Arquivo de novembro de 2006

CAVALEIROS DO ZODÍACO
PRÓLOGO DO CÉU

domingo, 12 de novembro de 2006






Direção: Shigeyasu Yamauchi.
Roteiro: Michiko Yokote, baseado em estória de Masami Kurumada.
Elenco (vozes): Hermes Baroli (Seiya de Pégaso), Letícia Quinto (Athena), Ulisses Bezerra (Shun de Andrômeda), Leonardo Camilo (Ikki de Fênix), Cecília Lemes (Artemis), Sílvio Giraldi (Apolo).

Há quase quinze anos, essa sensacional série estreava na Rede Manchete e encantava crianças e adolescentes que cresceram vendo as séries “Changeman” e “Jaspion”. O anime conta às aventuras de cinco cavaleiros (Seya, Yoga, Shiriu, Shun e Ikky) protetores da última encarnação da deusa grega Atena. Os imbatíveis heróis enfrentaram diversos inimigos em sagas espetaculares e cheias de sofrimento e superação. Os Cavaleiros de Bronze de Atena se caracterizam exatamente por essa aparente infinita capacidade de superação, onde nenhum inimigo, apesar de todos os poderes que possua, consegue derrotar a força de vontade e principalmente, o amor que os Cavaleiros de Atena possuem em relação a seus amigos e sua causa. Portanto, a força apresentada por esses guerreiros aumenta de acordo com o nível do guerreiro que será enfrentado, seja ele um cavaleiro de classe superior, como os cavaleiros de Prata e Ouro, ou até mesmo um deus.
O “Prólogo do Céu” ocorre após a última série televisiva protagonizada por Seya e seus amigos. Nessa série, eles enfrentam o próprio deus do mundo subterrâneo, Hades (antes disso, em outra aventura, eles haviam derrotado o deus Poseidon e seus generais). Após derrotá-lo em uma épica batalha, a terra volta a ficar em paz. Seya (talvez o único grande defeito do filme seja ter se focado exageradamente nesse personagem, deixando os demais Cavaleiros de Bronze como meros coadjuvantes), principal cavaleiro de Atena, perdeu todos os seus sentidos nesse conflito e passa a viver sob os cuidados de Saori Kido (a própria Atena). A tranqüilidade do casal acaba, quando três estranhos cavaleiros chegam e tentam matar Seya a mando de um novo e poderoso inimigo. Esse inimigo é a deusa Ártemis, irmã de Atena, que pretende matar todos os cavaleiros da irmã por seus supostos crimes contra os deuses derrotados anteriormente. Começa assim mais uma empolgante saga dos Cavaleiros do Zodíaco, e para nossa maior felicidade, tendo a maioria dos dubladores originais nos personagens principais.
Ao que parece, esse filme seria uma espécie de abertura de uma nova série televisiva, com muito mais tecnologia e emoção do que os anteriores. Mas infelizmente, não se sabe se essa série realmente será produzida ou se pelo menos teremos o desfecho dessa aventura nos cinemas. O que resta para nós, fãs do anime, é torcer para que a história termine de ser contada, não importando como.

O SACRIFÍCIO
(THE WICKER MAN)

sexta-feira, 10 de novembro de 2006





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Direção: Neil LaBute.
Roteiro: Neil LaBute.
Elenco: Nicolas Cage, Ellen Burstyn, Kate Beahan, Frances Conroy, Molly Parker, Leelee Sobieski, Diane Delano, Michael Wiseman, Erika-Shaye Gair.

Li uma crítica em que “O Sacrifício” era elogiado por ser um estudo sobre a diferença entre homens e mulheres em nossa atual sociedade. Mas que nada! Antes de tudo “O Sacrifício” deveria ser um filme de um forte suspense psicológico, uma homenagem a um clássico suspense da década de 70. Infelizmente isso nunca ocorre aqui.
A mudança no roteiro original, onde uma sociedade com fortes características medievais de bases patriarcais lideradas por um homem (Christopher Lee) é substituída aqui por uma comunidade matriarcal, liderada por uma estranha senhora (Ellen Burstyn) que possui o mesmo nome da ilha, Summersisle é a base do filme de Meil LaBute. No caso, a quase ausência de homens e o forte domínio feminino estabelecido por mulheres apicultoras, seria uma forte indicação dessa relação homem-mulher, onde a mulher passa a ser dominante e o homem apenas um mero objeto que disponibiliza sua força bruta em prol da comunidade, na realidade uma alusão a comunidade de abelhas, onde o zangão tem como únicos papeis fecundar a Rainha e morrer.
E é aí que entra o personagem de Nic Cage, tornando-se o ser estranho (homem detentor de todas as características estereotipadas do gênero) nesse meio. Edward Malus, um policial cri-cri que recebe o pedido de socorro de uma antiga noiva que teve sua filha desaparecida em uma ilha incomunicável no meio do nada, no mesmo momento em que enfrenta uma grande crise emocional, por sentir-se culpado por um grave acidente. Ao chegar à ilha, Malus enfrenta com estranheza o modo de vida dos seus habitantes e se enfia no meio de uma aparente conspiração que envolve o tal desaparecimento da criança.
E é dentro disso tudo que o diretor/roteirista aproveita para empurrar um amontoado de clichês usados e abusados em milhares de outros filmes há décadas (sustos bobos a base de movimentos bruscos inesperados ou do aumento do volume em alguns momentos, o personagem principal sendo alvo de toda a trama que tenta desvendar etc). Portanto, fica fácil saber que a antiga noiva e a filha desaparecida é parte de toda a conspiração, que tinha como único objetivo enganar e atrair o policial para a ilha e transformá-lo em uma oferenda (sacrifício) aos deuses celtas que a comunidade venera em troca de uma boa colheita. Isso mesmo, o filme termina com Nicolas Cage sendo enganado e queimado vivo dentro do famoso Homem de Palha (wicker man) que dá título à história. Conto tudo, pois vejo o NTSA também como um órgão de utilidade pública e não desejo que mais ninguém tenha a triste surpresa de ver um filme como esse. Se mesmo assim, depois de ler isso tudo, alguém ainda tiver o interesse de ver o filme, lavo minhas mãos e digo apenas uma coisa: O “Sacrifício” é todo seu.

LADY VENGEANCE

segunda-feira, 6 de novembro de 2006





Direção: Chan-wook Park.
Roteiro: Chan-wook Park.
Elenco: Lee Young Ae, Choi Min Sik, Kim Si Hu, Kwon Yea Young, Lee Jo Yeol.

Lee Geum-Ja é uma jovem e linda mulher, condenada pelo seqüestro seguido de assassinato de um pequeno garotinho. O hediondo crime ganhou grande notoriedade em toda Coréia do Norte e Lee ganhou fama nem tanto por seu crime, mas sim por seu delicado olhar, inesperado em um condenado por um crime como esses. Após cumprir longos 15 anos de prisão, Lee deixa seu cárcere e inicia uma implacável vingança contra uma pessoa até então desconhecida.

Sem saber os motivos nem o alvo do ódio da até então doce Lee, o diretor Chan-wook Park acaba com a linearidade de sua história, intercalando momentos do presente com flash backs do passado, aonde a preparação da violenta e visceral vingança se intercala com as motivações da personagem. Isso vai dando aos espectadores as respostas necessárias para montar mais um intrincado quebra-cabeça nessa última parte da espetacular trilogia da vingança criada pelo diretor coreano. “Lady Vengeance” é o filme que mais utiliza flash backs dentro dessa trilogia. Enquanto “Oldboy” utilizava esse recurso apenas após a metade do filme, “Sympathy For Mr. Vengeance” mantém uma narrativa linear.

O seqüestro é a motivação inicial para as vinganças nas três obras. E um grande mérito, talvez o maior, de Chan-wook Park é criar três filmes com a mesma temática, todos com tramas bastante intrincadas e às vezes até um pouco complicadas, personagens maravilhosamente bem construídos e finais avassaladores. Aliás, mesmo já esperando ser surpreendido, é impossível não ficar completamente boquiaberto no desfecho de cada um dos três filmes.

A crueldade também é uma questão bastante interessante nesses filmes, já que todas as atitudes tomadas pelos personagens agentes das vinganças são completamente justificadas pelo período de reclusão ou pela dor e sofrimento causado por seus alvos.

Como encerramento dessa sensacional trilogia, “Lady Vengeance” é perfeito, pois une perfeitamente a melancolia e crueza do primeiro filme com o humor negro e ritmo do segundo. Chan-wook Park também aproveita para juntar aqui todos os principais atores dos primeiros filmes. A discussão sobre a validade do ato de vingança como uma forma de abrandar o mal causado a pessoa também é expandida nesse filme.

“Lady vengeance” é um filme indispensável para os apreciadores de um bom filme e é completamente independente dos seus antecessores, portanto, não importa se você ainda não teve o grande prazer de ter visto os outros exemplares da trilogia.

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ABISMO DO MEDO
(THE DESCENT)

quinta-feira, 2 de novembro de 2006






Direção: Neil Marshall.
Roteiro: Neil Marshall.
Elenco: Shauna McDonald, Natalie Jackson Mendoza, Alex Reid, Saskia Mulder, MyAnna Buring, Nora-Jane Noone.

Um grupo de amigas, fanáticas por esportes radicais, decide explorar uma desconhecida caverna na Inglaterra, como forma de ajudar uma delas a enfrentar o forte trauma de ter perdido marido e filha em um terrível acidente de trânsito. A bem intencionada e alegre aventura acaba quando uma delas fica presa em uma estreita passagem que desmorona e encerra todas dentro da estranha caverna. Machucadas e muito assustadas, elas partem em busca de outra saída, mas o que encontram são horríveis criaturas canibais que passam a caçá-las uma a uma, sem nenhuma piedade.
O diretor inglês Neil Marshal, une diversos pontos causadores de pavor nesse seu excelente filme. A claustrofobia, o medo do escuro, a dor de perder pessoas próximas e queridas, a desconfiança e a fragilidade emocional é somada ao medo pelo desconhecido e ao ataque de seres monstruosos que já mataram centenas de desavisadas pessoas e animais que adentraram anteriormente à caverna.
“Abismo do Medo” não só é um ótimo filme de terror, pois sem dúvida é um dos melhores lançados esse ano, confirmando definitivamente a excelente safra de exemplares desse estilo que vem aparecendo nos cinemas em todo mundo (“Abismo do Medo” é um filme inglês), fazendo a alegria dos seus inúmeros apreciadores.