AS TORRES GÊMEAS
(WORLD TRADE CENTER)






Direção: Oliver Stone.
Roteiro: Andrea Berloff.
Elenco: Nicolas Cage, Michael Pena, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello, Connor Paolo, Stephen Dorff.

Devo confessar que dei pulos de alegria no dia em que o mundo conheceu a vulnerabilidade do país mais rico do mundo através do pandemônio arquitetado por Osama Bin Laden no dia 11 de setembro de 2001. Muito da arrogância e prepotência ianque ruiu juntamente com as torres do World Trade Center. Infelizmente, aquele velho ditado de que “pra se fazer uma omelete, tem que se quebrar alguns ovos” entra perfeitamente nesse caso e como em toda guerra, o pior sobra sempre para quem não tem nenhuma culpa no cartório. Muitos inocentes morreram (mais de 2.700 vidas foram tiradas nesse dia – nada comparado as mais de 600.000 ceifadas no Iraque desde a absurda e inconseqüente invasão dos donos do mundo), isso é um fato, mas o maior culpado por essas mortes, quem seria? Osama Bin Laden e sua Al Qaeda, ou os milhões de eleitores americanos, que colocaram em seu trono de ouro o inepto George W. Bush? Eu tenho uma opinião formada a esse respeito, mas voltemos ao filme em questão, que é o que realmente interessa.
Oliver Stone se redime de sua última bomba (o horrível “Alexandre”), em um bom filme a partir de uma história verídica, além disso, seu filme por ser visto como uma grande homenagem às pessoas que participaram diretamente da destruição causada pelo atentado terrorista ao WTC - policiais, bombeiros, para-médicos e militares que arriscaram e perderam a vida tentando retirar as pessoas das torres mais famosas do mundo -, além de uma grande reflexão sobre quem sofre mais no meio de um conflito de grandes proporções.
Os protagonistas são Nicolas Cage e Michael Pena que interpretam, respectivamente, os policiais John McLoughlin e Will Jimeno (que participaram diretamente na produção do filme, colaborando com seus intérpretes). McLoughlin e Jimeno foram enviados até as torres após o choque do primeiro avião com o prédio, com o intuito de retirar feridos e com total ignorância sobre o que estava realmente ocorrendo, os policiais tiveram seus planos completamente frustrados e passaram a lutar pela própria vida ao ficarem presos nos destroços da torre que desmoronou quando eles ainda se encontravam no saguão. Paralelamente, acompanhamos as reações de ambas as famílias e seus desesperos em busca de informações sobre os parentes. O roteiro de Andrea Berloff merece um grande elogio nesse momento, já que ele consegue realmente transmitir uma sensação de medo, tristeza e principalmente esperança, não caindo no erro de dar uma patriotada e destilar o conhecido veneno americano contra os executores dos atentados. Aliás, talvez essa seja a maior qualidade do filme de Stone, já que em nenhum momento somos apresentados a uma visão dos responsáveis pelos atos, o que poderia descambar em maniqueísmo. Stone e Berloff se focalizam em mostrar apenas o lado dos policiais em suas lutas pela sobrevivência e suas respectivas famílias, sequer mostrando o choque dos aviões às torres gêmeas. O filme ainda utiliza imagens reais apresentas pelos muitos canais de tv que cobriram o caso, recurso também utilizado no magnífico “Vôo United 93″ de Paul Greengrass.
E exatamente onde se encontra a maior qualidade de “As Torres Gêmeas” (no caso, o seu foco), também encontramos seu maior defeito. O excesso na utilização de cenas dramáticas acaba tornando alguns momentos do filme um pouco piegas, melodramáticas. Duas cenas provam perfeitamente isso (e até podem ser entendidas como sutis alfinetadas do roteiro e direção à religião de Maomé, de onde a motivação para os atentados foi claramente tirada). A primeira é a cena em que o policial Will Jimeno, ainda nos escombros e já a ponto de perder as esperanças de ser resgatado com vida, tem uma visão de Nossa Senhora, a segunda é ainda pior, pois trata de um fuzileiro que vai até o WTC ajudar na busca de sobreviventes por ter recebido uma ordem do próprio Deus, e adivinhem quem encontra os protagonistas? Esses momentos podem até ser realmente verídicos, mas em minha opinião, completamente descartáveis.
O bom elenco do filme ajuda a dar veracidade á obra e aproximar-nos do sofrimento dos personagens envolvidos. É praticamente impossível conter as lágrimas em alguns momentos. Enfim, o novo trabalho de Oliver Stone possui muito mais acertos do que erros e inicia a provável avalanche de filmes relacionados a esse tema que ainda serão produzidos.

3 comentários para “AS TORRES GÊMEAS
(WORLD TRADE CENTER)”

  1. Anna disse:

    Tb gostei muito desse filme, principalmente pq como vc mesmo disse em sua crítica, o diretor fez questão de mostrar apenas o drama dos policiais e de suas famílias, sem aqueles “apelos” de patriotismo terríveis dos americanos!Muito bom mesmo!

  2. Muita gente criticou As Torres Gêmeas (foi chamado de excessivamente patriótico!), mas eu gostei muito do resultado proposto por Oliver Stone. Afinal de cotas, a tragédia é deles, Stone é americano, portanto ele conta como quiser. E fez da única forma que americano poderia fazer. É emocionante, perturbador, Nicolas Cage está impecável… enfim, tudo que um blockbuster precisa ter. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.

  3. Fábio disse:

    Tb achei meio meloso e forçado, mas em apenas algumas partes como quando os policiais são resgatados. No mais é um bom filme, com cenas realmente fortes e emocionantes. Adorei nesses filmes sobre o atentado, a utilização de imagens reais em vez de recriações por efeitos especiais.