Arquivo de abril de 2006

ESPÍRITOS – A MORTE ESTÁ A SEU LADO
(THE SHUTTER)

quinta-feira, 6 de abril de 2006



Direção: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom.
Roteiro: Banjong Pisanthanakun, Sopon Sukdapisit e Parkpoom Wongpoom.
Elenco: Ananda Everingham, Natthaweeranuch Thongmee, Achita Sikamana, Unnop Chanpaibool,
Chachchaya Chalemphol, Panitan Mavichak, Sivagorn Muttamara.

Depois de assistir diversas bombas de terror oriental (que vocês poderão voltar a conferir clicando nos links no final dessa resenha), e não é que contra todas as minhas expectativas finalmente assisti um realmente bom? Como ia ver outro filme e acabei vendo esse, “atirei no que vi e acertei no que não vi”, e dessa vez (até que enfim) me dei bem.
Mas sinceramente, por dois motivos, só me tranqüilizei ao final da sessão. Em primeiro lugar, a primeira cena assustadora do filme segue o velho padrão oriental do insuportável fantasma rastejante de cabelos compridos. Em segundo lugar, mesmo que o filme seja bom, o final scooby doo comum nesse gênero geralmente o estraga, então, só após o final eu poderia realmente comemorar ou esculhambar. Já deu pra notar o resultado, não é?
No filme de Banjong e Parkpoom (que nome são esses pelo amor de Deus), o fotógrafo Thun (Ananda Everingham) e sua atual namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee), ao voltar para casa de um encontro entre amigos, acabam atropelando uma pedestre e resolvem fugir, não prestando socorro à vítima.
Apesar de ser óbvio que o espírito da atropelada começará a artomentar o casal (até porque o filme é de terror), os roteiristas/dirertores tem a preocupação de não deixar o filme cair no comum, não resumindo o filme a cenas com sustos fáceis e batidos. Existe uma interessante trama, que torna a história ainda mais envolvente e assustadora. Seria o atropelamento obra do acaso? Um simples acidente? Aos poucos o quebra-cabeça vai sendo montado e o pesadelo vai tomando forma.
Temos em “Espíritos…”, um filme realmente arrepiante, com um final puxando para o estilo de filmes como “Sexto Sentido” e “Os Outros”, só que apelando mais para o terror do que para o suspense, com cenas realmente apavorantes que podem até dar prejuízos aos cinemas que o exibirem (tipo poltronas sujas ou com os braços arrancados). Tudo isso, obra da ótima direção, do roteiro muito bem escrito e amarrado e da boa atuação do elenco.
Se você gosta de um bom filme de terror, e não tem preconceito com filmes orientais (e fantasmas cabeludos, rastejantes e que nunca perdoam), aproveite, até porque filmes de terror orientais bons não são tão comuns.

MAIS TERROR ORIENTAL OU SEUS REMAKES NO NTSA:

THE EYE – A HERANÇA
VISÕES

O CHAMADO 2

A MÁQUINA

sábado, 1 de abril de 2006



Direção: João Falcão.
Roteiro: João Falcão e Adriana Falcão.
Elenco: Paulo Autran, Gustavo Falcão, Euclides Pegado, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta, Wagner Moura, Lázaro Ramos.

Acredito que já esteja mais do que na hora do nosso cinema receber a atenção que merece nos grande festivais de cinema (nesse caso estou falando especificamente do Oscar) mundo afora, e esse pode ser um ano especial para todos que compartilham comigo essa crença, já que logo no início do ano, temos o prazer de acompanhar dois excelentes exemplares do nosso cinema. O primeiro, “Cinema, Aspirinas e Urubus” (lançado por aqui no ano passado, mas internacionalmente apenas esse ano), e “A Máquina”, filme dirigido por João Falcão.
O filme de Falcão é uma maravilhosa adaptação do livro de Adriana Falcão e da peça do próprio diretor do filme, e mais uma vez foca a vida simples, mas nunca simplória, do interior nordestino. “Antônio de Dona Nazaré”(Gustavo Falcão), é um jovem rapaz, que desde o dia que nasceu, já foi destinado a um papel muito importante no mundo.
Apaixonado desde sua infância pela bela Karina (Marina Ximenes), tem sua vida mudada quando para evitar que ela vá embora de sua cidade e se meta de cara no “mundo” em busca de melhores oportunidades de vida, decide ele mesmo ir em busca desse “mundo” para presenteá-la e e assim tê-la para sempre ao seu lado.
“A Máquina” é uma belíssima história de amor com uma fortíssima veia de humor. Diálogos maravilhosos, remetem à própria cultura literária nordestina (as falas parecem recitadas de um livrinho de cordel). Atuações muito inspiradas, principalmente as do casal de protagonistas e a maravilhosa participação do Mestre Paulo Autran, como narrador da história. A direção de arte do filme é lindíssima, remetendo bastante ao teatro, já que quase não temos externas durante o filme, lembrando bastante a minissérie Global, “Hoje é Dia de Maria”. Essa característica deixa a história do filme ainda mais semelhante a uma fábula.
Esse, é um filme que deve ser visto e revisto várias vezes, para assim serem aproveitadas ao máximo toda a riqueza de detalhes, dos diálogos e situações. Comédia, romance, emoção e até críticas sociais, mostrado de uma forma como há muito não se via. 5 estrelas mais do que merecidas.
Imperdível!!!