Arquivo de fevereiro de 2006

AS LOUCURAS DE DICK E JANE
(FUN WITH DICK AND JANE)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006







Direção: Dean Parisot.

Roteiro: Judd Apatow, Nick Stoller.
Elenco: Jim Carrey, Téa Leoni, Angie Harmon, Alec Baldwin, Luis Chávez, Richard Burgi.

Nada melhor em um filme de comédia do que a presença do excelente Jim Carrey. Melhor ainda quando o filme possui uma grande história, uma boa direção, muitas críticas sociais e ótimas piadas e situações engraçadas. “As Loucuras de Dick e Jane” é um remake do filme “Advinhe quem vem para roubar” de 1977 (que eu nunca ouvi falar), com George Seagal e Jane Fonda.
Depois de cair na miséria devido à falência da mega-corporação em que Dick (Carrey) trabalha, o casal resolve partir para a marginalidade no melhor estilo Bonnie e Clyde, praticando assaltos para pagar as dívidas, recuperar o (alto) nível social perdido e como protesto pela falta de oportunidades de trabalho.
Os filmes de comédia estrelados por Jim Carrey, podem ser divididos da seguinte forma: Os extremamente exagerados, que se fixam exclusivamente nas suas improvisações sem limites (como O Mentiroso e Todo Poderoso) e os com ótimas histórias, onde suas improvisações são muito bem vindas mas controladas (caso desse filme e dos dirigidos pelos irmãos Farrely), deixando espaço para a própria história do filme. A presença da boa atriz Téa Leoni, acostumada com papéis mais dramáticos, também é um ponto bastante positivo no filme.
O bom diretor Dean Parisot, resolveu acertadamente situar o seu remake no início do século XXI, colocando Dick como um executivo em plena ascensão, que ao tornar-se vice-presidente de comunicação de sua empresa, recebe a terrível notícia de que ela está falida, que todos os funcionários estão na rua e na miséria, e a única pessoa que saiu por cima e com dinheiro em toda a história foi o rico/especulador/mau caráter e ex-patrão de Dick, interpretado por Alec Baldwin, que encarna perfeitamente o lado cínico do personagem.

A maior crítica do filme é direcionada para o processo de falência de megas empresas como Enron e WorldCom (homenageadas pelo filme), e a grande proteção dada a elas por nosso querido George W. Bush. Inclusive, podemos relacionar o personagem de Alec Baldwin com o próprio presidente americano. Enquanto os ex-funcionários das empresas falidas se encontram no desespero, nada melhor para os “responsáveis” do que usufruir de umas boas férias (lembram do Fahrenheit 9/11?).

SE EU FOSSE VOCÊ

domingo, 5 de fevereiro de 2006






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Direção: Daniel Filho.
Roteiro: Adriana Falcão, Daniel Filho, Renê Belmonte e Carlos Gregório.
Elenco: Glória Pires, Tony Ramos, Thiago Lacerda, Danielle Winits, Lavinia Vlasak, Patrícia Pillar.

A nova empreitada global nas telinhas chega aos cinemas com história boba, super manjada, que no máximo tirará apenas um ou outro sorriso amarelo dos mais exigentes que não forem fãs de novelas da Rede Globo. O famoso mais do mesmo que poucos agüentam. “Se eu Fosse Você” se parece muito mais com um episódio de uma das inúmeras Sitcons apresentados pela emissora a cada final de ano do que com um filme em si. Filmes que abordam trocas de corpos e situações engraçadas ocasionadas por esse fenômeno já saturaram desde os anos 80, quando foram moda em filmes de comédia.
Tony Ramos é o extrovertido Cláudio, publicitário casado com Helena, tímida professora de música de uma escola religiosa. Ambos enfrentam os problemas comuns do dia-a-dia e da relação (falta de sensibilidade) até uma briga que acaba levando a troca de seus corpos devido ao alinhamento dos planetas no sistema solar (fala sério!!!). E tudo isso ocorre quando Cláudio corre o perigo de ter sua agência de publicidade vendida pelo sócio e na véspera da apresentação do coral de Helena. Não precisa nem perder tempo vendo o filme pra saber o que vai acontecer, concordam?
Mesmo assim, não quero apontar o filme como uma porcaria total. Confesso que o carisma de alguns atores que já fazem parte de nossa cultura televisiva evitam com que a antipatia ao filme seja ainda maior (mesmo que Tony Ramos faça tudo pra acabar de esculhambar tudo com seu personagem chatíssimo), diminuindo um pouco o estrago no resultado final.
Mas venhamos e convenhamos, conseguir fugir de Thiago Lacerda, Lavinia Vlasak entre outros na televisão para vê-los fazendo a mesma coisa nos cinemas, é dose até para mim, apreciador de filmes ruins.