Arquivo de abril de 2006

A ERA DO GELO 2
(ICE AGE 2: THE MELTDOWN)

quinta-feira, 27 de abril de 2006






Direção: Carlos Saldanha.

Roteiro: Jon Vitti.
Elenco (Vozes): Ray Romano (Manfred), Diogo Vilela (Manfred - versão brasileira), John Leguizamo (Sid),Tadeu Melo (Sid - versão brasileira), Denis Leary (Diego), Márcio Garcia (Diego - versão brasileira), Queen Latifah (Ellie), Cláudia Jimenez (Ellie - versão brasileira).

Como todo bom sucesso de bilheteria, nada melhor do que uma continuação e “A Era do Gelo” segue a risca as instruções dessa cartilha. Partindo de uma história com elementos bastante conhecidos e prontos para fazer sucesso, além de um capricho maior nas piadas e com uma considerável melhoria na animação.
No mais, o filme tem a boa direção do brasileiro Carlos Saldanha, que comanda seu primeiro projeto e mostra que se encontra em um bom nível em relação aos demais diretores especialistas no estilo.
No fim do período glacial, vários mamíferos, incluindo os três amigos do primeiro, correm contra o tempo para fugir do alagamento de seu vale. Juntamente com o perigo do afogamento, eles têm que sobreviver a outros perigos também descongelados pelo aquecimento. No caminho, os amigos conhecem um novo e estranho grupo de gambás, além de diversos outros animais. Um novo arco de histórias envolvendo a eterna perseguição do esquilo Scrat à sua tão sonhada noz também está presente no filme, e é com certeza o que o mesmo possui de melhor.
A versão dublada conta com os mesmo atores por trás do primeiro, além da adição da Cláudia Jimenez como a mamute Ellie (a pior de todas), ou seja, ruinzinho como antes. O que felizmente, não chega a estragar em nada o resultado final do filme. Vale a pena de todo o jeito, diversão garantidíssima apesar da dublagem (tsc tsc).

V DE VINGANÇA
(V FOR VENDETTA)

sexta-feira, 21 de abril de 2006





Direção: James McTeigue.
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski, baseado nos personagens criados por David Lloyd e Alan Moore.
Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, John Hurt, Roger Allam, Clive Ashborn.


“Lembrem-se, lembrem-se, do 5 de Novembro”

Não é todo dia que temos a oportunidade de ir ao cinema e ver um blockbuster com conteúdo. “V de Vingança”, novo projeto escrito e produzido pelos irmãos Wachowski e dirigido pelo estreante James McTeigue é um perfeito exemplo disso.
Filmes sobre sociedades futuristas em um mundo pós-apocalíptico, onde um partido controla o seu povo de forma autoritária e intolerante, realizando um injusto domínio de poucas pessoas privilegiadas sobre a maioria da população, suprimindo a beleza da vida e o direito a individualidade através de uma forte censura (proibição de qualquer manifestação de arte, pois quase todas são consideradas subversivas; perseguição aos considerados diferentes, como os homossexuais) como forma de repressão a qualquer possibilidade de pensamento que possa vir a colocar em risco o seu domínio, não é novidade desde que George Orwell escreveu a sua obra máxima, o livro “1984”. O tema em questão até se tornou recorrente em livros, revistas e filmes de ficção científica, principalmente nos anos de Guerra Fria entre E.U.A e U.R.S.S.
Agora, a bola da vez do estilo no cinema, parte da adaptação de mais uma obra-prima escrita pelo genial roteirista inglês Alan Moore (Constantine, Do Inferno, A Liga Extraordinária…). Nos quadrinhos, o codinome V era um solitário combatente anônimo, que escondido sob uma máscara (o rosto do católico Guy Fawkes, que em um certo 5 de Novembro do século XVII (1605) foi condenado e executado por tentar destruir o parlamento inglês e hoje serve como uma espécie de Judas no 5 de novembro na Inglaterra, quando um boneco o representando é espancado, enforcado etc), que lutava ferozmente pelo fim dessa terrível realidade partindo do princípio de um ato isolado de força e através da destruição de grandes símbolos do sistema opressor, outros cidadãos, até então passivos, despertariam e o seguiriam, gerando assim o caos em toda a sociedade e alterando a indesejada realidade, ou seja, um efeito dominó de proporções fatais. A história de Alan Moore foi publicada durante o autoritário regime de Margareth Tatcher (conhecida como dama de ferro) e reflete os temores de Moore no período.




O momento atual é outro, mas perigosamente mais assustador que a década de 80 quando “V de Vingança” foi escrito. Portanto, não há momento mais propício para sua adaptação ao cinema do que o atual, onde a repressão e a supressão das liberdades individuais são postas em cheque em nome da caça ao terrorismo, e à perpetuação do poder é possível devido ao pânico utilizado como justificativa para a violência e para o apoio a medidas cada vez menos democráticas (resumo do governo George W. Bush).
No filme, felizmente a ação não foi retirada da Inglaterra, que se encontra isolada e pouco se sabe sobre o restante do mundo. O que é mostrado na televisão controlada pelo Estado, é justamente a situação de decadência de outras nações (no filme, os Estados Unidos é mostrado como exemplo de sociedade devassa, que se destruiu devido aos seus muitos vícios, como o homossexualismo, permissão da liberdade de imprensa e expressão etc) que não tem um governo “forte, coeso, responsável e dirigido com pulso” como o inglês, o que serve apenas para referendar a propaganda oficial do Partido. “V” continua ainda um personagem bastante enigmático, charmoso e cheio de propósitos, mas que ao conhecer e salvar das garras da polícia do partido, a inocente Evey (na revista uma prostituta), acaba passando por um verdadeiro processo de auto conhecimento.
O ator Hugo Weaving dá um verdadeiro show por traz da máscara de “V”. Com sua marcante e profunda voz e abusando de sua expressão corporal, ele dá ao enigmático eterno sorriso da máscara, uma série de sentimentos e emoções conflitantes, que poucos atores conseguem fazer até de cara descoberta. O personagem de Natalie Portman (Evey) representa a massa alienada, que quando verdadeiramente confrontada, tira sua “máscara”, modificando sua postura perante à realidade (pelo menos em tese). John Hurt, como o líder do partido, sempre é mostrado em toda sua plenitude, tendo sempre seu rosto ampliado, o que difere completamente de seu maior opositor, que se esconde por traz de uma máscara.



Os irmãos Wachowski capricharam em seus trabalhos no roteiro (deixando-o até bem semelhante à sua principal obra, Matrix – um sistema a ser derrotado, recrutamento de pessoas que dele fazem parte, etc), o que facilitou e muito o trabalho do diretor estreante James McTeigue, que só não é perfeito em sua estréia por algumas cenas muito demoradas, que por isso acabaram tendo diminuídos os seus impactos (e só por isso o filme não leva 5 estrelas). Em contrapartida, o filme é repleto de cenas realmente arrepiantes, que emocionariam todos que ainda possuem dentro de si uma fagulha revolucionária.
Guy Fawkes não foi um herói. A intenção do seu ato é bem menos importante que o ato em si, e a utilização simbólica de sua figura, indica apenas o ato de se rebelar contra uma determinada realidade ou situação não desejada. O terrorismo não deve nunca ser incentivado, mas é inegável a força simbólica que ele ocasiona (a derrubada das torres do WTC é uma prova inegável disso). Destruir o congresso nacional brasileiro provavelmente não vai acabar com nossa pobre (e podre) democracia, mas é inegável que um ato desses geraria discussões e debates sobre a própria necessidade de sua corrupta existência.
Portanto, VIVA A REVOLUÇÃO!!! VIVA V DE VINGANÇA!!!

A MÁQUINA DO TEMPO
(THE TIME MACHINE)

domingo, 16 de abril de 2006



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Direção: Simon Wells.
Roteiro: John Logan, baseado em livro de H.G. Wells.
Elenco: Guy Pearce, Jeremy Irons, Yancey Arias, Mark Addy, Sienna Guillory, Orlando Jones.

O que mais me indigna em relação a esse filme, é que o responsável por ele, é nada mais, nada menos, que o próprio bisneto do autor do livro. O filme até que possui um certo estilo, mas isso apenas até a sua metade, pois daí para o final, se torna uma grande baboseira, com personagens bizarros, que parecem ter saído direto de um filme sadomasoquista gay (comprovado no figurino utilizado pelo Jeremy Irons) ou saídos diretamente do bar “Ostra Azul” (alguém lembra desse?).
Alexander é um físico, nascido no século XIX, que acredita piamente na possibilidade do homem romper a barreira do tempo, viajando entre dentro dele. Após sua namorada morrer tragicamente, a construção de uma máquina que o possibilitasse voltar no tempo e salvá-la torna-se sua obsessão até ele alcançar sucesso em sua empreitada. Frustrado com o resultado de suas viagens, ele decide ir além e viaja ao futuro em busca de respostas para suas muitas perguntas. Um acidente o faz perder o controle da máquina e o atira ao ano 802.702, época em que o mundo passou por uma nova reestruturação, passando os poucos homens que restaram a viver de forma pacífica e primitica, como nossos antepassados. O único problema é a existência de alguns hominídeos cabeçudos super evoluídos que controlam criaturas monstruosas e super poderosas e escravizam o bondozo e pacífico povo futurista dos E.U.A..
Até aí, o filme apresentava belíssimas imagens, através de ótimos efeitos visuais (a lua sendo destruída é de encher os olhos, além de assustadora) e uma história de amor bem interessante, de um atormentado homem que não sabia lidar com a perda de sua amada.
Mas no meio do filme, tudo muda, pois Alexander parece esquecer completamente o motivo de sua viagem (que amor tão grande é esse mesmo?) logo após esse grande salto no tempo. A tribo que ele encontra, incrivelmente, mesmo depois de milhares de anos da civilização extinta, preservaram a língua inglesa (não tem jeito, não agüento esses absurdos e as desculpas ridículas dadas como justificativas). O ridículo programa de computador da biblioteca, que ainda funciona, mesmo tendo passado cerca de 800 mil anos depois de criado (queria uma bateria dessas para o meu Discman). A ridícula participação de Jeremy Irons, que por pouco não supera a merda que fez no “Dungeons and Dragons”.
Resumindo, o filme até seria bom caso o cortássemos pela metade.

AMALDIÇOADOS
(CURSED)

quarta-feira, 12 de abril de 2006


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Direção: Wes Craven.
Roteiro: Kevin Williamson.
Elenco: Christina Ricci, Joshua Jackson, Portia de Rossi, Shannon Elizabeth, Jonny Acker, Eric Ladin, Michael Rosenbaum.

Amaldiçoado eu, que mesmo sabendo a merda que seria esse filme, fui contra toda a coerência e bom senso existentes no mundo e o aluguei (mas aviso logo que no caso de alguma acusação, alegarei insanidade temporária).
A dupla responsável pela série “Pânico”, Wes Craven e Kevin Williamson, repete sua “vitoriosa” dobradinha (ânsia de vômito) e cria mais uma grande porcaria do insuportável gênero “terror adolescente”.
Em “Amaldiçoados”, dois irmãos sofrem um acidente de carro e são atacados por uma estranha e sanguinária fera. A tal fera era nada mais, nada menos, que um Lobisomem, e no ataque passa sua terrível maldição aos irmãos, transformando todos em licantropos. A base de criação dos personagens do filme é a mesma de todos os outros filmes escritos por Williamson, que parece ter uma cartilha fuleragem para isso. Os personagens são: O nerd gente boa, que se apaixona pela gatinha da escola, que logicamente é namorada do idiota esportista. As bonitonas sem nada na cabeça, que tem apenas duas funções nesses filmes, mostrar o corpo e morrer. O namorado misterioso (que logicamente é o lobisomem “do mal”, apesar de não ser o único) que não tem nada de misterioso, e claro, a mocinha do filme, a heroína, a ban ban ban, que não morre de jeito nenhum e quase sozinha resolve toda a história.
O final que de surpreendente não tem nada, acaba do jeito que imaginamos logo no início do filme, assim que todos os personagens são apresentados. Os ffeitos digitais utilizados aqui são tão ridículos que fariam vergonha até aos responsáveis pelos efeitos especiais do seriado do Chapolim Colorado (Xirrim, Xirrion). A Cristina Ricci prova mais uma vez que realmente não tem jeito mesmo, não nasceu para protagonizar nem filme ruim. O Michael Rosebaum (Lex Luthor de Smalville) que no filme só serve pra mostrar que não é careca (como eu pensava) como seu personagem mais famoso.
Mas realmente, não tem como não esperar isso de um filme feito por essa dupla e em um projeto com tantos problemas (mais da metade do filme teve que ser rodado novamente, com vários atores sendo substituídos devido aos muitos atrasos nas filmagens).

CENA MAIS RIDÍCULA: Essa é realmente constrangedora. Quem viu ou acabar recebendo a maldição e acabar vendo depois essa bomba, preste atenção em como termina a cena do ataque de um dos Lobisomens ao Museu de Cera na noite de inauguração. Ridículo!

O PLANO PERFEITO
(INSIDE MAN)

sábado, 8 de abril de 2006



Direção: Spike Lee.
Roteiro: Russell Gewirtz.
Elenco: Denzel Washington, Jodie Foster, Clive Owen, Cherise Boothe, David Brown, Jonnie Brown, Jay Charan, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor.

Spike Lee está de volta!
Essa com certeza é uma excelente notícia para os seus muitos fãs, que desde “A Última Noite”, excelente filme estrelado por Eward Norton, estavam órfãos dos trabalhos do diretor (não lembro de outro longa do diretor depois desse).
Em “O Plano Perfeito”, Lee retoma a parceria com um de seus mais talentosos colaboradores, Denzel Washington (parceiro em outros 3 filmes). Além disso, conta com a forte e sempre grande presença de Jodie Foster e o, cada vez melhor, Clive Owen.
Apesar de “O Plano Perfeito” não se encaixar perfeitamente na contundente filmografia do diretor, caracterizada por fortes, mas dessa vez menos diretas, críticas sociais, o filme, mesmo não sendo tão forte quanto os anteriores, vem acompanhado principalmente de bastante referências à atual política internacional norte americana e principalmente o fortalecimento do racismo dentro do país, que depois do atentado de 11 de Setembro envolve outros grupos étnicos que vivem nos E.U.A..
Dalton Russell, personagem de Clive Owen, abre o filme informando diretamente ao espectador que conseguiu realizar o assalto à banco perfeito. Após sua pequena fala, somos levados diretamente até o banco em questão, já no momento da chegada da quadrilha comandada pelo ator. Passamos a acompanhar, então, três frentes. Uma guiada pelos assaltantes, onde não sabemos quais os passos que eles tomarão para atingir o dito por Owen no início do filme. Outra comandada por Keith Frazier (Denzel Washington), aparentemente honesto e muito competente, detetive de polícia que vê o assalto como uma forma mais rápida de ascensão em sua carreira. E por fim, Madeline White (Jodie Foster), uma misteriosa executiva (possuidora de uma influência assombrosa, inclusive no meio político) que tem como trabalho proteger um precioso objeto que se encontra dentro do banco.
Apesar de já no primeiro momento, ficar claro que o que os assaltantes procuram, é justamente o que Madeline White tem que proteger, o filme não perde nada com isso, concentrando suas surpresas na forma em que o roubo é conduzido (achei genial) e principalmente nas relações entre as três frentes. O misterioso assaltante, o obstinado policial e a arrogante executiva.
As críticas do diretor, como falei antes, apesar de mais sutis, estão sempre presentes, seja em momentos mais claros, como no caso do tratamento dado pela polícia a um funcionário do banco com características árabes, ou em momentos mais discretos, mas não menos fortes, como quando um cartaz com a frase “Nunca Esqueceremos”, com uma imagem das duas torres, como plano de fundo em um certo diálogo do filme. A arrogância e prepotência da personagem de Foster também pode ser vista como uma alusão à truculenta e desrespeitosa política internacional do Sr. George W. Bush (ou seria White o sobrenome da personagem por acaso?).
Um diferente sentimento de tensão está presente durante todo o filme, já que assalto envolve reféns (algo mais ou menos novo nos muitos filmes de assalto feitos ultimamente). A atuação do elenco é algo a se destacar, como esperado em um elenco tão bom.
Preparem-se então, para mais uma ótima viagem com o mestre Spike Lee.