AS CRÔNICAS DE NÁRNIA:
O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA ROUPA
O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA ROUPA

Direção: Andrew Adamson.
Roteiro: Ann Peacock, Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely.
Elenco: Georgie Henley, William Moseley, Skandar Keynes, Anna Popplewell, Tilda Swinton, Sophie Winkleman, James McAvoy, Jim Broadbent, Liam Neeson (Voz de Aslan).
Depois da série Harry Potter e do lançamento da obra máxima de Tolkien nos cinemas por Peter Jackson e de seus sucessos avassaladores, com certeza não demoraria nada para outros estúdios de Hollywood começar a catar todos as histórias de fantasia existentes no mundo para adaptar e também comer uma fatia desse rendoso bolo. “Crônicas de Nárnia”, com seus 7 livros e sua mitologia fantástica, deu a Disney a possibilidade de entrar nesse meio.
Mas não pense que as histórias de Nárnia são parecidas com as da Terra Média, muito pelo contrário, os contos de C.S. Lewis (pelo menos esse adaptado) são especificamente direcionados ao público infantil, mas logicamente podem agradar, e muito, aos marmanjos que gostem de uma boa aventura. E se esse filme lembra as adaptações de Peter Jackson, é devido ao local onde foi feito e algumas tomadas (principalmente na batalha e nas apresentações da geografia de Nárnia).

Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia, são quatro crianças que são enviadas para um castelo no campo, para fugir do bombardeio a Londres pelo exército alemão durante a segunda guerra mundial. Entediados, eles tentam inventar brincadeiras como forma de distração. Sem querer, Lúcia descobre, em um dos guarda roupas da casa, uma passagem para um estranho e diferente mundo, povoado por faunos e outras criaturas e onde os homens são chamados de “filhos de Adão” e as mulheres de “Filhas de Eva”.
Esse lugar é Nárnia, um território dentro de um mundo desconhecido, um local mágico onde seres da mitologia grega (faunos, centauros, dríades, grifos), dividem seus espaços com animais falantes e são governados pelo Leão Aslan (voz de Liam Neeson). Depois de uma ausência do saberano de Nárnia, a região é dominada por uma terrível bruxa, que domina Nárnia de forma assustadora, transformando todos os seus adversários em pedra e mudando drasticamente a região, tornando tudo um continente gelado. A possibilidade da concretização de uma profecia e o retorno de Aslan, levam a uma guerra entre as forças do bem e as criaturas do mal, que definirão o futuro de Nárnia.
A obra de Lewis seria uma mistura de referências bíblicas (filhos de Adão e Eva; referência a traição, sacrifício e ressurreição de Cristo; alusão ao Leão como uma divindade) com elementos da mitologia greco-romana e Nórdica (até Papai Noel aparece no filme).
Não vá ao cinema em busca de mais um Senhor dos Anéis, pois com certeza você vai se decepcionar. Vá ver “O Leão, A Feiticeira e o Guarda Roupa” com a mente aberta, buscando apenas se divertir e identificar as muitas alegorias existentes no filme, assim, com certeza você se divertirá e ficará ansioso para o lançamento de outros filmes da série.
O lado técnico do filme está primoroso, com criaturas digitais beirando a perfeição (olha a Weta Digital aí de novo, se garantindo e passando a perna mais uma vez na empresa do George Lucas). Fotografia excelente (Nova Zelândia, que é a Terra Média, ajuda mesmo). Atuações seguras e uma ótima escolha em relação às crianças que ficaram com os papéis principais, principalmente Georgie Henley, intérprete de Lúcia Pevensie. Tudo isso, conduzido através da boa direção de Andrew Adamson, que tem aqui, a sua primeira direção com personagens de carne osso, já que até o momento ele havia dirigido apenas as aventuras do ogro verde Sherk.
PS: Também escrevi uma pequena resenha sobre os dois primeiros contos do mundo de Nárnia no blog LITERATURA FANTÁSTICA . Quem se interessar, é só clicar AQUI .