CRASH – NO LIMITE
(CRASH)
(CRASH)

Direção: Paul Haggis.
Roteiro: Paul Haggise Robert Moresco.
Elenco: Don Cheadle, Sandra Bullock, Brendan Fraser, Matt Dillon, Jennifer Espósito, Ryan Phillippe, William Fichtner.
O roteirista e agora diretor Paul Haggis, nos entrega uma das mais contundentes e fortes histórias do ano. Depois de escrever o ótimo e principal vencedor do último Oscar “Menina de Ouro”, dirigido por Clint Eastwood, Haggis volta com uma história ainda mais polêmica que a do seu antecessor, a cada vez mais grave e aparentemente sem solução, questão racial norte americana. Para Haggis, o homem urbano (retratado aqui em uma caótica e a beira de ebulição, Los Angeles, mas que poderia ser em qualquer grande cidade ocidental), sofre com o crescente individualismo e falta de contato. “as pessoas se esbarram para forçar um contato”, como fala o policial interpretado por Don Cheadle.
Negros, latinos, asiáticos, árabes, ou qualquer tipo de estrangeiro mais diferente, formam grupos étnicos homogêneos nas visões preconceituosas dos norte americanos “brancos”, ou como em muitos casos, deles próprios.
E o cotidiano se forma, com asiáticos que têm medo de negros, que têm medo dos latinos, que têm medo dos árabes, que juntos assustam os “inocentes” e cada vez mais “assustados” brancos, mesmo sem nenhum motivo pra isso. Um círculo vicioso que aumenta a cada dia e que é mantido tanto pelos opressores, como pela minoria oprimida, que em alguns casos preferem esquecer suas raízes, para se aproximar de padrões supostamente idealizados. Ou então, aceitar e cumprir a risca os seus estereótipos seja em pequenas doses, como na forma de se vestir ou de falar dos negros, ou cumprindo a sua função social dentro desse sistema opressor (negros e latinos = assassinos e ladrões; árabes = terroristas) e excludente por natureza. Mas Haggis em nenhum momento deixa sua história se tornar piegas ou se perder em clichês, como provavelmente muitos outros fariam.E isso, juntamente com as excelentes atuações do elenco, com certeza são alguns dos fatores mais positivos dessa obra.
Traffic, há alguns anos atrás, se tornou na minha opinião, um marco do cinema estadunidense em relação ao seu mercado consumidor de drogas e ao seu eterno e aparentemente infrutífero combate. Crash, então, já nasce como um marco desse mesmo cinema, sobre o racismo.
O filme, apesar de aparentar, não é completamente pessimista. Apesar de Haggis não ter a pretensão de dar soluções a esse terrível drama, ele tem a preocupação de mostrar que por baixo dessa capa natural que temos, ou da riqueza e posição social que possuímos, sempre precisaremos uns dos outros.
Crash é um verdadeiro quebra-cabeça racial e social, onde histórias que parecem distintas, se cruzam em determinados momentos do filme, unindo assim os personagens e mostrando a grande proximidade de todos os casos. Recuso-me a falar de qualquer uma das histórias, pois essa é uma experiência que cada um de vocês deve ter, vendo este, que com certeza é um dos melhores filmes do ano.
PS: Apesar do grande número de atores conhecidos, o orçamento de crash não chegou aos sete milhões de doletas.