Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


24/10/2006

TODO O MUNDO EM PÂNICO 4
(SCARY MOVIE 4)






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Direção: David Zucker.

Roteiro: Craig Mazin e Jim Abrahams.
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Charlie Sheen, Craig Bierko, Rorelee Tio, Chris Williams, Simon Rex.

A alteração da máxima “no amor, na guerra e no cinema vale tudo” caberia perfeitamente para muitos dos estúdios cinematográficos de Hollywood. Nesse caso, o quarto filme da série “Todo Mundo em Pânico” seria um exemplo perfeito disso. Dessa vez, assumindo a cadeira de diretor, encontramos David Zucker, responsável por filmes como “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” e sua continuação. Um diretor que pode ser considerado um dos criadores desse gênero pastelão de comédia utilizado nessa série de filmes. Infelizmente, tanto o estilo como a própria série já saturaram há muito tempo, e o que somos obrigados a ver é um montante de sátiras ridículas a vários filmes de sucesso, através de piadas imbecis e muitas vezes sem sentido (além disso, sem exceção, as poucas piadas boas são estragadas com seus desfechos). A trama principal focaliza os filmes “O Grito”, “Jogos Mortais” e, principalmente, “Guerra dos Mundos”. Além disso, outros como “A Vila” E “Menina de Ouro” são lembrados em cenas que destoam completamente do filme, fazendo ele parecer mais com um episódio muito ruim do “Casseta e Planeta Urgente” do que com um filme de verdade.
Atores bobocas em situações extremamente ridículas, fazem de “Todo o Mundo em Pânico 4” o filme mais constrangedor de 2006.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:59 pm

20/10/2006

O ALBERGUE
(HOSTEL)






Direção: Eli Roth.
Roteiro: Eli Roth.
Elenco: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson, Barbara Nadeljakova, Jana Kaderabkova, Jennifer Lim, Lubomir Bukovy, Jana Havlickova, Takashi Miike.

As férias perfeitas se transformando em um terrível pesadelo de sangue e desespero, esse seria um peível pesadelo de sangue e desespero, esse seria um perfeito resumo para o bom filme do diretor Uli Roth. Em “O Albrgue”, Roth conta à história de três amigos que viajam pelo continente europeu em busca de muita diversão, regada a muito álcool, maconha e principalmente sexo com belíssimas garotas. Depois de desfrutar os prazeres holandeses, Paxton (Jay Hernandez), Josh (Derek Richardson) dois jovens mochileiros norte-americanos e o recém conhecido islandês Oli (Eythor Gudjonsson), recebem a informação de que em uma pequena cidade na Eslováquia encontra-se um verdadeiro jardim do Éden sexual. Animados com a noticia, os amigos partem em busca de prazeres e caem em uma terrível e complexa armadilha de dores e sofrimentos inimagináveis.
Uli Roth segue a característica gore de outros filmes de horror, como “Wolf Creek”, “Viagem Maldita” e o mais recente “Abismo do Medo”, onde situações extremas são apresentadas da forma mais crua possível, o que torna tudo absurdamente mais realista e assustador. Provavelmente, “O Albergue” se aproxime mais do australiano “Wolf Creek”, já que todo o terror desencadeado em ambos os filmes é causado por seres humanos aparentemente normais e amigáveis, pessoas comuns que realmente poderiam ser nossos vizinhos ou até mesmo membros de nossas próprias famílias. Além disso, os filmes se aproximam por ter em suas vítimas mochileiros, viajantes que buscam algum tipo de aventura e encontram a morte nas mãos de verdadeiros lobos em peles de cordeiros.
“O Albergue” é um filme imperdível para os fãs do estilo e mais uma prova do grande fôlego que os filmes de horror ganharam através desse gênero assustadoramente real e pavorosamente possível. Não é a toa que o grande Quentin Tarantino tenha envolvido seu nome nesse projeto e que uma continuação começando exatamente de onde o primeiro filme terminou, já esteja em produção.

Arquivado em: — Vladimir @ 6:52 pm

15/10/2006

AS TORRES GÊMEAS
(WORLD TRADE CENTER)






Direção: Oliver Stone.
Roteiro: Andrea Berloff.
Elenco: Nicolas Cage, Michael Pena, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello, Connor Paolo, Stephen Dorff.

Devo confessar que dei pulos de alegria no dia em que o mundo conheceu a vulnerabilidade do país mais rico do mundo através do pandemônio arquitetado por Osama Bin Laden no dia 11 de setembro de 2001. Muito da arrogância e prepotência ianque ruiu juntamente com as torres do World Trade Center. Infelizmente, aquele velho ditado de que “pra se fazer uma omelete, tem que se quebrar alguns ovos” entra perfeitamente nesse caso e como em toda guerra, o pior sobra sempre para quem não tem nenhuma culpa no cartório. Muitos inocentes morreram (mais de 2.700 vidas foram tiradas nesse dia – nada comparado as mais de 600.000 ceifadas no Iraque desde a absurda e inconseqüente invasão dos donos do mundo), isso é um fato, mas o maior culpado por essas mortes, quem seria? Osama Bin Laden e sua Al Qaeda, ou os milhões de eleitores americanos, que colocaram em seu trono de ouro o inepto George W. Bush? Eu tenho uma opinião formada a esse respeito, mas voltemos ao filme em questão, que é o que realmente interessa.
Oliver Stone se redime de sua última bomba (o horrível “Alexandre”), em um bom filme a partir de uma história verídica, além disso, seu filme por ser visto como uma grande homenagem às pessoas que participaram diretamente da destruição causada pelo atentado terrorista ao WTC - policiais, bombeiros, para-médicos e militares que arriscaram e perderam a vida tentando retirar as pessoas das torres mais famosas do mundo -, além de uma grande reflexão sobre quem sofre mais no meio de um conflito de grandes proporções.
Os protagonistas são Nicolas Cage e Michael Pena que interpretam, respectivamente, os policiais John McLoughlin e Will Jimeno (que participaram diretamente na produção do filme, colaborando com seus intérpretes). McLoughlin e Jimeno foram enviados até as torres após o choque do primeiro avião com o prédio, com o intuito de retirar feridos e com total ignorância sobre o que estava realmente ocorrendo, os policiais tiveram seus planos completamente frustrados e passaram a lutar pela própria vida ao ficarem presos nos destroços da torre que desmoronou quando eles ainda se encontravam no saguão. Paralelamente, acompanhamos as reações de ambas as famílias e seus desesperos em busca de informações sobre os parentes. O roteiro de Andrea Berloff merece um grande elogio nesse momento, já que ele consegue realmente transmitir uma sensação de medo, tristeza e principalmente esperança, não caindo no erro de dar uma patriotada e destilar o conhecido veneno americano contra os executores dos atentados. Aliás, talvez essa seja a maior qualidade do filme de Stone, já que em nenhum momento somos apresentados a uma visão dos responsáveis pelos atos, o que poderia descambar em maniqueísmo. Stone e Berloff se focalizam em mostrar apenas o lado dos policiais em suas lutas pela sobrevivência e suas respectivas famílias, sequer mostrando o choque dos aviões às torres gêmeas. O filme ainda utiliza imagens reais apresentas pelos muitos canais de tv que cobriram o caso, recurso também utilizado no magnífico “Vôo United 93″ de Paul Greengrass.
E exatamente onde se encontra a maior qualidade de “As Torres Gêmeas” (no caso, o seu foco), também encontramos seu maior defeito. O excesso na utilização de cenas dramáticas acaba tornando alguns momentos do filme um pouco piegas, melodramáticas. Duas cenas provam perfeitamente isso (e até podem ser entendidas como sutis alfinetadas do roteiro e direção à religião de Maomé, de onde a motivação para os atentados foi claramente tirada). A primeira é a cena em que o policial Will Jimeno, ainda nos escombros e já a ponto de perder as esperanças de ser resgatado com vida, tem uma visão de Nossa Senhora, a segunda é ainda pior, pois trata de um fuzileiro que vai até o WTC ajudar na busca de sobreviventes por ter recebido uma ordem do próprio Deus, e adivinhem quem encontra os protagonistas? Esses momentos podem até ser realmente verídicos, mas em minha opinião, completamente descartáveis.
O bom elenco do filme ajuda a dar veracidade á obra e aproximar-nos do sofrimento dos personagens envolvidos. É praticamente impossível conter as lágrimas em alguns momentos. Enfim, o novo trabalho de Oliver Stone possui muito mais acertos do que erros e inicia a provável avalanche de filmes relacionados a esse tema que ainda serão produzidos.

Arquivado em: — Vladimir @ 7:51 pm

11/10/2006

TERROR EM SILENT HILL
(SILENT HILL)






Direção: Christophe Gans.

Roteiro: Roger Avary.
Elenco: Sean Bean, Jodelle Ferland, Radha Mitchell, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige.

O casal da Silva enfrenta sérios problemas familiares, quando sua filha adotiva passa a ter sérias reações de sonambulismo e pesadelos envolvendo uma misteriosa cidade chamada Silent Hill. Rose (Radha Mitchell), mãe da pequena Sharon (Jodelle Ferland), desesperada com a situação de sua filha, decide leva-la até essa desconhecida cidade, contrariando seu marido Christopher (Sean Bean), que não acredita que lá estejam as respostas para o problema da filha. Chegando à cidade, que se encontra abandonada devido a um sério incêndio que vem consumindo todo o seu subterrâneo há vários anos, um grave acidente separa mãe e filha, levando Rose a realizar uma desesperada busca nessa cidade fantasma que sempre está envolta em uma cortina de cinzas, o que a deixa ainda mais tenebrosa e assustadora.
Esse é, sem dúvida alguma, a melhor adaptação de um jogo de computador já feita até hoje pela indústria cinematográfica. O bom diretor Christophe Gans transportou com perfeição o clima pesado e o delírio visual do jogo para a telona. A tensão e o terror, muito presentes no jogo, foram transportadas com maestria nessa adaptação, repletas de cenas que, sem dúvida, causarão muitos calafrios a quem se arriscar a vê-lo. Gans cria uma Silent Hill, que parece uma coletânea dos piores pesadelos que uma pessoa poderia ter, um verdadeiro inferno na terra visual, cheio de seres monstruosos, com aparências realmente repulsivas e pavorosas.
Felizmente, a boa direção de Gans nunca é atrapalhada pelo fraco roteiro escrito por Roger Avary. O roteirista se preocupa em mostrar na história dois segmentos. Um envolvendo a busca da desesperada mãe pela filha e a procura de respostas para suas inúmeras perguntas (além da tentativa de manter sua sanidade intacta) e o outro se focando na busca de Christopher da Silva por sua esposa e filha, desaparecidas misteriosamente em Silent Hill. E mesmo com toda essa escassez de profundidade na história (para não chamar de enxurrada de clichês), o filme se sobressai pela boa direção e satisfatória atuação do elenco (com exceção da chatíssima e insuportável atriz mirim Jodelle Ferland, que a cada fala sua, faz-nos torcer para que ela tenha uma morte ultra violenta).
O filme ainda conta com uma excelente trilha sonora, realizada pelo mesmo responsável pela trilha sonora do jogo, o que é mais um ponto positivo para a adaptação.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:45 pm

7/10/2006

XEQUE MATE
(LUCKY NUMBER SLEVIN)







Direção: Paul McGuigan.
Roteiro: Jason Smilovic.
Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Michael Rubenfeld, Peter Outerbridge, Stanley Tucci.

Inferno Astral. Isso resume muito bem o que seria esse dia na vida do jovem Slevin Kelevra (Hartnett). Começando com o recebimento de um aviso de condenação de seu prédio e terminando com uma terrível confusão envolvendo os maiores gângsteres de Nova York, que por acaso são inimigos mortais, o Chefe (Freeman) e o Rabino (Kingsley). E o mais interessante em relação a essa série de revezes sofridos por Slevin, é justamente a total falta de preocupação dele para com isso tudo.
O diretor Paul McGuigan e o roteirista Jason Smilovic conseguiram criar um filme sensacional, que une ótimas referências a trabalhos do genial Quentin Tarantino - em relação aos ótimos diálogos que o filme possui – e, principalmente ao feito pelo grande Guy Ritchie, em sua obra prima “Snatch”, onde as situações inusitadas passadas por diversos personagens são amarradas ao final do longa, mostrando que cada pequena história era apenas uma pequena peça de um grande quebra-cabeça.
Além do excelente roteiro e da inspirada direção, “Xeque Mate” possui um elenco encabeçado pelo, cada vez mais surpreendente, Josh Hartnett (que vem se redimindo do seu tempo de Pearl Harbor). Além disso, um Bruce Willis literalmente matador, uma Lucy Liu deliciosa e a maravilhosa participação de Morgan Freeman e Ben kingsley, excelentes como malvados chefes criminosos. O elenco é a cereja que completa com perfeição esse delicioso e imperdível bolo.

Arquivado em: — Vladimir @ 1:25 pm

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