Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


19/12/2006

O ILUSIONISTA
(THE ILLUSIONIST)





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Direção: Neil Burger.
Roteiro: Neil Burger, baseado em estória de Steven Millhauser.
Elenco: Edward Norton, Paul Giamatti, Jessica Biel, Rufus Sewell, Eddie Marsan, Jake Wood, Tom Fisher, Vincent Franklin, Philip McGough, Eddie Marsan.

Depois do magnífico “O Grande Truque” , dirigido por Chris Nolan e exibido no Brasil nesse mesmo semestre, fica difícil ver o novo filme do diretor Neil Burger que possui exatamente a mesma temática, e não compará-lo a esse citado antecessor. E infelizmente, a comparação é impiedosamente cruel para Burger.
Ambientado no mesmo continente e no mesmo período – Europa, final do século XIX- mostrados em “O Grande Truque”, “O Ilusionista” conta à trajetória de Eisenheim (Ed. Norton), um ilusionista que adquire grande fama em Viena, com grandes espetáculos repletos de fascinantes e incríveis mágicas que desafiam e assustam constantemente seu crescente e fiel público. O destino de Eisenheim se mistura ao da jovem aristocrata Sophie (Jéssica Biel), um antigo amor de infância do ilusionista que no momento está prometida ao ambicioso herdeiro do Império austro-húngaro, Príncipe Leopold (Rufus Sewell). Para perseguir Eisenheim e acabar com qualquer tipo de perigo que ele possa ocasionar a uma breve sucessão imperial, está o Inspetor-chefe Uhl, um homem de caráter duvidoso que almeja uma considerável ascensão em um futuro governo de Leopold. Mas motivado pelo reencontro de seu grande amor, Eisenheim enfrentará a todos e não medirá esforços, além de utilizar todo seu incrível repertório de ilusões, para enfrentar o príncipe e seus asseclas e frustrar todos os seus sangrentos planos.
A história de “O Ilusionista” é a já batida trama do amor impossível entre membros de classes sociais diferente. Completamente apaixonados, farão tudo e lutarão contra todos para concretizar esse tão sonhado amor. Provavelmente seja esse o maior defeito do filme, já que a história se prende tanto nessa relação que outros pontos verdadeiramente interessantes são apresentados, mas descartados logo em seguida. O maior exemplo disso, encontra-se na discussão da própria natureza das apresentações de Eisenheim. Truques mirabolantes que beiram o sobrenatural são apresentados a todo o momento sem nenhuma explicação, apesar do ilusionista ser mostrado constantemente trabalhando neles. Mas, na minha opinião, o maior erro encontra-se no final do filme, onde a única resposta que não precisava ser dada, de tão óbvia que era, é apresentada em um mini-flashback ridículo, que parece uma mistura mal feita dos finais de “Sexto Sentido” com os dos desenhos do “Scooby Doo”. Um desfecho desnecessário em um filme repleto de clichês e pequenas e incômodas falhas, que só se salva de um verdadeiro desastre devido a, sempre inspirada, participação do genial ator Edward Norton.

Arquivado em: — Vladimir @ 6:15 pm

10/11/2006

O SACRIFÍCIO
(THE WICKER MAN)





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Direção: Neil LaBute.
Roteiro: Neil LaBute.
Elenco: Nicolas Cage, Ellen Burstyn, Kate Beahan, Frances Conroy, Molly Parker, Leelee Sobieski, Diane Delano, Michael Wiseman, Erika-Shaye Gair.

Li uma crítica em que “O Sacrifício” era elogiado por ser um estudo sobre a diferença entre homens e mulheres em nossa atual sociedade. Mas que nada! Antes de tudo “O Sacrifício” deveria ser um filme de um forte suspense psicológico, uma homenagem a um clássico suspense da década de 70. Infelizmente isso nunca ocorre aqui.
A mudança no roteiro original, onde uma sociedade com fortes características medievais de bases patriarcais lideradas por um homem (Christopher Lee) é substituída aqui por uma comunidade matriarcal, liderada por uma estranha senhora (Ellen Burstyn) que possui o mesmo nome da ilha, Summersisle é a base do filme de Meil LaBute. No caso, a quase ausência de homens e o forte domínio feminino estabelecido por mulheres apicultoras, seria uma forte indicação dessa relação homem-mulher, onde a mulher passa a ser dominante e o homem apenas um mero objeto que disponibiliza sua força bruta em prol da comunidade, na realidade uma alusão a comunidade de abelhas, onde o zangão tem como únicos papeis fecundar a Rainha e morrer.
E é aí que entra o personagem de Nic Cage, tornando-se o ser estranho (homem detentor de todas as características estereotipadas do gênero) nesse meio. Edward Malus, um policial cri-cri que recebe o pedido de socorro de uma antiga noiva que teve sua filha desaparecida em uma ilha incomunicável no meio do nada, no mesmo momento em que enfrenta uma grande crise emocional, por sentir-se culpado por um grave acidente. Ao chegar à ilha, Malus enfrenta com estranheza o modo de vida dos seus habitantes e se enfia no meio de uma aparente conspiração que envolve o tal desaparecimento da criança.
E é dentro disso tudo que o diretor/roteirista aproveita para empurrar um amontoado de clichês usados e abusados em milhares de outros filmes há décadas (sustos bobos a base de movimentos bruscos inesperados ou do aumento do volume em alguns momentos, o personagem principal sendo alvo de toda a trama que tenta desvendar etc). Portanto, fica fácil saber que a antiga noiva e a filha desaparecida é parte de toda a conspiração, que tinha como único objetivo enganar e atrair o policial para a ilha e transformá-lo em uma oferenda (sacrifício) aos deuses celtas que a comunidade venera em troca de uma boa colheita. Isso mesmo, o filme termina com Nicolas Cage sendo enganado e queimado vivo dentro do famoso Homem de Palha (wicker man) que dá título à história. Conto tudo, pois vejo o NTSA também como um órgão de utilidade pública e não desejo que mais ninguém tenha a triste surpresa de ver um filme como esse. Se mesmo assim, depois de ler isso tudo, alguém ainda tiver o interesse de ver o filme, lavo minhas mãos e digo apenas uma coisa: O “Sacrifício” é todo seu.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:08 pm

24/10/2006

TODO O MUNDO EM PÂNICO 4
(SCARY MOVIE 4)






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Direção: David Zucker.

Roteiro: Craig Mazin e Jim Abrahams.
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Charlie Sheen, Craig Bierko, Rorelee Tio, Chris Williams, Simon Rex.

A alteração da máxima “no amor, na guerra e no cinema vale tudo” caberia perfeitamente para muitos dos estúdios cinematográficos de Hollywood. Nesse caso, o quarto filme da série “Todo Mundo em Pânico” seria um exemplo perfeito disso. Dessa vez, assumindo a cadeira de diretor, encontramos David Zucker, responsável por filmes como “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” e sua continuação. Um diretor que pode ser considerado um dos criadores desse gênero pastelão de comédia utilizado nessa série de filmes. Infelizmente, tanto o estilo como a própria série já saturaram há muito tempo, e o que somos obrigados a ver é um montante de sátiras ridículas a vários filmes de sucesso, através de piadas imbecis e muitas vezes sem sentido (além disso, sem exceção, as poucas piadas boas são estragadas com seus desfechos). A trama principal focaliza os filmes “O Grito”, “Jogos Mortais” e, principalmente, “Guerra dos Mundos”. Além disso, outros como “A Vila” E “Menina de Ouro” são lembrados em cenas que destoam completamente do filme, fazendo ele parecer mais com um episódio muito ruim do “Casseta e Planeta Urgente” do que com um filme de verdade.
Atores bobocas em situações extremamente ridículas, fazem de “Todo o Mundo em Pânico 4” o filme mais constrangedor de 2006.

Arquivado em: — Vladimir @ 5:59 pm

30/9/2006

DOOM - A PORTA DO INFERNO
(DOOM)






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Direção: Andrzej Bartkowiak.
Roteiro: Dave Callaham e Wesley Strick.
Elenco: Dwayne “The Rock” Johnson, Karl Urban, Rosamund Pike, Deobia Oparei, Ben Daniels, Razaaq Adoti, Richard Brake, Dexter Fletcher, Brian Steele.

Uma das primeiras coisas que vem na cabeça de todas as pessoas que conhecem o jogo de computador “Doom”, é com certeza a visão do jogador, mostrada sempre em primeira pessoa, como se o jogador estivesse realmente dentro do jogo. Outra coisa que deve ter vindo na cabeça das pessoas logo que foi anunciada essa adaptação para o cinema, é que o filme estaria repleto de cenas que lembrasse o clássico jogo, principalmente as referentes à ação em primeira pessoa. Mas, infelizmente, “Doom – A Porta do Inferno” é uma decepção em todos os sentidos.
Personagens mal escritos e sem nenhuma profundidade, história batida e repleta de clichês e o pior, uma única e curtíssima seqüência de ação que remete ao jogo.
Em um futuro não tão próximo, “Doom”, apresenta um grupo de táticas especiais liderado por Sarge (The Rock). O grupo tem que deixar de lado suas aguardadas férias e partir para o resgate de alguns cientistas que estão sendo atacados por algo desconhecido e letal em um laboratório situado no então colonizado planeta Marte. Ao defrontarem esse desconhecido e assustador mal, inicia-se a carnificina onde apenas os atores mais conhecidos agüentarão até o, nada surpreendente, final do filme, onde ocorrerá o grande embate entre o “bem” e o “mal”. Blargh!!!

Arquivado em: — Vladimir @ 9:26 pm

2/9/2006

REJEITADOS PELO DIABO
(THE DEVIL’S REJECTS)





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Direção: Rob Zombie.
Roteiro: Rob Zombie.
Elenco: Bill Moseley, Sidd Haig, Leslie Easterbrook, William Sadler, Sheri Moon Zombie.

Confesso que tive uma boa surpresa quando vi o primeiro do músico Rob Zombie. “A Casa dos 1.000 Mortos” lembra bastante o terror proposto por Tob Hopper em seu clássico “Massacre da Serra Elétrica”, onde uma família de psicopatas causa terror e morte a muitos viajantes em total segredo, aumentando consideravelmente, mas incrivelmente nunca o bastante para uma atitude das autoridades locais, o índice de desaparecidos na região.
Apesar desse vigor para o grotesco ainda estar bem presente nessa continuação, o lado visceral e cru proposto por Hopper continua sendo também abordado com louvor por Zombie, mas infelizmente o que se percebe, é a tentativa do diretor em não cair no erro de apenas repetir os elementos do primeiro filme nessa continuação, tentando remodelar seus personagens, através de uma grande reviravolta no final, onde os vilões passam a ser vítimas e seu caçador, um obcecado policial passa a ser o vilão enlouquecido da história. Mudança que para mim acabou não sendo muito feliz, já que, simpatia e compaixão por um grupo de psicopatas necrófilos canibais, não são muito fáceis de se conseguir.
“Rejeitados…” inicia com um maciço ataque a casa maldita do primeiro filme, fugindo como podem, os irmãos Otis e Baby procuram apoio do pai, Capitão Spalding, para fugir da polícia e do policial louco. A família decide então ir até um bordel controlado pelo irmão do palhaço Cap. Spalding, mas no caminho, cometem vários crimes no mesmo estilo dos que os tornaram famosos.
Então, o segundo filme de Hopper, é na minha opinião, inferior ao primeiro, talvez pelo excesso de pretensão do seu realizador, que deve ter acreditado que seus personagens possuíam a mesma força de um “Leather Face” ou um “Jason Vorhes”. Infelizmente esse não é o caso.

Arquivado em: — Vladimir @ 7:39 pm

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