Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


28/8/2005

O CASAMENTO DE ROMEU E JULIETA





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Direção: Bruno Barreto.
Roteiro: Jandira Martini, Marcos Caruso e Bruno Barreto, baseado em conto de Mário Prata.
Elenco: Luana Piovani, Luís Gustavo, Marco Ricca, Martha Mellinger, Mel Lisboa, Leonardo Miggiorin, Berta Zemmel.

Uma baboseira! Esse é o diagnóstico mais correto a se fazer sobre o último filme do Bruno Barreto.
Mesmo sendo uma adaptação de um conto de Mário Prata (autor que eu nunca li), salva esse, de ser um dos piores filmes nacionais que vi na vida. É impressionante como no Brasil, para cada filme bom que é lançado, vários ruins o acompanham. O Casamento de Romeu e Julieta com certeza se enquadra entre os que acompanham.



Brochar para a Luana? Nem que fosse em cima da foto do FHC, ou do ACM. Cena ridícula!!!


Julieta é filha de Alfredo Baragatti, advogado descendente de italianos e com certeza um dos maiores fanáticos pelo Palmeiras em todos os tempos, além de membro do conselho deliberativo do clube. E foi do pai, que fez uma lavagem cerebral nela, como muitos também fazem na realidade, que ela também se apaixonou pelo Palmeiras. Romeu é um médico de 45 anos, e membro de uma família onde todos são viciados no Corinthians. E só!
O resto é uma série de piadas bobas (como aquelas em que o cara finge torcer o time do sogro para agradá-lo e se desespera assistindo um jogo no estádio) e mais manjadas do que as derrotas do Flamengo (meu time ). Futebol é bom para ver no final de semana no estádio, ou nas quartas quando não se tem nada pra fazer. Quando chega ao nível mostrado nesse filme, assusta e confirma o velho jargão marxista parafraseado aqui por mim: “Futebol, é o ópio do brasileiro”.
Isso, sem falar na personagem ridícula, interpretada pela senhora Berta Zemmel (a vó do Romeu). Essa é terrível!!! Um enorme teste para a paciência do espectador.
Parece mesmo que o mais próximo que o Bruno Barreto vai chegar de um Grande Diretor, é de noite, ao lado da ex do Spilberg. Se talento se transmitisse por osmose, hein?
Além disso, odeio Palmeiras e Corinthians!!!

Arquivado em: — Vladimir @ 10:28 pm

25/8/2005

VISÕES
(IMAGINING ARGENTINA)




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Direção: Christopher Hampton.
Roteiro: Christopher Hampton.
Elenco: Antonio Banderas, Emma Thompson, Horacio Flash, Kuno Becker, Rubén Blades, Claire Bloom.

Se a Globo fosse realizar uma produção sobre a ditadura militar na Argentina e contasse em seu elenco com nomes como Antonio Banderas e Emma Thompson, com certeza essa produção seria esse filme. “Visões” é um “Olga”, falado em inglês e que se passa na Argentina.
Pode piorar? Claro que pode, é só colocar elementos de espiritismo no melhor estilo “América” ou “A Viagem” no meio, sacudir tudo e está pronto. Além do mais, a pieguice com que o tema é tratado aqui, é tão grande, que nas cenas em que Carlos Rueda (Banderas), recebia os caboco e via o futuro ou o passado dos presos políticos, eu sinceramente, ficava tão constrangido que a única solução era passar a cena, me poupando pelo menos de escutar o que os personagens diziam. Fora o mela mela do drama da esposa que é presa, a busca por ela, aí a filha é presa e blá blá blá, aí o homem se revolta com o governo que não está nem aí pra ele e blá, blá, blá, e tome-lhe dramalhão e muitas lágrimas e blá, blá, blá…



- Eita Banderas, que cagada essa nossa, hein?


Antônio Banderas é um daqueles atores que acertam o mesmo tanto em que erram na escolha dos filmes que participam, pois só isso para justifica esse filme e outros como “Dupla Explosiva”, “Evita” e muitos outros.
Um filme que com certeza só agradará às pessoas que gostam muito do tema (e que fique muito claro que minha crítica aqui não é ao Espiritismo), ou simplesmente são fanáticos pelo Banderas.

Escrito Por Fábio

Arquivado em: — Vladimir @ 12:25 am

20/8/2005

TERRA DOS MORTOS
(LAND OF THE DEAD)










Direção: George A. Romero.
Roteiro: George A. Romero.
Elenco: Simon Baker, John Leguizano, Dennis Hopper, Asia Argento, Robert Joy, Tony Nappo.

Finalmente George Romero, depois de 20 anos do último (Dia dos Mortos), retorna com mais um de seus filmes de zumbis. E dessa vez, tendo ao seu lado avanços tecnológicos que ele nunca teve e que ajudaram bastante no resultado final desse seu novo capítulo da saga dos mortos vivos. Seus protagonistas continuam lentos, mas tão selvagens e carniceiros quanto sempre foram. Diferentemente dos atuais e ótimos filmes do gênero (e que eu prefiro não entrar nessa discussão), os filmes de Romero são muito mais viscerais e violentos. A morte é algo muito mais doloroso e assustador, e isso é um dos maiores méritos dos filmes do Mestre.




A terra continua cada vez mais dominada por Zumbis e os poucos homens que ainda resistem, se encontram confinados em cidades, que se tornaram grandes feudos, cercados por muros e defendidos por pequenos exércitos. No centro da cidade, em uma torre altamente luxuosa, se encontram os ricos, vivendo isolados dos pobres, que moram mais próximos às muralhas. Mantimentos para os vivos são retirados por milícias altamente treinadas e armadas, das cidades dominadas pelas criaturas, que aparentemente pararam com sua busca por carne humana e estabeleceram uma nova rotina de “vida”, onde repetem diariamente o que faziam antes de se transformarem nessas penosas criaturas. Mas as coisas começam a complicar, quando um dos mortos começa a raciocinar, e iniciar uma espécie de revolução. O que muda completamente o aspecto dos filmes anteriores e mostra o grau do amadurecimento de Romero nessa sua obra. Seus mortos não são mais apenas meros selvagens comedores de carne humana, pois se unem, como uma classe, que decide ir a luta para acabar com a opressão, deixando assim de agir apenas por questões de instinto, passando a seguir objetivos. Mesmo que os meios para se alcançar esses objetivos envolvam muitas matanças, membros arrancados, desespero e ódio. É o famoso “os fins justificam os meios”, ou “primeiro a diversão, depois a obrigação” (alteração proposital), utilizados ao pé da letra. Além disso, os mortos aprenderam a utilizar armas em suas matanças, o que os torna mais perigosos (na minha opinião isso foi uma forma de modernizar suas criaturas e assustar mais, já que depois de Madrugada dos Mortos e Extermínio, vimos que Zumbis corredores são bem mais temíveis e perigosos) do que já eram, prova de que Romero percebeu, que em pleno século XXI, não cola mais aquela história do Zumbi lento atacar uma pessoa e matá-la, por essa ter entrado em estado de choque e ter ficado paralisada. Nos anos 60 e 70 do século passado até que vai, mas hoje, não combina mesmo. Além disso, vejo duas falhas graves e gritantes no filme. A primeira é a de como os zumbis começaram a raciocinar, já que devido a própria condição deles, cérebro em decomposição e coisas do tipo, isso não tem nenhuma lógica de acontecer. E mais, como o líder (o tal paizão), que sempre se encontrava na frente dos outros, instigando-os, era maior e mais perigoso do que qualquer um e nunca foi atingido na cabeça pelos inúmeros tiros que destruiram tantos outros zumbis? Mas tudo bem, isso pode ser perdoado.



Dentro dessas milícias, temos o ganancioso Cholo (Leguizano) e o honesto Riley (Baker), que tem concepções completamente diferentes de como tratar os zumbis e sobre a própria vida na cidade. Enquanto Cholo sonha em se mudar para o prédio da elite, Riley pensa apenas em fugir para terras onde o homem nunca habitou, portanto livre de mortos vivos. Mas de longe, o personagem mais interessante do filme, é vivido por Dennis Hopper. Aqui ele é Kaufman, dono da torre onde os ricos vivem e o grande controlador de tudo. Esse personagem representa o papel das elites econômicas e de países ricos perante a bruta e severa realidade de pobreza e miséria que a maior parte do mundo enfrenta. Frases como “você nunca será um de nós” e “não negociamos com terroristas”, são perfeitas representações de como empresas e principalmente países (soco no estômago dos E.U.A.), tratam os mais pobres.
Minha conclusão sobre a obra de Romero, até esse momento, é a de que o homem não é destruído pelos mortos vivos, mas sim por situações originadas por ele mesmo. As mortes, são apenas conseqüências dos atos praticados pelo próprio homem e isso ocorre em todos os outros filmes. A proporção de 4 zumbis para cada ser humano relatada no filme, é um sinal de que os homens estão tendo absoluto sucesso em suas intenções de se auto destruir. A mensagem principal é a de que passamos por uma constante bestialização, por um processo de individualização cada vez mais absurdo, onde em determinado momento, tomando um rumo completamente diferente, os zumbis, nossos algozes e contrapartes, se tornam uno, passando a viver em sociedade e em busca da paz. Mas será que a própria inclusão de um líder (o tal paizão), do lado dos mortos, não é uma mostra de que o ciclo estaria apenas se reiniciando?
Terra dos Mortos é mais do que um filme de terror, pois é também um discurso altamente politizado e um sinal de alerta a sociedade e os rumos que ela toma, com maior intensidade do que os outros filmes da série. Se essa resenha chega a ser, de certa forma, panfletária, é porque o filme também o é.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:42 pm

17/8/2005

A ILHA
(THE ISLAND)

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Direção: Michael Bay.
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e Caspian Tredwell-Owen.
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Djimon Hounson, Sean Bean, Steve Buscemi, Michael Clarke Duncan.

Armageddon e Pearl Harbor. O que tem de ruim nesses filmes além da presença do Ben Afleck como protagonista e salvador do mundo ou da pátria? O diretor Michael Bay, claro!!! Bay, é na realidade, o grande responsável por alguns dos filmes mais promissores (antes de vistos) e decepcionantes (depois de vistos) dos últimos anos (tudo bem que mesmo assim, ainda tem gente que gosta). Filmes catástrofes com efeitos visuais primorosos, cenas de ação vertiginosas e histórias completamente imbecis e incoerentes, tudo isso misturado por um liquidificador, provavelmente manuseado por algum bêbado. Acho que essa é a melhor definição para os filmes de Bay.
Mesmo com todo esse pensamento, resolvi apostar (e arriscar, principalmente) e ir ao cinema ver o seu novo filme, “A Ilha”. Confesso que o que mais pesou foi a substituição do Sr. Afleck (preferido do Sr. Bay) por um dos meus atores preferidos, Ewan MacGregor. Além disso, A Ilha foi um filme pouco explorado pela mídia e com um tema muito interessante, a clonagem de seres humanos. Não que eu achasse que esse fosse um filme sério, que traria grandes reflexões como outros filmes futuristas trouxeram, no caso, “Gattaca”, “Blade Runner”, “Minority Report”, entre outros. Então, a falta de badalação, e a própria presença do MacGregor, me fizeram crer que esse não seria apenas mais um filme do Michael Bay, ou seja, 100% de ação descerebrada e nada mais. Mas meu Deus, não tem jeito, ainda é um filme do famigerado!!!
Lincoln Six Echo (MacGregor) e Jordan Two Delta (Johanson), são duas, das milhares de pessoas que moram em um futurista prédio, nos anos 20 do século XXI, onde os últimos remanescentes da terra, que se tornara inabitável, esperam através de uma espécie de sorteio, ir até a paradisíaca “ilha” (único local descontaminado da terra e o ponto de partida para o repovoamento da mesma) que dá nome ao filme. Todo o complexo é coordenado de forma aparentemente patriarcal, por Merrick (Bean, novamente fazendo um personagem “do mal”). Mas tudo começa a mudar, quando Lincoln Six Echo, do nada, passa a estranhar o mundo a sua volta e começar a buscar respostas a seus questionamentos. E é quando Jordan Two Delta é sorteada, que Lincoln descobre vários dos nefastos segredos por trás da empresa (mexa com a cabeça de um homem, mas nunca com o seu pênis), inclusive o de que a Ilha não existe e que na realidade todos eles são apenas clones que em determinados momentos são retirados do prédio (o sorteio para ilha), para servir aos nefastos motivos de suas criações. Chocante, não? Poderia ser, se o filme fosse dirigido por outro diretor, ou se acabasse no exato momento dessa revelação, com a trilha sonora do programa “Além da Imaginação”, ou do “Arquivo X”. Mas não acaba, claro.
Sobre os atores e suas atuações não há muito o que se falar, já que o único que parece confortável no papel é Steve Buscemi, o que não é nenhuma surpresa, já que ele interpreta Steve Buscemi. Mesmo assim, nada que fique muito gravado na memória até o final do filme, já que o ápice de seu personagem se encontra em duas ou três frases de efeito (até bem legais).
Então, somos enganados até quase a metade do filme, pensando que teremos um novo “Gattaca em mãos” (cheguei até a esquecer várias cenas do trailler que me diziam o contrário), mas chegando nela (na realidade, um pouco antes da metade), a casa desmorona e Bay volta a ser Bay. Iniciam as explosões, a correria alucinante e as perseguições absurdas, que esvaziam completamente qualquer tipo de discussão interessante e inteligente que o filme poderia nos trazer, em detrimento das inúmeras cenas vertiginosas, dignas do mais simples e esquecível (mas divertido) filme pipoca.
É fraco, mas se você for um apreciador de filmes como o da descrição das últimas 15 palavras do parágrafo anterior, pode ir, que com certeza você vai se divertir. Além disso, é muito melhor que Pearl Harbor e Armageddon juntos, o que já é um alívio.

PS: Estou em dúvida sobre qual a próxima resenha que devo colocar, então vou deixar isso na mão de vocês, que devem responder até no máximo sexta-feira. As opções são: Terra dos Mortos, Casshern, O Casamento de Romeu e Julieta e Visões (Imagining Argentina). Se não quiserem opinar, não tem problema, democracia aqui nunca foi o meu forte mesmo. Hehehehe

Arquivado em: — Vladimir @ 12:38 am

13/8/2005

O CASTELO ANIMADO
(HAURU NO UGOKU SHIRO)






Direção: Hayao Miyazaki.

Roteiro: Hayao Miyazaki, baseado em livro de Diana Wynne Jones.

Elenco (Vozes – versão E.U.A.): Lauren Bacall (Bruxa), Christian Bale (Mago Howl), Billy Crystal (Calcifer), Emily Mortimer (Sofia), Jean Simmons (Sofia - velha).

O mais impressionante acerca do trabalho de Hayao Miyazaki, é que ele constrói as histórias dos seus filmes durante o decorrer dos mesmos, ou seja, ele não prepara o material antes de produzir a animação, dando o rumo que ele acha melhor ao roteiro, a partir da última cena produzida. Isso demonstra o quão criativo é esse excepcional diretor japonês, que vem ganhando cada vez mais notoriedade por essas bandas após o seu premiado filme, “A Viagem de Chihiro”.
E mais uma vez, ele nos brinda com um magnífico filme, novamente protagonizado por um personagem feminino, aqui chamado de Sophie. No “Castelo Animado”, o diretor não utiliza tantos elementos mitológicos nipônicos como em “Chihiro”, o que torna o filme bem mais fácil de entender e acompanhar. Apesar do filme anterior não ser difícil de entender, a série de referências a uma cultura específica, sendo ela ainda desconhecida, não deixa de causar um certo estranhamento aos espectadores que moram do lado esquerdo do globo.
Em “O Castelo Animado”, Sophie é uma jovem garota, moradora de uma cidade pequena, que vive uma aparente e entediante vida. Trabalhando na chapelaria de sua mãe, ela tem sua rotina abalada pelos preparativos do exército de seu país para uma guerra contra um país vizinho e o inusitado encontro com um belo mago. Se metendo, sem querer, em um conflito entre uma bruxa e esse mago, ela acaba sendo amaldiçoada pela bruxa e se transforma em uma senhora de 90 anos. Decidida a se livrar do desmerecido castigo, ela vai embora da sua cidade, e acaba se tornando faxineira de um castelo mágico que vive em movimento. A partir daí, Sophie conhece um excitante mundo, se tornando amiga de magos, aprendizes, demônios, bruxas e outros seres amaldiçoados como ela.
A beleza das cores utilizadas aqui é outro ponto forte da animação de Hayao Miyazaki; suas lindas paisagens são encantadoras e a mistura de animação tradicional com computação gráfica torna tudo isso ainda mais real e belo. Muito melhor que as animações tradicionais da Disney, onde os filmes tem seu ritmo quebrado por aqueles chatíssimos números musicais. “O Castelo Animado” possui emoção e diversão nas doses certas, sem exageros e sem ser forçado.
Para quem viu e gostou de “A Viagem de Chihiro”, esse filme é, com certeza, imperdível. E para quem ainda não conhece o trabalho desse diretor, “O Castelo Animado” é a forma perfeita de reparar esse deslize.

Arquivado em: — Vladimir @ 9:55 pm

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