Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


24/2/2006

SYRIANA – A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO
(SYRIANA)



Direção: Stephen Gaghan.
Roteiro: Stephen Gaghan.
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Amanda Peet, Willian Hurt, Chris Cooper, Nicholas Art, Alexander Siddig.

Mesmo que não leve nenhuma estatueta no próximo dia 5 de março, George C looney já é com certeza “o cara” do Oscar esse ano. Não é todo dia que vemos uma pessoa receber tantas indicações importantes em uma mesma edição da premiação. Melhor Filme e Direção (em sua segunda vez como diretor) e Ator Coadjuvante. Clooney deixa definitivamente de lado o peso da bata do Plantão Médico e a capa do Batman para tornar-se um dos maiores astros da atualidade em Hollywood.
Então, se vimos seu amadurecimento na direção em “Boa Noite e Boa Sorte”, agora vemos um destacável trabalho seu como ator em Syriana.
Em Siryana, Clooney é Robert Bear, um agente da CIA (Agência Central de Inteligência) que trabalha infiltrado no Oriente Médio investigando células terroristas. Quando a fusão de duas grandes empresas petrolíferas começa a ser investigada e ao mesmo tempo corre o perigo de perder grandes postos de perfuração para a China, Robert começa a perceber que o trabalho da CIA nem sempre envolve a conhecida, batida e hoje completamente desacreditada, “luta pelo bem”. Do outro lado, vemos o personagem de Matt Damon, um jovem analista de energia, que torna-se acessor do filho de um Xeque, candidato a rei do país que ameaça anular o acordo com os EUA e negociar seu petróleo com a China.
Escrito e dirigido pelo mesmo responsável pelo excelente “Traffic”, temos mais uma vez uma complexa história onde somos apresentados a vários seguimentos da trama que envolve a exploração de petróleo no Oriente Médio, sendo os mais chocantes o da influência do governo norte americano e a formação de grupos terroristas anti-americanos.
Imperdível e revelador!

PS: Bom feriado a todos. Aprveitem!!!

Arquivado em: — Vladimir @ 12:18 pm

21/2/2006

PLATAFORMA DO MEDO
(CREEP)






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Direção: Christopher Smith.
Roteiro: Christopher Smith.
Elenco: Franka Potente, Vas Blackwood, Ken Campbell, Jeremy Sheffield, Paul Rattray, Kelly Scott, Sean Harris.

De tantos filmes indicados por minha grande amiga e companheira no LITERATURA FANTÁSTICA, Flavia, resolvi começar justamente por esse, que segundo a própria, era um filme perfeito para o estilo do Nem Todos São Arte. Empolgado com essa definição fui à locadora e peguei isso, que é mais uma arma de destruição de paciência em massa do que qualquer outra coisa. Um filme que por si só, já justificaria a invasão da ONU à Inglaterra.
Tranqüilamente, “Plataforma do Medo” se enquadra entre os filmes mais ridículos e sem noção que já vi ou ouvi falar em toda a minha vida. Com uma trama sem pé nem cabeça, que foge completamente ao mínimo de bom senso que pode existir em qualquer produção cinematográfica, seja ela feita onde for, que tenha um orçamento acima de “100 real”, ou “100 euro”, ou “100 dólar”.
A história é a seguinte: Jovem garota (Franka Potente), passa pela pior noite de sua vida, após adormecer no Metrô de Londres, ficar presa e quase ser estuprada por um companheiro debilóide de trabalho, é iniciada a sua perseguição por uma estranha coisa, um ser que é uma espécie ainda mais bizarra de mistura entre o Nosferatu e o Amarelo Bastardo de Sin City. Uma espécie de ser humano deformado e abandonado nos esgotos e túneis do metrô de Londres, e que incrivelmente nunca foi visto por nenhuma das autoridades, mesmo cometendo crimes com trabalhadores do setor.
Aí temos as perseguições sem fim e que não assustam ninguém; a descoberta da origem absurda do assassino, a morte de todos os coadjuvantes e a salvação da atriz principal (Franka Potente), depois de escapar de todas as tentativas do psicopata e matá-lo da forma mais simples e imbecil que poderia existir em um pseudo roteiro de um filme.

PS: Essa resenha é uma homenagem a minha grande amiga Flavia, companheira do Blog LITERATURA FANTASTICA, que além de indicar essa bomba para o NTSA (e dizer que o nojentão do filme gritava feito uma galinha), está fazendo aniversário amanhã. Parabéns Flavinha!!!

Arquivado em: — Vladimir @ 10:20 am

17/2/2006

ANIVERSÁRIO DE 2 ANOS DO
NEM TODOS SÂO ARTE




Há 2 anos, ainda no provedor da UOL, criei o Nem Todos São Arte. Com a matéria prima existente, ele tem tudo para durar ainda por muito tempo. Obrigado a todos os amigos blogueiros pelas visitas, comentários e principalmente atenção. Temos uma média de 100 visitantes por dia, perto de 10.000 por mês e esse é o principal motivo para eu continuar escrevendo.
Um abraço a todos e vamos firmes ao terceiro ano!!
Taí o meu presente de aniversário para vocês…


ROBERTO CARLOS
E O DIAMANTE COR DE ROSA



Direção: Roberto Farias.
Roteiro: Berilo Faccio.
Elenco: Roberto Carlos, Wanderléia, Erasmo Carlos, José Lewgoy, Paulo Porto, Marly de Fátima.

Se aproveitando da lenda que a pedra da gávea no Rio de Janeiro seria na verdade um túmulo de um rei fenício e o local onde estaria escondido um enorme tesouro deixado por aquela antiga civilização, Roberto Farias e Berilo Faccio cria o mais famoso filme estrelado por Roberto Carlos: “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa”.
Estrelado por Roberto, Erasmo Carlos e Wanderléia no auge da jovem guarda, o filme é uma espécie de precursor dos filmes da Xuxa, já que a intenção na verdade, é criar apenas um filme para fãs, com uma porção de músicas que não tem nada a ver com a “história” do filme, mostrando que uma das vertentes do cinema nacional (a que infelizmente vende mais), ligada a TV ou a música, vem sempre se repetindo, mudando apenas os seus ocasionais protagonistas.
Cada um dos três atores desempenham uma “importante” função dentro da trama. Roberto Carlos é o mais inteligente, especialista em História Antiga e mentor do grupo (e mais famoso, claro). Roberto também é dono dos melhores diálogos como: “Será que o Karatê de São Paulo vai funcionar aqui bixo?” – frase solta no Japão antes de uma briga, onde seria muito mais vantajoso ele tirar a perna e meter a pêa nos vilões. Outra frase sensacional é dita por um gênio (que fala como índio: “Gênio amigo, homem branco mal”) que aparece no filme pra ajudar nossos heróis. Depois de ser chamado de Eugênio ele diz: “muita gente ficou sem cabeça por me chamar de Eugênio”, sensacional não? Já Erasmo Carlos é o grandão, bestão, burrão, fortão e Wanderléia é a mocinha chatinha em perigo.




Além de tudo, existe uma semelhança bem tosca com a série da Pantera Cor de Rosa (começando pelo título do filme), onde o vilão passa o filme perseguindo os heróis e é a cara do Inspetor Closeau de Peter Sellers.
O filme é uma vitrine de gírias terríveis, como “é uma brasa mora” e “bixo”, o que me fazem muito feliz por não ter vivido aquela época. O figurino é ainda pior que as gírias. Medalhões do tamanho de placas de trânsito e roupas que só fizeram a alegria de Sidney Magal e fariam vergonha até aos falecidos Mamonas Assassinas. Pra completar, os números musicais fogem completamente do contexto do filme, deixando tudo ainda mais confuso.
Recomendado para quem quiser conhecer uma pérola rara dentro dos piores filmes já produzido em todos os tempos no nosso Brasil Varonil (um crassicaçu). Mas com certeza, trata-se do famoso ruim que diverte, pois é impossível não cair na gargalhada a cada cena, situação e diálogo proferido pelos personagens durante todo o filme.

Arquivado em: — Vladimir @ 1:03 pm

14/2/2006

BOA NOITE E BOA SORTE
(GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK)


Direção: George Clooney.
Roteiro: George Clooney, baseado em roteiro de Grant Heslov.
Elenco: David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels, George Clooney.

Se alguma coisa assustou o povo e principalmente os políticos norte americanos durante o último século, com certeza a maior delas foi o terror do “avanço comunista” Na década de 50, pouco depois do fim da Segunda Grande Guerra e já durante a Guerra Fria (conflito indireto entre U.R.S.S. e E.U.A.), o senador americano Joseph McCarthy encabeçou uma suspeita comissão de caça a comunistas dentro do país que levou pânico a muitos americanos, principalmente intelectuais, jornalistas cineastas e outros homens públicos. O episódio ficou conhecido como “Caça às Bruxas” devido ao caráter abusivo e suspeito (e por que não também fanático?) da condução das investigações, que levaram a punições a muitas pessoas que sequer sabiam o que era o Comunismo.
Edward R. Morrow (David Strathairn) foi um âncora de TV que juntamente com seu produtor Fred Friendly (George Clooney) levantaram a bandeira contra McCarthy e seus métodos. A luta pela liberdade de expressão, contra a falsa imparcialidade e idiotização da mídia (principalmente televisiva) são os motes de Morrow, apresentados pelo próprio no excelente discurso que inicia e encerra o filme. O seu discurso inclusive, pode ser visto como um chute no saco da nossa atual mídia, preocupada apenas com o entretenimento vazio sem conseqüências e na apresentação estafante de notícias editadas e em tempo real, o que impossibilita a formação de opiniões próprias dos espectadores, que cada vez mais dependem de comentadores especialistas.
Esse conturbado momento é o pano de fundo para o segundo filme dirigido por George Clooney (merecidamente indicado ao Oscar da categoria). A opção pela utilização do preto e branco e a utilização de cenas reais em diversos momentos do filme (não foi utilizado nenhum ator para o papel de Joseph McCarthy, principal antagonista do filme. Foram utilizadas gravações do próprio senador durante o filme o que deu uma maior veracidade à obra). Em alguns momentos nos sentimos como se estivéssemos vendo um documentário em vez de um filme convencional.
Por isso, “Boa Noite e Boa Sorte” (jargão utilizado por Morrow para encerrar seu programa) não se trata de um filme sobre algum acontecimento histórico que pode ser considerado “morto e enterrado”. É sim, um filme que se torna ainda melhor, pela impressionante contemporaneidade de seu tema: O poder da mídia.

Arquivado em: — Vladimir @ 10:18 am

11/2/2006

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN
(BROKEBACK MOUNTAIN)







Direção: Ang Lee.
Roteiro: Larry McMurtry e Diana Ossana, baseado em estória de Annie Proulx.
Elenco: Jake Gyllenhaal, Heath Ledger, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Linda Cardellini, Anna Faris.

Ang Lee é com certeza um diretor diferenciado dos demais da sua geração. Depois de transformar o filme do Hulk em um ótimo drama (deixando muitos fãs nervosos pela ausência de ação e complexidade da trama) e depois de transformar em uma bela poesia um filme de artes marciais (Tigre e o Dragão), Lee dá mais um ótimo salto e ajuda a quebrar a mesmice da indústria cinematográfica fazendo um filme sobre homossexualismo e contando a belíssima história de dois cowboys americanos que se conhecem e se apaixonam, vivendo um conturbado e escondido relacionamento durante vários anos.
Adaptado de uma história escrita por Annie Proulx, “O Segredo de Brokeback Mountain” é a história de mais um amor forte, mas impossível, dentro de uma das maiores iconografias americanas (e sinônimo de machismo), o mundo dos cowboys. Jack (Gyllenhaal) e Ennie (Ledger) são contratados para cuidar de ovelhas na montanha do titulo. Vivendo isolados por vários meses, seus desejos começam a aflorar e eles iniciam um intenso romance. Jack assume o papel passivo da relação, apesar de ser ele quem toma a iniciativa. Sua passividade é bem retratada quando tem que se afastar de Ennie e acaba casado, sendo dominado por sua mulher e sogro. Já o introvertido Ennie, busca através do casamento, esquecer tudo o que aconteceu e se firmar enquanto homem. “Entrar no armário” seria para ele a mais segura opção. As idas escondidas a Brokeback Mountain seria uma forma perfeita de reprimir o desejo de largar tudo e assumir o romance.
O filme possui uma fotografia de tirar o fôlego e atuações memoráveis do elenco principal, mas o maior mérito com certeza é do diretor Ange lee, que conseguiu criar mais uma bela história de amor, que poderia acontecer não apenas com duas pessoas do mesmo sexo, mas com qualquer uma que viva em ambientes castradores, repressores e intolerantes. Pode o meio impedir a felicidade de duas pessoas se elas estiverem dispostas a enfrentá-lo? Não seria nossos próprios medos os responsáveis pelo não enfrentamento das dificuldades que se apresentam para nós? “O Segredo de Brokeback Mountain” é mais uma excelente forma de trazer a tona essa polêmica discussão.

Arquivado em: — Vladimir @ 2:04 pm

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