Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


31/1/2006

MUNIQUE
(MUNICH)



Direção: Steven Spielberg.
Roteiro: Eric Roth e Tony Kushner.
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Ayelet Zorer, Geoffrey Rush, Gila Almagor, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric, Lynn Cohen, Moritz Bleibtreu, Marie-Josié Croze.

Sem nenhuma dúvida, “Munique” é o filme mais corajoso que o cineasta Steven Spilberg já realizou. Abordando o complexo e polêmico tema “Terrorismo”, o diretor teve a importante preocupação de não se deixar cair no mero maniqueísmo (mesmo sendo judeu) apontando um lado como o mal (palestinos) e o outro como vítima (israelenses). E é exatamente essa coragem que faz desse um de seus melhores e contundentes trabalhos.
A abordagem dada ao atentado ocorrido no ano de 1972, durante as olimpíadas de Munique na Alemanha, que culminou no assassinato de quase toda delegação israelense pelo Setembro Negro (grupo terrorista de maioria palestina contrário a criação do Estado de Israel) e a criação de grupos (também terroristas) controlados pelo estado de Israel para responder os atentados da mesma forma, foi feita de forma, que nós espectadores saiamos do cinema no mínimo perturbados com a gravidade desse aparentemente eterno conflito. As motivações de ambos os lados são apresentadas de forma que fique claro que ambos os lados tem motivo de sobra (nunca entrando no mérito de quem está certo ou errado) para justificar as suas violentas atitudes.
Diferentemente de outros filmes do diretor, é quase impossível assumirmos a preferência de qualquer um dos lados, ambos parecem estar certos, mas ao mesmo tempo completamente errados. A sensibilidade por trás dos membros dos grupos rivais é sempre mostrada alternando com a apresentação de seus lados mais radicais e violentos. Como disputar uma mesma região, religiosamente sagrada para dois povos, sem derramamento de sangue?
Mas a maior prova da coragem de Spilberg se encontra no aprofundamento que ele dá ao tema, mostrando a origem dos diversos grupos terroristas financiados por diversos países anti- terroristas através de suas próprias polícias secretas (U.R.S.S., França, Israel, Inglaterra e E.U.A.) e como isso mostrou-se extremamente desastroso num futuro que conhecemos muito bem e que é brilhantemente lembrado pelo diretor na última tomada do filme.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:14 pm

26/1/2006

SOLDADO ANÔNIMO
(JARHEAD)



Direção: Sam Mendes.
Roteiro: William Broyles Jr.
Elenco: Jake Gyllenhaal, Jamie Foxx, Kristin Richardson, Peter Gail, Jamie Martz, Evan Jones, Chris Cooper, Dennis Haysbert, Scott MacDonald, Peter Sarsgaard.

Tenho uma grande preferência, dentro desse estilo de filmes, aos projetos que buscam mostrar dentro de conflitos, o lado mais humano e pessoal das pessoas que deles participam. Portanto, na minha opinião, as melhores obras do estilo, são os que buscaram mostrar o seu respectivo conflito, a partir das visões pessoais de seus combatentes, deixando de lado a destruição e as impressionantes e inúmeras mortes, que devido a essa abordagem, se transformam em nada mais que um espetáculo visual, perdendo o impacto que deveria possuir. A banalização da vida também está presente na maioria dos filmes de guerra. O homem passa então, por uma espécie de coisificação, tornando-se apenas mais um coadjuvante, onde o protagonista é a própria guerra.
No filme, seguimos o jovem Swoff (Gyllenhaal) desde a sua entrada no campo de treinamentos, até sua ida à primeira guerra do Golfo. Vemos a sua tentativa de fugir ao máximo de qualquer tipo de luta, até o seu desespero e frustração por não atirar em ninguém depois de meses de treinamento.
Então, seguindo a proposta de outros grandes cineastas como Kubrick (Tempo de Matar) e Malick (Além da Linha Vermelha), Sam Mendes direciona seu filme para o olhar dos combatentes em relação a situação em que estão vivendo. Explora de modo preciso os motivos que levam jovens sem nenhuma experiência e perspectiva de vida a se tornarem em pouco tempo pretensos matadores em “defesa” de sua glorificada pátria. Jovens esses que passam por verdadeiras lavagens cerebrais, passando de jovens comuns a verdadeiras máquinas de matar, não importando se a ação se passará na Europa, no Vietnã ou Iraque.
O maior defeito do filme talvez esteja nessa sua falta de originalidade, apesar de muito bom, o tema já foi abordado anteriormente em outros filmes (citados aqui no texto), soando às vezes mais como uma homenagem a obras anteriores, o que diminuiu muito o seu impacto.

Arquivado em: — Vladimir @ 6:37 pm

21/1/2006

ZHATURA
UMA AVENTURA ESPACIAL







Direção: Jon Favreau.
Roteiro: David Koepp, John Kamps.
Elenco: Jonah Bobo, Josh Hutcherson, Derek Mears, Tim Robbins, Dax Shepard, Kristen Stewart, Douglas Tait.

Em “Jumanji”, tínhamos a história de dois irmãos que encontravam um misterioso jogo de tabuleiro, continuando uma partida iniciada por duas outras crianças, diversos anos antes.
É impossível falar de “Zathura – Uma Aventura Espacial”, sem citar esse seu irmão, já que ambos foram feitos a partir de histórias escritas pelo mesmo autor, Chris Van Allsburg. As aventuras de Allsburg partem da mesma premissa, a possibilidade de interação entre o mundo real e mundos fantasiosos (na selva ou no espaço), onde tudo é possível, através de partidas dos bons, velhos e esquecidos, jogos de tabuleiro.
Se tem algo mais positivo nesse novo filme do que no estrelado por Robin Willians, com certeza são os efeitos especiais, que aqui dão um show a parte, tornando o jogo e não os atores, o principal atrativo do filme. O roteiro de Kamps e do já conhecido Koepp, além da boa direção de Jon Favreau, fazem de “Zhatura”, uma das melhores atrações das férias. Uma ótima opção para quem não deseja levar os pimpolhos para os terríveis filmes da Xuxa e do Renato Aragão.

Arquivado em: — Vladimir @ 8:24 pm

17/1/2006

VISÕES
(THE EYE 2)





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Direção: Oxide Pang Chun e Danny Pang.
Roteiro: Lawrence Cheng e Jo Jo Yuet-chun Hui.
Elenco: Eugenia Yuan, Qi Shu, Jesdaporn Pholdee, Philip Kwok, May Phua, Rayson Tan, Alan Term.

No primeiro filme, tínhamos uma cega, que recebia as córneas de uma poderosa paranormal, e que por isso, recebia a assustadora herança de ver espíritos, da mesma forma que sua doadora. No mais, o filme seguia a já batida cartilha de filmes orientais de terror, com uma porção de sustos absurdos e fantasmas cabeludos.
Não contente com apenas um filme, os irmãos Pang, resolveram fazer uma continuação para a história, dessa vez, com uma trama completamente diferente e novos personagens. Mas existe uma grande semelhança entre ambos os filmes: os dois são péssimos.
Yuen Chi-Kei (Eugenia Yuan), é uma jovem que sofre muito pelo abandono de seu namorado. Desgostosa da vida, ela resolve partir para a solução final, o suicídio. Depois de ser salva pelos funcionários do hotel em que estava hospedada, ela percebe que coisas estranhas, que antes não eram vistas, começam a aparecer e tirar o seu sossego. Estaria Yuen louca, ou sua tentativa de suicídio alterou a sua percepção, possibilitando-a ver o outro lado? Na realidade, o filme em nenhum momento levanta essa questão, mas que fica bonito na resenha, com certeza fica.
Os Pang se utilizam das mesmas características e recursos utilizados para assustar nas dezenas de filmes orientais que apareceram por aqui ultimamente. Então, preparem-se para ver, muitos sustos com fantasmas que aparecem do nada e que não fazem nada, cabelos gigantes sobrenaturais e o famoso final surpresa e explicativo, obrigatório nesses filmes.
É tão ruim, que não merecia nem um episódio do “Linha Direta Mistério” na Rede Globo.

Mais terror oriental no NTSA:

THE EYE, A HERANÇA

Arquivado em: — Vladimir @ 8:46 pm

13/1/2006

A PASSAGEM
(STAY)







Direção: Marc Forster.

Roteiro: David Benioff.
Elenco: Ewan McGregor, Naomi Watts, Ryan Gosling, Elizabeth Reaser, Noah Bean, Isaach De Bankolé, Michael Gaston, Bob Hoskins.

Se tem uma palavra que pode resumir tudo o que ocorre em “A Passagem”, com certeza essa palavra seria: ESTRANHO. O diretor Marc Foster (”Em Busca da Terra do Nunca”) nos apresenta uma trama que no mínimo queimará alguns neurônios do público que tentará entendê-lo. Com certeza muitos odiarão (várias pessoas saíram no meio da sessão no dia que eu vi), mas é certo também que muitos ficarão um bom tempo tentando entender o sentido do filme, se é que ele existe.
Mas mesmo achando o filme confuso e até vendo algumas falhas em relação à continuidade do roteiro, principalmente no final do filme (que logicamente eu não vou falar), o que tira ainda mais um possível sentido para a história, temos como salvação, o excelente trabalho do elenco, encabeçado por Ewan MacGregor (sempre ótimo, interpretando o psiquiatra Sam) e Naomi Watts (sempre linda e talentosa, aqui representando a depressiva e também suicida namorada do psiquiatra) e a boa condução do filme feita por Foster, que usa e abusa da transposição de um quadro para outro, evitando que o filme se torne cansativo.
Sam Foster é o psiquiatra de uma grande universidade norte americana, que recebe de uma colega de trabalho o caso de um estranho e brilhante jovem (Ryan Gosling), que logo em uma de suas primeiras consultas, afirma que cometerá suicídio em três dias, repetindo o gesto de um cultuado artista plástico americano. Assustado com a situação, Sam tenta de todas as formas descobrir os motivos pelo qual o jovem Henry deseja cometer tão extremo ato e se possível, tentar impedi-lo. E é nessa busca, que a história fica interessante e ao mesmo tempo confusa, envolvendo premonições, milagres e uma série de estranhos dejavus. “APassagem” é um filme que deve ser visto acompanhado, pois a série de dúvidas que ele vai gerar combina muito com uma cervejinha bem gelada no final da sessão.
As três estrelas vão com certeza mais para as atuações e direção do que pela história em si.

Arquivado em: — Vladimir @ 7:48 pm

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