FONTE DA VIDA
(THE FOUNTAIN)
(THE FOUNTAIN)

Direção: Darren Aronofsky.
Roteiro: Darren Aronofsky, baseado em estória de Darren Aronofsky e Ari Handel.
Elenco: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Marcello Bezina, Alexander Bisping, Ellen Burstyn, Mark Margolis.
A luta contra a morte e o medo que ela manifesta nas pessoas gerou em vários momentos da história da humanidade uma, digamos, quixotesca busca pela imortalidade, seja ela física ou espiritual. Das comunidades mais antigas (que em nenhum momento podem ser chamadas de primitivas) que surgiram em nosso pequeno planeta até hoje, o ser humano vem buscando respostas para profundas questões que na realidade ele ainda nem aprendeu a formular. Para isso, criaram-se centenas de religiões em todo o mundo e em outra frente, surgiram homens que tentam ferrenhamente encontrar na ciência explicações diferentes e mais coerentes que as dadas dentro dos milhares e milhares de templos mundo a fora. A nova OBRA PRIMA (isso mesmo, com letras garrafais) de Darren Aronofsky aborda brilhantemente essa temática. Aliás, essa é uma praia já freqüentada por Aronofsky que já havia trabalhado esse tema em seu primeiro e não menos brilhante filme, PI, onde a Matemática e a Cabala judaica eram os centros da trama.
Em “Fonte da Vida”, Aronofsky conta três histórias paralelas envolvendo o amor e devoção a uma mulher e principalmente uma causa, a de descobrir a forma definitiva de viver e fazê-la viver para sempre. O filme é dividido por três linhas narrativas distintas representadas por um conquistador espanhol no recém descoberto novo mundo a serviço de uma encantadora rainha, um médico em busca da cura de uma terrível doença que consome sua amada esposa nos dias atuais, e por fim, uma espécie de astronauta em busca do sentido da vida, do universo (e tudo mais). Essas narrativas se sucedem a todo instante ao longo do filme, se intercalando em alguns momentos o que mostra a forte ligação entre ambas. Todos os principais papéis são interpretados magistralmente por Hugh Jackman (em seu melhor filme) e Rachel Weisz (em mais um ótimo trabalho).
A linda trilha sonora composta por Clint Mansell acompanha perfeitamente o filme, tornando-se fundamental para o seu desenvolvimento. É como se a música, através de suas lindas melodias e juntamente com os atores, apresentasse toda a angústia, medo, sofrimento e esperança, mas principalmente o forte amor que envolve os personagens. A cenografia é belíssima, um capricho alcançado e posto em prática por Darren através de sua grande inteligência e do bom orçamento conseguido para o filme. A fotografia de Matthew Libatique é, sem dúvida, um show a parte, repleta de planos que lembram bastante as páginas de histórias em quadrinhos (graphic novels), com uma forte predominância da cor amarelo ouro representando a vida e a esperança, contrastando com a sombriedade da maioria dos monocromáticos cenários que representam os sentimentos dos personagens de Jackman. Aronofsky une perfeitamente todos esses elementos através de uma montagem que beira a perfeição, intercalando maravilhosamente uma narrativa a outra.
Enfim, Darren Aronofsky fez um filme, respeitadas as devidas proporções, que lembra substancialmente o que o Mestre Stanley Kubrick fez em seu clássico “2001, uma odisséia no espaço”. Um filme altamente existencialista, de uma profundidade dificilmente vista no cinema hoje em dia, repleto de passagens reflexivas e contemplativas, encerrado por um final absurdamente chocante e maravilhoso (apesar de “2001” ser em sua essência um filme cientificista, enquanto esse possui uma abordagem espiritualista), onde em nenhum momento aparece a intenção do diretor de entregar um final mastigado ao público, pelo contrário, o que temos aqui é mais uma excelente oportunidade de levar o conteúdo do filme para fora da sala de cinema e apreciar essa bombástica experiência cinematográfica muito mais longe da sala escura. A similaridade entre os dois também se encontra na dificuldade do entendimento da história, principalmente se o espectador perder a concentração (o que não é muito difícil) devido a magnífica enxurrada de imagens e informações. “Fonte da Vida” é, então, um dos melhores e mais inteligentes filmes dos últimos anos, que merece ser visto e revisto várias vezes e sempre aplaudido de pé.
PARA LER AS CRÍTICAS DE OUTROS TRABALHOS DE DARREN ARONOFSKY NO NTSA, COMO PI (DIREÇÃO) E SUBMERSOS (ROTEIRO), É SÓ CLICAR NOS CARTAZES DOS RESPECTIVOS FILMES: