Arquivo de dezembro de 2005

A LENDA DO ZORRO
(THE LEGEND OF ZORRO)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005




(_*_)


Direção: Martin Campbell.
Roteiro: Roberto Orci e Alex Kurtzman.
Elenco: Antonio Banderas, Catherine Zeta-Jones, Giovanna Zacarias, Raúl Méndez, Adrian Alonso, Rufus Sewell.

Essa pode não ter sido a resenha mais difícil que escrevi até o momento, mas com certeza foi uma das mais incoerentes, pois apesar de até ter me divertido um pouco com o filme, é impossível não vê-lo como um todo e não esculhambá-lo.

Acho praticamente impossível para um historiador, ver um filme histórico, seja ele em que estilo ou período for, e não ficar procurando mensagens subliminares a todo o momento. Esse, digamos assim, vício, tem um caráter bastante negativo, pois em muitos casos, acaba levando-nos a não gostar de uma obra, que mesmo sem intenção, acaba cometendo deturpações inaceitáveis.
Não é todo dia que vemos um filme, onde vemos uma subversão de fatos como essa, onde uma tomada sanguinária de território é transformada em uma boa ação, como se o dominado quisesse de qualquer forma a dominação do dominante. Logicamente, por ser um filme de ação, é somado a isso, vilões muito mal intencionados e feios que surgem para acabar com a alegria do sofrido povo. Então, é só somar a isso um herói mascarado que foi alegria de muita gente na infância, mas que agora assume o seu papel de latifundiário burguês entreguista neoliberal, que provavelmente tiraria muitas noites de sono do ídolo pop de esquerda, Hugo Chaves.
Nessa continuação, passam-se 10 anos da sua primeira grande aventura, onde assumiu o manto do Zorro (que não é o Zorrô da novela). Don Alejandro de La Veja (Banderas) enfrenta o problema que todos os super heróis com família sofrem, que é deixar de lado a vida privada em troca da liberdade da vida mascarada e de aventuras, sofrendo sempre a pressão da esposa devido às constantes ausências. E é nesse contexto familiar e de dúvidas sobre continuar ou não portando a máscara e defendendo seu povo, que nosso herói torna-se o único que pode defender a democracia (tsc tsc) e evitar que agentes do mal estraguem o sonho do povo mexicano da Califórnia de se unir aos Estados Unidos (arrrrrrghhhhhhhhhh).
Pessoalmente, acho que os maiores erros da produção do filme, foram:

1. Acreditar que apenas o envolvimento do nome Zorro, uma história repleta de clichês e a ação descerebrada sustentariam o filme;
2. O surgimento de uma espécie de Zorrinho (diga-se de passagem, chato pra cacete), para dar um lado ainda mais cômico ao filme, além de atrair mais o público infantil, que no máximo tira alguns sorrisos (de constrangimento, lógico), a cada vez que aparece;
3. Repetir a mesma velha e batida história do “bem vence o mal, espanta o temporal…” de sempre.

Então, com exceção do ponto 2 desses 3 pontos, “A Lenda” não é nada mais do que uma repetição mais cara e muito pior do seu anterior, já que além de tudo, o fator “novidade” evaporou-se naquela ocasião.
Mas sabem de uma coisa, mesmo com esse monte de defeitos, ainda estamos falando de um filme do Zorro e do seu fiel companheiro Tornado (melhor personagem do filme). E mesmo com todas as tentativas dos roteiristas e do diretor Martin Campbell de avacalhar com tudo, ainda restaram ótimas cenas de lutas de espadas e algumas boas piadas. Além disso, é impressionante como Banderas e Zeta Jones ficam a vontade interpretando esses papéis. Portanto, “A Lenda do Zorro” até vale o ingresso naquele domingão que você não tem nada pra fazer e já viu todas as opções realmente boas que estão em cartaz.

PS: Acabei mudando minha opinião e metendo cuzinho nesse filme, mesmo já tendo defendido-o em alguns blogs. Vai entender…

JOGOS MORTAIS II
(SAW II)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005


(_*_)


Direção: Darren Lynn Bousman.
Roteiro: Darren Lynn Bousman e Leigh Whannell.
Elenco: Beverley Mitchell, Tony Nappo, Glenn Plummer, Shawnee Smith, Emmanuelle Vaugier, Donnie Wahlberg, John Fallon.

A fórmula utilizada nessa continuação é quase a mesma que consagrou o primeiro. Desvirtua-se um pouco a história original e seu personagem principal (Saw deixa de ser o assassino dos enigmas e passa a ser o assassino das armadilhas), coloca um ou outro ator do anterior, aumenta estrondosamente o número de vítimas e a violência cometida pelo psicopata e tchãn nã nã, está pronto o filme.
O primeiro filme do psicopata do quebra-cabeça (saw), foi uma ótima surpresa para os fãs do estilo. Com um elenco praticamente desconhecido, poucos recursos, mas com uma boa história (o principal), tivemos um dos melhores suspenses da década, um filme que deu uma revigorada nos filmes com psicopatas, mas que de forma alguma nos fez esquecer Seven, o melhor filme do estilo, como o infame cartaz nacional sugeria.
Então, com o sucesso absurdo de bilheteria do primeiro filme, principalmente em relação ao quanto foi gasto, continuações não tardariam a vir.
Não é um filme realmente ruim, mas com certeza deixa bastante a desejar. Particularmente esperava uma trama no mínimo tão bem elaborada quanto a do filme anterior, mas de bem elaborado nesse, somente algumas novas armadilhas, o resto, inclusive o final, não passa de uma repetição macaqueada (Putz, pareceu o ex-deputado Bob Jefferson) do anterior, mas com vítimas diferentes e policiais diferentes.