MUNIQUE
(MUNICH)



Direção: Steven Spielberg.
Roteiro: Eric Roth e Tony Kushner.
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Ayelet Zorer, Geoffrey Rush, Gila Almagor, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric, Lynn Cohen, Moritz Bleibtreu, Marie-Josié Croze.

Sem nenhuma dúvida, “Munique” é o filme mais corajoso que o cineasta Steven Spilberg já realizou. Abordando o complexo e polêmico tema “Terrorismo”, o diretor teve a importante preocupação de não se deixar cair no mero maniqueísmo (mesmo sendo judeu) apontando um lado como o mal (palestinos) e o outro como vítima (israelenses). E é exatamente essa coragem que faz desse um de seus melhores e contundentes trabalhos.
A abordagem dada ao atentado ocorrido no ano de 1972, durante as olimpíadas de Munique na Alemanha, que culminou no assassinato de quase toda delegação israelense pelo Setembro Negro (grupo terrorista de maioria palestina contrário a criação do Estado de Israel) e a criação de grupos (também terroristas) controlados pelo estado de Israel para responder os atentados da mesma forma, foi feita de forma, que nós espectadores saiamos do cinema no mínimo perturbados com a gravidade desse aparentemente eterno conflito. As motivações de ambos os lados são apresentadas de forma que fique claro que ambos os lados tem motivo de sobra (nunca entrando no mérito de quem está certo ou errado) para justificar as suas violentas atitudes.
Diferentemente de outros filmes do diretor, é quase impossível assumirmos a preferência de qualquer um dos lados, ambos parecem estar certos, mas ao mesmo tempo completamente errados. A sensibilidade por trás dos membros dos grupos rivais é sempre mostrada alternando com a apresentação de seus lados mais radicais e violentos. Como disputar uma mesma região, religiosamente sagrada para dois povos, sem derramamento de sangue?
Mas a maior prova da coragem de Spilberg se encontra no aprofundamento que ele dá ao tema, mostrando a origem dos diversos grupos terroristas financiados por diversos países anti- terroristas através de suas próprias polícias secretas (U.R.S.S., França, Israel, Inglaterra e E.U.A.) e como isso mostrou-se extremamente desastroso num futuro que conhecemos muito bem e que é brilhantemente lembrado pelo diretor na última tomada do filme.

14 comentários para “MUNIQUE
(MUNICH)”

  1. Flavia disse:

    Realmente,”Munique” é a constatação da volta de Spielberg à uma excelente e bem estruturada direção. Um filme não apelativo, mostrando que,pela adoção de medidas extremas e radicais, sempre se cometerá erros (além de nunca se descobrir os “certos e errados”, se é que existem…). Há, também,a (triste) percepção de que,entre judeus e palestinos(envolvidos num conflito milenar) será preciso bem mais do que “meras e paliativas” medidas de acordos políticos para,pelo menos, apaziguar essa situação. Muito bons! O filme e a resenha!

  2. Anna disse:

    Ótima resenha, meu amor!Gostei muito desse filme tb meu amor!Estava com medo de q ele fosse tendencioso,mas ainda bem q o diretor trabalhou muito bem esse tema, de forma bem impessoal!

  3. Ed disse:

    Acho que vou ver esta semana. Espero um grande filme do grande Spielberg, agora mais uma vez indicado ao Oscar.

    Abraços

  4. Espero que esse mais novo filme do Spielberg seja a volta do grande Spielberg, pois trata de um assunto bastante sério e espero que ele não perca a coragem na hora de mostrar cenas mais pesadas. Estou doido para assistir, mas ainda não está no cinema daqui. E acho que nem vem.

  5. Gustavo H.R. disse:

    Spielberg deu um passo a mais em direção ao merecimento de respeito com esse filme bravo. Bom ver que você o aprovou, Vladimir.

  6. Fábio disse:

    O que mais chamou a atenção nesse filme, foi com certeza a coragem e a imparcialidade na abordagem do tema. Excelente!

  7. Vladimir disse:

    Me parece que o Oscar desse ano vai ser bem mais interessante que o do ano passado. Temos excelentes filmes concorrendo a principal categoria, a maioria com temáticas bem polêmicas, como Terrorismo, Racismo e Homossexualismo. Vamos ver no que vai dar.

  8. Oba, chegou no cinema daqui Munique. Quarta feira vou assistir.

  9. paulo jr. disse:

    Vale citar que Spielberg deixou um pouco de lado seu moralismo familiar pelo que se pode observar, temos inclusive cenas de sexo neste filme

  10. Paulo disse:

    to loko pra ve esse filme … vo v se consigo assistir ainda essa semana

  11. Vladimir disse:

    É verdade Paulo Jr, muito bem lembrado. Os filmes do Spilberg realmente não possuem cenas de sexo.

  12. DiEgO disse:

    É, realmente é o filme mais corajoso de Spielberg.
    Abordar temas tão complexos quanto o terrorismo é mais uma prova de que o cineasta que simplesmente suavizou Guerra dos Mundos – se acovardou, digamos assim – pode fazer filmes tão corajosos quanto este. A prova disso é o tema, o próprio terrorismo que geralmente é tratado pelos americanos sem objetivo algum que matam por matar. Aqui, vemos os lados deles.
    A propósito, linquei seu link no meu blog, espero que faça o mesmo, até mais!

  13. Gostei muito de Munique. Muito bom.

  14. walner disse:

    Novamente, como em outros filmes de Spilberg, o eixo é a família: Uma Golda Meier maternal, recrutando um quase filho para a guerra; Israel como uma mãe que o abandona; uma mulher que, como Penélope, aguarda o retorno do seu Ulisses; uma filha que o mantém em contato com o mundo real; um quase pai que vende informações e contra-informações ao quase filho; uma femme fatale que o quer matar, sugerindo traição. Enfim, não há lugar seguro para o homem moderno além da sua própria família. O enquadramento das torres gêmeas ao final da película mostra isso de uma maneira sintomática.