Arquivo de março de 2006

VOVÓ…ZONA
(BIG MOMMA’S HOUSE)

sexta-feira, 10 de março de 2006


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Direção: Raja Gosnell.
Roteiro: Darryl Quarles e Don Rhymer.
Elenco: Martin Lawrence, Nia Long, Paul Giamatti, Terrence Dashon Howard, Phil Hawn.

Acho que o maior sonho do Martin Lawrence é o de virar o Eddie Murphy. Impressionante como a suas carreiras são parecidas. Ambos já fizeram alguns poucos filmes bons, mas na grande maioria só fizeram bostas. Lawrence principalmente, talvez por ter feito menos filmes que o Murphy (marca que ele parece desesperadamente tentar igualar).
A história desse filme, que só pela tradução já deve ser evitado, é a de um policial, que é também mestre dos disfarces e está atrás de capturar um bandidão que assaltou um banco matando algumas pessoas e que acabou fugindo da prisão. O banco assaltado era justamente o que a sua mulher trabalhava, e como o dinheiro nunca havia sido encontrado, nada melhor para o policial do que investigar a ex-mulher e possível bandidona.
Mas o mais bizarro ainda está por vir. Lawrence para conseguir as informações de que precisa, se disfarça como a Vó da mulher do bandidão, uma velhota desbocada que tem que viajar no começo do filme deixando o espaço livre para o nosso herói. Querem ajuda sobre o que acontece depois? Aí vai:: O policial se apaixona pela mulher do bandidão, começa a gostar do filho dela, que também começam a gostar dele, até o momento que a verdadeira Vóvózona (é assim mesmo que a chamam) volta, o bandidão aparece, e todos descobrem as verdadeiras intenções e a desconfiança do policial pára com a “morenona-sensual-gostosa-e-delicada-que-no-final-se-descobre-que-ela-é-do-bem”. Eles se separam, é claro, mas incrivelmente depois de um discurso na frente de todos os que ele enganou pedindo desculpas, a mulher e todas as pessoas que ele enganou (inclusive a Vóvózona) o perdoam e todos vivem felizes para sempre. E ao final do filme fica a pergunta: Como diabos uma maquiagem tão bizarra e mal feita pôde enganar todas as pessoas que conheciam a velhota?
O filme ainda conta com o Paul Giamatti, que antes de descobrirem que ele é um bom ator, participava de umas comédias sem futuro como essa.
O filme é terrível, quem se arriscar e ver terá que agüentar os terríveis exageros faciais dos atores que pensam que para se fazer rir basta ficar fazendo caras e bocas e nada mais. E claro, o filme também tem a famosa cena dos peidos, como não poderia deixar de faltar em uma “boa” comédia norte-americana.
E tem continuação prontinha nos cinemas, quem se arrisca?

PS: Muito em breve, mais Martin Lawrence no NTSA. Aguardem!

PONTO FINAL
(MATCH POINT)

segunda-feira, 6 de março de 2006



Direção: Woody Allen.
Roteiro: Woody Allen.
Elenco: Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Alexander Armstrong, Matthew Goode, Brian Cox, Penelope Wilton.

Até ver esse filme, torcia pela vitória do roteiro de Crash no Oscar 2006, mas ao ver “Ponto Final”, minha torcida se dividiu entre essas duas maravilhas.

Já vi diversos filmes do Diretor/Roteirista/Ator Woody Allen, mas com certeza nenhum com uma história tão intensa e um final tão surpreendente e enigmático. “Ponto Final”, novo filme do cineasta, foge completamente a quase totalidade de sua filmografia. A história, sofre uma grande influência da fase mais destrutiva do escritor Fiódor Dostoievski (Crime e Castigo, O Idiota etc), onde a personalidade humana recebe um olhar completamente pessimista e destrutivo.
Amor, ódio, vingança, cobiça, inveja entre outros sentimentos bons e maus, são destilados pelos personagens durante todo o longa. Ninguém parece preocupar-se com as conseqüências de seus atos, mesmo assim, ninguém é completamente inocente, ou completamente culpado, todos possuem boas e más intenções, mesmo quando tentam esconder isso. Não parecem existir obstáculos morais que empeçam suas vontades, mesmo que eles afetem drasticamente, ou até acabem, com a vida de alguém.
Chris é um jovem tenista irlandês, que abandona os torneios para tentar ganhar a vida dando aulas a ricos em clubes londrinos. Lá ele conhece o milionário e herdeiro Tom Hewett, torna-se seu amigo e casa com sua irmã. Mas as cartas são realmente colocadas na mesa quando Chris conhece Nola, noiva de Tom e inicia com ela um tórrido affair, onde as máscaras começam a cair e tudo parece ser válido.
Com uma trama sensacional, repleta de reviravoltas e diálogos ácidos e contundentes, fica a esperança de que “Ponto Final” seja a obra inicial de uma nova fase na filmografia de Woody Allen, que mesmo com sua idade e histórico atual de comédias semelhantes, calou a boca de muitos e surpreendeu a muitos (agradando a quase todos) com mais uma pequena obra prima.

CAPOTE

sábado, 4 de março de 2006







Direção: Bennett Miller.
Roteiro: Dan Futterman.
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban, Amy Ryan.

Truman Capote revolucionou a literatura moderna, ao recontar o chocante assassinato de uma familia inteira no estado de Kansas nos Estados Unidos, ocorrido em novembro de 1959. Seu livro “A Sangue Frio” uniu o jornalismo à literatura, mostrando que a não-ficção pode ser tão interessante para o grande público quanto a ficção. Depois de ver nos jornais o caso, Capote, com o apoio de sua revista “New Yorker” e acompanhado de sua grande amiga e pesquisadora Harper Lee, se dirigiu até a pequena localidade com um intuito de escrever uma matéria sobre o impacto do massacre na sociedade local. Cheio de trejeitos e afetações, excêntrico, egomaníaco e homossexual assumido em uma época e local completamente adversos a sua opinião sexual (E.U.A., década de 50), Capote vê que o material que caiu em suas mãos poderia dar-lhe muito mais do que ele imaginava, poderia tornar-se uma das maiores obras primas da literatura americana no século XX.
O que Capote com certeza não esperava, é que o aprofundamento no caso resultaria em algo quase tão destrutivo quanto a pena de morte recebida pelos assassinos.
O maior vigor do filme deve-se com certeza a grande atuação de Hoffman, que mostra o lado irônico, egoísta e egocêntrico de seu personagem, que não hesita em passar por cima das pessoas se utilizando de mentiras para alcançar seu objetivo maior, a concretização de sua obra-prima. Ao mesmo tempo, Hoffman preocupa-se em mostrar o lado mais humano de Capote, que sofre por saber (apesar de desejar) da proximidade da execução de um dos assassinos.
Muito bem dirigido por Bennett Miller e com uma soberba atuação do excelente Philip Seymour Hoffman (meu favorito na categoria de Melhor Ator), além do ótimo roteiro de Dan Futterman. Completam a obra a excelente trilha sonora do filme e a belíssima fotografia. Capote faz jus a todas suas indicações ao Oscar desse ano.

DEMAIS INDICADOS AO OSCAR DE MELHOR FILME:

CRASH

BOA NOITE E BOA SORTE

MUNIQUE

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN

CAPOTE

GUARDIÕES DA NOITE
(NOCHNOY DOZOR)

quinta-feira, 2 de março de 2006


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Direção: Timur Bekmambetov .
Roteiro: Timur Bekmambetov e Laeta Kalogridis.
Elenco: Konstantin Khabensky, Vladimir Menshov, Mariya Poroshina, Galina Tyunina, Yuri Kutsenko, Aleksei Chadov, Zhanna Friske, Ilya Lagutenko.

A premissa é a mesma de uma centena de outros filmes de terror misturados com aventura. Dois exércitos sobrenaturais antagônicos, um do bem (guerreiros da luz) o outro do mal (guerreiros das trevas), que após uma guerra, reconhecem a igualdade de suas forças e por isso estabelecem uma trégua. A paz dura até surgir um novo personagem na história que pode bagunçar tudo e levar à vitória a um dos dois lados. Logicamente, se tratando de uma trilogia, a primeira parte abordaria o surgimento desse ser especial e a luta velada de ambos os lados por ele. Compondo os grupos temos os denominados “outros”, onde encontramos vampiros (a maioria), metamorfos (pessoas que se transformam em animais) e bruxos.
O filme segue a trajetória de Anton, que descobre ser um dos “outros” depois do contato com uma bruxa. Anton tem o dom da clarividência, o que ajuda os Guerreiros da Luz a descobrir possíveis quebras na trégua entre os lados.
Claramente, o filme teve um baixo orçamento, o que fica mais latente nos efeitos visuais utilizados, onde o diretor abusa de cenas rápidas, câmeras lentas (que enchem o saco) e ambientes escuros, mas mesmo assim não consegue esconder os muitos defeitos. O filme parece muito mais um videoclipe do Marylin Manson do que qualquer outra coisa.
Fiquei frustrado com o que vi, já que esperava muito desse filme, mas torço para que o bom retorno do público nas bilheterias ocasione num melhor orçamento para a segunda parte da história, já que a complexidade fantástica da trama exige isso.