Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


30/10/2005

O VIRGEM DE 40 ANOS
(THE 40-YEAR-OLD VIRGIN)



Direção: Judd Apatow
Roteiro: Steve Carell e Judd Apatow.
Elenco: Steve Carell, Catherine Keener, Paul Rudd, Romany Malco, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Leslie Mann, Jane Lynch.

O simpático Steve Carrel vem acumulando uma série de participações divertidíssimas nos filmes em que trabalha. Seja o inimigo de Jim Carrey em “Todo Poderoso” (responsável pela melhor cena do filme), seja como o imbecil ajudante do âncora Ron Burgundy, no filme protagonizado por Will Ferrel. Em “O Virgem de 40 anos”, Carrel finalmente recebe seu primeiro papel principal.
De todos esses novos comediantes, Carrel com certeza é o mais indicado para interpretar o simpático e ingênuo Andy Stitzer. Depois de vários fracassos no início de sua vida sexual, o tímido Andy simplesmente desiste de fazer sexo. Crescendo como um adolescente, viciado em vídeo games e colecionador de bonecos de super heróis e personagens de seriados, ele vai se fechando mais em seu mundo sem sexo, tornando-se uma pessoa retraída e conseqüentemente, sem vida social.
Mas tudo muda quando ele é convidado pelos companheiros de trabalho para uma sessão de carteado e eles acabam descobrindo que Andy ainda é virgem. Começa então, uma verdadeira cruzada em busca do fim dessa situação, que coloca o simpático e extremamente tímido Andy, nas mãos dos seus machistas, mas bem intencionados amigos. Já da para imaginar a quantidade de cenas hilárias que são criadas em torno do tema. Entre elas, a cena da depilação se destaca com louvor.
Olhos para Steve Carrel, com certeza, um dos melhores comediantes do momento.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:36 pm

27/10/2005

A MANSÃO MARSTEN
(SALEM’S LOT)



Direção: Mikael Salomon.
Roteiro: Peter Filardi, baseado em livro de Stephen King.
Elenco: Rob Lowe, Andre Braughter, Donald Sutherland, Samantha Mathis, Robert Mammone, Dan Byrd, Rutger Hauer, James Cromwell.

Não tenho conhecimento de um autor mais adaptado para o cinema do que o Sr. Stephen King. As adaptações de seus contos e romances aparecem freqüentemente nas telas dos cinemas e principalmente nas prateleiras das locadoras, já que muitos deles são feitos especialmente para a telinha. De todas essas adaptações (alguns foram adaptados mais de uma vez, o que é o caso desse Salem’s Lot, que pelo que sei recebe aqui a sua terceira tentativa), podemos contar nos dedos as que realmente prestaram, e podemos diminuir os dos pés se falarmos nos que foram feitos nos últimos 10 anos. Com certeza, Salem’s Lot (pelo menos a versão que vi), não se encontrava entre esses dedos.
A Mansão Martsten, é mais uma adaptação do excelente livro “A Hora do Vampiro” (título do livro no Brasil). Que conta à história de uma pequena cidade do interior dos E.U.A. (quem acertar o Estado leva um super Parabéns hehehehe) chamada Jerusalem’s Lot. Ben Mears, interpretado aqui pelo sem futuro do Rob Lowe, é um famoso escritor, que viveu sua infância na cidade e presenciou um traumático assassinato seguido de suicídio. Vários anos depois ele retorna, com o intuito de enfrentar os seus medos (típico do S. King, não é?) e acaba enfrentando uma terrível força do mal, que aos poucos dizima a população da cidade. Então, quem enfrentará esse mal? Será que ele poderá ser derrotado? Quem se salvará? Para ter essas respostas, você vai ter que ver o filme.




O filme conta ainda com boas atuações de atores já consagrados, como Rutger Hauer,
James Cromwell (L.A. Cidade Proibida) e Donald Sutherland.
Quem não conhece talvez ache o filme monótono, já que se trata originalmente de uma minissérie, possuindo portanto, um ritmo menos acelerado do que o cinema. Mas vale a conferida para os apreciadores do gênero e não tão puristas (para não dizer, chatos) da obra desse grande mestre do horror e da fantasia (não é propaganda da antiga coleção da Editora Francisco Alves).

Arquivado em: — Vladimir @ 3:23 pm

24/10/2005

O SENHOR DAS ARMAS
(LORD OF WAR)







Direção: Andrew Nicoll.
Roteiro: Andrew Nicoll.
Elenco: Nicolas Cage, Jared Leto, Ian Holm, Ethan Hawke, Bridget Moynahan, Jean-Pierre Nshanian, Donald Sutherland.

(…)de cada 12 pessoas do mundo, 1 possui arma de fogo, minha maior preocupação, é a de como armar as outras 11(…)”


Yuri Orlov (Nic Cage)

Depois de um referendo bastante polêmico e confuso sobre o desarmamento no Brasil, nada mais oportuno do que ver esse excelente filme para conhecer um pouco desse milionário e muito perverso mundo da venda de armas de fogo.
Provavelmente, a maior qualidade em o Sr. das Armas, seja a coragem na abordagem do tema pelo Diretor e Roteirista Andrew Nicoll (também responsável pelos magníficos roteiros de Gattaca e O Show de Truman). A segunda qualidade, com certeza é o impressionante ritmo do filme, que inicia de forma perfeita com o acompanhamento de uma bala, desde sua fabricação, até sua utilização (recurso parecido com utilizado por Tim Burton no início da Fantástica Fábrica de Chocolates) e encerra de forma simples, mas magistral (e que eu não contarei de forma alguma). A terceira grande qualidade é o elenco do filme. Nic Cage está perfeito no papel do contrabandista de armas Yuri Orlov, além disso, as participações de Ethan Hawke como seu principal antagonista (um policial suoer honesto), Jared Leto como o irmão de Yuri e Ian Holm como seu concorrente de negócios, estão ótimas.
Não são muitos os diretores que tem a coragem de trabalhar com uma temática dessas dentro do próprio Estados Unidos. As críticas são diversas e das formas mais variadas, do início ao fim do filme. Em um dos diálogos de Yuri com o policial que o persegue, ele descreve perfeitamente a força e o poder dos vendedores de armas:




“(…)nosso presidente é o maior vendedor de armas do mundo, mas ele não quer suas digitais nas armas e para isso ele precisa de nós (…) Sim, nós somos um mal, mas um mal necessário(…)”.

Yuri é o capitalista por excelência, nunca mede as conseqüências para atingir os seus objetivos, que sempre se tornam mais altos e difíceis de alcançar. A preocupação com o lucro é muito maior do que as conseqüências nefastas da venda de seus produtos. A máxima “os fins justificam os meios” é utilizada ao pé da letra.
Com certeza, sem um protagonista a altura de Nicolas Cage, o filme perderia grande parte de sua força. Não é fácil simpatizar com um personagem inescrupuloso que tem como trabalho levar a forma de extermínio de centenas de milhares de miseráveis dos países de terceiro mundo (principalmente a África), que sempre estão em conflitos, sejam eles externos contra outras nações, ou internos, em guerras civis.
O Sr. das Armas, é daqueles filmes inteligentes e de denúncia, mas que ao mesmo tempo diverte. É difícil vermos essa união de uma forma tão positiva. Imperdível.

PS: Desculpem minha ausência nos seus blogs, mas meu acesso a Internet está extremamente restrito por esses dias. Agradeço antecipadamente a compreensão de todos vocês.

Arquivado em: — Vladimir @ 2:51 pm

21/10/2005

DANÇA COMIGO?
(SHALL WE DANCE?)





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Direção: Peter Chelsom.
Roteiro: Audrey Wells, baseado em roteiro de Masayuki Suo.
Elenco: Richard Gere, Jennifer Lopez, Susan Sarandon, Stanley Tucci, Bobby Cannavale, Lisa Ann Walter, Omar Benson Miller.

Mais uma comédia romântica não recomendada para: Diabéticos, cardíacos, solteiros e namorados que não confiam no gosto de melaço de rapadura das namoradas. Mais um filme onde os clichês são utilizados a granel (seria quase como um self service de clichês) e sem nenhuma preocupação com o bom senso.
Richard Gere é um advogado que depois de mais de 20 anos fazendo o mesmo trabalho (clichê!), vivendo com a mesma mulher (clichê!) e sendo aparentemente feliz (clichê!), começa a passar por uma batida crise de meia idade (putz, que clichê!), mais ou menos como a que o Edson Celulari está passando na novela América. Mas como os gringos não têm a filha da Glória Pires, nem a Cristiane Torloni, eles a substituem pela Jennifer Lopez e Susan Sarandon. Aì tome dança pra cá, tome dança pra lá. Uns personagens engraçados aqui, outros personagens engraçados ali. Emoção, lágrimas e um final feliz? Quer mais? Eu não, obrigado!
E ainda gastaram 40 milhões de doletas para fazer esse filme, que é remake de um filme japonês (que também deve ser bem fraquinho).
Sabem de uma coisa? Vou deixar esse texto aqui salvo, para apenas copiar e colar em muitos outros que sei que vou assistir, assim facilita o meu futuro trabalho. Perdi a conta de quantas histórias de filmes são idênticas a essa.

Arquivado em: — Vladimir @ 2:30 pm

17/10/2005

OS IRMÃOS GRIMM
(THE BROTHERS GRIMM)






Direção: Terry Gilliam.
Roteiro: Ehren Kruger.
Elenco: Matt Damon, Heath Ledger, Mackenzie Crook, Richard Ridings, Peter Stormare, Julian Bleach, Bruce MacEwen, Jonathan Pryce, Monica Belucci.

Irmãos Grimm é um ótimo filme, uma excelente forma de ter duas horas da mais pura diversão. Com pitadas de vários gêneros, mas se focando principalmente no suspense e comédia, Terry Gillian (mesmo diretor do excelente 12 Macacos e ex-membro do Monty Phyton) nos entrega um filme que guarda muitas semelhanças com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, do Tim Burton. As semelhanças, que não são poucas, se encontram desde a sombria Direção de Arte (bem característica de Burton), até a própria história em si. Os próprios personagens principais mantêm uma semelhança impressionante com o interpretado por Depp e Cristina Ricci, onde um deles, interpretado por Matt Damon é extremamente cético, mas é convencido aos poucos de acordo com as circunstâncias e o outro, interpretado por Heath Ledger (com certeza o personagem mais interessante do filme) crê na magia, na possibilidade real da existência do sobrenatural.
Na história, os irmãos Will(Damon) e Jake(Ledger) Grimm (os criadores dos maiores e mais conhecidos contos de fadas de todos os tempos, como A Bela Adormecida, Rapunzel, Branca de Neve, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho), possuem uma forma de ganhar a vida bastante peculiar, o de livrar pequenos vilarejos germânicos, na época dominados pela França de Napoleão com todo o seu racionalismo Iluminista, de criaturas sobrenaturais. O problema, é que as supostas “ameaças sobrenaturais”, não passam de armações criadas pelos Grimm, e por eles sempre derrotadas, para assim tirar dinheiro das pequenas vilas que pagavam por seus serviços.
Mas o suposto desaparecimento de uma série de crianças na floresta de uma dessas vilas, acaba levando os irmãos, por obrigação das autoridades francesas que descobriram sua farsa, a enfrentar e descobrir o que anda por trás desses assustadores e misteriosos desaparecimentos.
O que dá vida ao filme, é com certeza a relação entre Will e Jake. Com personalidades bastante diferentes, ambos aprenderam a lidar com o sofrimento da pobreza na infância de forma bastante distinta. Enquanto Will acaba se tornando um embusteiro, como o homem que enganou seu irmão quando criança, trocando a vaca da família por supostas sementes mágicas de feijão; Jake nunca deixou de acreditar na possibilidade da existência do sobrenatural, sempre se preocupando em anotar todas as lendas e histórias populares que conhecia. É a dialética existente entre as personalidades de ambos a força motriz do filme, é o que nos leva a duvidar ou acreditar se o que acontece na história é real, ou não passa de mais um embuste como os muitos criados pelos irmãos.
É muito legal ir vendo aos poucos nos filmes, os principais elementos dos vários contos de fadas criados pelos Grimm reais (como Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau, Os cabelos de Rapunzel, O beijo do príncipe que acorda a princesa etc), dentro dessa grande aventura dos Grimm da ficção.

PS: A pequena vila próxima a uma sombria floresta, onde a população tem medo de entrar devido a supostas criaturas que lá habitam, soa como homenagem a mais um grande diretor da atualidade, que dispensa apresentações.

Arquivado em: — Vladimir @ 8:16 pm

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