Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


27/5/2006

XMEN – O CONFRONTO FINAL
(XMEN – THE LAST STAND)







Direção: Brett Ratner.
Roteiro: Zak Penn e Simon Kinberg.
Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn, Shawn Ashmore, Ellen Page, Ben Foster, Ken Leung, Aaron Stanford, James Marsden, Olivia Williams, Daniel Cudmore, Vinnie Jones.

No terceiro e último (aparentemente) capitulo da saga dos heróis mutantes da Editora Marvel na tela grande, temos o encerramento do arco de histórias iniciado pelo diretor Brian Singer no ano 2000 (filme de uma importância incontestável, pois reabriu as portas do cinema para os quadrinhos) . De mais significativo na produção dessa nova etapa da saga, temos, além do excelente roteiro escrito por Zak Penn e Simon Kinberg, o polêmico abandono de Singer, que trocou seus mutantes pelo início de uma nova franquia (Superman) com um personagem de outra editora (dupla traição). Logicamente, todo o peso da produção caiu nas costas do diretor Brett Ratner, que poucos sabem, esteve cotado para dirigir o primeiro filme da série, e para sorte, ou melhor, prazer de todos os fãs dos mutantes da Marvel, Ratner dirigiu o melhor filme da série, deixando de lado todo o temor em relação a substituição e ganhando uma moral inimaginável até pouco tempo para ser o principal condutor da franquia (se ela continuar) daqui em diante.



“X-Men: O Confronto Final” segue dois arcos principais de histórias. O primeiro é a tão esperada guerra entre mutantes e seres humanos devido à criação de uma possível cura para o fator X, o que alegra muitos mutantes que se sentem constrangidos devido a suas condições, e por outro lado, enfurece diversos outros, liderados por Magneto (Sir Ian McKellen), não aceitam que suas diferenças sejam tratadas como uma doença que deva ser curada. Paralelamente a isso, acompanhamos o retorno de Jean Grey (Famke Janssen), supostamente morta no filme anterior, mas que retorna portando um poder ilimitado e incontrolável, que pode destruir todos os homo sapiens e mutantes. Diversos personagens pertencentes aos quadrinhos que nunca haviam aparecido, ou apenas figuraram nos anteriores, dão as caras no filme, alguns assumindo papéis de grande relevância, como o Fera (Kelsey Grammer), Kitty Pride (Ellen Page) e Colossus (Daniel Cudmore). Outros personagens, como Ororo/Tempestade (Halle Berry) e o Homem de Gelo (Shawn Ashmore) assumem posições mais importantes na história, enquanto outros cedem a vez para os novatos, o que dá um novo fôlego sensacional à saga. Wolverine (o espetacular Hugh Jackman) é o novo líder do grupo e é mais uma vez fundamental, além de botar pra *$#*& em cenas matadoras e alucinantes, como nunca vimos.



E é no quesito realismo, na coragem de mostrar cenas violentas (não existe guerra sem baixas) nas batalhas e na própria constituição do caráter do personagem de Jackman, que indiscutivelmente possui um lado bestial, violento, muito mal abordado nos filmes até então, que Brett Ratner se destaca. Wolverine se mostra muito mais complexo nessa terceira parte, alternando momentos de ternura, amor, liderança e até paternalismo, com a mais completa fúria. Magnífico!
Além das maravilhosas e irretocáveis cenas de ação, temos no excelente roteiro (impossível não ser repetitivo em se tratando de elogiá-lo), que fecha quase a totalidade dos caminhos abertos nos filmes anteriores (logicamente a origem de Wolverine fica em aberto para o aguardado filme solo do personagem), o aprofundamento da questão racista que envolve a aceitação ou não, dos mutantes pelos seres humanos. A criação de uma possível “cura” para o Fator X, coloca em questão temas bem próximos a nós como o exemplo das clínicas de reabilitação de homossexuais, que segundo seus responsáveis existem para “curar degenerados de suas doenças e vícios”; ou até em caso mais complexos, como a dificuldade de aceitação de certos grupos pertencentes a “etnias diferentes”. O roteiro trabalha muito bem esse tema, abrindo uma interessante reflexão sobre a existência de diferenças entre e dentro desses grupos.
“X-Men: A Batalha Final” é um filme que deve ser visto e revisto, daqueles que deve ser comprado em DVD logo na pré-venda, independente do preço. Até o momento, sem dúvida alguma, o melhor filme de heróis já produzido. Méritos para todo o elenco (com certeza mutantes de verdade), os roteiristas e ao diretor Bret Ratner, que respeitou o trabalho iniciado por Brian Singer dando continuidade a ele e fazendo algo que talvez nem o próprio Singer conseguisse. O melhor filme do ano!!!

IMPORTANTE: É IMPRESCINDÍVEL PARA QUEM FOR AO CINEMA VER “X-MEN: O CONFRONTO FINAL” QUE FIQUE NA SALA ATÉ O FIM DA EXIBIÇÃO DOS CRÉDITOS. UMA CENA FUNDAMENTAL SE ENCONTRA ALI. ABRAÇOS!

Arquivado em: Vladimir @ 10:16 pm

20/5/2006

O CÓDIGO DA VINCI
(THE DA VINCI CODE)






Direção: Ron Howard.
Roteiro: Akiva Goldsman.
Elenco: Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Alfred Molina, Paul Bettany. Jean Reno.

Em 2004, assim que terminei de ler o livro de Dan Brown, uma das primeiras coisas que pensei foi como seria interessante ver uma adaptação cinematográfica sua. Não por “O Código da Vinci” ser uma preciosidade literária que mereceria uma imediata adaptação, mas sim por ele apresentar uma trama perfeita para ser utilizada no cinema, com uma trama cheia de informações, polêmicas e um pouco complicada (que todo mundo já está abusado de ouvir falar), algumas boas cenas de suspense e personagens sem nenhuma profundidade e retirados de uma cartilha de clichês utilizada por Brown na constituição de todos os seus livros. Sinceramente não sou um grande apreciador do livro, mas reconheço a sua qualidade enquanto objeto de entretenimento. Logicamente, não concordo com toda essa celeuma em torno de suas supostas revelações, já que como todos sabem, o “Código Da Vinci” não passa de uma colcha de retalhos, onde Brown é mais um costureiro que um escritor (nenhuma teoria colocada no livro é nova e a trama é mais batida que os filmes do agente 007). Portanto, mesmo com suas comentadas falhas, como o ritmo mais arrastado contrastando com o estilo rápido a base de capítulos curtos do livro; uma escolha de elenco bastante polêmica no que diz respeito principalmente a dupla principal (claramente Hanks e Tautou, apesar de excelentes atores, não tinham nada a ver com Langdon e Noveau) e que se fez visível no filme, onde ambos, apesar de protagonistas, estão completamente apagados em seus papéis; e, principalmente a complicada transposição da trama (repleta de detalhes), que no filme acabou sendo um pouco prejudicada pelo excesso de cortes de pontos importantes e alterações desnecessárias (não entrarei nesse mérito, mas quem já teve a oportunidade de ler o livro compreenderá melhor o que estou dizendo). Mesmo com essas significativas falhas, gostei do que vi.
No filme, Tom Hanks é Robert Langdon, um renomado simbologista norte americano que se envolve em um estranho caso de assassinato envolvendo o curador do Louvre. Mais do que um simples assassinato, o crime envolve um mistério que caso descoberto poderá levar ao fim da maior instituição religiosa do mundo, a Igreja Apostólica Romana. Duas poderosas ordens assumem lados opostos, A católica “Opus Dei” (uma espécie de “tentáculo” ultra conservador da Igreja Romana) e o pagão “Priorado de Sião” (ordem criada para proteger o segredo por trás do Santo Graal). A primeira, luta desesperadamente para esconder o segredo que envolve uma possível linhagem surgida de um casamento entre Maria Madalena e Jesus Cristo. Já o Priorado, busca proteger esse segredo mantido desde o tempo das Cruzadas, para salvá-lo das mãos da Igreja. Langdon, então, com a ajuda da criptógrafa e neta do assassinado, Sophie Noveau, tem que fugir da polícia que o persegue por considerá-lo suspeito por uma série de homicídios e seguir uma série de pistas por diversos museus e igrejas medievais européias para assim, decifrar o Código Da Vinci e descobrir o verdadeiro paradeiro do Santo Graal.
Mas com certeza, a principal falha da adaptação encontra-se na dupla de protagonistas. Hanks e Tautou realmente não ficaram bem em seus papéis. Em nenhum momento parecem ser os protagonistas da história e são completamente ofuscados pelas atuações de Sir Ian McKellen (perfeito) com as melhores cenas e falas e Paul Bettany (assustador). O resto do elenco (Alfred Molina e Jean Reno) só não está melhor pela falta de aprofundamento do roteiro em relação a seus personagens. Aliás, esse é outro ponto de concordância que tenho em relação à crítica especializada. O roteiro de Akiva Goldsmanm não se preocupa com o desenvolvimento dos personagens, o que acaba nos distanciando dos mesmos, o que na minha opinião ajudou nesse ofuscamento de Robert Langdon e sua parceira.
A direção de Ron Howard segue o mesmo padrão de outros filmes realizados por ele. Mantendo um ritmo mais lento, ele acaba dando ao público uma maior oportunidade de digerir o que está sendo mostrado na tela, mas nunca tornando-se monótono. Howard acerta em cheio ao optar em mostrar um filme mais sombrio, criando um maior clima de suspense e mantendo uma certa sensação de urgência e peso na atmosfera, o que se encaixa com perfeição ao tema central do livro.
Mesmo assim, “O Código Da Vinci” é um filme que consegue divertir e nos fazer pensar, mesmo fazendo isso de forma bem superficial e até um pouco covarde (a discussão de Langdon e Teabing Leigh é uma prova clara disso) e não tão corajosa como feito por Dan Brown. E o “fazer pensar”, é com certeza o maior medo da Igreja e dos grupos radicais que protestam contra o filme, já que a história não passa da mais pura e simples ficção, embalada por uma boa pesquisa histórica em um tema que, com certeza, nunca deixará de ser polêmico. Polêmica que só faz bem para os bolsos do autor e provavelmente ao estúdio responsável pelo filme. Vá com a mente aberta, preparado para ver uma história bem legal embalada em um bom trillher.

DICA: Quem se interessar em ler a crítica do livro no Blog LITERATURA FANTÁSTICA, é só clicar AQUI .

Arquivado em: Vladimir @ 8:39 pm

16/5/2006

MISSÃO IMPOSSÍVEL III
(M : I : III)







Direção: J.J. Abrams.
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e J.J. Abrams.
Elenco: Tom Cruise, Ving Rhames, Keri Russell, Philip Seymour Hoffman, Bahar Soomekh, Laurence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg, Michelle Monaghan, Jonathan Rhys Meyers.

Se há algo que deve ser realmente destacado nessa terceira aventura do agente para missões impossíveis, Ethan Hunt (Tom Cruise), com certeza é a presença do diretor/roteirista J.J. Abrams, que além de cultuado pela ajuda na criação de uma das melhores séries dos últimos anos, se mostra um bom diretor e roteirista em seu longa metragem de estréia.
M: I: III também é, sem dúvida alguma, o melhor filme da franquia. Possui as melhores cenas de ação, o melhor elenco e com certeza, o melhor vilão. Até a história, que apesar de tão inverossímil quanto as anteriores, é a melhor protagonizada por Cruise.
Dessa vez, a história começa de forma estonteante, com Ethan Hunt aprisionado e com sua esposa ameaçada pelo assustador contrabandista Owen Davian (Philip Hofman Seymour perfeito, mostrando porque é um dos melhores atores da atualidade), que promete matá-la (em uma cena que desde já se torna memorável e provavelmente fará você chegar muito perto de arrancar os braços da poltrona do cinema), caso o agente não dê o paradeiro de um determinado artefato chamado “pé de coelho”. Após esse breve interlúdio, que já nos deixa cheios de dúvidas e obviamente será retomado lá pelo final do filme, somos apresentados ao cotidiano de Ethan em sua tentativa de ter uma vida “normal”, assumindo o cargo de instrutor na agência e tentando manter-se distante dos muitos perigos de suas “missões impossíveis”. O agente é obrigado a voltar à ativa e novamente reunir seu grupo, dessa vez com novos integrantes, mas com seu amigo Luther (Ving Rhames) ainda no time, para resgatar uma de suas mais importantes pupilas.
Começa então um impressionante jogo de gato e rato, onde Ethan além de ter que encontrar e manter a salvo o tal artefato, ainda persegue e é perseguido em diversos países do mundo, tanto por seu terrível inimigo (Hoffman encarna um vilão realmente assustador), como pelos seus próprios “aliados” da agência.
Se a presença de Keri Russel como a agente que deve ser resgatada no início do filme é quase descartável, isso não pode ser dito a respeito da participação de diversos outros grandes atores como Lawrence Fishburn, Billy Crudup, Simon Pegg, entre outros, que brilham em seus respectivos papéis e trazem nova vida à franquia.
Já o roteiro, apesar de não ser nada mais que a junção de elementos dos dois primeiros filmes com um ou outro elemento novo introduzido por Abrams, Kurtzman e Orci (e com certeza é esse o seu maior defeito), se sobressai quando se trata das excelentes cenas de ação e do impressionante clima de suspense que as acompanham. É inegável o mérito do diretor nesses quesitos. A trilha sonora é outro achado, composta por Michael Giacchino, também responsável pela trilha da série “Lost”, ela é fundamental para aumentar esse clima necessário à história. Além do mais, Giacchino acerta ao economizar no tema principal da série, tornando-o realmente empolgante como deve ser, nos momentos em que é tocado.
Resumindo, M: I: III é com certeza o melhor filme da série, o que nos deixa com vontade de ver mais aventuras do agente Ethan Hunt e sua equipe sob a direção de J. J. Abrams, com todo o seu fôlego, disposição e criatividade.

Arquivado em: Vladimir @ 5:48 pm

11/5/2006

A FEITICEIRA
(BEWITCHED)




(_*_)


Direção: Nora Ephron.
Roteiro: Nora Ephron.
Elenco: Nicole Kidman, Will Ferrell, Shirley MacLaine, Michael Caine, Jason Schwartzman, Kristin Chenoweth, Heather Burns.

È inegável o peso de nomes como o de Nicole Kidman e Will Ferrel, principalmente estando os dois juntos. Kidman é com certeza uma das melhores atrizes da atualidade, enquanto Ferrel é, sem dúvida, um dos melhores comediantes. Nesse caso o peso foi tão grande que quebrou.
Infelizmente, “A Feiticeira” versão século XXI se encaixa com perfeição no grande grupo de remakes descartáveis que a indústria cinematográfica americana vem nos empurrando goela abaixo nessa última década.
Nicole Kidman, apesar de seu admirável currículo, ainda comete algumas asneiras em sua carreira, aceitando participar de bobagens como “Reencarnação”, “Mulheres Perfeitas”, entre outros. Enquanto Ferrel, por ainda estar se firmando, parece aceitar participar de qualquer projeto que lhe dê um bom dinheiro (e graças a ele, alguns são salvos do desastre total, inclusive esse “A Feiticeira”).

No filme, Ferrel é Jack Wyatt, um ator charlatão que tem como grande oportunidade de salvar sua carreira, ser o protagonista de uma reformulação de um famoso seriado de TV dos anos 60. O seriado é obviamente “A Feiticeira”, e é justamente quando está escolhendo uma atriz para interpretar a bruxa Samantha, que ele encontra Isabel (Kidman), uma bruxa de verdade que deseja abandonar a magia e viver como mortal no mundo real. Tudo seguia perfeito, até Isabel apaixonar-se por Jack, se meter em várias confusões devido à utilização de seus poderes e seu personagem fazer mais sucesso que o do egocêntrico ator.
Nessa nova versão, o filme não é apenas um remake da série dos anos 60, é sim a história de uma equipe que decide reviver uma famosa e nostálgica série, em um mundo onde a magia realmente existe, transformando assim a fantasia em realidade, ou vice e versa. O roteiro peca em insistir em seguir os muitos clichês das comédias românticas, onde o casal se apaixona mesmo com as diferenças, se separa quando um sério segredo é revelado e se une definitivamente no final do filme, quando vem o perdão. Escapa de um desastre total, pois se sustenta no carisma de Nicole Kidman e Michael Caine e em algumas situações engraçadas proporcionadas por Will Ferrel (o cara realmente é engraçado).
Em suma, “A Feiticeira” é um filme bem bobinho, mas que pode ser visto na companhia da(o) namorada(o), caso ela(e) não seja muito exigente, claro.

Arquivado em: Vladimir @ 6:12 pm

7/5/2006

O NOVO MUNDO
(THE NEW WORLD)




(_*_) (_*_) (_*_)


Direção: Terrence Malick.
Roteiro: Terrence Malick.
Elenco: Colin Farrell, Christian Bale, Christopher Plummer, Ben Chaplin, Jonathan Pryce, David Thewlis, Q’Orianka Kilcher.

Na América (atual território norte americano), no ano de 1606, um grupo de degradados ingleses chega ao novo mundo “descoberto” por Cristóvão Colombo, com o intuito de colonizá-lo. Depois de passar por diversas desventuras ocasionadas principalmente pela fome e falta de ordem, o Capitão John Smith parte em busca do auxílio “indígena” para garantir a sobrevivência do seu grupo. O contato leva ao esperado choque cultural entre o “homem europeu civilizado” e o “nativo selvagem” e uma inesperada paixão ocorre entre Smith (Colin Farrel) e a filha do chefe da tribo, Pocahontas (a fraquinha Q’Orianka Kilcher).

Confesso que guardei ótimas expectativas em relação a esse “Novo Mundo” de Terrence Malick. Seria pelo menos interessante ver o ponto de vista crítico do diretor em relação à colonização da América. Uma espécie de “Além da Pele Vermelha” (que trocadilho, hein?) passado no século XVII no sangrento e exterminador conflito entre os nativos americanos e os colonizadores ingleses. Mas infelizmente o que pode-se constatar após o fim da exibição do longa, foi que Malick acertou um verdadeiro tiro no pé, e transformou sua visão da história de Pocahontas e John Smith (a mesma já explorada pela Disney) e os conflitos entre as duas raças em uma trama pseudo-existencialista onde aparentemente ninguém sabe quem é quem, mas assumem muito bem seus respectivos papéis dentro de suas diferentes sociedades. Malick também erra feio ao apresentar os primeiros contatos entre os colonos europeus e os nativos americanos sob o preconceituoso ponto de vista eurocêntrico, onde os nativos são os primeiros a atacar e por isso recebem a violenta resposta dos colonos brancos, que não queriam nada mais do que ocupar a terra, extrair dela o que pudessem e explorar todos os seus reais donos em trocas absurdas, como por exemplo, escravos por panelas ou outras bugigangas quaisquer trazidas do velho mundo, o que fomentava ainda mais os conflitos entre as tribos que já ocupavam a terra. O interessante, é que em determinado momento do filme, esses mesmos habitantes, são descritos pelo personagem de Colin Farrel como “um exemplo de paz e prosperidade, uma utopia”, para pouco depois mostrar um violento ataque dos mesmos aos colonos, por não aceitá-los em suas terras, mesmo que estes estivessem morrendo de fome e não causassem nenhum problema aos nativos.

A fotografia do filme é belíssima (o filme foi inteiramente rodado sob luz natural), e é uma das únicas qualidades da obra. A trilha sonora, composta antes do filme ser realizado não é essas coisas, já as atuações parecem extremamente preguiçosas, como se os atores na realidade não quisessem estar ali. Tão preguiçosas quanto o ritmo do filme, que é de uma monotonia quase insuportável. O filme é lento, parece não ter fim, com certeza poderia ter sido reduzido em pelo menos uma hora sem o prejudicar em nada.
Colin Farrel realmente não parece ter sorte, já que vem trabalhando com grandes diretores, mas participando de seus piores filmes (Alexandre, por exemplo), obras pretensiosas, mas mal realizadas.
“Novo Mundo” não passa de um filme extremamente chato e moroso, onde seu enredo não acrescenta nada a atual discussão em relação ao início da colonização das Américas, já que reproduz uma teoria batida e preconceituosa, mas que serve para provar o quão forte ela ainda é nos países considerados “desenvolvidos”.

Arquivado em: Vladimir @ 11:26 am

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