Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


26/6/2006

eXistenZ







Direção: David Cronenberg.
Roteiro: David Cronenberg.
Elenco: Jennifer Jason Leigh, Jude Law, Willem Dafoe, Ian Holm, Don McKellar, Callum Keith Rennie, Sarah Polley, Christopher Eccleston.

Allegra Geller (J. J. Leigh) é a maior criadora de jogos em realidade virtual do mundo e funcionária da mega corporação Antenna Research. Em um encontro promovido pela empresa com a presença de Allegra e outros jogadores para testar um novo e revolucionário jogo chamado eXistenZ, é atacada por um estranho grupo terrorista contrário ao jogo e tem que fugir para salvar sua vida e não ter seu trabalho destruído, com a ajuda de um simples funcionário (jude Law) da Antenna.
Os jogos são rodados em uma espécie de ser vivo, com implantes eletrônicos retirados de animais mutantes e conectados diretamente a coluna dos jogadores, que são assim transportados a uma estranha realidade, onde o que é real pode ser facilmente confundido com o imaginário.
Um dos maiores destaques do filme é, com certeza, o excelente elenco que Cronemberg conseguiu reunir. Com pontas de ótimos atores, como Ian Holm, Willem DaFoe e Sarah Polley. Uma fraca compensação para a já batida história de confusões envolvendo múltiplas realidades.
O grotesco está, juntamente com o estranho, de volta à obra de David Cronemberg. “eXistenZ” segue exatamente a mesma linha de outros importantes filmes do Diretor, como “Videodrome” (principalmente) e “A Mosca”. Sinceramente, prefiro seu lado “Marcas da Violência” e apesar de essa não ser uma obra de fácil digestão, provavelmente agradará apreciadores de ficção científica e os fãs mais puristas do diretor.

Arquivado em: — Vladimir @ 7:55 pm

21/6/2006

HORROR EM AMITYVILLE
(THE AMITYVILLE HORROR)






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Direção: Andrew Douglas.

Roteiro: Scott Kosar, baseado em roteiro de Sandor Stern.
Elenco: Ryan Reynolds, Melissa George, Jesse James, Jimmy Bennett, Chloe Moretz, Philip Baker Hall.

O produtor/diretor Michael Bay realmente parece possuir uma espécie de “toque de merdas”, já que é nisso que ele transforma tudo o que põe as mãos. Infelizmente esse toque afeta apenas o conteúdo das obras, pois suas porcarias geram milhões e milhões em dinheiro (principalmente devido ao descerebrado público norte americano) para os cofres dos estúdios que os patrocinam, o que obviamente manterá a sua carreira (para o meu desgosto) ainda por muito tempo.
Produzido por ele e dirigido pelo fraquíssimo diretor Andrew Jackson, o remake de “Horror em Amityville” é mais um projeto de sua produtora especializada em refilmagens de filmes de horror (além desse, Bay produziu a nova versão do Massacre da Serra Elétrica). Michael Bay disputa esse lucrativo mercado com Sam Raimi, dono de outra produtora, com o mesmo público alvo e responsável por outras porcarias (sem dúvida, a maior trata-se da Bomba, “O Pesadelo”).
Nessa adaptação do clássico livro de Jay Anson sobre uma família perturbada por espíritos que assombram uma misteriosa casa, temos o ator Ryan Reynolds, como George, o chefe da família Lutz, que sofre uma terrível transformação devido a influências nefastas da famosa casa, passando de um carinhoso marido e padrasto, a louco homicida. Nessa versão, os produtores optaram pelos sustos fáceis em situações clichês, em uma trama boba e batida de espíritos de pessoas mortas violentamente por uma entidade maligna que também se encontra presente na casa, se juntam para atormentar e fazer mal para todos que nela tentem viver.
O filme tem cenas dignas das novelas das 19h da rede globo, onde Reynolds aparece durante quase todo o filme com o peito despido, mostrando seus músculos, bem ao estilo Marcos Pasquim e Humberto Martins. Mas o mais interessante, com certeza é o roteiro, que insiste na história da família feliz que se muda para uma estranha casa, começa a ser atormentada e só se salva quando um dos envolvidos vai em busca de respostas (ou com um padre, ou simplesmente na hemeroteca da biblioteca municipal), resolve o mistério e foge da casa antes que alguém, além do miserável de algum animal, se lasque. Se você não viu essa mesma história, com sutis diferenças, em centenas de outros filmes e logicamente não se incomodar com isso, então talvez, você até goste desse. Com certeza, é muito mais fácil deixar todo o fantástico terror psicológico encontrado no livro de Anson e partir para o susto fácil e a história batida, mas com respostas (não importando o quão boba ela é).
A influência do cinema de terror oriental também está presente no filme. Primeiramente em relação ao final cheio de respostas e em segundo lugar, o fantasma de uma certa garotinha de cabelos compridos… Resumindo? Mais uma grande bobagem!

Arquivado em: — Vladimir @ 7:20 pm

14/6/2006

MAIS DO MELHOR DE NOSSO CINEMA

“Filmes que brevemente devem estar saindo em DVD”


CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS


Direção: Marcelo Gomes.

Roteiro: Marcelo Gomes, Paulo Caldas e Karim Aïnouz.
Elenco: Peter Ketnath, João Miguel, Hermila Guedes, Oswaldo Mil, Irandhir, Fabiana Pirro, Verônica Cavalcanti.

Em “Cinema, Aspirinas e Urubus”, somos transportados ao cruel sertão nordestino, em Pernambuco, no ano de 1942. Nas vésperas de entrar no maior conflito mundial em todos os tempos, somos apresentados ao jovem alemão Johann, que fugindo da Alemanha para não fazer parte da guerra, torna-se vendedor de aspirinas nos quatro cantos do Brasil. Em uma dessas viagens, o alemão conhece Ranulfo, um nordestino como muitos, que pretende fugir do retrato de seca para iludido pela chamada “sorte na cidade grande”.
Essa dura realidade nordestina é mostrada em cada localidade que os novos amigos chegam para exibir e vender seu produto. Flagelados da seca fugindo para o Amazonas (os soldados da borracha) em busca de melhores oportunidades na extração de borracha. Enfim, pessoas de origens completamente diferentes que buscam sonhos semelhantes: alterar (fugir) de seus cruéis destinos.
A intolerância de Ranulfo com seu próprio meio, contrasta com a simpatia de Johann, que vê no Brasil e na “passividade” e “simplicidade” do povo brasileiro a realização do sonho de ficar longe de qualquer tipo de conflito militar. Já Ranulfo, é a caracterização perfeita do nordestino do interior (João Miguel perfeito), longe dos estereótipos tão comumente vistos em novelas.
A excelente fotografia do filme ressalta a monocromática (mas bela) paisagem sertaneja, tornando nosso árido clima em mais um personagem do filme. “Cinema, Aspirinas e Urubus” é a história de dois homens que nas muitas diferenças descobrem suas afinidades e semelhanças. Semelhanças essas que se encontram na busca das tão sonhadas liberdade e felicidade.
O filme de Marcelo Gomes iniciou sua temporada internacional esse ano nos Estados Unidos e vem sendo bastante elogiado pela crítica do país. Será que teremos novamente um representante 100% nacional no Oscar? Fica a torcida, pois “Cinema, Aspirinas e Urubus” merece.

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O FIM E O PRINCÍPIO


Direção: Eduardo Coutinho.

Depois de realizar alguns dos melhores documentários já feitos no Brasil, como “Cabra Marcado para Morrer” (na minha opinião, seu melhor filme), “Edifício Master”, “Peões” e “Santo Homem”; Eduardo Coutinho decide por modificar seu estilo de entrevistas e cria um de seus trabalhos mais humanos e emocionantes. Optando por não fazer nenhuma pesquisa e nenhum tipo de roteiro de perguntas para os entrevistados, o diretor e sua equipe dirigem-se ao sofrido (geograficamente falando) interior paraibano e escolhe uma grande família em uma pequena localidade.

Coutinho entrega a condução das entrevistas a uma jovem, parente da família, que escolheu os membros mais velhos e experientes para entrevistar (acho que por isso o filme ganhou esse nome). Cria-se então, uma obra com um forte teor sentimental, uma pequena mostra da enorme diversidade cultural nordestina. Um povo que inventa e reinventa sua cultura, religião e modos.
Impossível não se divertir com a senhora que só se sente bem em frente as câmeras se estiver bem vestida, ou com o casal que afirma categoricamente nunca ter brigado e discutem em plena entrevista. Ao mesmo tempo, é impossível não se emocionar com a luta diária que cada um enfrentou ou ainda enfrenta, com a hospitalidade dos entrevistados que buscam com o maior prazer dividir o pouco que tem.
Traição, Catolicismo Popular, Erudição, Medo da Morte e outros temas são discutidos de forma única e peculiar durante as filmagens. Um dos melhores documentários que já assisti e que vale muito a pena ser visto por todos.

Arquivado em: — Vladimir @ 6:32 pm

9/6/2006

WOLF CREEK - VIAGEM PARA O INFERNO






Direção: Greg McLean.
Roteiro: Greg McLean.
Elenco: John Jarratt, Cassandra Magrath, Andy McPhee, Kestie Morassi, Nathan Phillips, Peter Alchin, Guy Petersen.

O diretor/roteirista Greg Mclean, cria um dos filmes mais viscerais que vi na vida, onde os personagens são realmente importantes e não apenas vítimas de mortes descartáveis, mas bem elaboradas, tão comuns nos filmes do gênero atualmente. Agora, quem não viu nos cinemas, poderá conferir essa pequena pérola em DVD.
Na primeira hora de filme somos apresentados (quase intimamente) aos protagonistas da história (atuações bastante convincentes e naturais), em sua preparação para a viagem à cratera Wolf Creek. Mostrando as brincadeiras, as farras e até o tédio em alguns momentos, o diretor humaniza seus personagens, aproximando-os dos espectadores, o que torna os inevitáveis acontecimentos posteriores ainda mais dolorosos e assustadores. Outro ponto alto do filme é com certeza sua parte técnica, dando destaques a belíssima fotografia e principalmente a assustadora trilha sonora, que como no excelente e magnífico “Madrugada dos Mortos”, aumenta ainda mais o clima de tensão e pavor necessários a história. Mas é na criação do psicopata, uma mistura de Crocodilo Dundee com “Leather Face”, que “Wolf Creek” tem o seu maior destaque. A completa frieza e insanidade, misturada com um estranho e doentio humor do caipira Mick Taylor, dão o tom final a esse, assustadoramente real, filme de terror.
Com certeza, quem viu “Wolf Creek” vai pensar duas vezes antes de se arriscar em uma viagem por estradas desconhecidas. A desconfiança para com todo e qualquer estranho será uma das muitas fobias (parecido com o efeito “tubarão” do filme de Spilberg) que você ganhará ao ver esse filme. Sei que é clichê, mas não recomendo esse filme para crianças, pessoas com mais de 60 anos com problemas cardíacos e pessoas de estômago fraco.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:59 pm

6/6/2006

PARADISE NOW






Direção: Hany Abu-Assad.
Roteiro: Hany Abu-Assad, Bero Beyer e Pierre Hodgson.
Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Lubna Azabal, Amer Hlehel, Hiam Abbass, Ashraf Barhom, Mohammad Bustami.

Depois de ver o ponto de vista do cinema americano sobre os homens por trás de atos terroristas suicidas no excelente “Syriana”, temos o grato prazer, de ver esse polêmico tema a partir do ponto de vista de um cineasta que faz parte do lado sempre demonizado. Ou seja, em “Paradise Now”, temos a oportunidade de conhecer o outro lado da moeda, sem correr o risco de cair no preconceito maniqueísta ao qual nos habituamos, principalmente após o fatídico 11 de Setembro de 2001.
Said (Nashef) e Khaled (Suliman), são dois amigos de infância que vivem em uma destruída cidade palestina (campo de refugiados), onde a miséria, a falta de oportunidades e o revanchismo contra Israel ocupam a cabeça de boa parte dos seus cidadãos, em especial os mais jovens. Said e Khaled são chamados então, por um grupo ultra-radical, a se tornarem homens bomba e realizar um atentado contra soldados israelenses na belíssima e “americanesca” Tel Aviv. O plano sofre um sério revés quando os amigos se separam e tem que alterar todo o plano de ataque. É nessa busca, um pelo o outro, que as principais questões do filme são colocadas, e onde também é discutido o próprio sentido de como reagir a uma situação como essa enfrentada pelos personagens. O que os motiva e até onde essas motivações podem levá-los?
A partir daí, o ótimo diretor/roteirista Hany Abu-Assad, passa a mostrar algumas razões que levam pessoas simples e comuns, sem nenhuma espécie de radicalismo político ou religioso, uma forte ligação familiar, a tomar formas tão drásticas de combate. Estariam os homens bombas realmente convictos da necessidade de se explodirem, no intuito de destruir alvos considerados inimigos? Seria a violência a melhor forma de lutar contra um sistema opressor, mesmo sendo ele exageradamente violento, como comprovadamente foi Israel em relação à Palestina?
Hany Abu-Assad também busca quebrar com seu filme alguns dos estereótipos em relação ao povo palestino, mostrando a heterogeneidade de pensamento daquele povo, que também acredita em formas pacíficas de luta como alternativas à violência. E apesar de ser uma produção palestina, e a história ser toda focada no ponto de vista desse povo, em nenhum momento ocorre uma demonização judia, bem diferente do que é visto em algumas declarações do governo americano, constantemente reproduzidas pela mídia e em vários filmes de Hollywood, onde a clara separação entre bem (EUA e aliados) e mal (resto do mundo que não aceita o domínio norte americano), juntamente com o medo do “terror” ocasionado por essa divisão são recursos de uso constante.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:00 am

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