Direção: Terry Gilliam.
Roteiro: Ehren Kruger.
Elenco: Matt Damon, Heath Ledger, Mackenzie Crook, Richard Ridings, Peter Stormare, Julian Bleach, Bruce MacEwen, Jonathan Pryce, Monica Belucci.
Irmãos Grimm é um ótimo filme, uma excelente forma de ter duas horas da mais pura diversão. Com pitadas de vários gêneros, mas se focando principalmente no suspense e comédia, Terry Gillian (mesmo diretor do excelente 12 Macacos e ex-membro do Monty Phyton) nos entrega um filme que guarda muitas semelhanças com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, do Tim Burton. As semelhanças, que não são poucas, se encontram desde a sombria Direção de Arte (bem característica de Burton), até a própria história em si. Os próprios personagens principais mantêm uma semelhança impressionante com o interpretado por Depp e Cristina Ricci, onde um deles, interpretado por Matt Damon é extremamente cético, mas é convencido aos poucos de acordo com as circunstâncias e o outro, interpretado por Heath Ledger (com certeza o personagem mais interessante do filme) crê na magia, na possibilidade real da existência do sobrenatural.
Na história, os irmãos Will(Damon) e Jake(Ledger) Grimm (os criadores dos maiores e mais conhecidos contos de fadas de todos os tempos, como A Bela Adormecida, Rapunzel, Branca de Neve, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho), possuem uma forma de ganhar a vida bastante peculiar, o de livrar pequenos vilarejos germânicos, na época dominados pela França de Napoleão com todo o seu racionalismo Iluminista, de criaturas sobrenaturais. O problema, é que as supostas “ameaças sobrenaturais”, não passam de armações criadas pelos Grimm, e por eles sempre derrotadas, para assim tirar dinheiro das pequenas vilas que pagavam por seus serviços.
Mas o suposto desaparecimento de uma série de crianças na floresta de uma dessas vilas, acaba levando os irmãos, por obrigação das autoridades francesas que descobriram sua farsa, a enfrentar e descobrir o que anda por trás desses assustadores e misteriosos desaparecimentos.
O que dá vida ao filme, é com certeza a relação entre Will e Jake. Com personalidades bastante diferentes, ambos aprenderam a lidar com o sofrimento da pobreza na infância de forma bastante distinta. Enquanto Will acaba se tornando um embusteiro, como o homem que enganou seu irmão quando criança, trocando a vaca da família por supostas sementes mágicas de feijão; Jake nunca deixou de acreditar na possibilidade da existência do sobrenatural, sempre se preocupando em anotar todas as lendas e histórias populares que conhecia. É a dialética existente entre as personalidades de ambos a força motriz do filme, é o que nos leva a duvidar ou acreditar se o que acontece na história é real, ou não passa de mais um embuste como os muitos criados pelos irmãos.
É muito legal ir vendo aos poucos nos filmes, os principais elementos dos vários contos de fadas criados pelos Grimm reais (como Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau, Os cabelos de Rapunzel, O beijo do príncipe que acorda a princesa etc), dentro dessa grande aventura dos Grimm da ficção.
PS: A pequena vila próxima a uma sombria floresta, onde a população tem medo de entrar devido a supostas criaturas que lá habitam, soa como homenagem a mais um grande diretor da atualidade, que dispensa apresentações.