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Direção: Martin Campbell.
Roteiro: Roberto Orci e Alex Kurtzman.
Elenco: Antonio Banderas, Catherine Zeta-Jones, Giovanna Zacarias, Raúl Méndez, Adrian Alonso, Rufus Sewell.
Essa pode não ter sido a resenha mais difícil que escrevi até o momento, mas com certeza foi uma das mais incoerentes, pois apesar de até ter me divertido um pouco com o filme, é impossível não vê-lo como um todo e não esculhambá-lo.
Acho praticamente impossível para um historiador, ver um filme histórico, seja ele em que estilo ou período for, e não ficar procurando mensagens subliminares a todo o momento. Esse, digamos assim, vício, tem um caráter bastante negativo, pois em muitos casos, acaba levando-nos a não gostar de uma obra, que mesmo sem intenção, acaba cometendo deturpações inaceitáveis.
Não é todo dia que vemos um filme, onde vemos uma subversão de fatos como essa, onde uma tomada sanguinária de território é transformada em uma boa ação, como se o dominado quisesse de qualquer forma a dominação do dominante. Logicamente, por ser um filme de ação, é somado a isso, vilões muito mal intencionados e feios que surgem para acabar com a alegria do sofrido povo. Então, é só somar a isso um herói mascarado que foi alegria de muita gente na infância, mas que agora assume o seu papel de latifundiário burguês entreguista neoliberal, que provavelmente tiraria muitas noites de sono do ídolo pop de esquerda, Hugo Chaves.
Nessa continuação, passam-se 10 anos da sua primeira grande aventura, onde assumiu o manto do Zorro (que não é o Zorrô da novela). Don Alejandro de La Veja (Banderas) enfrenta o problema que todos os super heróis com família sofrem, que é deixar de lado a vida privada em troca da liberdade da vida mascarada e de aventuras, sofrendo sempre a pressão da esposa devido às constantes ausências. E é nesse contexto familiar e de dúvidas sobre continuar ou não portando a máscara e defendendo seu povo, que nosso herói torna-se o único que pode defender a democracia (tsc tsc) e evitar que agentes do mal estraguem o sonho do povo mexicano da Califórnia de se unir aos Estados Unidos (arrrrrrghhhhhhhhhh).
Pessoalmente, acho que os maiores erros da produção do filme, foram:
1. Acreditar que apenas o envolvimento do nome Zorro, uma história repleta de clichês e a ação descerebrada sustentariam o filme;
2. O surgimento de uma espécie de Zorrinho (diga-se de passagem, chato pra cacete), para dar um lado ainda mais cômico ao filme, além de atrair mais o público infantil, que no máximo tira alguns sorrisos (de constrangimento, lógico), a cada vez que aparece;
3. Repetir a mesma velha e batida história do “bem vence o mal, espanta o temporal…” de sempre.
Então, com exceção do ponto 2 desses 3 pontos, “A Lenda” não é nada mais do que uma repetição mais cara e muito pior do seu anterior, já que além de tudo, o fator “novidade” evaporou-se naquela ocasião.
Mas sabem de uma coisa, mesmo com esse monte de defeitos, ainda estamos falando de um filme do Zorro e do seu fiel companheiro Tornado (melhor personagem do filme). E mesmo com todas as tentativas dos roteiristas e do diretor Martin Campbell de avacalhar com tudo, ainda restaram ótimas cenas de lutas de espadas e algumas boas piadas. Além disso, é impressionante como Banderas e Zeta Jones ficam a vontade interpretando esses papéis. Portanto, “A Lenda do Zorro” até vale o ingresso naquele domingão que você não tem nada pra fazer e já viu todas as opções realmente boas que estão em cartaz.
PS: Acabei mudando minha opinião e metendo cuzinho nesse filme, mesmo já tendo defendido-o em alguns blogs. Vai entender…