MAIS DO MELHOR DE NOSSO CINEMA

“Filmes que brevemente devem estar saindo em DVD”


CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS


Direção: Marcelo Gomes.

Roteiro: Marcelo Gomes, Paulo Caldas e Karim Aïnouz.
Elenco: Peter Ketnath, João Miguel, Hermila Guedes, Oswaldo Mil, Irandhir, Fabiana Pirro, Verônica Cavalcanti.

Em “Cinema, Aspirinas e Urubus”, somos transportados ao cruel sertão nordestino, em Pernambuco, no ano de 1942. Nas vésperas de entrar no maior conflito mundial em todos os tempos, somos apresentados ao jovem alemão Johann, que fugindo da Alemanha para não fazer parte da guerra, torna-se vendedor de aspirinas nos quatro cantos do Brasil. Em uma dessas viagens, o alemão conhece Ranulfo, um nordestino como muitos, que pretende fugir do retrato de seca para iludido pela chamada “sorte na cidade grande”.
Essa dura realidade nordestina é mostrada em cada localidade que os novos amigos chegam para exibir e vender seu produto. Flagelados da seca fugindo para o Amazonas (os soldados da borracha) em busca de melhores oportunidades na extração de borracha. Enfim, pessoas de origens completamente diferentes que buscam sonhos semelhantes: alterar (fugir) de seus cruéis destinos.
A intolerância de Ranulfo com seu próprio meio, contrasta com a simpatia de Johann, que vê no Brasil e na “passividade” e “simplicidade” do povo brasileiro a realização do sonho de ficar longe de qualquer tipo de conflito militar. Já Ranulfo, é a caracterização perfeita do nordestino do interior (João Miguel perfeito), longe dos estereótipos tão comumente vistos em novelas.
A excelente fotografia do filme ressalta a monocromática (mas bela) paisagem sertaneja, tornando nosso árido clima em mais um personagem do filme. “Cinema, Aspirinas e Urubus” é a história de dois homens que nas muitas diferenças descobrem suas afinidades e semelhanças. Semelhanças essas que se encontram na busca das tão sonhadas liberdade e felicidade.
O filme de Marcelo Gomes iniciou sua temporada internacional esse ano nos Estados Unidos e vem sendo bastante elogiado pela crítica do país. Será que teremos novamente um representante 100% nacional no Oscar? Fica a torcida, pois “Cinema, Aspirinas e Urubus” merece.

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O FIM E O PRINCÍPIO


Direção: Eduardo Coutinho.

Depois de realizar alguns dos melhores documentários já feitos no Brasil, como “Cabra Marcado para Morrer” (na minha opinião, seu melhor filme), “Edifício Master”, “Peões” e “Santo Homem”; Eduardo Coutinho decide por modificar seu estilo de entrevistas e cria um de seus trabalhos mais humanos e emocionantes. Optando por não fazer nenhuma pesquisa e nenhum tipo de roteiro de perguntas para os entrevistados, o diretor e sua equipe dirigem-se ao sofrido (geograficamente falando) interior paraibano e escolhe uma grande família em uma pequena localidade.

Coutinho entrega a condução das entrevistas a uma jovem, parente da família, que escolheu os membros mais velhos e experientes para entrevistar (acho que por isso o filme ganhou esse nome). Cria-se então, uma obra com um forte teor sentimental, uma pequena mostra da enorme diversidade cultural nordestina. Um povo que inventa e reinventa sua cultura, religião e modos.
Impossível não se divertir com a senhora que só se sente bem em frente as câmeras se estiver bem vestida, ou com o casal que afirma categoricamente nunca ter brigado e discutem em plena entrevista. Ao mesmo tempo, é impossível não se emocionar com a luta diária que cada um enfrentou ou ainda enfrenta, com a hospitalidade dos entrevistados que buscam com o maior prazer dividir o pouco que tem.
Traição, Catolicismo Popular, Erudição, Medo da Morte e outros temas são discutidos de forma única e peculiar durante as filmagens. Um dos melhores documentários que já assisti e que vale muito a pena ser visto por todos.

7 comentários para “MAIS DO MELHOR DE NOSSO CINEMA”

  1. Não assisti O Fim e o Princípio, de Eduardo Coutinho (apesar de já ter visto Edifício Master e Cabra Marcado pra Morrer – com certeza, como você mesmo disse, seu melhor filme), mas quanto a Cinema, Aspirinas e Urubus, um espetáculo audiovisual. É pena as autoridades que regem o cinema nacional investirem em tantas porcarias (como Se eu fosse você e O Quatrilho, por exemplo) e filmes como este acabarem se autoproduzindo com muito custo. Abraços do crítico da caverna.

  2. Fábio disse:

    Eu tb não vi o do Coutinho cara (nem acredito que perdi, mesmo com vc avisando tantas vezes). O pior é que infelizmente é muito difícil encontrar os filmes dele em DVD. Só vi até o hoje o “Ed. Master”. O Cinema, Aspirinas e Urubus é realmente excelente! :)

  3. oi disse:

    oi valmir

  4. Eduardo disse:

    OI, TO PASSANDO SÓ PRA AVISAR QUE RESSUSCITEI MEU BLOG

  5. Anna disse:

    Eita q eu tb adorei esses dois filme!O Fim e o princípio, então é maravilhoso, me lembrou as pessoas do interior da minha família!É bom demais conversar com pessoas assim, verdadeiras!

  6. Pedro disse:

    Cara, vi os dois e tb achei filmes espetaculares. Não vi muito do Coutinho, mas assisti o do Edifício (Master). Esse é melhor do que ele. Agora quero ver esse Cabra Marcado, sobre o que é mesmo?

  7. Vladimir disse:

    O Cabra foi um projeto de duas etapas sobre a morte de um líder camponês durante o regime militar. A primeira etapa se passa ainda na década de 60 e não foi terminada por ter sido sensurada. 20 anos depois, Coutinho e sua equipe procuram as pessoas que participaram da primeira parte do filme e conclui esse magnífico documento histórico. Uma aula de cinema documental. Vale muito a pena ser visto Pedro, e talvez vc ainda encontre em algumas locadoras que trabalhem com VHS.