SUPERMAN, O RETORNO
(SUPERMAN RETURNS)
(SUPERMAN RETURNS)

Direção: Bryan Singer.
Roteiro: Michael Dougherty e Dan Harris.
Elenco: Brandon Routh, Kevin Spacey, Kate Bosworth, James Marsden, Frank Langella, Sam Huntington, Eva Marie Saint.
É interessante como a carreira do homem de aço nos cinemas é semelhante a do homem morcego (Batman). Ambas começaram com extrema qualidade e foram grandes sucessos de críticas e público, mas já no segundo filme passaram por uma queda que levou ao encerramento de ambas as séries, de forma desastrosa, em seu quarto filme. Vários anos depois desse encerramento da franquia, a Warner decidiu dar um novo rumo às aventuras do (kryptoniano) no cinema, contratando o diretor Tim Burton (responsável pelos 2 primeiros “Batman”) para isso. O problema na escolha do roteiro que seria trabalhado, além da dificuldade em escalar o ator que teria a ingrata missão de substituir Cristopher Reeve, acabaram afastando Burton do filme. Muitos outros assumiram a direção do projeto, mas logo abandonaram o barco. Até Bryan Singer chegar e ocupar o lugar, com a moral de ter ressuscitado os filmes baseados em HQ’s, com os excelentes X-Men 1 e 2.
Então, 28 anos após a realização do clássico filme de Richard Donner sobre o herói mais poderoso dos quadrinhos e depois de filmes muito mal realizados que levaram a um grande hiato na carreira do personagem nos cinemas, temos mais uma vez a alegria de ver uma boa superprodução sobre o filho de Krypton. Mas é uma pena o filme não ter atingido as grandes expectativas que giravam em relação a ele.
Superman, o Retorno, pode, em minha opinião, ser visto de duas maneiras. Primeiramente como uma continuação da saga a partir do segundo filme, onde a história escolhida, não passa de um plágio embelezado por maravilhosos efeitos especiais, da história escrita por Mario Puzo para o primeiro filme. Em segundo lugar, podemos vê-lo como um trabalho semelhante ao feito por Sam Raimi em seu “Uma Noite Alucinante”, ou seja, o filme representaria ao mesmo tempo, um remake do filme original e uma continuação a partir do segundo filme. Tentarei ser ainda mais claro. É estranhíssimo ter nos dois filmes Lex Luthor como vilão, desenvolvendo exatamente o mesmo plano nas duas histórias (pelo amor de Deus, até a comparsa que ajuda o vilão e no final se arrepende está presente). Alterar a geografia do mundo e destruir milhões de vidas para lucrar através da especulação imobiliária. Seria, então, o senhor Luthor realmente um dos mais perigosos vilões que já existiram, ou apenas um especulador megalomaníaco? Infelizmente, até o momento, esse foi um personagem extremamente mal trabalhado no cinema. Apesar do Luthor interpretado por Kevin Spacey se aproximar um pouco mais do desejado pelos fãs dos quadrinhos, do que o pateta interpretado por Gene Hackman em “Superman II”.

Mas vamos à história do novo filme, em si. Após derrotar os três Kryptonianos sob comando do General Zod e levar Lex Luthor a prisão (como visto em “Superman II”), a Terra passa por um certo momento de calmaria. Na esperança de descobrir mais sobre si mesmo e de encontrar vestígios de seu planeta natal, Superman segue informações de alguns cientistas e parte para o espaço em busca de Krytpon. 5 anos se passam e ele retorna, encontrando grandes mudanças no mundo e na vida das pessoas que ama. Resolveram seguir em frente, tentando esquecer o seu inexplicado sumiço. A pessoa mais importante para o Super, sua amada Lois Lane (Kate Bosworth), é a personagem que passa por uma mudança mais significativa, tornou-se mãe e vive ao lado do sobrinho do editor do seu jornal, o jovem piloto Richard White (James Marsden), além disso, Lois realizou seu grande sonho, o de ganhar o prêmio Pultizer. Então, além de enfrentar todos esses problemas dentro de sua vida pessoal e provar a todos que ainda continua sendo necessário a quem ele jurou sempre proteger, Superman tem que impedir que os planos de massacre especulativo global de Luthor se realizem.
Além da falta de imaginação do roteiro (ainda me pergunto pra que cargas d’água foram inventar essa baboseira sem sentido do fillho de Lois), o filme ainda enfrenta problemas em relação ao carisma dos atores, principalmente os que substituíram Cristopher Reeve e Margot Kidder. Nesse caso, Brandon Routh até que se esforçou, mas a sua inexperiência, misturada com sua inexpressividade acabaram prejudicando-o bastante e infelizmente isso não fez com que criássemos uma cumplicidade com o personagem, nem sua semelhança física com seu antecessor o ajudou. É só voltar ao filme de 78 e rever a cena em que Lois Lane morre no terremoto. Quando você vir à expressão de Reeve na cena, vai entender perfeitamente o que estou falando. Isso sem falar no fabuloso trabalho que o ator fez para diferenciar o herói de seu alter ego. O mesmo cabe para a intérprete de Lois Lane (Bosworth), que se mostra completamente apagada, sem nem um traço da vitalidade demonstrada por Kidder nos primeiros filmes. Já Kevin Spacey, como falei antes, dá a carga de sarcasmo e ironia que eu sempre quis ver nesse personagem, o que mostra que provavelmente o filme teria sido melhor sucedido se Brian Singer tivesse escolhido atores já consagrados para todo o elenco principal do seu filme.
Acredito que Singer tinha tudo, principalmente dinheiro, para fazer de “Superman, o Retorno”, um filme memorável, mas infelizmente isso não aconteceu (e para mim a maior culpa se encontra na má escolha do roteiro), e agora, corremos o risco de nunca mais ver um filme do homem de aço nos cinemas.

CURIOSIDADES:
* O Tema original criado por John Willians é utilizidado no filme, assim como a abertura e o encerramento do filme são idênticos aos primeiros.
* O Superman de Singer retoma a abordagem religiosa dada por Richard Donner ao personagem. No filme de 1978, Superman vinha à Terra como seu salvador. Com poderes milagrosos e uma índole celestial, passou por um desconhecido período de reclusão na Fortaleza da Solidão antes de se apresentar ao mundo, exatamente como o Cristo bíblico. Em vários momentos de “O Retorno”, essa visão é retomada.
* Foram gastos aproximadamente 250 milhões de dólares nesse filme. Devido à frieza do público norte americano nos cinemas, uma continuação dependeria de um futuro sucesso de vendas em DVDs.
* Por uma grande ironia, Brett Ratner esteve temporariamente no posto de diretor de “Superman, O Retorno”, depois de um tempo, abandonou o projeto e foi contratado para tomar conta do filme que Brian Singer havia desistido (X-Men 3). Pra azar de Singer, X3 tornou-se espetacular e sucesso absoluto de bilheteria, enquanto seu Superman anda caindo pelas tabelas, como se estivesse sob efeito de um ataque de kryptonitas.






