Arquivo de outubro de 2005

O JARDINEIRO FIEL
(THE CONSTANT GARDENER)

quarta-feira, 12 de outubro de 2005




Direção: Fernando Meirelles.
Roteiro: Jeffrey Caine, baseado em roteiro de John Le Carré.
Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Daniele Harford, Danny Huston, Hubert Koundé, Pete Postlethwaite, Bill Nighy.

O filme “O Jardineiro Fiel” é a ‘feliz’ adaptação do diretor brasileiro, Fernando Meirelles, para o livro homônimo de John Le Carré, escritor especializado em romances de espionagem durante a Guerra Fria.
Que ninguém vá ao cinema esperando assistir a um filme no estilo das últimas atuações de ‘Ralph Fiennes’… em “O Jardineiro” ele está bem longe disso. Também, durante todo o thriller, podemos perceber (principalmente para quem assistiu “Cidade de Deus”) o toque peculiar de Meirelles na direção: a ‘agitação’ das câmeras (vale ressaltar que a película utilizada é a mesma das produções nacionais), a preocupação com a fotografia e os ‘closes’ especiais no rosto dos atores, mostrando sua eterna preocupação em captar as emoções dos personagens. Porém, em “The Constant Gardener”, Meirelles vai bem além disso e expõe que realmente (ótimo!) tem muito a nos mostrar.
Muito provavelmente, ‘O Jardineiro fiel’ não agradará a todos (e parece, também, não possuir essa pretensão). Em alguns momentos possui um ritmo acelerado, não se preocupando em dar explicações ao público. É um romance, sim; mas também trata de questões de política externa, órgãos internacionais defasados (adivinhem qual é o principal???) e a eterna manipulação daqueles que detém o poder sobre os mais fracos.
Quais as conseqüências, quando uma bilionária indústria de remédios, decide realizar suas experiências científicas, alistando voluntários em um dos países mais miseráveis e corruptos do mundo? Um lugar, onde a palavra “sofrimento” possui até uma conotação de alento? Onde as pessoas não vivem… sobrevivem. E ainda conseguem encontrar motivos relevantes para tal, acreditando numa – quem sabe? – possível melhora. Esse é um retrato da população na maior parte da África. E eis que, mais uma vez, assistimos ao grande “jogo” do dinheiro e da “política dos maiores”. E temos a sensação impotente, de o que ficamos sabendo, é somente a ‘ponta do iceberg’!




Justin Quayle (Ralph Fiennes) é um burocrático diplomata inglês, sem muita aspiração de ascensão na carreira. Durante uma palestra, ele conhece Tessa (Rachel Weisz) uma ativista política e idealista, que é a antítese da personalidade de Justin. Os dois iniciam um arrebatador romance, logo estão casados, Tessa grávida (filmes…) e vão morar na África, mais especificamente no Quênia. Embora Justin continue exercendo ‘metodicamente’ seu papel de diplomata britânico (?!), Tessa se engaja nos problemas sociais da região, logo descobrindo que as ‘coisas’ podem ser bem piores do que parecem. Junto com um amigo, médico local, Tessa descobre um impressionante ‘conluio’ de uma indústria farmacêutica – apoiada pelo governo local, por membros da diplomacia britânica, entre outros “poderosos” – que em sua ação, rebaixa a condição humana daquela população a menos do que animais. Nesse ínterim, Justin começa a ter acesso aos boatos sobre infidelidade por parte de Tessa, porém se recusa a acreditar. Por sua vez, Tessa e o amigo médico, vão a fundo na conspiração que descobrem’… e é aí que REALMENTE se dá início à uma grande história.
Vale ressaltar, que a ‘ferida’ que Meirelles ‘toca’ no filme, já foi alvo de escândalo internacional no início da década de 90, justamente na ´frica e em alguns lugares na Ásia. Não é um simples thriller de Hollywood… é o relato de uma situação muitíssimo passível de veracidade. E que Meirelles nos mostra muito bem.
Ao assistir “O Jardineiro Fiel”, vale a pena ter um pouco de paciência com os primeiros 30/40 minutos de exibição (possui, aproximadamente, 160 minutos de fita) pois o filme “cresce” (e muito) a cada momento, mesmo com as alterações “passado-presente” exibidas a todo instante. Atenção especial à fotografia e à trilha sonora. Ah, em que pese ser uma opinião muitíssimo pessoal (mas críticas sempre são personalíssimas, né?!rs ) Rachel Weiz, mesmo não estando presente em 100% da fita, merece, pelo menos, uma indicação ao “Globo de Ouro”, e Fiennes, no início, irritantemente inglês (ofício do personagem) vai assumindo um perfil simplesmente arrebatador, numa mistura de obstinação,loucura e amor, onde entendemos perfeitamente o porquê dele ser um Jardineiro fiel. Porém, os ‘ladrões de cena” são os figurantes africanos, moradores do povoado local… não deixe de assistir esse filme (eu adorei!). Nem que seja para se certificar, que o Meirelles ainda vai dar muito o que falar em Hollywood!


Flavia Pires

PS: A Flavia é uma grande amiga e colaboradora do Blog Literatura Fantástica. Aceitou o convite de escrever para o NTSA (depois de muita luta), quando descobri que ela viu a avant premier do filme no Festival Internacional de Cinema do Rio. Que sorte a dela não?

OS EDUKADORES / THE EDUKATORS
(DIE FETTEN JAHRE SIND VORBEI)

sábado, 8 de outubro de 2005



Direção: Hans Weingartner.
Roteiro: Katharina Held e Hans Weintgartner.
Elenco: Daniel Brühl, Julia Jentsch, Stipe Erceg, Burghart Klaubner, Claudio Caolo.


“Seus dias de fartura estão contados”


Qual a principal função do cinema? Essa é uma pergunta que eu sempre me faço a cada filme que vejo. Geralmente quando assisto uma comédia ou um filme de ação, vejo como principal função do cinema a diversão. De acordo com o estilo, podemos analisar isso de várias outras formas, como, sensibilizar, ensinar, emocionar, dar esperança, chocar, alertar, etc. Mas é em filmes como esse (e que não são muitos) que a mistura dessas sensações é tão grande e nos arrebata de uma forma tão louca que as palavras para descrevê-lo somem completamente e só nos resta dizer: “Esse é um dos filmes da minha vida”!!!
“Os Edukadores” tem todos esses elementos apresentados, mas a sua principal força, está com certeza em seu elenco e seu maravilhoso roteiro.
Jan (Daniel Brühl) e Peter (Stipe Erceg) são dois grandes amigos que ainda acreditam na revolução (como meu grande amigo SÉRGIO FILHO) e expressam sua indignação com nosso mundo capitalista e desigual de uma forma bem peculiar e original. Se auto-denominando “Os Edukadores”, eles invadem mansões quando seus donos estão viajando, com um único intuito, o de assustar os proprietário no momento de seus retornos, trocando móveis e objetos de lugar e deixando pela casa mensagens de protesto. Dessa forma, gerando uma grande tensão entre os burgueses, assustados por terem suas mansões invadidas, mas não roubadas, até o momento da sonhada revolução. Jule (Julia Jentsch), é a namorada de Peter, que também tem um forte, mas diferenciado engajamento político. Ela passa por maus momentos financeiros por ter batido seu carro no de um milionário e ser obrigada a pagar todo o prejuízo. Jan acaba contando a ela sobre “Os Edukadores” e ela o convence a invadir a mansão do homem responsável por sua situação. E é aí que os problemas começam.
É nos sensacionais diálogos entre os jovens e o empresário que o filme tem a sua maior força. É impossível não se entusiasmar e não se identificar com o engajamento dos “Edukadores” e ao mesmo tempo, não tem como não se assustar e concordar que se não tivermos muito cuidado seremos prisioneiros do tempo, que nunca para e que o comodismo, a desesperança e o conformismo nos aguardam, muito mais próximos do que gostaríamos.
Apesar de Daniel Brühl dar mais um show de interpretação (lembram dele no também ótimo e também, de certa forma, político “Adeus Lênin”?), com certeza o personagem mais interessante do filme é Peter, interpretado pelo bom ator Stipe Erceg. Em um momento demonstrando fraqueza pela causa, mas em outros sendo o responsável pela sua continuidade.
É impossível não acreditar na Revolução depois de ver esse filme.


“Vocês tem grana demais”
Assinado: Os Edukadores

O FANTASMA DA ÓPERA
(THE PHANTOM OF THE OPERA)

terça-feira, 4 de outubro de 2005






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Direção: Joel Schumacher.
Roteiro:. Andrew Lloyd Webber e Joel Schumacher, baseado em livro de Gaston Leroux.
Elenco: Gerard Butler, Emmy Rossum, Patrick Wilson, Miranda Richardson, Minnie Driver, Ciarán Hinds, Simon Callow.

Concordo que essa história é sensacional, mas o filme, ah o filme…

Quando vi no cinema o filme “ O Guia do Mochileiro das Galáxias ”, não tinha uma idéia exata do quão terrível seria a poesia dos alienígenas Vogons (uma das 3 piores poesias e todo o universo segundo o mestre Douglas Adams), mas depois que vi esse filme e escutei as suas chatíssimas músicas, cantadas pelos atores mais sem expressão e ausência de carisma desde os que interpretaram “Show Bar” “Show Bar”. Tive uma noção bem aproximada do que seria isso.Depois de 30 minutos de músicas e mais músicas (a maioria chata pra cacete) e ao constatar que faltam mais de 1 hora e meia para acabar o filme, aí sim o desespero aumenta.

A história do filme já é de domínio público, mas para os alienígenas de plantão, aí vai um pequeno resumo. Na Paris do final do século XIX, a jovem Christine tem a chance de deixar de ser uma simples corista para ser a cantora principal de um importante teatro. Quando ela se apaixona pelo novo patrocinador do teatro, seu anônimo benfeitor, o temido Fantasma da Ópera, um homem deformado que se esconde a anos no teatro e que possui fama de ser uma criatura sobrenatural, inicia uma feroz luta por seu amor.
Apesar de ser uma das mais belas histórias de amor já escritas e de ser o mais fiel possível ao musical de Andrew Loyd Weber (que eu nunca vi, nem quero ver), o filme se perde completamente nos péssimos e inexpressivos atores principais e na carnavalesca (todos os direitos reservados aos amigos do Cinel@ndia, donos do termo) direção de Joel Shumacker. Que inclusive transformou em alguns momentos o seu Fantasma, em uma espécie de Batman misturado com um Luciano Pavarotti magro.
Ainda bem que não fui ver esse filme no cinema, pois em DVD tive pelo menos a opção de cortar o som em várias e várias cenas.

PS: Não leva a cotação máxima (de cuzinhos, claro), pois dentre as muitas músicas chatíssimas, existem algumas excelentes, como “Mascarados” e o tema principal do Fantasma e Christine.

QUATRO IRMÃOS
(FOUR BROTHERS)

sábado, 1 de outubro de 2005






Direção: John Singleton.
Roteiro: David Elliot e Paul Lovett.
Elenco: Mark Wahlberg, Tyrese Gibson, André Benjamin, Garrett Hedlund, Terrence Howard, Josh Charles, Sofia Vergara, Shawn Singleton.

Sinceramente não esperava grande coisa quando entrei na sala para ver esse filme. Pra ser ainda mais sincero, só fui vê-lo por causa dos horários e por não ter tanta opção de escolha. E sendo quase um santo de tão sincero, o fato de ter no comando do filme o diretor de “+ Velozes + Furiosos”
e como protagonista o Mark “sem expressão” Wahlberg, me fizeram tirar uma conclusão completamente precipitada a respeito desse filme. Na minha cabeça, no mínimo ele serviria para eu encher de cuzinhos pra ele aqui.
Fiquei extremamente feliz por ter queimado a minha língua nessa oportunidade.
Esse é um daqueles filmes fodaços, com personagens excelentes, uma puta história, o maior clima de western (é o remake do western “Os Filhos de Ketie Elder”) e com a cara dos anos 70, além de uma trilha sonora muito legal.
O filme trata da história de quatro irmãos que se reúnem depois de um bom tempo, durante o funeral de sua mãe adotiva. Desconfiando dos motivos dessa bárbara morte, eles iniciam uma violenta investigação em busca de vingança, mesmo que para isso eles enfrentem a máfia local e a própria polícia.
John Singleton com certeza apaga aqui a má impressão deixada no seu péssimo filme anterior, nos entregando um dos filmes mais legais desse ano, com pelo menos uma cena já antológica (o confronto dos irmãos Mercer com os capangas de Victor Hoodlum em frente a casa deles). E não são apenas as cenas de ação os pontos fortes do filme, a fotografia também é muito boa, além das atuações dos intérpretes dos irmãos. A química entre os quatro é excelente, o que torna os personagens bem mais tridimensionais e críveis, o que é extremamente necessário para o filme. Singleton se preocupa em mostrar detalhes da relação entre eles, mostrando sempre a forma descontraída que todos se tratam.
Como falei antes, me surpreendi bastante com o Mark Wahlberg, que interpreta Bobby Mercer e vem entregando em seus últimos filmes atuações bem melhores dos que as feitas em outros momentos, como na atuação robótica em “Planeta dos Macacos”, entre outros. Bobby é, com certeza, um dos personagens mais intensos e interessantes do filme, uma espécie de líder dos irmãos Mercer (característica nata dos bons e velhos westerns) e fio condutor da história, tanto que é o primeiro e último dos irmãos a aparecer no filme.
Se ainda estiver passando em sua cidade, faça como eu, vença o preconceito e vá ver esse filme.