Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


30/11/2006

VOLVER







Direção: Pedro Almodóvar.
Roteiro: Pedro Almodóvar.
Elenco: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Chus Lampreave.

Depois de filmes como “Tudo Sobre minha mãe”, “Fale com ela” e “A má educação”, podemos ver o novo filme do espanhol Pedro Almodóvar como uma pisada no freio em relação às temáticas polêmicas abordadas em seus últimos trabalhos. Para seu mais novo projeto, Almodóvar reúne mais uma vez algumas de suas principais divas (Carmem Maura, Penélope Cruz) para contar a tocante história de uma família de mulheres , que dois anos após perder seus patriarcas em um trágico incêndio, recebe a inesperada visita do fantasma da mãe. A surpreendente chegada da matriarca, coincide com uma série de problemas pelos quais a filha mais velha, Raimunda (Cruz), vem passando com sua filha Paula (Yohana Cobo).
A figura masculina é completamente abandonada nesse filme. Os únicos homens que aparecem na história tem rápida passagem e quase não tem importância para a trama, mostrando que o interesse de Almodóvar é mesmo o seu gênero preferido, as mulheres. Portanto, apesar de Almodóvar ter se distanciado em “Volver” do estilo de seus últimos e melhores filmes, mostra ao seu fiel e apaixonado público que sua ternura e apreço pelo universo feminino continua perfeitamente intacto, criando um belíssimo filme, que com certeza deixará algumas lágrimas emocionadas e um grande sorriso na face do espectador.

Arquivado em: Vladimir @ 6:23 pm

27/11/2006

VÔO UNITED 93
(UNITED 93)







Direção: Paul Greengrass.

Roteiro: Paul Greengrass.
Elenco: Christian Clemenson, Trish Gates, Polly Adams, Cheyenne Jackson, Opal Alladin, Gary Commock, Nancy McDoniel.

Sei que é cedo para fazer essa afirmação, mas depois de ver mais esse filmaço realizado pelo excelente Paul Greengrass (vi na época da estréia, mas não consegui escrever e publicar logo a resenha aqui), não tenho medo de arriscar e dizer que “Vôo United 93” já é o filme mais genial sobre o mega atentado do grupo terrorista Al Qaeda aos Estados Unidos da América no dia 11 de Setembro de 2001. Diferentemente de Oliver Stone, Greengrass foca seu filme completamente no vôo 93 da United Airlines, vôo que tinha como alvo o famoso Capitólio, Congresso Nacional dos E.U.A. e que não atingiu seu alvo devido à tomada e derrubada do avião pelos próprios passageiros do vôo.
Outra grande diferença entre os filmes de Stone e Greengrass é que no do segundo, ambos os lados (terroristas e passageiros) são mostrados em pé de igualdade, sem exageros patrióticos para nenhum dos lados. Greengrass sempre coloca em evidência que se houve algum culpado de verdade, foi a incompetência de todos os órgãos responsáveis pela defesa aérea norte americana, que em nenhum momento mostrou-se preparada para defender o país dos atentados. É só ver a participação da aeronáutica que só disponibilizou caças aéreos com poder de derrubar esse avião, mais ou menos quatro horas após ele já ter caído.
Algo muito interessante a esse respeito, é a forma como os passageiros são mostrados pela mídia, que os apresenta como verdadeiros heróis americanos que deram suas vidas em holocausto para evitar mais um sucesso dos terroristas. Mas o que fica claro em “Vôo 93”, é que esses “heróis” na realidade, queriam apenas preservar suas próprias vidas, e como tinham informações exteriores através de telefones celulares tornando evidente a nefasta intenção dos planos terroristas, decidiram então, tomar medidas extremas em busca de suas salvações o que levou à queda da aeronave. Heróis são aqueles que tomam atitudes extremas com o intuito de ajudar terceiros e não desesperados que fazem qualquer coisa para poupar suas próprias vidas.
O realismo do filme é ainda mais latente devido ao sensacional estilo documental de filmar do diretor, que segue aqui a mesma linha do seu arrebatador “Domingo Sangrento”. Greengrass, além de ter feito todo o seu filme a partir de relatos dos participantes do evento e das ligações dos falecidos para familiares quando eles estavam dentro do avião, o diretor/roteirista aposta novamente em um desconhecido elenco (como também foi feito em “Domingo Sangrento”) para estrelar seu filme, e ainda inclui a participação de pessoas (como os controladores de vôo) que realmente estiveram presentes na desesperada tentativa de salvar os aviões, representando seus próprios papéis. Além de tudo isso, “Vôo 93” possui um dos melhores finais feitos nos últimos anos e mostra que não é com muito dinheiro, mas sim com ótimas idéias e profissionais competentes que se faz cinema de verdade.

PARA LER A CRÍTICA DE “AS TORRES GÊMEAS”, CLIQUE NO CARTAZ DO FILME:



Arquivado em: Vladimir @ 6:37 pm

23/11/2006

JOGOS MORTAIS 3
(SAW 3)





Direção: Darren Lynn Bousman.
Roteiro: Leigh Whannell, baseado em estória de James Wan e Leigh Whannell.
Elenco: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Bahar Soomekh.

“Jogos Mortais 3” é uma agradável surpresa para os apreciadores do estilo, já que incrivelmente ele consegue ser tão bom e surpreendente quanto o primeiro exemplar da série, apaga o desastre que foi a segunda parte (tornando-o até um pouco melhor e menos descartável do que é), e principalmente, encerra com maestria a saga de um dos psicopatas mais inteligente e doentios da mais recente e visceral história do cinema de horror.
Para realizar essa façanha, o também diretor do segundo filme, Darren Lynn Bousman e o roteirista de toda a trilogia Leigh Whannel voltam a apostar em uma história mais complexa e inteligente, com uma trama verdadeiramente doentia, onde as armadilhas e desafios criados por Jigsaw (Tobin Bell) e agora sua ajudante Amanda(Shawnee Smith) não são mais os personagens principais da obra (como ocorreu em “Saw 2”), e sim mortais obstáculos para que todos os personagens envolvidos na trama, incluindo o próprio Jigsaw atinjam seus verdadeiros objetivos (exatamente como no precursor da série). Mas para que tudo saia como planejado, a médica Lynn Denlon (Bahar Soomekh) é obrigada a manter o temível psicopata vivo e impedir que o câncer terminal que o consome ceife sua vida antes de uma de suas novas vítimas passar por um de seus jogos mortais.
A direção de Lynn segue o padrão dos outros filmes, repleto de cenas rápidas que tornam o filme ainda mais agoniante. A fotografia também continua bastante semelhante a dos anteriores e as cenas escuras e cenários sujos e sombrios são mantidos e apresentados durante todo o filme.
Para os fãs da série, “Jogos Mortais 3” é sem dúvida um desfecho perfeito para essa trilogia, recuperando o prestígio alcançado no primeiro filme e colocando as peças finais em um impressionante quebra cabeça que vinha sendo montado há muito tempo. Mesmo tendo um quarto filme em produção, ao término desse você verá que esse arco de histórias definitivamente se encerra aqui.

PARA LER AS CRÍTICAS DE JOGOS MORTAIS 1 e 2 É SÓ CLICAR NOS POSTERS DOS FILMES:


Arquivado em: Vladimir @ 6:34 pm

20/11/2006

O GRANDE TRUQUE
(THE PRESTIGE)






Direção: Christopher Nolan.
Roteiro: Jonathan Nolan e Christopher Nolan, baseado em livro de Christopher Priest.
Elenco: Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Piper Perabo, Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Samantha Mahurin, David Bowie, Andy Serkis.

Já em sua estréia no cinema, Christopher Nolan mostrou a todos a sua grande qualidade e o início de uma promissora carreira como diretor e roteirista, realizando filmes mais intimistas e sombrios, como em “Amnésia” e “Insônia”. O terceiro trabalho do diretor foi uma espécie de teste de fogo, ressuscitar a carreira cinematográfica do personagem dos quadrinhos Batman - carreira quase destruída pelo diretor Joel Shumacker em duas seqüências de merda – em um filme que reiniciou brilhantemente do zero a carreira do homem morcego nos cinemas.
Com essa empreitada, Nolan foi testado e aprovado, mostrando que sua qualidade ia muito além dos filmes independentes do seu início de carreira e que ele também tem muito a oferecer ao cinemão holywoodiano. Prova disso que além de emplacar mais uma pequena obra prima com seu excelente “O Grande Truque”, já tem engatilhado a primeira continuação da franquia do herói da DC, com o aguardadíssimo “The Dark Knight”.
Em “O Grande Truque”, somos apresentados aos ilusionistas, Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale). Angier e Borden eram ajudantes de um experiente mágico, até um trágico acidente separá-los definitivamente e transformá-los em grande rivais. Ambos tornam-se ilusionistas e passam a dividir seus tempos entre criar novos truques e, principalmente, atrapalhar o trabalho do rival. Essa pequena guerra onde ambos sempre saem perdendo e que destrói todas as relações afetivas criadas pelos dois, se transforma em uma terrível obsessão para Angier quando Borden cria o seu Grande Truque chamado de “o homem transportado”. A busca da resposta para o truque e para sua superação aumenta ainda mais a obsessão de Angier de ver seu rival destruído, levando-o a uma grande jornada em busca de um cientista (Nikola Tesla - interpretado por David Bowie) que pode construir uma máquina que possa verdadeiramente ajudá-lo nessa sua superação.

Para abrilhantar ainda mais seu novo trabalho, Nolan aposta mais uma vez na narrativa quebrada e na inclusão de uma série de reviravoltas a partir da segunda metade da exibição, que a todo instante muda nossas opiniões em relação aos personagens e ao desfecho do filme. Nolan também se destaca no roteiro, não deixando brechas nem pontas soltas em nenhum momento.
A empatia gerada pelos personagens principais é de total mérito dos atores que os interpretam. Bale mostra mais uma vez a sua grande e indiscutível qualidade sempre criando personagens distintos e marcantes como o psicopata de “Psicopata Americano” e o já citado “Batman”; já Hugh Jackman mostra que pode oferecer muito mais ao cinema do que seu personagem mais célebre (Wolverine) exige. Michael Caine faz o papel do instrutor e amigo, uma espécie de porto seguro e racional dentro do mundo obssessivo dos ilusionistas rivais. Scarlett Johansson, apesar de ter uma importante participação em toda a trama, acaba aparecendo pouco no filme e confirma mais uma vez a grande sorte que tem em participar de grandes projetos.
Todos esses fatores tornam “O Grande Truque”, um dos melhores filmes do ano e talvez o melhor filme do diretor. Sem dúvida imperdível!

Arquivado em: Vladimir @ 5:32 pm

15/11/2006

OS INFILTRADOS
(THE DEPARTED)






Direção: Martin Scorcese.
Roteiro: William Monahan, baseado em roteiro de Siu Fai Mak e Felix Chong.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Alec Baldwin, Martin Sheen, Vera Farmiga, Ray Winstone.

Martin Scorcese está de volta!
Dois anos após a realização do excelente “Aviador”, o homem está de volta ao estilo que realmente o consagrou (violência urbana, máfia) e que a cada filme feito o finca mais como um dos maiores mestres do cinema atual. Seu novo filme, “Os Infiltrados”, é um remake do filme chinês “Conflitos Internos”, mas como não ainda não tive o prazer de também ver o original, manterei meu foco apenas no primeiro, sem comparações.
Em “Os Infiltrados”, Scorcese emplaca a sua terceira parceria consecutiva com o ator Leonardo Dicaprio (que desde “O Aviador” já mostrou ser realmente um grande ator e que a única coisa que realmente afundou em “Titanic” foi o barco) e trabalha pela primeira vez com o genial Jack Nicholson que representa o louco gangster Frank Costello, em um papel feito para Robert DeNiro – que teve que abandonar o filme por problemas com sua agenda -, mas o molda ao seu estilo e acaba trazendo uma excelente novidade ao costumeiro trabalho do diretor.
Na história do filme, acompanhamos a inversa trajetória de dois desconhecidos jovens de origens semelhantes. De um lado, Bily Costigan (DiCaprio), recém formado na academia de polícia, que é obrigado a infiltrar-se na quadrilha do insano Costello para delatá-lo e finalmente levá-lo a prisão. Já Colin Sullivan (Matt Damon) é o arquétipo da submissão, entrando na polícia sob a tutela de Costello e com a má intenção de atrapalhar a polícia em sua perseguição. Mas enquanto Costigan sofre e se desgasta com a situação, sempre desesperado pelo medo de ser descoberto; Sullivan parece maravilhar-se com o poder, sempre almejando melhorar sua posição independentemente das conseqüências. A aparente tranqüilidade dos dois encerra quando ambos os lados descobrem que em seus meios existem agentes infiltrados, gerando uma alucinante correria que poderá decidir definitivamente o sangrento conflito.
As viscerais e seguras atuações de Damon, DiCaprio e Nicholson (em um vilão completamente impiedoso e aparentemente sem nenhum senso moral, onde vomitar palavrões, enfrentar a polícia e esquartejar uma pessoa não parecem afetá-lo de forma alguma) dão a realidade necessária que a história necessita e cria uma espécie de empatia entre o público e seus personagens que dificilmente é quebrada, com isso, eles dão ainda mais força a uma soberba história de gato e rato, onde não sabemos quem realmente são os gatos e de onde sairão os ratos.
O mérito em relação à excelente história pode ser dividido, principalmente, entre o ótimo roteiro escrito por William Monahan (com forte cheiro de indicação ao Oscar de roteiro adaptado) e logicamente mais uma vez ao Mestre Scorcese, com suas câmeras ágeis ou lentas nos momentos certos, trilhas sonoras empolgantes, personagens muito bem construídos, grande conhecimento do meio urbano e de suas violentas relações, ou seja, o domínio total do seu metier.
Com “Os Infiltrados”, Martin Scorcese nos dá mais uma vez a grande oportunidade de torcer com todas as nossas forças por sua indicação e premiação na noite do Oscar. Agora é só esperar e ver qual a injustiça da vez ou se agonia dos milhões de fãs do diretor finalmente terminará.

Arquivado em: Vladimir @ 10:44 am

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