
Direção: M. Night Shyamalan.
Roteiro: M. Night Shyamalan.
Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Noah Gray-Cabey, Jessica Graham, Cindy Cheung.
Infelizmente foi imposto pela mídia e pelos próprios espectadores, um complicado estigma, em cima das obras do produtor/roteirista/diretor(e ator) M. Night Shyamalan. Depois de deixar todos boquiabertos e arrepiados no final de seu filme de estréia, o “Sexto Sentido”; realizar sua magnífica (para mim seu melhor filme) visão de um mundo com super heróis e super vilões em o “Corpo Fechado”; decepcionar com a conclusão de seu filme mais assustador, “Sinais”; e finalmente recuperar o fôlego através de seu filme mais crítico, “A Vila”; o onipresente Shyamalan parte para seu quinto filme, dessa vez dando vida a uma simples história de ninar criada para seus filhos.
Apesar de criar aqui sua obra menos significativa e mais contestada, em minha opinião, “A Dama na Água” não pode ser considerado um filme ruim, já que mantém todas as grandes características técnicas que tornaram Shyamalan um dos melhores diretores da atualidade (o conhecido clima de suspense, um bom trabalho de elenco, os famosos enquadramentos utilizados pelo diretor em todos os seus filmes, onde a reação dos atores em determinadas cenas é tão importante quanto os diálogos dos personagens, etc). Mas enquanto sua qualidade de diretor continua inabalável, infelizmente sinto uma queda vertiginosa em relação ao seu trabalho como escritor. Em minha opinião, isso ocorre devido a esse forte estigma citado no início da resenha, onde Shyamalan parece sentir-se sempre obrigado a criar filmes marcantes, com finais surpreendentes. Obras que não deixem dúvidas sobre sua genialidade enquanto diretor/escritor.
Em “A Dama na Água”, acompanhamos Cleveland (Paul Giamatti - mais uma vez ótimo), o simples e tímido zelador de um pequeno condomínio familiar norte americano. Cleveland é um homem comum, mas portador de um triste segredo que modificou sua vida e o fez tornar-se uma pessoa reclusa, aparentemente infeliz e de poucos amigos. Ao encontrar uma misteriosa e fantástica banhista chamada Story (Bryce Dallas Howard), uma espécie de ninfa do mar que se banha na piscina em horários proibidos, o zelador é atirado no meio de uma fantástica e perigosa trama, onde seres estranhos e pertencentes a uma antiga história de ninar, lembrada por poucos, tomam vida e invadem e modificam o cotidiano dos moradores do pequeno condomínio. Cleveland então, junta-se a outros moradores do condomínio para ajudar Story a voltar a seu mundo, além de protegê-la de seres malignos e perigosos que farão tudo para evitar que isso ocorra.
A história criada por Shyamalan tem uma fortíssima influência do material escrito por J. R. R. Tolkien em suas obras mais importantes, principalmente no referente aos seres fantásticos, que parecem ter sido retirados diretamente da Terra Média “tolkeniana”.
“A Dama na Água” possui realmente muitas falhas, e as principais, em minha opinião, se encontram na aparente tranqüilidade com que os personagens recebem esses estranhos seres e essa fantástica história. Também parece conveniente demais existir uma pessoa que conheça toda essa história e que através desse seu conhecimento, tudo seja aceito e seguido como um livro de receitas por todos os envolvidos. Também parece excessivamente desnecessária a forma “a conta gotas” de como essa história se torna conhecida por Cleveland, o que acaba quebrando muito o ritmo da história.
Será que já não estaria na hora de Shyamalan trabalhar em projetos escritos por outros roteiristas? Talvez, assim, esse desgaste que ele vem sofrendo a cada filme diminuísse, trazendo alguns momentos de paz ao diretor, que poderia aproveitar esses momentos para criar uma história realmente digna de seus dois primeiros trabalhos.
Mesmo depois de tantas criticas que li em varios sites sobre este filme, minhas espectativas sobre este filme continua inabalavel, creio que com todos os defeitos a obra ainda é melhor do que grande parte dos filmes que tem lotado as locadoras e cinemas por ai…
Juro por Deus que até hoje consegui definir com certeza qualo objetivo do cinema de Shyamalan. Até agora de sua estranha carreira cinematográfica, o mais perto que ele chegou de me entusiasmar foi com A Vila. O que esperar dele nesse A Dama Na Água? não faço idéia. Prefiro esperar o lançamento em DVD e guardar meu dinheiro para ver A Dália Negra. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.
Temos opiniões bem diversas sobre determinados fatores. Em primeiro lugar, considero SINAIS disparado a melhor obra do diretor. E não há um único furo ou defeito na conclusão de Sinais. Mas, deixando esta discussão de lado, depois de tantas resenhas negativas estou quase desistindo de conferir sua mais nova realização. E olha que sou admirador do cinema do cara!
Cara, nem se você lembra de im pra falar a verdade, eu tinha um blog de cine, o Portal Cine. Enfim, escrevi algo lá avisando de uma volta em dezembro, se quiser passar lá e deixar um comentário. Abraço!
http://www.portalcine.blogger.com.br
Cara, nem estou com muita vontade de ver esse filme no cinema. Quando sair em DVD eu vejo. Acho que esse deve ser o pior do Shyamalan.
Vladimir, concordo com boa parte de sua crítica. Também penso que este filme não é tão mau quanto querem os críticos. Até porque estes são suspeitos depois do sarro que o Shyamalan tira deles na fita. Deixei um convite para você no Cinelândi@. Um abraço!
Vladimir, voltei aqui nesse mesmo comentário para divulgar um novo espaço cultural na internet (um projeto do qual esotu participando): reacaocultural.blogspot.com (cinema, literatura, política, arte, indignação, poesia, denúncia, e mais, muito mais). Reaja com a gente! Toda ação conduz a uma reação. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.