Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


26/12/2005

O EXORCISMO DE EMILY ROSE
THE EXORCISM OF EMILY ROSE







Direção: Scott Derrickson.
Roteiro: Paul Harris Boardman e Scott Derrickson.
Elenco:Laura Linney, Tom Wilkinson, Campbell Scott, Jennifer Carpenter, Colm Feore, Shohreh Aghdashloo.


“Esse não é um julgamento baseado em fatos, e sim em possibilidades”

Essa frase dita pela defesa, nas considerações finais do julgamento da morte da jovem Emily Rose, mostra perfeitamente o tom do filme e qual sua principal intenção.
Em primeiro lugar, “O exorcismo de Emily Rose”, não pode ser definido como um filme de terror. Apesar das características do gênero, além dos muitos clichês que sempre fazem parte do pacote, estarem sempre presentes durante toda a história, o Diretor e também roteirista Scott Derrickson, foi bastante feliz em manter o foco da história no julgamento do Padre Moore, pároco da família Rose e possível responsável pela dramática e estranha morte da jovem depois de sessões de exorcismo.
Um grande mérito do filme e com certeza o seu maior diferencial, com certeza se dá em relação à abordagem do caso. O filme, como falado anteriormente, gira em torno do julgamento, portanto, somos a todo instante, apresentados às duas versões do caso, sempre através de flash backs, ora de testemunhas oculares, ora de cientistas e médicos.
Dois pontos de vista extremamente diversos se opõem no tribunal. De um lado a promotoria, acusando o Pároco Moore de assassinato culposo por negligência, devido ao impedimento do tratamento médico de Emily, que segundo os médicos ligados a acusação, sofria de epilepsia e de uma grave psicose, o que ocasionava crises que responderiam cientificamente seus sérios problemas. Já de outro lado, temos a família e o Pároco, defendidos por uma ambiciosa e até o momento cética advogada, que em sua defesa, afirma que Emily realmente foi possuída por demônios, e por isso, a única chance de salvação se daria através do exorcismo.
Apesar de pender claramente para o lado mais sobrenatural da história, e de um final no mínimo compromissado, “O Exorcismo de Emily Rose” é uma interessante forma de presenciar mais umas das grandes divergências entre fé e razão. Com uma excelente fotografia, uma boa direção, além de atuações bem regulares, esse é, com certeza, um filme que deve ser visto no cinema.

FELIZ NATAL ATRASADO E UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!!!

Arquivado em: — Vladimir @ 10:45 am

21/12/2005

O PESADELO (BOOGEYMAN)





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Direção: Stephen T. Kray.
Roteiro: Eric Kripke, Juliet Snowden e Stiles White.
Elenco: Barry Watson, Emily Deschanel, Skye McCole Bartusiak, Lucy Lawless, Tory Mussett, Robyn Malcolm, Charles Mesure.

O maior sofrimento desse filme, é com certeza o da hora de sua entrega na locadora. Nem o alívio da devolução tira o terrível desgosto do desembolso para assisti-lo. “Pesadelo”, mais um filme da produtora do Sam Raimi, é simplesmente um dos 10 filmes mais toscos e sem sentido que eu vi nos últimos 15 anos. E olha que nesse meio eu incluo filmes como “Halloween 9”, “Filha da Luz”, “Jason X”, “Amigo Oculto”, “O Chamado 2” etc etc.
Mas também, como levar a sério um filme em que o monstro assustador é o famoso “Bicho Papão”? Seria então mais um revival oitentista? Filmes de terror ridículos, onde criaturas como Duendes e Fadas se tornavam “sanguinários, perigosos e assustadores” monstros.
Em “O Pesadelo” temos a história de um jovem, que anos depois do sofrimento da perda do pai em circunstâncias misteriosas que o marcaram bastante (ocasionada pela brrrrr criatura), tem que voltar a sua antiga e assustadora casa, tendo que enfrentar novamente os seus mais terríveis pesadelos.
Aí pronto, morre um monte de gente, ele encontra a antiga namorada e rola um clima, ele descobre como destruir o bicho papão e o bem mais uma vez vence o mal, espantando o temporal.
A atuação de Barry Watson é de uma ruindade inesquecível, digna do nosso prêmio “Ben Afleck” de pior ator.

Arquivado em: — Vladimir @ 4:13 pm

17/12/2005

KING KONG



Direção: Peter Jackson.
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson.
Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Jamie Bell, Andy Serkis, Kyle Chandler, Thomas Krestschmann, Evan Parke, Colin Hanks, John Sumner.

Pouquíssimos diretores têm nesse momento, a moral que o Sr. Peter Jackson alcançou em Hollywood. Responsável por um dos maiores sucessos da história (a tal trilogia de Frodo, Aragorn, Gandalf e CIA) do cinema, Jackson se consolida ainda mais e faz por merecer toda essa moral conquistada, com o lançamento da sua tão sonhada visão pessoal da trágica história do gorila gigante, King Kong. Também não é a toa que ele recebeu cerca de 20 milhões de dólares para dirigir o filme (um recorde), que por si só já mostra o quão bem gasto foi esse dinheiro.
Todas as características que identificam os filmes de Peter Jackson estão presentes. Direção de arte e figurino impecáveis; trilha sonora épica e extremamente emocionante; reconstituição histórica de Nova York nos anos 30 de fazer cair o queixo; efeitos especiais e edição de som de tirar o fôlego (mas que em alguns momentos, de tão difíceis, ainda apresentam falhas); roteiro muito bem escrito; e a excelente escolha do elenco, que mistura atores já consagrados como Naomi Watts e Adrien Brody, com outros mais desconhecidos, além da participação do excelente Andy Serkis, que novamente empresta sua interpretação corporal a um personagem digital (como fez com o Gollum), além de interpretar um personagem de carne e osso. O trabalho de Serkis como King Kong, é provavelmente uma das melhores coisas do filme, pois é devido à sua perfeita atuação, que acreditamos na possibilidade da existência de uma criatura como essa. Sentimos e acreditamos em seu carinho e amor por Ann, sua raiva e fúria quando é atacado ou quando ela se encontra em perigo. Peter Jackson, Andy Serkin e a WETA digital mais uma vez conseguiram dar veracidade e vida a algo que não existe.
O filme se inicia na Nova York do início dos anos 30, quando a grande depressão gerada pela quebra da bolsa de valores assolava a nação e a pobreza e a fome fazia parte do cotidiano da maioria dos norte americanos. Nesse contexto, somos apresentados a jovem Ann Darrow (Naomi Watts), atriz de comédias que tem seu pequeno teatro fechado devido a recessão. Sem dinheiro e com fome, ela acaba conhecendo o cineasta Carl Denham (Jack Black), que enfrenta problemas com seu estúdio e tem o sonho de realizar seu filme na lendária Ilha da Caveira. Aceitando trabalhar no filme, devido ao envolvimento do conceituado dramaturgo e roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody), Ann embarca com a equipe do diretor e alguns caçadores donos do barco, sem ter idéia dos perigos que iria enfrentar.
Depois do desenvolvimento dos personagens, Peter Jackson nos apresenta a fabulosa Ilha da Caveira. Território até então desconhecido, uma espécie de elo perdido, onde o tempo passa de forma diferente e criaturas pré-históricas convivem com tribos selvagens e animais estranhos. Atacados por uma assustadora tribo, Ann é feita refém e entregue a Torê Kong (esse é o nome dado pela tribo ao animal) como sacrifício. Inicia-se aí uma incomum história de amor, com um desfecho que todos já conhecem.



Esse novo King Kong não existe apenas para mostrar efeitos especiais magníficos (a cena da luta de Kong com os Tiranossauros é com certeza uma das melhores cenas de filmes de ação em todos os tempos), tendo como pano de fundo uma bela e impossível história de amor. Jackson aproveita para fazer uma ferrenha crítica ao ser humano, sua arrogância sem limites, ganância desenfreada e principalmente sua terrível capacidade de destruição, e isso parece ser uma característica do seu trabalho, como as posições abientalistas mostradas em “As Duas Torres”. Mais do que uma simples representação da Bela e a Fera, com um final trágico, King Kong é uma abordagem perfeita de como o homem pode se portar negativamente perante o desconhecido.

E a minha maior felicidade é possuir mais uma opção de torcida no Globo de Ouro e na noite do Oscar.

Tempo de Duração: 187 minutos.

Arquivado em: — Vladimir @ 6:53 pm

12/12/2005

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA:
O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA ROUPA







Direção: Andrew Adamson.
Roteiro: Ann Peacock, Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely.
Elenco: Georgie Henley, William Moseley, Skandar Keynes, Anna Popplewell, Tilda Swinton, Sophie Winkleman, James McAvoy, Jim Broadbent, Liam Neeson (Voz de Aslan).

Depois da série Harry Potter e do lançamento da obra máxima de Tolkien nos cinemas por Peter Jackson e de seus sucessos avassaladores, com certeza não demoraria nada para outros estúdios de Hollywood começar a catar todos as histórias de fantasia existentes no mundo para adaptar e também comer uma fatia desse rendoso bolo. “Crônicas de Nárnia”, com seus 7 livros e sua mitologia fantástica, deu a Disney a possibilidade de entrar nesse meio.
Mas não pense que as histórias de Nárnia são parecidas com as da Terra Média, muito pelo contrário, os contos de C.S. Lewis (pelo menos esse adaptado) são especificamente direcionados ao público infantil, mas logicamente podem agradar, e muito, aos marmanjos que gostem de uma boa aventura. E se esse filme lembra as adaptações de Peter Jackson, é devido ao local onde foi feito e algumas tomadas (principalmente na batalha e nas apresentações da geografia de Nárnia).




Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia, são quatro crianças que são enviadas para um castelo no campo, para fugir do bombardeio a Londres pelo exército alemão durante a segunda guerra mundial. Entediados, eles tentam inventar brincadeiras como forma de distração. Sem querer, Lúcia descobre, em um dos guarda roupas da casa, uma passagem para um estranho e diferente mundo, povoado por faunos e outras criaturas e onde os homens são chamados de “filhos de Adão” e as mulheres de “Filhas de Eva”.
Esse lugar é Nárnia, um território dentro de um mundo desconhecido, um local mágico onde seres da mitologia grega (faunos, centauros, dríades, grifos), dividem seus espaços com animais falantes e são governados pelo Leão Aslan (voz de Liam Neeson). Depois de uma ausência do saberano de Nárnia, a região é dominada por uma terrível bruxa, que domina Nárnia de forma assustadora, transformando todos os seus adversários em pedra e mudando drasticamente a região, tornando tudo um continente gelado. A possibilidade da concretização de uma profecia e o retorno de Aslan, levam a uma guerra entre as forças do bem e as criaturas do mal, que definirão o futuro de Nárnia.


A obra de Lewis seria uma mistura de referências bíblicas (filhos de Adão e Eva; referência a traição, sacrifício e ressurreição de Cristo; alusão ao Leão como uma divindade) com elementos da mitologia greco-romana e Nórdica (até Papai Noel aparece no filme).
Não vá ao cinema em busca de mais um Senhor dos Anéis, pois com certeza você vai se decepcionar. Vá ver “O Leão, A Feiticeira e o Guarda Roupa” com a mente aberta, buscando apenas se divertir e identificar as muitas alegorias existentes no filme, assim, com certeza você se divertirá e ficará ansioso para o lançamento de outros filmes da série.
O lado técnico do filme está primoroso, com criaturas digitais beirando a perfeição (olha a Weta Digital aí de novo, se garantindo e passando a perna mais uma vez na empresa do George Lucas). Fotografia excelente (Nova Zelândia, que é a Terra Média, ajuda mesmo). Atuações seguras e uma ótima escolha em relação às crianças que ficaram com os papéis principais, principalmente Georgie Henley, intérprete de Lúcia Pevensie. Tudo isso, conduzido através da boa direção de Andrew Adamson, que tem aqui, a sua primeira direção com personagens de carne osso, já que até o momento ele havia dirigido apenas as aventuras do ogro verde Sherk.

PS: Também escrevi uma pequena resenha sobre os dois primeiros contos do mundo de Nárnia no blog LITERATURA FANTÁSTICA . Quem se interessar, é só clicar AQUI .

Arquivado em: — Vladimir @ 10:30 am

9/12/2005

HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO
H. P. AND THE GOBLET OF FIRE






Direção: Mike Newell.
Roteiro: Steven Kloves.
Elenco: Daniel Radcliff, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Robbie Coltrane, Mark Williams, Jason Isaacs, Robert Hardy, Katie Leung, Matthew Lewis, Maggie Smith, Alan Rickman, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Ralph Fiennes.

De cara, duas colocações devem ser feitas em relação a essa quarta aventura do aprendiz de bruxo Harry Potter nos cinemas: A Warner foi extremamente feliz em dar cada filme da série, a partir do segundo, a diretores diferentes, possibilitando assim, visões diferentes sobre a obra da embusteira J. K. Rowlings. A segunda colocação é de que as histórias de Potter (depois do “Prisioneiro de Azkaban” ) nos cinemas, ficam muito mais agradáveis que nos livros.
“Harry Potter e o Cálice de Fogo”, é na minha opinião o melhor filme da série até o momento. A atmosfera de urgência e de pavor apresentada no filme anterior é mantida aqui, o que torna o filme ainda melhor. Mas diferente do seu antecessor, Newell não se preocupa tanto nas relações entre os personagens, dando preferência à apresentação do fantástico mundo de Potter e principalmente a preparação para o tão esperado aparecimento de “você sabe quem” (Ralph Fiennes mais uma vez muito bem). A trinca principal de atores está mais uma vez bastante a vontade (principalmente Rupert Grint e Daniel “cabeção” Radcliff) em seus papéis, e a manutenção dos três na série é o principal fator de ligação e identificação para com o restante da série.
Nessa aventura, o universo mágico está em polvorosa com o ressurgimento dos comensais da morte, espécie de capangas do Lorde das Trevas. Voltando para mais um ano letivo em Hogwarts, Potter acaba participando de um torneio bastante tradicional e perigoso, depois de seu nome ser inscrito sem o seu conhecimento e de forma muito estranha.
Muitos outros personagens e muitas outras criaturas são mostradas durante o filme, mas isso, com certeza eu não escreverei aqui, portanto, vá ler o livro, ou poupe seu precioso tempo e veja o filme, que sem sombra de dúvidas, é muito melhor.
No mais, é só aguardar o próximo filme, antepenúltimo da série.

PS: Até segunda-feira, um especial sobre o aguardado “AS CRÔNICAS DE NÁRNIA”, em conjunto com o Blog LITERATURA FANTÁSTICA
.

Arquivado em: — Vladimir @ 3:19 pm

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