Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


30/8/2006

CABRA CEGA







Direção: Toni Venturi.

Roteiro: Di Moretti, baseado em argumento de Fernando Bonassi, Roberto Moreira e Victor Navas.
Elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc, Jonas Bloch, Michel Bercovitch, Bri Fiocca.

A ditadura militar estabelecida no Brasil de 1964 a 1985, é um importante e rico capítulo de nossa história ainda mal explorado pelo cinema. Para o bem ou para o mal, as lutas políticas diretas e indiretas que ocorreram no período, sejam elas pró ou contra o repressor governo dos militares, renderam episódios realmente cinematográficos, como o Congresso de estudantes da UNE encerrado a força em Ibiúna; A Guerrilha do Araguaia; O seqüestro de vários embaixadores estrangeiros por pequenos grupos armados; a prisão seguida de morte de históricos combatentes do regime, como Vladimir Herzog e Frei Tito de Alencar; e o exílio forçado de vários artistas e políticos com idéias divergentes, consideradas comunistas. Mas longe desses grandes atos que o cinema sempre prefere, temos o principal, e que vinha sendo deixado de lado até o momento. O papel dos homens e mulheres comuns que lutaram nesse período, entregando suas vida pela causa. “Cabra Cega” preenche formidavelmente um pouco dessa imensa lacuna.
Aos poucos, terminada a ditadura e virando definitivamente essa página de nossa história, temos uma feliz onda de projetos ligados ao assunto, como o filme indicado ao Oscar, “O que é isso companheiro”, “Lamarca” e os mais recentes “Zuzu Angel” e “Cabra Cega”. De todos eles, o último é sem dúvida o de maior qualidade. O filme do bom diretor Toni Venturi e protagonizado pelo ótimo ator, Leonardo Medeiros, tem como foco o período de maior dureza do regime, onde os principais grupos combatentes foram desbaratados e seus combatentes torturados e assassinados. Mas o diferencial de “Cabra Cega”, não se encontra em seu apuro histórico ou por querer justificar qualquer um dos lados (militares ou guerrilheiros). Sua força está em mostrar o lado mais humano da luta, onde pessoas normais eram as responsáveis por tudo o que ocorreu. Nada de bem contra mal, ou de militares quase robôs contra super-humanos amantes da liberdade. São apenas pessoas com ideais completamente diferentes levando ao máximo as suas convicções.
O filme foca-se em Thiago (Medeiros), que após ser perseguido e ferido, é obrigado a esconder-se na casa de um estranho que luta pela mesma causa, mas sem agir diretamente. Rosa (Débora Duboc) é a jovem militante designada por seu grupo para tratar seus ferimentos e ser uma espécie de contato com a liderança da guerrilha. Thiago é obrigado a viver preso, entre quatro paredes, proibido até de olhar pelas janelas, cego ao restante do mundo, como o título do filme. A moça, o jovem arquiteto dono do refúgio e uma senhora idosa moradora do apartamento ao lado, são seus únicos contatos com o mundo exterior. O tempo passa e a agonia de viver confinado e o medo de ser preso, vão aos poucos destruindo a sanidade do personagem, levando-o a cometer erros que podem tornar realidade seus maiores medos.
A direção de Venturi é algo a se destacar. O filme usa e abusa de tomadas de câmera diferentes, cheias de movimentos, o que acaba dando a idéia de claustrofobia sentida pelo personagem principal, além de aumentar a intensidade do filme e a sensação de urgência que o roteiro passa a todo o momento. A trilha sonora é belíssima e extremamente bem colocada, com destaque para as versões das músicas “Construção” e “Roda Viva” do mestre Chico Buarque, assim, aproximando bem, a obra do período retratado. O roteiro muito bem escrito por Di Moretti, com um final instigante, completa esse, que em minha opinião é um dos melhores exemplares de nosso cinema.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:49 am

25/8/2006

VIAGEM MALDITA
(THE HILL HAVE EYES)






Direção: Alexandre Aja.
Roteiro: Alexandre Aja e Grégory Lavasseur.
Elenco: Michael Bailey Smith, Ted Levine, Kathleen Quinlan, Dan Byrd, Emilie de Ravin, Aaron Stanford, Vinessa Shaw, Robert Joy, Laura Ortiz, Ezra Buzzington.

Em uma viagem de comemoração, uma família acaba caindo nas mãos de um grupo de sádicos canibais deformados por radiação nuclear. “Viagem Maldita” segue bem a linha de filmes como “O Massacre da Serra Elétrica”, “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” e “O Albergue”, onde um determinado grupo de pessoas após serem enganados por um desconhecido, segue uma estrada que os leva a um local ermo e inóspito, caindo em uma terrível e mortal cilada.
Apesar dos muitos clichês do gênero também fazerem parte dessa obra (o cemitério de carros abandonados, os sustos causados pela elevação do som em determinados momentos, a eterna burrice de alguns personagens, o famoso atalho dado por um esquisito estranho etc), o jovem diretor Alexandre Aja segura bem esse remake do filme “Quadrilha de Sádicos” (Was Craven – 1977) e cria mais um bom suspense do estilo, bastante visceral e com personagens muito bem construídos, acompanhado dos necessários sustos, sangue, suor e lágrimas. No bom elenco encontram-se o irreconhecível Aaron Stanford como Doug (Completamente diferente do Pyro de “X-Men” e mostrando ser um bom ator) e Emilie de Ravin como a adolescente Brenda (A Claire de “Lost”, mais um ator da série sendo bem aproveitado nos cinemas).
Filmes como esse, quando bem feitos, sempre serão assustadores, pois o “mal” que os personagens tem que enfrentar não possui nenhuma origem sobrenatural. Geralmente são pessoas normais com sérios distúrbios psicológicos e familiares. Pessoas que vemos diariamente nos jornais sendo presas ou mortas depois de terem cometidos crimes tão ou mais perversos e absurdos como os mostrados nesses filmes.
Ótimo para os apreciadores do estilo e divertido para quem tem o estômago forte e gosta de um bom suspense.

Arquivado em: — Vladimir @ 6:55 pm

22/8/2006

PIRATAS DO CARIBE: O BAÚ DA MORTE
(PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN’S CHEST)







Direção: Gore Verbinski.
Roteiro: Ted Elliott e Terry Rossio.
Elenco: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Bill Nighy, Stellan Skarsgard, Jack Davenport, Kevin McNally, Naomie Harris, Jonathan Pryce, Tom Hollander.

Quem imaginaria que um filme inspirado em um famoso brinquedo da Disneylândia se tornaria em uma das franquias mais divertidas e lucrativas ( a espectativa é que ele seja o terceiro filme na história a quebrar a barreira de 1 bilhão de dólares arrecadados somente nos cinemas) do início desse século?
Piratas do Caribe mostrou a toda uma geração de cinéfilos que filmes de piratas com boas histórias e com bons personagens ainda valiam a pena serem feitas. Lutas de espadas bem coreografadas, personagens bem construídos representados por bons atores que realmente se doam em seus papéis (apesar da limitação de alguns), transparecendo que gostam de estar no filme. Histórias que nunca deixam cair o ritmo (sempre alucinante), evitando qualquer tipo possível de monotonia.
Nessa nova aventura, o afetado pirata Jack Sparrow e seus piratas têm que encontrar um misterioso baú, pois seu conteúdo pode encerrar uma antiga e terrível maldição lançada pelo monstruoso pirata Davy Jones ao Capitão do Pérola Negra, e mais, seu conteúdo dá ao seu portador o controle de uma terrível criatura, o mitológico Kraken. Já o jovem Will Turner (Bloom) e sua noiva Elizabeth (Knightley) se juntam a aventura após terem seu casamento adiado e suas prisões decretadas por ajudar na fuga do pirata (como mostrado no primeiro filme). Para evitar a provável execução de ambos, Will tem que encontrar Jack Sparrow e tomar dele um estranho objeto mágico.
Os principais personagens do primeiro filme estão de volta nessa continuação, além da excelente adição de outros ótimos atores como Stellan Skarsgard como o amaldiçoado Bill “alça de bota” Turner, pai de Will e o grande Bill Nighy (que rouba a cena juntamente com Johnny Depp) como Davy Jones, Capitão do Holandês Voador e dono do cortejado baú.
Não há como falar de Piratas do Caribe sem elogiar o grande trabalho realizado por diretor Gore Verbinski, que conseguiu fazer dessa continuação um filme ainda melhor que o primeiro, com cenas de ação muito mais elaboradas e uma história bem mais complexa e grandiosa que a primeira (o final do filme é sensacional!). Momentos de tensão e suspense são sempre intercalados com ótimas lutas de espada e um grande senso de humor. Elementos fundamentais para o sucesso do filme. Outro grande responsável pelo sucesso da franquia é sem dúvida alguma, o ator Johnny Depp. Responsável pela criação de um dos melhores personagens de filmes de ação em muitos anos. Jack Sparrow mescla a todo momento grandes atos heróicos com o mais profundo egoísmo e egocentrismo. Genial!
O filme ainda possui uma trilha sonora super empolgante, o que nos deixa com vontade de correr para um barco e pilhar alguns portos assim que deixamos o cinema.

PS: Existe uma cena após a exibição dos créditos do filme, portanto, tenha paciência, curta a melhor música do filme e aguarde o final.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:47 am

19/8/2006

SYMPATHY FOR MR. VENGEANCE






Diretor: Chan Wook Park.

Roteiro: Chan Wook Park.

Elenco: Song Kang-ho, Shin Ha-gyun, Bae Du-na, Lim Ji-eun, Han Bo-bae, Kim Se-dong, Lee Dae-yeon.

Ryu (Shin), surdo-mudo, cuida da irmã doente (Lim), que necessita de um transplante de rim urgente para sobreviver. Desesperado, Ryu entra em contato com perigosos traficantes de órgãos para através de um ato extremo, conseguir salvar sua irmã. Enganado pelos perigosos bandidos, e sem nenhum dinheiro para ajudar no tratamento, Ryu e sua namorada decidem partir para a criminalidade e seqüestrar a filha de um abastado milionário.

Os personagens são, então, envolvidas em um terrível labirinto de tristes acasos e erros fatais que levam a situações extremas onde todos, mesmo com todas suas motivações e cheios de razões, com certeza, sairão derrotados.

“Sympathy” é, sem dúvida, muito mais cru e contundente que “Oldboy”. Se o outro possuía um certo clima de humor dentro de toda sua forte carga dramática, “Sympathy For Mr. Vengeance” passa longe de possuir essa característica, sendo, portanto, um filme muito mais cruel e denso que o outro. A dor sentida pelas personagens em cada ato cometido é sentida pelo espectador, como se nós mesmos estivéssemos cometendo-os. As cenas violentas são completamente justificadas e nunca gratuitas.

Chan Wook Park cada vez mais se finca na minha lista de grande revelação (direção), criando mais uma excelente obra, que apesar de não tão boa quanto “Oldboy”, mostra-nos mais uma vez a qualidade do cinema oriental e a própria renovação do cinema.

CRÍTICA DE OLDBOY

Arquivado em: — Vladimir @ 12:07 pm

18/8/2006

OS SEM FLORESTA
(OVER THE HEDGE)






Direção: Tim Johnson e Karey Kirkpatrick.
Roteiro: Len Blum, Lorne Cameron, David Hoselton e Karey Kirkpatrick.
Elenco (Vozes): Bruce Willis (RJ), Garry Shandling (Verne), Steve Carell (Hammy), Wanda Sykes (Stella), William Shatner (Ozzie), Nick Nolte (Vincent), Thomas Haden Church (Dwayne), Allison Janney (Gladys), Eugene Levy (Lou).

Simpático filme sobre um pequeno e heterogêneo grupo de animais (tartaruga, esquilo, gambá etc) que vivem em paz em uma pequena floresta, até que após acordar de mais um longo inverno, descobrem que sua floresta foi cercada por um grande condomínio de luxo, o que dificultará bastante à coleta de alimentos para o próximo inverno. A preocupação dos animaizinhos acaba quando um esperto guaxinim chega a floresta e realiza uma grande revolução na alimentação de todos, que passam a buscar as comidas industrializadas dos moradores do condomínio para sobreviver.
Se em relação à criatividade a Pixar ainda reina absoluta, a coisa muda quando passamos ao apuro técnico dos outros estúdios que realizam esse mesmo tipo de animação digital. Outros grandes estúdios, como a Fox (”Robôs” e “A Era do Gelo”) e a Dreamworks (”Sherk”) também investem forte nesse segmento, já se aproximando, pelo menos tecnicamente, da famosa afiliada da Disney. Infelizmente, esses estúdios ainda não possuem o apuro e o cuidado da Pixar em suas obras, já que entopem o mercado com diversos lançamentos que na realidade, nunca deveriam ter saído da mesa de reuniões dos estúdios.
“Os Sem Floresta”, fala de amizade, espírito de união, redenção e perdão. Temas presentes em 99% de todos os desenhos animados que já foram feitos para o cinema até hoje. O diferencial se encontra principalmente nos personagens simpáticos e bastante divertidos (como o alucinado esquilo) que tornam esse filme uma excelente opção para levar o seu filhinho ou aquele sobrinho que ainda não está na idade de ver as aventuras do pirata Jack Sparrow na sala ao lado.

Arquivado em: — Vladimir @ 7:19 pm

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