Nem Todos São Arte

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Cinéfilos


9/9/2006

LAVOURA ARCAICA







Direção: Luiz Fernando Carvalho.
Roteiro: Luiz Fernando Carvalho.
Elenco: Raul Cortez, Selton Mello, Juliana Carneiro da Cunha, Leonardo Medeiros, Mônica Nassif, Christiana Kalache, Caio Blat, Renata Rizek, Simone Spoladore, Pablo César Câncio, Leda Samara Antunes.

Em Lavoura Arcaica tudo parece ter sido minimamente trabalhado em busca de uma perfeição estética. O roteiro inteligente expresso pelo discurso das personagens que lembram em muito um recital poético, a esplêndida e lírica fotografia; a interpretação magnânima de todo elenco unida à belíssima trilha sonora oriental tornam esse filme nacional uma verdadeira obra-prima.

André (Selton Mello), filho de uma numerosa família descendente de Sírio-Libaneses que vivem do campo, abandona o lar por motivos que vamos descobrindo ao longo do filme através de flashbacks compartilhados com o irmão mais velho Pedro, incubido de trazê-lo de volta ao seio familiar, que tem como chefe o personagem interpretado impecavelmente por um altivo e estóico Raul Cortez.

Lavoura Arcaica é muito mais que um filme sobre a família ou relações familiares. É sobre sentimentos enclausurados e sua necessidade de aconchego afetivo. Lavoura Arcaica é cinema nacional de altíssima qualidade, mas incrivelmente despercebido pelo grande público.

Por Sérgio A. Mendonça Filho
Colaborador do Blog LITERATURA FANTÁSTICA

Arquivado em: — Vladimir @ 3:15 pm

12/10/2005

O JARDINEIRO FIEL
(THE CONSTANT GARDENER)




Direção: Fernando Meirelles.
Roteiro: Jeffrey Caine, baseado em roteiro de John Le Carré.
Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Daniele Harford, Danny Huston, Hubert Koundé, Pete Postlethwaite, Bill Nighy.

O filme “O Jardineiro Fiel” é a ‘feliz’ adaptação do diretor brasileiro, Fernando Meirelles, para o livro homônimo de John Le Carré, escritor especializado em romances de espionagem durante a Guerra Fria.
Que ninguém vá ao cinema esperando assistir a um filme no estilo das últimas atuações de ‘Ralph Fiennes’… em “O Jardineiro” ele está bem longe disso. Também, durante todo o thriller, podemos perceber (principalmente para quem assistiu “Cidade de Deus”) o toque peculiar de Meirelles na direção: a ‘agitação’ das câmeras (vale ressaltar que a película utilizada é a mesma das produções nacionais), a preocupação com a fotografia e os ‘closes’ especiais no rosto dos atores, mostrando sua eterna preocupação em captar as emoções dos personagens. Porém, em “The Constant Gardener”, Meirelles vai bem além disso e expõe que realmente (ótimo!) tem muito a nos mostrar.
Muito provavelmente, ‘O Jardineiro fiel’ não agradará a todos (e parece, também, não possuir essa pretensão). Em alguns momentos possui um ritmo acelerado, não se preocupando em dar explicações ao público. É um romance, sim; mas também trata de questões de política externa, órgãos internacionais defasados (adivinhem qual é o principal???) e a eterna manipulação daqueles que detém o poder sobre os mais fracos.
Quais as conseqüências, quando uma bilionária indústria de remédios, decide realizar suas experiências científicas, alistando voluntários em um dos países mais miseráveis e corruptos do mundo? Um lugar, onde a palavra “sofrimento” possui até uma conotação de alento? Onde as pessoas não vivem… sobrevivem. E ainda conseguem encontrar motivos relevantes para tal, acreditando numa - quem sabe? - possível melhora. Esse é um retrato da população na maior parte da África. E eis que, mais uma vez, assistimos ao grande “jogo” do dinheiro e da “política dos maiores”. E temos a sensação impotente, de o que ficamos sabendo, é somente a ‘ponta do iceberg’!




Justin Quayle (Ralph Fiennes) é um burocrático diplomata inglês, sem muita aspiração de ascensão na carreira. Durante uma palestra, ele conhece Tessa (Rachel Weisz) uma ativista política e idealista, que é a antítese da personalidade de Justin. Os dois iniciam um arrebatador romance, logo estão casados, Tessa grávida (filmes…) e vão morar na África, mais especificamente no Quênia. Embora Justin continue exercendo ‘metodicamente’ seu papel de diplomata britânico (?!), Tessa se engaja nos problemas sociais da região, logo descobrindo que as ‘coisas’ podem ser bem piores do que parecem. Junto com um amigo, médico local, Tessa descobre um impressionante ‘conluio’ de uma indústria farmacêutica - apoiada pelo governo local, por membros da diplomacia britânica, entre outros “poderosos” – que em sua ação, rebaixa a condição humana daquela população a menos do que animais. Nesse ínterim, Justin começa a ter acesso aos boatos sobre infidelidade por parte de Tessa, porém se recusa a acreditar. Por sua vez, Tessa e o amigo médico, vão a fundo na conspiração que descobrem’… e é aí que REALMENTE se dá início à uma grande história.
Vale ressaltar, que a ‘ferida’ que Meirelles ‘toca’ no filme, já foi alvo de escândalo internacional no início da década de 90, justamente na ´frica e em alguns lugares na Ásia. Não é um simples thriller de Hollywood… é o relato de uma situação muitíssimo passível de veracidade. E que Meirelles nos mostra muito bem.
Ao assistir “O Jardineiro Fiel”, vale a pena ter um pouco de paciência com os primeiros 30/40 minutos de exibição (possui, aproximadamente, 160 minutos de fita) pois o filme “cresce” (e muito) a cada momento, mesmo com as alterações “passado-presente” exibidas a todo instante. Atenção especial à fotografia e à trilha sonora. Ah, em que pese ser uma opinião muitíssimo pessoal (mas críticas sempre são personalíssimas, né?!rs ) Rachel Weiz, mesmo não estando presente em 100% da fita, merece, pelo menos, uma indicação ao “Globo de Ouro”, e Fiennes, no início, irritantemente inglês (ofício do personagem) vai assumindo um perfil simplesmente arrebatador, numa mistura de obstinação,loucura e amor, onde entendemos perfeitamente o porquê dele ser um Jardineiro fiel. Porém, os ‘ladrões de cena” são os figurantes africanos, moradores do povoado local… não deixe de assistir esse filme (eu adorei!). Nem que seja para se certificar, que o Meirelles ainda vai dar muito o que falar em Hollywood!


Flavia Pires

PS: A Flavia é uma grande amiga e colaboradora do Blog Literatura Fantástica. Aceitou o convite de escrever para o NTSA (depois de muita luta), quando descobri que ela viu a avant premier do filme no Festival Internacional de Cinema do Rio. Que sorte a dela não?

Arquivado em: — Vladimir @ 11:19 am

25/8/2005

VISÕES
(IMAGINING ARGENTINA)




(_*_) (_*_) (_*_)



Direção: Christopher Hampton.
Roteiro: Christopher Hampton.
Elenco: Antonio Banderas, Emma Thompson, Horacio Flash, Kuno Becker, Rubén Blades, Claire Bloom.

Se a Globo fosse realizar uma produção sobre a ditadura militar na Argentina e contasse em seu elenco com nomes como Antonio Banderas e Emma Thompson, com certeza essa produção seria esse filme. “Visões” é um “Olga”, falado em inglês e que se passa na Argentina.
Pode piorar? Claro que pode, é só colocar elementos de espiritismo no melhor estilo “América” ou “A Viagem” no meio, sacudir tudo e está pronto. Além do mais, a pieguice com que o tema é tratado aqui, é tão grande, que nas cenas em que Carlos Rueda (Banderas), recebia os caboco e via o futuro ou o passado dos presos políticos, eu sinceramente, ficava tão constrangido que a única solução era passar a cena, me poupando pelo menos de escutar o que os personagens diziam. Fora o mela mela do drama da esposa que é presa, a busca por ela, aí a filha é presa e blá blá blá, aí o homem se revolta com o governo que não está nem aí pra ele e blá, blá, blá, e tome-lhe dramalhão e muitas lágrimas e blá, blá, blá…



- Eita Banderas, que cagada essa nossa, hein?


Antônio Banderas é um daqueles atores que acertam o mesmo tanto em que erram na escolha dos filmes que participam, pois só isso para justifica esse filme e outros como “Dupla Explosiva”, “Evita” e muitos outros.
Um filme que com certeza só agradará às pessoas que gostam muito do tema (e que fique muito claro que minha crítica aqui não é ao Espiritismo), ou simplesmente são fanáticos pelo Banderas.

Escrito Por Fábio

Arquivado em: — Vladimir @ 12:25 am

8/4/2005

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
REENCARNAÇÃO
(BIRTH)




Direção: Jonathan Glazer.
Roteiro: Milo Addica, Jean-Claude Carrière e Jonathan Glazer.
Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Danny Huston, Lauren Bacall, Arliss Howard, Anne Heche e Peter Stormare.

CONTÉM SPOILLERS!!! CONTÉM SPOILLERS!!! CONTÉM SPOILLERS!!!

Birth é talvez o filme mais ridículo do ano… Parece que o filme foi feito em duas partes, uma sobrenatural e outra realista. O resultado é um filme surrealista, no mau sentido.
Bom, mas não comecemos pelo fim. Uma jovem mulher (ANNA – Nicole Kidman) perde o seu marido (SEAN). O enredo leva-nos a crer que a sua paixão era imensa e eterna, mesmo na sinopse ouvimos a frase do miúdo “Casamo-nos 30 vezes em 30 dias”. A cena da morte de Sean é cortada por uma outra cena a informar-nos que passaram 10 anos e com imagens do nascimento de uma criança – mais uma vez mais a sugerir uma espécie de reencarnação. E Anna ainda não esqueceu completamente o falecido (do qual nunca vimos à cara), no entanto aceita uma proposta de casamento do seu atual namorado, realizando para tal uma festa de arromba. Durante esta parte do filme, o realizador mostra-nos a chegada de um casal amigo (Clifford e Clara), porém o elemento feminino do par inventa uma desculpa e não entra, ainda, na festa. Esta mulher (Anne Hetche) traz consigo uma prenda/caixa que resolve enterrar num parque ali perto. Ela não nota que é seguida pelo miúdo de 10 anos.
Com a data marcada, surge o tal rapaz de 10 anos afirmando ser o SEAN Marido de Anna. Aos poucos esta vai acreditando que o petiz é mesmo SEAN…
Para mostrar o ridículo do filme tenho que contar o fim, por isso se não quiserem saber não leiam mais! Após ser questionado por diversos familiares e amigos, o rapaz sempre confiante e entrosado responde a todas as perguntas acertadamente. Anna acredita profundamente que o rapaz é a reencarnação de SEAN, seu marido.
Nisto convoca o casal amigo para verem o seu marido reencarnado. Anne Hetche, sabendo que algo está mal (porque ao regressar ao local onde enterrou a prenda /caixa não a encontrou) convida o miúdo para a sua casa e confronta-o, dizendo que ele não é o SEAN, porque se assim fosse ela seria a primeira a ser contatada, visto serem amantes. Como prova do amor de SEAN por Clara, ele nunca abriu as cartas enviadas por Anna, que esta enviava ao marido quando ele estava numa das suas viagens freqüentes para o estrangeiro (que conveniente). Assim, Clara abre a mochila do puto e vê as cartas que este andou a ler e a decorar… Sinceramente, como é que o miúdo sabe sequer o que é uma reencarnação ou consegue mentir à frente de toda as pessoas sem vacilar um segundo. É difícil de acreditar.
Há quem diga que o puto é realmente a reencarnação de SEAN, devido à cena da casa de banho em que Clara convida o miúdo para a sua casa e porque ele diz “Não digas à Anna”, sabendo perfeitamente quem ela é. Eu não concordo porque quando ela o confronta na casa ele faz um ar de quem mentiu e tenta fugir. E se assim for o fim do filme torna-se ainda mais estúpido ou então inventa uma nova teoria de reencarnação, uma reencarnação em que mudamos de personalidade e gostos, uma reencarnação a gosto!?!? Cá para mim o puto sabia que este comportamento é um íman de mulheres e por isso aceitou o convite de Clara e já queria pôr os cornos à Anna.
Em princípio, tudo não passou de uma brincadeira, face à carta do miúdo enviada a Anna, lida em voz off. Enfim gozou com a cara de toda a gente e ainda ficou a rir!
A cena da banheira entre a Nicole e o miúdo, é digna de uma cena pedófila… A cena final, onde Anna chora compulsivamente no dia do seu casamento com o novo marido e parece que vai enlouquecer, indica que a Clara tenha enviado as cartas.

Por Bruno

P.S.: Essa crítica foi escrita pelo amigo Bruno do Blog Cinema Existencial de Portugal, especialmente para o Nem Todos São Arte, abrindo mais uma nova sessão, chamada PARTICIPAÇÃO ESPECIAL, apesar de outros amigos já terem colaborado, essa é a primeira vez nessa fase “Interativo” do Blog. O Bruno é um dos nossos companheiros mais antigos e pela primeira vez assina um texto por aqui. Sinceramente espero que esse seja o primeiro de muitos e que outros também sigam esse exemplo e me enviem opiniões sobre filmes ruins como esse.

Arquivado em: — Vladimir @ 12:16 am

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