Light and Magic. O som também é digno de destaque. A representação constante do barulho das máquinas trabalhando é quase tão assustador quanto a visão das mesmas. A narração de Morgan Freeman no prólogo e epílogo do filme dão o charme final ao filme e servem como homenagem a fantástica adaptação radiofônica da obra de Welles, feita pelo genial Orson Welles, em 1938.
É impossível também não fazer uma alusão ao filmes de et´s do Shyamalan (o subestimado Sinais). Podemos ver semelhança desde o núcleo principal da trama (a família), até o desfecho do filme. Mas não pretendo aprofundar mais essa possibilidade de discussão.
Resumindo, Guerra dos Mundos é um bom filme, mas bem longe de ser genial. Digno de horas e horas de excelentes discussões, mas que com certeza seria muito melhor, se conduzido por um Spilberg um pouco mais corajoso e politizado do que foi aqui, além de um final 2 minutos maior e mais explicativo.
PS: Cenas do próximo capítulo: TÁ NA HORA DO PAU!!!
3 ??? É pena… mas à mesma vou vê-lo amanhã. Bom post!
vou ver amanha, leio o post tambem nesse dia
As criticas dele nao estao muito favoraveis.
Subestimado Sinais eh… sei… nao tive coragem de ler toda, mas vou ver e depois venho aqui. Espero que pelo menos renda umas friotas.
Muitas friotas, com certeza.
Provavelmente, uma segunda conferida me fará gostar muito mais do filme.
gostei muito do filme, mas como vc msm falou, acho que o final dele merecia um pouquinho mais de explicação, pois de repente o filme acaba e a gente fica meio confuso!!!!
Concordo quase que plenamente com seu texto, Vladimir. Basicamente é o mesmo que o meu dirá. Até a cotação é adequada.
Concordo em gênero numero e grau com o que escreveu. O filme de Spielberg não chega a ser uma obra grandiosa, por causa dessas falhas que são vistas. Mas, mesmo assim, é um bom filme. Sessão pipoca. Blockbuster. Bem, por hj é só. Até!
Verei amanhã ou sexta. Sinceramente eu não acho que deva ser ruim; deve ser ao menos uma boa diversão.
Eu não gostei do filme, esperava encontrar aqui vc detonando com o filme, ainda mais porque essa é sua especialidade.
Eu gostei do filme Gabriel. Mas sabia que muitos iam odiá-lo e outros amá-lo. É o meio termo perfeito para mim, nem ótimo, nem uma porcaria. Quem sabe se vc conseguir ver de novo vc não gosta mais?
esse final ta sendo detonado sem razao.. jaja vou posta-lo no meu blog.
esse filnal nao, esse filme.
Mas o final é bem meia boca né não Ed? Acho que a maior semelhança entre esse filme e o Sinais, é o final bem abaixo do nível do restante do filme.
Naum li o livro e nem vi o outro filme, mas achei um dos filmes mais assustadores que já vi… a cena em que o carro do Ray é invadido é super tensa!
Quanto ao Quarteto, já vi e adoreiiiiiiiiiiii!
Tb vi Andre,e tb gostei. Mas só vou postar a resenha no final de semana.
Pois eu acho que o final estragou tudo! Sem saber porquê, fomos arredados de explicações dignas.
vc gostou do fantastic four? Pelas criticas negativas achava que ia ser mais um filme detonado por aqui.
Gostei da sua análise, Vladimir. Só que eu gostei um pouco mais do filme do que você. Isto porque me agrada esta abordagem intimista do Spielberg. Além disso, o clima tenso é mantido com maestria! Só não gostei do fato de um determinado personagem sobreviver no final. Aquilo foi ridículo! Mas com certeza este filme é muito menos decepcionante que foi o Episódio III, que quase todos elogiaram irresponsavelmente, só porque estava na moda falar bem deste filme. Da mesma forma, muitos vão detonar GDM só porque a maioria dos críticos o estão fazendo! Apesar disso, embora tenha defeitos, é um filme digno do talento de Spielberg!
A cena em questão que vc não gostou Evandro, é para mim tb a pior do filme. Além do personagem ser extremamente chato, foi completamente sem sentido e bobo.
Ed, podem se preparar para me esculhambar, pois apesar do filme ser um clichê de cinema em casa ambulante, eu achei muito divertido. Publico a resenha amanhã ou depois!!!
Gostei muito desse filme! Até entendo sua colocação, mas nada disso me impediu de curtir bastante a sessão. Adorei!
Oi Vladimir…Ainda não vi Guerra dos Mundos com do Spielberg…Assim que assitir te falo o que achei…Não sei se o Ewan ficarai melhor no meu remake de O Homem Que Copiava, acho que previro alguém com cara de mais novo…E o Tobey combina mais com a Natalie..Eu assisti sim o filme que vc falou com o Ewan, é muito bom…Bjos
Estrelas para a sua resenha! Em especial por nos situar no contexto da obra literária na qual o filme se baseia. Quanto ao polêmico final, a meu ver, as explicações foram suficientes, o clímax é que não. Um abraço!
Daqui a pouco coloco a resenha do QUARTETO FANTÁSTICO
Parece tão ruim… Não vou ver.
Nem é tão ruim Gustavo, vc gostou de Godzilla, pode muito bem gostar desse tb. kkkkkkkkkkk
É um filme bom! mas como vc mesmo disse…esperava uma maior “iniciativa” política do spielberg..mas já era de se esperar um postura retrída dele…geralmente qd esses filmes desse tipo..tentam dar um maior embasamento as questões sociais,acaba, caindo na “mesmisse”..xero na bunda Vladão
Round And Brown Kapri
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