Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


30/9/2006

DOOM - A PORTA DO INFERNO
(DOOM)






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Direção: Andrzej Bartkowiak.
Roteiro: Dave Callaham e Wesley Strick.
Elenco: Dwayne “The Rock” Johnson, Karl Urban, Rosamund Pike, Deobia Oparei, Ben Daniels, Razaaq Adoti, Richard Brake, Dexter Fletcher, Brian Steele.

Uma das primeiras coisas que vem na cabeça de todas as pessoas que conhecem o jogo de computador “Doom”, é com certeza a visão do jogador, mostrada sempre em primeira pessoa, como se o jogador estivesse realmente dentro do jogo. Outra coisa que deve ter vindo na cabeça das pessoas logo que foi anunciada essa adaptação para o cinema, é que o filme estaria repleto de cenas que lembrasse o clássico jogo, principalmente as referentes à ação em primeira pessoa. Mas, infelizmente, “Doom – A Porta do Inferno” é uma decepção em todos os sentidos.
Personagens mal escritos e sem nenhuma profundidade, história batida e repleta de clichês e o pior, uma única e curtíssima seqüência de ação que remete ao jogo.
Em um futuro não tão próximo, “Doom”, apresenta um grupo de táticas especiais liderado por Sarge (The Rock). O grupo tem que deixar de lado suas aguardadas férias e partir para o resgate de alguns cientistas que estão sendo atacados por algo desconhecido e letal em um laboratório situado no então colonizado planeta Marte. Ao defrontarem esse desconhecido e assustador mal, inicia-se a carnificina onde apenas os atores mais conhecidos agüentarão até o, nada surpreendente, final do filme, onde ocorrerá o grande embate entre o “bem” e o “mal”. Blargh!!!

Arquivado em: Vladimir @ 9:26 pm

12/9/2006

A DAMA NA ÁGUA
(LADY IN THE WATER)







Direção: M. Night Shyamalan.
Roteiro: M. Night Shyamalan.
Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Noah Gray-Cabey, Jessica Graham, Cindy Cheung.

Infelizmente foi imposto pela mídia e pelos próprios espectadores, um complicado estigma, em cima das obras do produtor/roteirista/diretor(e ator) M. Night Shyamalan. Depois de deixar todos boquiabertos e arrepiados no final de seu filme de estréia, o “Sexto Sentido”; realizar sua magnífica (para mim seu melhor filme) visão de um mundo com super heróis e super vilões em o “Corpo Fechado”; decepcionar com a conclusão de seu filme mais assustador, “Sinais”; e finalmente recuperar o fôlego através de seu filme mais crítico, “A Vila”; o onipresente Shyamalan parte para seu quinto filme, dessa vez dando vida a uma simples história de ninar criada para seus filhos.
Apesar de criar aqui sua obra menos significativa e mais contestada, em minha opinião, “A Dama na Água” não pode ser considerado um filme ruim, já que mantém todas as grandes características técnicas que tornaram Shyamalan um dos melhores diretores da atualidade (o conhecido clima de suspense, um bom trabalho de elenco, os famosos enquadramentos utilizados pelo diretor em todos os seus filmes, onde a reação dos atores em determinadas cenas é tão importante quanto os diálogos dos personagens, etc). Mas enquanto sua qualidade de diretor continua inabalável, infelizmente sinto uma queda vertiginosa em relação ao seu trabalho como escritor. Em minha opinião, isso ocorre devido a esse forte estigma citado no início da resenha, onde Shyamalan parece sentir-se sempre obrigado a criar filmes marcantes, com finais surpreendentes. Obras que não deixem dúvidas sobre sua genialidade enquanto diretor/escritor.
Em “A Dama na Água”, acompanhamos Cleveland (Paul Giamatti - mais uma vez ótimo), o simples e tímido zelador de um pequeno condomínio familiar norte americano. Cleveland é um homem comum, mas portador de um triste segredo que modificou sua vida e o fez tornar-se uma pessoa reclusa, aparentemente infeliz e de poucos amigos. Ao encontrar uma misteriosa e fantástica banhista chamada Story (Bryce Dallas Howard), uma espécie de ninfa do mar que se banha na piscina em horários proibidos, o zelador é atirado no meio de uma fantástica e perigosa trama, onde seres estranhos e pertencentes a uma antiga história de ninar, lembrada por poucos, tomam vida e invadem e modificam o cotidiano dos moradores do pequeno condomínio. Cleveland então, junta-se a outros moradores do condomínio para ajudar Story a voltar a seu mundo, além de protegê-la de seres malignos e perigosos que farão tudo para evitar que isso ocorra.
A história criada por Shyamalan tem uma fortíssima influência do material escrito por J. R. R. Tolkien em suas obras mais importantes, principalmente no referente aos seres fantásticos, que parecem ter sido retirados diretamente da Terra Média “tolkeniana”.
“A Dama na Água” possui realmente muitas falhas, e as principais, em minha opinião, se encontram na aparente tranqüilidade com que os personagens recebem esses estranhos seres e essa fantástica história. Também parece conveniente demais existir uma pessoa que conheça toda essa história e que através desse seu conhecimento, tudo seja aceito e seguido como um livro de receitas por todos os envolvidos. Também parece excessivamente desnecessária a forma “a conta gotas” de como essa história se torna conhecida por Cleveland, o que acaba quebrando muito o ritmo da história.
Será que já não estaria na hora de Shyamalan trabalhar em projetos escritos por outros roteiristas? Talvez, assim, esse desgaste que ele vem sofrendo a cada filme diminuísse, trazendo alguns momentos de paz ao diretor, que poderia aproveitar esses momentos para criar uma história realmente digna de seus dois primeiros trabalhos.

Arquivado em: Vladimir @ 5:03 pm

9/9/2006

LAVOURA ARCAICA







Direção: Luiz Fernando Carvalho.
Roteiro: Luiz Fernando Carvalho.
Elenco: Raul Cortez, Selton Mello, Juliana Carneiro da Cunha, Leonardo Medeiros, Mônica Nassif, Christiana Kalache, Caio Blat, Renata Rizek, Simone Spoladore, Pablo César Câncio, Leda Samara Antunes.

Em Lavoura Arcaica tudo parece ter sido minimamente trabalhado em busca de uma perfeição estética. O roteiro inteligente expresso pelo discurso das personagens que lembram em muito um recital poético, a esplêndida e lírica fotografia; a interpretação magnânima de todo elenco unida à belíssima trilha sonora oriental tornam esse filme nacional uma verdadeira obra-prima.

André (Selton Mello), filho de uma numerosa família descendente de Sírio-Libaneses que vivem do campo, abandona o lar por motivos que vamos descobrindo ao longo do filme através de flashbacks compartilhados com o irmão mais velho Pedro, incubido de trazê-lo de volta ao seio familiar, que tem como chefe o personagem interpretado impecavelmente por um altivo e estóico Raul Cortez.

Lavoura Arcaica é muito mais que um filme sobre a família ou relações familiares. É sobre sentimentos enclausurados e sua necessidade de aconchego afetivo. Lavoura Arcaica é cinema nacional de altíssima qualidade, mas incrivelmente despercebido pelo grande público.

Por Sérgio A. Mendonça Filho
Colaborador do Blog LITERATURA FANTÁSTICA

Arquivado em: Vladimir @ 3:15 pm

5/9/2006

A CASA MONSTRO
(MONSTER HOUSE)






Direção: Gil Kenan.
Elenco: Mitchel Musso, Sam Lerner, Spencer Locke, Steve Buscemi, Nick Cannon, Matthew Fahey, Maggie Gyllenhaal, Kathleen Turner, Jason Lee.

D.J. é um garoto comum, membro de uma família comum, residindo em uma rua comum, de um bairro comum em uma cidade comum. Entrando na puberdade e fascinado em observar os atos de um vizinho recluso, D.J tem toda essa normalidade de sua vida quebrada, quando ele e seu atrapalhado amigo, Bocão, tem que pegar uma bola de basquete no gramado da casa do tal vizinho recluso, que odeia crianças e quem quer que chegue próximo de sua casa, que por sinal, é digna dos melhores filmes de terror já feitos. O confronto entre as crianças e o velho acaba em um terrível acidente, que leva ao despertar de algo muito mais assustador e perigoso que as costumeiras rabugices do dono da casa. Então, quando uma menina é atacada pela casa e os amigos decidem salvá-la, eles passam a lutar de todas as formas contra os perigos criados pela demoníaca Mansão.
Steven Spilberg e Robert Zemecks se unem ao diretor Gil Kenan para realizar “A Casa Monstro”. Uma animação nos mesmos moldes do, para mim, razoável “Expresso Polar”, com a utilização da tecnologia que capta os movimentos diretamente de atores de carne e osso e digitaliza-os na tentativa de torná-los mais reais. Mas nesse caso, a animação não é utilizada na tentativa de recriar com perfeição as formas humanas dos atores por trás das vozes, e a preferência aqui está na criação de formas mais cartunescas para os personagens, o que torna o filme muito mais divertido e verdadeiramente com cara de desenho animado. Mas mesmo se tratando de uma animação protagonizada por crianças e criada direcionada a esse público, “A Casa Monstro” possui uma história que pode até ser considerada um pouco pesada (uma casa sedenta de vingança e engolidora de pessoas não é algo muito leve ou infantil), cheia de momentos realmente assustadores. Por outro lado, o filme é repleto de cenas alucinantes, misturadas com um ótimo senso de humor que com certeza agradará bastante os pimpolhos e seus acompanhantes.
Como defeito, a história apresenta alguns absurdos primários e impressionantes como: a ausência de pessoas nas ruas, mesmo com todo o barulho e destruição causados pela casa enlouquecida em determinado momento do filme; D. J. apresenta sinais de sua puberdade logo no início do filme, o que não é mais abordado em nenhum momento, o que torna a cena, engraçada por sinal, completamente desnecessária; em determinado momento do clímax do filme, um paciente chega à casa em uma ambulância, e parece que os animadores simplesmente esqueceram de incluir os para-médicos que deveriam acompanhar o paciente; e por aí vai. Felizmente, nada que estrague o filme, que vale muito a pena ser visto.

Arquivado em: Vladimir @ 3:01 pm

2/9/2006

REJEITADOS PELO DIABO
(THE DEVIL’S REJECTS)





(_*_)

Direção: Rob Zombie.
Roteiro: Rob Zombie.
Elenco: Bill Moseley, Sidd Haig, Leslie Easterbrook, William Sadler, Sheri Moon Zombie.

Confesso que tive uma boa surpresa quando vi o primeiro do músico Rob Zombie. “A Casa dos 1.000 Mortos” lembra bastante o terror proposto por Tob Hopper em seu clássico “Massacre da Serra Elétrica”, onde uma família de psicopatas causa terror e morte a muitos viajantes em total segredo, aumentando consideravelmente, mas incrivelmente nunca o bastante para uma atitude das autoridades locais, o índice de desaparecidos na região.
Apesar desse vigor para o grotesco ainda estar bem presente nessa continuação, o lado visceral e cru proposto por Hopper continua sendo também abordado com louvor por Zombie, mas infelizmente o que se percebe, é a tentativa do diretor em não cair no erro de apenas repetir os elementos do primeiro filme nessa continuação, tentando remodelar seus personagens, através de uma grande reviravolta no final, onde os vilões passam a ser vítimas e seu caçador, um obcecado policial passa a ser o vilão enlouquecido da história. Mudança que para mim acabou não sendo muito feliz, já que, simpatia e compaixão por um grupo de psicopatas necrófilos canibais, não são muito fáceis de se conseguir.
“Rejeitados…” inicia com um maciço ataque a casa maldita do primeiro filme, fugindo como podem, os irmãos Otis e Baby procuram apoio do pai, Capitão Spalding, para fugir da polícia e do policial louco. A família decide então ir até um bordel controlado pelo irmão do palhaço Cap. Spalding, mas no caminho, cometem vários crimes no mesmo estilo dos que os tornaram famosos.
Então, o segundo filme de Hopper, é na minha opinião, inferior ao primeiro, talvez pelo excesso de pretensão do seu realizador, que deve ter acreditado que seus personagens possuíam a mesma força de um “Leather Face” ou um “Jason Vorhes”. Infelizmente esse não é o caso.

Arquivado em: Vladimir @ 7:39 pm

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