Direção: James McTeigue.
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski, baseado nos personagens criados por David Lloyd e Alan Moore.
Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, John Hurt, Roger Allam, Clive Ashborn.
“Lembrem-se, lembrem-se, do 5 de Novembro”
Não é todo dia que temos a oportunidade de ir ao cinema e ver um blockbuster com conteúdo. “V de Vingança”, novo projeto escrito e produzido pelos irmãos Wachowski e dirigido pelo estreante James McTeigue é um perfeito exemplo disso.
Filmes sobre sociedades futuristas em um mundo pós-apocalíptico, onde um partido controla o seu povo de forma autoritária e intolerante, realizando um injusto domínio de poucas pessoas privilegiadas sobre a maioria da população, suprimindo a beleza da vida e o direito a individualidade através de uma forte censura (proibição de qualquer manifestação de arte, pois quase todas são consideradas subversivas; perseguição aos considerados diferentes, como os homossexuais) como forma de repressão a qualquer possibilidade de pensamento que possa vir a colocar em risco o seu domínio, não é novidade desde que George Orwell escreveu a sua obra máxima, o livro “1984”. O tema em questão até se tornou recorrente em livros, revistas e filmes de ficção científica, principalmente nos anos de Guerra Fria entre E.U.A e U.R.S.S.
Agora, a bola da vez do estilo no cinema, parte da adaptação de mais uma obra-prima escrita pelo genial roteirista inglês Alan Moore (Constantine, Do Inferno, A Liga Extraordinária…). Nos quadrinhos, o codinome V era um solitário combatente anônimo, que escondido sob uma máscara (o rosto do católico Guy Fawkes, que em um certo 5 de Novembro do século XVII (1605) foi condenado e executado por tentar destruir o parlamento inglês e hoje serve como uma espécie de Judas no 5 de novembro na Inglaterra, quando um boneco o representando é espancado, enforcado etc), que lutava ferozmente pelo fim dessa terrível realidade partindo do princípio de um ato isolado de força e através da destruição de grandes símbolos do sistema opressor, outros cidadãos, até então passivos, despertariam e o seguiriam, gerando assim o caos em toda a sociedade e alterando a indesejada realidade, ou seja, um efeito dominó de proporções fatais. A história de Alan Moore foi publicada durante o autoritário regime de Margareth Tatcher (conhecida como dama de ferro) e reflete os temores de Moore no período.

O momento atual é outro, mas perigosamente mais assustador que a década de 80 quando “V de Vingança” foi escrito. Portanto, não há momento mais propício para sua adaptação ao cinema do que o atual, onde a repressão e a supressão das liberdades individuais são postas em cheque em nome da caça ao terrorismo, e à perpetuação do poder é possível devido ao pânico utilizado como justificativa para a violência e para o apoio a medidas cada vez menos democráticas (resumo do governo George W. Bush).
No filme, felizmente a ação não foi retirada da Inglaterra, que se encontra isolada e pouco se sabe sobre o restante do mundo. O que é mostrado na televisão controlada pelo Estado, é justamente a situação de decadência de outras nações (no filme, os Estados Unidos é mostrado como exemplo de sociedade devassa, que se destruiu devido aos seus muitos vícios, como o homossexualismo, permissão da liberdade de imprensa e expressão etc) que não tem um governo “forte, coeso, responsável e dirigido com pulso” como o inglês, o que serve apenas para referendar a propaganda oficial do Partido. “V” continua ainda um personagem bastante enigmático, charmoso e cheio de propósitos, mas que ao conhecer e salvar das garras da polícia do partido, a inocente Evey (na revista uma prostituta), acaba passando por um verdadeiro processo de auto conhecimento.
O ator Hugo Weaving dá um verdadeiro show por traz da máscara de “V”. Com sua marcante e profunda voz e abusando de sua expressão corporal, ele dá ao enigmático eterno sorriso da máscara, uma série de sentimentos e emoções conflitantes, que poucos atores conseguem fazer até de cara descoberta. O personagem de Natalie Portman (Evey) representa a massa alienada, que quando verdadeiramente confrontada, tira sua “máscara”, modificando sua postura perante à realidade (pelo menos em tese). John Hurt, como o líder do partido, sempre é mostrado em toda sua plenitude, tendo sempre seu rosto ampliado, o que difere completamente de seu maior opositor, que se esconde por traz de uma máscara.

Os irmãos Wachowski capricharam em seus trabalhos no roteiro (deixando-o até bem semelhante à sua principal obra, Matrix – um sistema a ser derrotado, recrutamento de pessoas que dele fazem parte, etc), o que facilitou e muito o trabalho do diretor estreante James McTeigue, que só não é perfeito em sua estréia por algumas cenas muito demoradas, que por isso acabaram tendo diminuídos os seus impactos (e só por isso o filme não leva 5 estrelas). Em contrapartida, o filme é repleto de cenas realmente arrepiantes, que emocionariam todos que ainda possuem dentro de si uma fagulha revolucionária.
Guy Fawkes não foi um herói. A intenção do seu ato é bem menos importante que o ato em si, e a utilização simbólica de sua figura, indica apenas o ato de se rebelar contra uma determinada realidade ou situação não desejada. O terrorismo não deve nunca ser incentivado, mas é inegável a força simbólica que ele ocasiona (a derrubada das torres do WTC é uma prova inegável disso). Destruir o congresso nacional brasileiro provavelmente não vai acabar com nossa pobre (e podre) democracia, mas é inegável que um ato desses geraria discussões e debates sobre a própria necessidade de sua corrupta existência.
Portanto, VIVA A REVOLUÇÃO!!! VIVA V DE VINGANÇA!!!
eu gosto muito destes tipos de desenhos
eu adoro muito esses tipos de desenhos dessetipos
Não tem como não apreciar este cinema pipoca que acaba refletindo alguns assuntos muito pertinentes depois que ele acaba, sobre as cenas de ação poucas marcam mas o discurso fica latente apos a sessão.
Os EUA nos faz ver o mundo como se o terrorismo fosse errado, como se eles, os arabes fossem o povo do mal msm coisa q aconteceu com a URSS antges.
Não é bem assim!!
Qt tempo naum venho aqui neh primo?? A gente quase naum se fala mais pelo msn!!
abç…
Pois é Vitão, sempre nos desencontramos no msn.
Ah, e eu tb acho que o terrorismo é uma forma de luta a ser questionada, apesar de concordar que alguns grupos tem nele, o seu único meio de ataque. Essa é uma longa discussão que infelizmente não tem como ser realizada apenas por esse meio.
De um modo geral, concordo com sua crítica. Mas, cá entre nós, a história em quadrinhos é bem melhor, não? Um abraço!
Fala Vlad, concordo com o fato do Terrorismo ou formas alternativas de se rebelar tem que ser usadas para inicio de uma discussão maior, não como o unico ato em si, ainda sou contra atos de violencia, mas situações extremas são situações extremas, mas todo o cuidado e pouco para não termos a roda gigante de atos violentos como o Iraque de hoje, ou a historia de Munique.
Abraços
genial seu texto meu caro amigo. Nosso curso realmente nos fez um bem enorme, pois devido a ele podemos fazer uma análise bem mais profunda da atual situação geo política mundial e a visão que a mídia (nesse caso o cinema) tem dela. Bush e os EUA vem a cada dia perdendo mais moral e uma grande prova disso é a atual safra de filmes que criticam direta ou indiretamente o seu nefasto governo.
Excelente crítica de um magnífico filme.
Grandes abraços e vamos combinar de trocar idéias num barzinho meu caro?
Grande Fábio, obrigado pelos elogios e o que vc falou reforça o que eu falei no meu texto sobre o atual governo americano (donos do mundo mais do que nunca).
Tb assino embaixo do que vc colocou Verde, tb sou contrário a violência, apesar de entender que atos terroristas como os que vemos não poderem ser analisados apenas por esse lado.
Eita meu amor, se soube de q se tratava esse filme, teria visto com vc.Pensei q fosse só mais uma história de quadrinhos sem muito conteúdo!Mas pela sua resenha, esse filme parece bem legal!Um beijão!
guy fawkes explodiu o parlamento por uma briga religiosa de catolicismo x protestantismo, não por simbolismo. se for escrever pra passar lição de moral no fim, pelo menos pesquisa direito contra quem você tá falando, gato.
Comentário: Estive lendo o meu artigo pra ver essa minha lição de moral. Ainda continuo acreditando que destruir o maior simbolo de um governo continua sendo um ato extremamente simbólico. Para isso cito mais uma vez os atentados contra os EUA em 11 de setembro. Por que derrubar o WTC, atingir o parlamento americano e o pentágono? Isso ocasionaria no fim dos EUA? Acho que nao.
Espero que vc tenha entendido meu ponto de vista agora, e obrigado pela visita e pelo comentário. Beijão!!!
Vladimir.