Direção: Jim Henson.
Roteiro: Jim Henson, Dennis Lee.
Produção: George Lucas.
Elenco: David Bowie, Jennifer Connelly, Toby Froud, Shari Weiser.
Vi esse filme pela primeira vez nos cinemas. Devem fazer cerca de 20 anos, ou quase isso. Depois vi algumas vezes em vídeo e posteriormente na TV. O interessante é que lembro perfeitamente da primeira vez que vi, mas não lembro de jeito nenhum a última. Várias coisas nesse filme ficaram marcadas na minha memória, sendo as principais a gama de engraçadíssimos personagens, as músicas compostas e interpretadas por David Bowie, que interpreta Jareth, o Mago Rei dos Duendes e principalmente a beleza angelical de Jennifer Connely, que já naquela época me levava aos suspiros a cada vez que aparecia na tela Impressionante como ela é linda e atualmente (até que enfim) vem fazendo uma série de bons trabalhos no cinema.
Em uma de minhas garimpadas nas locadoras próximas da minha casa, acabei redescobrindo esse maravilhoso filme. Confesso que fiquei bastante receoso em alugá-lo, pois tinha medo de que o filme não me agradasse como eu queria (mais ou menos como um resgate de uma inocência perdida) e acabasse quebrando um pouco da magia das primeiras exibições na minha infância. Felizmente isso passou foi longe de acontecer. Mas vamos ao filme em si.
Sarah (J. Connely), é uma adolescente sonhadora, fã de livros de fantasia. Filha de pais separados. Morando com o pai, a madastra e o irmão fruto desse casamento, ela utiliza suas histórias como uma forma de fuga do mundo em que vive, uma forma de direcionar e apaziguar suas raivas e frustrações. Certa noite, após ser forçada a ficar em casa tomando conta de seu irmão, ela acaba recitando trechos de um de seus livros pedindo para que o bebê fosse levado por duendes. Mal sabia ela que tudo se tornaria realidade e para ter de voltar seu irmão, ela teria que enfrentar um perigoso labirinto, encontrando estranhas criaturas, até chegar a cidade dos duendes e finalmente confrontar o perigoso mago Jareth (Bowie), que deseja transformar o bebê em um de seus duendes e ainda conquistá-la. Em alguns momentos, Sarah não sabe se o que está vivendo é real ou fruto da imaginação. E é interessante no final do filme, vermos juntos com Sarah que a magia deveria estar mais presente em nossas vidas. Seu pedido às criaturas é uma grande prova disso, já que em determinado momento da vida (quando nos tornamos adultos), somos obrigados a esquecer das brincadeiras e dos mundos imaginários em que viviamos, e isso acaba tornando nossas vidas amargas e sem emoções.
O filme é visualmente maravilhoso. Um show dos estudios de George Lucas (a produção do filme é dele), logo após a trilogia clássica de Star Wars. E não tem como não comparar o mundo do Labirinto com a saga de Luke Skywalker. Diversas e estranhas criaturas são mostradas durante todo o filme, o que lembra bastante os inúmeros alienígenas da saga intergaláctica. Imperdíveis e na minha opinião insubstituíveis, a maquiagem das criaturas, todas elas de borracha (como o Yoda original). Os atores de carne e osso (Connely e Bowie), são apenas coadjuvantes das verdadeiras estrelas do filme, as criaturas (principalmente Ludo, Didymus, Huggle e os duendes).
Podem ter certeza que boa parte da magia desse filme se encontra nos bonecos (quem já assistiu sabe muito bem o que estou dizendo). Um filme imperdível, principalmente para a geração que viveu os anos 80, antes do surto de informatização do cinema. Um tempo em que uma boa história, excelentes músicas e criatividade eram os únicos requisitos para se contar um bom filme.
PS: Há muito tempo os filmes da Xuxa copiam boas idéias (e as ruins também) de outros filmes. No clássico Thrash “Super Xuxa Contra o Baixo Astral”, o filme de Henson é descaradamente plagiado, pois Xuxa para chegar no seu objetivo, deve atravessar um Labirinto, cheio de perigos e aventuras, encontrando criaturas estranhas…..
PS 2: Músicas cantadas por Bowie no filme, para quem se interessar em buscá-las pela Internet (vale a pena, mas acredito que não seja tão fácil): Underground, Dance Magic, Chilly Down, Within You e As The World Falls Down.