Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


30/1/2007

DIAMANTE DE SANGUE
(BLOOD DIAMOND)






Direção: Edward Zwick.
Roteiro: Charles Levitt.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Connelly, Djimon Hounson, Kagiso Kuypers, Arnold Vosloo.

Não é de impressionar que nos dias de hoje, com tanta escassez de boas histórias fictícias para se contar, filmes com temáticas ativistas polêmicas passem a gerar mais uma importante tendência Hollywoodiana. Temáticas que eram vistas apenas em filmes estrangeiros ou independentes considerados “marginais”, passam a ser preferidas e disputadas entre poderosos estúdios, famosos diretores e grandes astros (Nic Cage, George Clooney, Matt Damon, Brad Pitt e agora Leonardo DiCaprio). Os filmes que tocavam em temas considerados tabus na terra do “Tio Sam” vêm cada vez mais sendo explorados pela grande indústria cinematográfica norte-americana, o que acabam, sem dúvida alguma, levando a uma manipulação da informação a partir dos interesses de quem conta à história e conseqüentemente levam também a um esvaziamento da própria polêmica do tema que é colocado em segundo plano perante cenas de ação forçadas e romances mal colocados. “Diamante de Sangue” seria então, um perfeito exemplo disso tudo que acabei de falar.
O filme conta à história de Solomon Vandy (Djimon Hounson), a partir do momento em que ocorre o violento ataque de um grupo revolucionário em sua aldeia, o que leva ao seqüestro de seu filho e sua prisão para trabalhar em minas de diamantes clandestinas que fornecem o capital para a manutenção do aparelho guerrilheiro. Solomon então, arrisca sua vida quando encontra um raro diamante e vê nele a chance de reaver seu filho e o restante da sua desaparecida família. É aí que ele encontra o ambicioso Danny Archer (DiCaprio), um africano de passado obscuro, que vive do tráfico dos chamados diamantes de sangue (diamantes garimpados através do trabalho escravo e em zonas de conflito que geralmente sustentam as guerras nesses países) e que tenta de todas as formas conseguir o diamante de Salomon para vendê-lo e abandonar o sofrido continente africano. O único peso na consciência de Archer se encontra na figura da repórter norte-americana Maddy Bowen (Jennifer Connelly).
Luta, redenção, arrependimento, amor, indignação e medo são sensações bastante presentes em “Diamante de Sangue”, mas que são minimizadas e até ofuscadas por situações novelescas cheias de clichês e um final bastante previsível. Não estraga completamente o filme, mas é o suficiente para torná-lo dispensável.

Arquivado em: — Vladimir @ 11:07 pm

21/1/2007

A MISSA DA MEIA NOITE
(MIDNIGHT MASS)





Direção: Tony Mandile.
Roteiro: Tony Mandile, F. Paul Wilson.
Elenco: Douglas Gibson, Pamela Karp, Marvin W. Schwartz, Julia Cornish, Dave Dwyer, Mariana Matthews.

Adaptação de um livro do grande autor norte-americano F. Paul Wilson (O Fortim, Renascido, Represália, Kuroikase), onde os vampiros dominam o mundo e escravizam os poucos mortais restantes. Algumas pessoas, buscando a imortalidade auxiliam os vampiros, tornando-se seus escravos. Já outros abominam os sanguessugas e lutam contra eles. Os vampiros de Wilson seguem a linha dos vampiros criados por Bram Stocker, tementes a cruz cristã e morrendo com estacas enfiadas no coração. Os vampiros são essencialmente maléficos, completamente contrários aos complexos vampiros criados pela escritora Anne Rice em suas maravilhosas crônicas vampirescas.
Infelizmente a produção é uma verdadeira porcaria e o filme parece ter sido feito, literalmente, nas coxas (acredito no seguinte, se não tem dinheiro pra fazer valer a pena, melhor então que nem faça). Nada se aproveita. O elenco é terrivelmente constrangedor, com atuações que pulam completamente o precipício do ridículo, efeitos especiais piores do que os dos antigos programas do “Chaves” e “Chapolim”, maquiagem digna dos momentos menos inspirados da telessérie “Power Rangers” e um roteiro tão mal escrito que parece ter sido feito, em conjunto, por roteiristas dos filmes do Renato Aragão e da Xuxa.
Vale ressaltar, que o próprio F. Paul Wilson participou diretamente da realização dessa pequena pérola. Além de assinar com o infame Tony Mandile o rizível roteiro, ainda faz uma pequena ponta no filme, logo em seu início, como um estudioso sendo entrevistado em um canal de tv sobre a infestação de vampiros no planeta.
Não recomendo esse filme nem para os vários fãs do autor, mesmo sabendo que, como eu, assim que souberem da existência dele, farão o possível para assisti-lo.

Arquivado em: — Vladimir @ 12:24 pm

17/1/2007

ZONA DE RISCO
(JOINT SECURITY AREA)







Direção: Chan-wook Park.
Roteiro:Chan-Wook Park, Seong-san Jeong, Sang-yeon Park.
Elenco: Yeong-ae Lee, Byung-hun Lee, Kang-ho Song, Tae-wo Kim, Ha-kyun Shin.

O coreano Chan-wook Park é definitivamente um dos meus diretores favoritos. Essa certeza veio logo ao término de um dos filmes realizados anteriormente à trilogia que o apresentou ao mundo (a trilogia da vingança composta por “Sympathy for Mr. Vengeance”, “Oldboy” e “Lady Vengeance”).
O magnífico “Zona de Risco” é uma pequena obra prima que tem como temas centrais, a amizade e a forçada e triste separação de um povo da mesma origem, mesma cultura, língua e descendência, absurdamente divididos pelas diferenças dos regimes políticos de seus países e a forte intransigência dos mesmos, no caso, as Coréias do Norte e Sul. A ação se passa no ponto mais conhecido da fronteira entre os dois países, local onde a única barreira de separação é a diferença na cor do chão dos territórios. Um crime ocorre dentro do lado Sul e os principais suspeitos são dois soldados do Norte encontrados em estado de choque. Uma jovem antropóloga norte-coreana passa a acompanhar o caso, tentando desvendá-lo e evitando que essa crise diplomática se transforme em algo muito pior. A partir daí o filme é desvendado em uma série de flashbacks que mostram todos os acontecimentos que antecederam o crime.

Chan-wook Park é dono de uma visão brilhantemente diferenciada, possuidor de uma surpreendente sensibilidade e prova nesse filme não estar preso ao mundo cruel e pessimista de outros filmes seus como “Oldboy” e as demais partes de sua brutal trilogia. “Zona de Segurança” é uma prova perfeita da grande genialidade desse jovem diretor e ítem obrigatório em qualquer coleção de Dvds que se preze.

CLIQUE NOS POSTERS PARA LER AS CRÍTICAS DA MAGNÍFICA TRILOGIA DA VINGANÇA DE CHAN-WOOK PARK:



Arquivado em: — Vladimir @ 9:39 pm

4/1/2007

007 – CASSINO ROYALE




Direção: Martin Campbell.
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis, baseado em livro de Ian Fleming.
Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Caterina Murino, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini.

Para sorte e prazer de muitos cinéfilos fãs de bons filmes de ação e aventura, ao mesmo tempo em que alguns estúdios avacalham algumas de suas principais franquias cinematográficas, outros fazem o movimento contrário e quando menos esperamos, revolucionam seus antigos carros chefes dando guinadas realmente surpreendentes à essas obras. Talvez esse ano, com a realização dessa vigésima primeira aventura do agente mais famoso do mundo, tivemos o maior exemplo disso.
Cassino Royale é na minha opinião, um dos melhores e mais significativos filmes do agente 007 já realizados até hoje. E a isso, devemos reconhecer o trabalho feito pelos produtores do filme, que decidiram modificar toda a estrutura do personagem e da série que perdurava por mais de trinta anos e exatos vinte filmes, aproximando-o do século vinte um, onde outros agentes muito mais crus e realistas como Jason Bourne (Identidade e Supremacia Bourne) e Jack Bauer (série 24 horas) envelheceram a absurda pirotecnia e o exagerado machismo do “velho” Bond, James Bond.
A mudança mais significativa se encontra na escolha do novo protagonista da série. O brucutu Daniel Craig é completamente diferente de todos os outros intérpretes de Bond. Apresentando ao público um agente muito mais cru imaturo e real que qualquer um de seus antecessores, Craig cria um Bond bastante realista, inseguro em alguns momentos e sempre pretencioso, acreditando sempre em uma falsa e arrogante invencibilidade, o que o coloca sempre em mortais perigos e alimenta a insegurança de “M” (Judie Dench), sua chefe, em relação à sua promoção a agente 00.

Em sua primeira missão, Bond tem que enfrentar LeChiffre (Mads Mikkelsen) - um banqueiro financiador de terroristas procurado internacionalmente - em um inusitado jogo de cartas em um luxuoso cassino. Para isso, Bond contará com o financiamento da coroa britânica representada pela linda, geniosa e sensual Vesper Lynd (Eva Green). Mas não se engane com esse pequeno resumo da história e pense que o filme não possui muitas cenas de ação. Muito pelo contrário, já que o filme esbanja adrenalina e testosterona, com cenas de causar vertigens e fazer trincar os dentes.

O ótimo roteiro de Cassino Royale (que também tem as mãos do genial Paul Haggis) inclui ainda pontos interessantíssimos sobre o passado do personagem e sobre a sua relação com as mulheres, humanizando o personagem e justificando muitos dos seus atos nos filmes posteriores. Além disso, o filme coloca realmente o personagem no século XXI, trazendo um excelente e merececido novo fôlego à série.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:27 pm

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