KING KONG

Direção: Peter Jackson.
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson.
Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Jamie Bell, Andy Serkis, Kyle Chandler, Thomas Krestschmann, Evan Parke, Colin Hanks, John Sumner.
Pouquíssimos diretores têm nesse momento, a moral que o Sr. Peter Jackson alcançou em Hollywood. Responsável por um dos maiores sucessos da história (a tal trilogia de Frodo, Aragorn, Gandalf e CIA) do cinema, Jackson se consolida ainda mais e faz por merecer toda essa moral conquistada, com o lançamento da sua tão sonhada visão pessoal da trágica história do gorila gigante, King Kong. Também não é a toa que ele recebeu cerca de 20 milhões de dólares para dirigir o filme (um recorde), que por si só já mostra o quão bem gasto foi esse dinheiro.
Todas as características que identificam os filmes de Peter Jackson estão presentes. Direção de arte e figurino impecáveis; trilha sonora épica e extremamente emocionante; reconstituição histórica de Nova York nos anos 30 de fazer cair o queixo; efeitos especiais e edição de som de tirar o fôlego (mas que em alguns momentos, de tão difíceis, ainda apresentam falhas); roteiro muito bem escrito; e a excelente escolha do elenco, que mistura atores já consagrados como Naomi Watts e Adrien Brody, com outros mais desconhecidos, além da participação do excelente Andy Serkis, que novamente empresta sua interpretação corporal a um personagem digital (como fez com o Gollum), além de interpretar um personagem de carne e osso. O trabalho de Serkis como King Kong, é provavelmente uma das melhores coisas do filme, pois é devido à sua perfeita atuação, que acreditamos na possibilidade da existência de uma criatura como essa. Sentimos e acreditamos em seu carinho e amor por Ann, sua raiva e fúria quando é atacado ou quando ela se encontra em perigo. Peter Jackson, Andy Serkin e a WETA digital mais uma vez conseguiram dar veracidade e vida a algo que não existe.
O filme se inicia na Nova York do início dos anos 30, quando a grande depressão gerada pela quebra da bolsa de valores assolava a nação e a pobreza e a fome fazia parte do cotidiano da maioria dos norte americanos. Nesse contexto, somos apresentados a jovem Ann Darrow (Naomi Watts), atriz de comédias que tem seu pequeno teatro fechado devido a recessão. Sem dinheiro e com fome, ela acaba conhecendo o cineasta Carl Denham (Jack Black), que enfrenta problemas com seu estúdio e tem o sonho de realizar seu filme na lendária Ilha da Caveira. Aceitando trabalhar no filme, devido ao envolvimento do conceituado dramaturgo e roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody), Ann embarca com a equipe do diretor e alguns caçadores donos do barco, sem ter idéia dos perigos que iria enfrentar.
Depois do desenvolvimento dos personagens, Peter Jackson nos apresenta a fabulosa Ilha da Caveira. Território até então desconhecido, uma espécie de elo perdido, onde o tempo passa de forma diferente e criaturas pré-históricas convivem com tribos selvagens e animais estranhos. Atacados por uma assustadora tribo, Ann é feita refém e entregue a Torê Kong (esse é o nome dado pela tribo ao animal) como sacrifício. Inicia-se aí uma incomum história de amor, com um desfecho que todos já conhecem.
Esse novo King Kong não existe apenas para mostrar efeitos especiais magníficos (a cena da luta de Kong com os Tiranossauros é com certeza uma das melhores cenas de filmes de ação em todos os tempos), tendo como pano de fundo uma bela e impossível história de amor. Jackson aproveita para fazer uma ferrenha crítica ao ser humano, sua arrogância sem limites, ganância desenfreada e principalmente sua terrível capacidade de destruição, e isso parece ser uma característica do seu trabalho, como as posições abientalistas mostradas em “As Duas Torres”. Mais do que uma simples representação da Bela e a Fera, com um final trágico, King Kong é uma abordagem perfeita de como o homem pode se portar negativamente perante o desconhecido.
E a minha maior felicidade é possuir mais uma opção de torcida no Globo de Ouro e na noite do Oscar.
Tempo de Duração: 187 minutos.