
Direção: Tim Story.
Roteiro: Michael France e Mark Frost.
Elenco: Ioan Gruffudd, Michael Chiklis, Jessica Alba, Chris Evans, Julian McMahon, Kerry Washington, Stan Lee.
Me empolguei…
Uma das piores notícias que recebi a respeito da adaptação dos 4 fantásticos, foi quando o pretenso diretor Tim Story assumiu a ponta do projeto, mas mesmo assim, até aí, o maior problema, era porque eu nunca tinha visto nada feito pelo diretor. Tudo ficou mais complicado e assustador, quando um ano antes do quarteto sais nos cinemas, o senhor Story realizou o filme Táxi . Após isso comecei a esperar o pior. Pensei que veria um filme que fosse um clichê ambulante, com um elenco mal escolhido e caricato. Efeitos especiais fracos e uma história boba e sem sentido, ou seja, no mesmo nível da adaptação de Elektra.
Mas depois de ver um dos últimos traillers do filme e até que enfim visto o Táxi, e perceber que ele não era tão ruim quanto eu imaginava, uma chama de esperança voltou a crepitar em meu já machucado coração de fã de adaptações de HQ’s. Mas nuvens escuras ainda rondaram meus pensamentos depois de ler algumas críticas bastantes depreciativas, na véspera da estréia do filme (que poético, hein?). Por essa diversidade de sensações, resolvi deixar tudo de lado e partir para as minhas próprias conclusões, vendo-o na estréia (07/07/05).
Então, o que posso finalmente dizer sobre essa adaptação do Quarteto Fantástico? Posso dizer, sem medo de ser feliz, que fiquei bastante satisfeito com o que vi. Longe de ser uma maravilha como X-Men, Homem-Aranha e o recente Batman Begins, e mais longe ainda de ser um filme fraco ou uma merda, como o já citado Mulher Gato (uma piada muito mal contada e de um perverso mal gosto), Elektra e O Homem-Coisa . O Quarteto fica em um meio termo, se colocando num nível mais próximo ao de adaptações como Hellboy, Constantine (um pouco acima desse nível), Justiceiro e Demolidor.
Mas sabem o que é o mais interessante? O filme é realmente um clichê ambulante, com alguns intérpretes, na minha opinião, mal escolhidos (como a Jéssica Alba), mas que não chegam a atrapalhar o resultado final do filme. Tim Story e os roteiristas tiveram a sorte de conseguir transferir para tela o que existe de mais importante em uma adaptação dos quadrinhos, a essência dos personagens. Os mais perfeitos são com certeza Ben Grinn, o Coisa (Michael Chiklis é o melhor de todos e sua maquiagem está ótima, gostei da roupa de borracha) e Johnny Storm, o Tocha Humana (Chris Evans), que realmente incorporaram os personagens em início de carreira. Também vale destacar a participação do ator Julian McMahon (Dr. Destino), com certeza um dos personagens mais complexos das histórias, juntamente com o homem de pedra. Gostei também da escolha da atriz Kerry Washington (Alicia Masters). Na realidade, o único grande erro foi a escolha da Jessica Alba para interpretar a futura Sra. Fantástico. Ela é muito nova e sua mediocridade enquanto atriz limita muito a seriedade da participação de Suzan Storm na história (a Charlize Teron teria sido uma escolha perfeita!!!).
Mas vamos a história.
O falido cientista Reed Richards (Ioan Gruffudd bastante competente) e seu amigo e piloto Ben Grinn, vão até as empresas do megalomaníaco magnata Victor Von Doom, antigo colega de Faculdade de Reed e atual namorado da paixão de sua vida, a Cientista Sue Storm (putz, Jéssica Alba cientista, não tem quem engula). Reed deseja patrocínio de Victor, para uma viagem à sua estação espacial, para realizar estudos que envolvem a origem do próprio universo e a constituição do nosso DNA, a partir de uma chuva de raios solares (Hããããã? Tudo bem, apesar de ser o motivo do “como eles conseguiram os poderes”, isso não é tão importante). Doom aceita, mas impõe as presenças dos irmãos Storm e a sua própria na viagem. Já no espaço, os tripulantes da estação são pegos de surpresa e uma anomalia põem abaixo as previsões de Reed, o que acaba causando um acidente que leva a modificação dos organismos dos tripulantes, dando a todos, poderes especiais.
Voltando a terra, os 5 começam a sofrer as mudanças (todos já conhecem as mudanças), mas acabam sendo vistos pela população, que após um acidente, em uma divertida cena com o Coisa (as melhores cenas são com ele), aclamam Reed, Ben, Sue e Johnny como heróis, dando a eles o nome de Quarteto Fantástico.

Os efeitos colaterais em Ben e Victor (que tem sua força aumentada, além de criar controle sobre a eletricidade) são os mais violentos, tornando Ben em um amargurado e envergonhado recluso, enquanto Victor aos poucos vai perdendo a sanidade. Após isso somos aos poucos apresentados aos novos poderes dos membros do Quarteto, até termos a batalha final contra Victor Von Doom (Destino) no centro da cidade. Essa batalha, inclusive, deve que ser alterada depois do filme já pronto, pois estava muito parecida com a do final do filme Os Incríveis . Inclusive, muitos compararão os dois filmes, já que a família de Heróis da Pixar é claramente baseada nos personagens da Marvel.
Temos que ver a adaptação de Tim Story com olhos diferente dos das principais e melhores adaptações da Marvel. Definiram muito bem o filme quando o chamaram de um “filme sessão da tarde”, ou um “filme de origem”, pois o filme do Quarteto é divertido como as sessões de filmes da Rede Globo eram na década de 80 e uma preparação para um próximo filme que tem tudo para ser bom (principalmente se o Tim Story sair fora). Então, mesmo com todos absurdos no roteiro, que o filme apresenta, como a falta de pânico da população por ter entre eles pessoas que foram modificadas geneticamente por algo estranho, o que podia ser contagioso; Reed Richards mesmo falido, como visto no início do filme, ter a grana pra construir uma complexa máquina que repete o fenômeno que os transformou; Sue Richards ser uma cientista aparentando 20 anos de idade e etc, etc, etc… Mesmo com todo esforço, sendo bem inferior ao último filme da Pixar, o filme cumpre com sua função principal, que é a de DIVERTIR (principalmente os fãs de HQ’s e dos 4 Fantásticos criados por Stan Lee, que também aparece nesse filme, e dessa vez como um personagem que realmente existe nos quadrinhos, o carteiro Willy Lumpkin).
PS: Cenas do próximo capítulo: CONTINUANDO A MALDIÇÃO DAS PÉSSIMAS CONTINUAÇÕES.
