ZONA DE RISCO
(JOINT SECURITY AREA)

17 de janeiro de 2007







Direção: Chan-wook Park.
Roteiro:Chan-Wook Park, Seong-san Jeong, Sang-yeon Park.
Elenco: Yeong-ae Lee, Byung-hun Lee, Kang-ho Song, Tae-wo Kim, Ha-kyun Shin.

O coreano Chan-wook Park é definitivamente um dos meus diretores favoritos. Essa certeza veio logo ao término de um dos filmes realizados anteriormente à trilogia que o apresentou ao mundo (a trilogia da vingança composta por “Sympathy for Mr. Vengeance”, “Oldboy” e “Lady Vengeance”).
O magnífico “Zona de Risco” é uma pequena obra prima que tem como temas centrais, a amizade e a forçada e triste separação de um povo da mesma origem, mesma cultura, língua e descendência, absurdamente divididos pelas diferenças dos regimes políticos de seus países e a forte intransigência dos mesmos, no caso, as Coréias do Norte e Sul. A ação se passa no ponto mais conhecido da fronteira entre os dois países, local onde a única barreira de separação é a diferença na cor do chão dos territórios. Um crime ocorre dentro do lado Sul e os principais suspeitos são dois soldados do Norte encontrados em estado de choque. Uma jovem antropóloga norte-coreana passa a acompanhar o caso, tentando desvendá-lo e evitando que essa crise diplomática se transforme em algo muito pior. A partir daí o filme é desvendado em uma série de flashbacks que mostram todos os acontecimentos que antecederam o crime.

Chan-wook Park é dono de uma visão brilhantemente diferenciada, possuidor de uma surpreendente sensibilidade e prova nesse filme não estar preso ao mundo cruel e pessimista de outros filmes seus como “Oldboy” e as demais partes de sua brutal trilogia. “Zona de Segurança” é uma prova perfeita da grande genialidade desse jovem diretor e ítem obrigatório em qualquer coleção de Dvds que se preze.

CLIQUE NOS POSTERS PARA LER AS CRÍTICAS DA MAGNÍFICA TRILOGIA DA VINGANÇA DE CHAN-WOOK PARK:



007 – CASSINO ROYALE

4 de janeiro de 2007




Direção: Martin Campbell.
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis, baseado em livro de Ian Fleming.
Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Caterina Murino, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini.

Para sorte e prazer de muitos cinéfilos fãs de bons filmes de ação e aventura, ao mesmo tempo em que alguns estúdios avacalham algumas de suas principais franquias cinematográficas, outros fazem o movimento contrário e quando menos esperamos, revolucionam seus antigos carros chefes dando guinadas realmente surpreendentes à essas obras. Talvez esse ano, com a realização dessa vigésima primeira aventura do agente mais famoso do mundo, tivemos o maior exemplo disso.
Cassino Royale é na minha opinião, um dos melhores e mais significativos filmes do agente 007 já realizados até hoje. E a isso, devemos reconhecer o trabalho feito pelos produtores do filme, que decidiram modificar toda a estrutura do personagem e da série que perdurava por mais de trinta anos e exatos vinte filmes, aproximando-o do século vinte um, onde outros agentes muito mais crus e realistas como Jason Bourne (Identidade e Supremacia Bourne) e Jack Bauer (série 24 horas) envelheceram a absurda pirotecnia e o exagerado machismo do “velho” Bond, James Bond.
A mudança mais significativa se encontra na escolha do novo protagonista da série. O brucutu Daniel Craig é completamente diferente de todos os outros intérpretes de Bond. Apresentando ao público um agente muito mais cru imaturo e real que qualquer um de seus antecessores, Craig cria um Bond bastante realista, inseguro em alguns momentos e sempre pretencioso, acreditando sempre em uma falsa e arrogante invencibilidade, o que o coloca sempre em mortais perigos e alimenta a insegurança de “M” (Judie Dench), sua chefe, em relação à sua promoção a agente 00.

Em sua primeira missão, Bond tem que enfrentar LeChiffre (Mads Mikkelsen) - um banqueiro financiador de terroristas procurado internacionalmente - em um inusitado jogo de cartas em um luxuoso cassino. Para isso, Bond contará com o financiamento da coroa britânica representada pela linda, geniosa e sensual Vesper Lynd (Eva Green). Mas não se engane com esse pequeno resumo da história e pense que o filme não possui muitas cenas de ação. Muito pelo contrário, já que o filme esbanja adrenalina e testosterona, com cenas de causar vertigens e fazer trincar os dentes.

O ótimo roteiro de Cassino Royale (que também tem as mãos do genial Paul Haggis) inclui ainda pontos interessantíssimos sobre o passado do personagem e sobre a sua relação com as mulheres, humanizando o personagem e justificando muitos dos seus atos nos filmes posteriores. Além disso, o filme coloca realmente o personagem no século XXI, trazendo um excelente e merececido novo fôlego à série.

O ILUSIONISTA
(THE ILLUSIONIST)

19 de dezembro de 2006





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Direção: Neil Burger.
Roteiro: Neil Burger, baseado em estória de Steven Millhauser.
Elenco: Edward Norton, Paul Giamatti, Jessica Biel, Rufus Sewell, Eddie Marsan, Jake Wood, Tom Fisher, Vincent Franklin, Philip McGough, Eddie Marsan.

Depois do magnífico “O Grande Truque” , dirigido por Chris Nolan e exibido no Brasil nesse mesmo semestre, fica difícil ver o novo filme do diretor Neil Burger que possui exatamente a mesma temática, e não compará-lo a esse citado antecessor. E infelizmente, a comparação é impiedosamente cruel para Burger.
Ambientado no mesmo continente e no mesmo período – Europa, final do século XIX- mostrados em “O Grande Truque”, “O Ilusionista” conta à trajetória de Eisenheim (Ed. Norton), um ilusionista que adquire grande fama em Viena, com grandes espetáculos repletos de fascinantes e incríveis mágicas que desafiam e assustam constantemente seu crescente e fiel público. O destino de Eisenheim se mistura ao da jovem aristocrata Sophie (Jéssica Biel), um antigo amor de infância do ilusionista que no momento está prometida ao ambicioso herdeiro do Império austro-húngaro, Príncipe Leopold (Rufus Sewell). Para perseguir Eisenheim e acabar com qualquer tipo de perigo que ele possa ocasionar a uma breve sucessão imperial, está o Inspetor-chefe Uhl, um homem de caráter duvidoso que almeja uma considerável ascensão em um futuro governo de Leopold. Mas motivado pelo reencontro de seu grande amor, Eisenheim enfrentará a todos e não medirá esforços, além de utilizar todo seu incrível repertório de ilusões, para enfrentar o príncipe e seus asseclas e frustrar todos os seus sangrentos planos.
A história de “O Ilusionista” é a já batida trama do amor impossível entre membros de classes sociais diferente. Completamente apaixonados, farão tudo e lutarão contra todos para concretizar esse tão sonhado amor. Provavelmente seja esse o maior defeito do filme, já que a história se prende tanto nessa relação que outros pontos verdadeiramente interessantes são apresentados, mas descartados logo em seguida. O maior exemplo disso, encontra-se na discussão da própria natureza das apresentações de Eisenheim. Truques mirabolantes que beiram o sobrenatural são apresentados a todo o momento sem nenhuma explicação, apesar do ilusionista ser mostrado constantemente trabalhando neles. Mas, na minha opinião, o maior erro encontra-se no final do filme, onde a única resposta que não precisava ser dada, de tão óbvia que era, é apresentada em um mini-flashback ridículo, que parece uma mistura mal feita dos finais de “Sexto Sentido” com os dos desenhos do “Scooby Doo”. Um desfecho desnecessário em um filme repleto de clichês e pequenas e incômodas falhas, que só se salva de um verdadeiro desastre devido a, sempre inspirada, participação do genial ator Edward Norton.

SUPER NACHO
(NACHO LIBRE)

15 de dezembro de 2006






Direção: Jared Hess.
Roteiro: Jared Hess, Jerusha Hess e Mike White.
Elenco: Jack Black, Héctor Jiménez, Ana de la Reguera, Darius Rose, Moises Arias, Eduardo Gómez, Carlos Maycotte, Cesar Gonzalez, Enrique Muñoz.

No novo e divertidíssimo filme do camaleão Jack Black, ele interpreta Ignácio, um simpático e ingênuo monge, que serve seu monastério em uma pequena e atemporal cidade mexicana, cozinhando para um grupo de crianças carentes que também moram no local. Apesar de servir humildemente a Deus, o jovem e inquieto monge sofre por não poder ajudar mais as crianças do convento, que vivem se alimentando de migalhas doadas à instituição, e por ter sido castrado de seu grande sonho de infância, tornar-se um importante “luchador” do esporte mais adorado em todo o México, a luta livre. Decidido a ajudar as crianças e a seguir seu sonho de tornar-se realmente um “luchador”, Ignácio confecciona uma máscara para esconder seu rosto e se une ao esquisito e hilário Esqueleto (Héctor Jiménez sensacional), formando a dupla mais atrapalhada e engraçada já vista dentro dos ringues.
Os méritos para o sucesso do filme, devem ser divididos entre muitos. Começando pelo bom roteiro; passando pela ótima direção do quase estreante e grande revelação do ano passado, Jared Hess (Hess é o responsável por “Napoleão Dinamite”, filme cult nos EUA), que deu ao filme seu característico tom, apresentando um humor fortemente anárquico através de cenários e figurinos multicoloridos que deu uma cara cartunesca ao filme, lembrando bastante a série animada “Mucha Lucha” do Carton Network, além de personagens e lutas hiper bizarras que permeiam os melhores momentos da obra. Finalmente temos as atuações de Jack Black e Héctor Jiménez que de inimigos passam a companheiros de luta, formando uma “imbatível” dupla. Black com sua protuberante barriga e Jiménez com seus muitos…ossos.
“Nacho Libre” é uma espécie de homenagem e sátira a um esporte que já é engraçado e performático por natureza, a Luta Livre. O esporte também teve grande popularidade e relevância no Brasil até a década de 80, quando o popular programa Telecatch ainda era exibido semanalmente em canais de televisão como Rede Manchete e SBT, mesmo assim, o filme de Jared Hess foi ignorado pelas burras distribuidoras brasileiras que alegaram ser o esporte pouco conhecido por aqui, por isso lançando-o diretamente em DVD. É, mas irônicamente, são os mesmos executivos “inteligentes” que nos privam de filmes como esse nos cinemas, que reclamam dos filmes baixados na Internet. O público, sempre desrespeitado tem que entender, enquanto eles não. Absurdamente ridículo, não acham?

O LABIRINTO DO FAUNO
(EL LABERINTO DEL FAUNO)

11 de dezembro de 2006






Direção: Guilhermo del Toro.
Roteiro: Guilhermo Del Toro.
Elenco: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú.

Especialista em histórias fantásticas e personagens bizarros (Blade 2, Hellboy), o diretor mexicano Guilhermo Del Toro novamente mistura realidade e fantasia, como fez em um de seus melhores trabalhos até então, “A Espinha do Diabo”, na construção de seu melhor filme até o momento. Em “A Espinha do Diabo”, o cineasta contava uma assustadora, mas tocante história de fantasmas em um pequeno e isolado orfanato no interior da Espanha, onde crianças perdiam suas inocências devido a forte opressão sofrida por parte dos religiosos que tomavam conta do local. Como pano de fundo, Del Toro situava sua história durante a sangrenta guerra civil espanhola. “O Labirinto do Fauno” se passa logo após o final da guerra civil, no ano de 1944, momento ainda conturbado em que o exército do ditador Franco caçava incansavelmente e dizimava toda, e qualquer tipo de resistência contrária ao novo governo.

Em “O Labirinto do Fauno”, vemos a difícil vida de mais uma criança, dessa vez acompanhamos a trajetória de Ofélia (interpretada pela excelente atriz, Ivana Baquero), que além de sofrer silenciosamente com a dor da recente morte do pai, tem que agüentar o novo marido da mãe, um sádico Capitão partidário do Generalíssimo Franco, que é obcecado pela morte de seu próprio pai, representado por um antigo relógio quebrado. O temível Capitão Vidal, apresenta seu crescente desequilíbrio em todos os seus gestos, sendo os principais a forma de tratamento que ele dispensa a seus comandados e a violência que direciona a seus inimigos. Além disso, Vidal não demonstra nenhum tipo de carinho com Ofélia e sua mãe, preocupando-se apenas com o filho que a esposa grávida está prestes a lhe dar.

Por isso Ofélia sofre em silêncio, apresentando sempre um forte semblante de tristeza e medo, que só muda quando ela está a sós com a doente mãe ou quando pode ler um de seus muitos livros de fantasia. Esse forte sofrimento apresentado pela garotinha dá lugar a esperança, quando Ofélia descobre um antigo labirinto em uma floresta próxima a sua casa e ao entrar nele, encontra uma estranha criatura. Esse ser, um fauno (Doug Jones), afirma estar esperando-a há diversos anos e que Ofélia não seria uma simples menina, mas sim a princesa do mundo subterrâneo, desaparecida há muitos e muitos anos. Para retornar a seu mundo natal, Ofélia terá que enfrentar três perigosas tarefas impostas pelo Fauno, tarefas que poderão colocar sua vida em um grande perigo.

O mundo apresentado pelo Fauno, repleto de fadas e criaturas estranhas, algumas verdadeiramente assustadoras, contrasta ao cruel e violento mundo de Ofélia. Forçando a garota a buscar constantemente fugas para sua terrível realidade, que conta com uma mãe doente e correndo risco de morte e um ensandecido padrasto, que apresenta mais características monstruosas do que qualquer outro ser conhecido pela criança. Então, ambos os mundos criados por Del Toro são sombrios e incertos, o que provavelmente representa o estado de espírito de Ofélia.

O novo trabalho de Guilhermo del Toro (com o irrisório orçamento de cinco milhões de dólares) foi perfeito em uma temática que nesse mesmo ano foi abordada (em um filme na minha opinião até subestimado pela crítica), pelo diretor M. Night Shyamalan. Diferentemente do injustiçado colega, o mexicano não teve grandes problemas nem sofreu fortes pressões por parte da mídia e de um público cada vez mais exigente com seus trabalhos, e foi muito feliz na forma de contar sua tocante e melancólica história, apresentando grandes momentos de inspiração, como nas homenagens a outros contos infantis clássicos (“João e Maria” e “Alice no país das maravilhas”, por exemplo) e principalmente nas fortes doses de realismo (Del Toro apresenta uma forte violência gráfica, aumentando o realismo do filme e mostrando que ele é mais que um conto de fadas, mas sim um estudo sobre a própria natureza humana) injetadas em sua obra e no comovente final, onde a grande questão apresentada durante todo o filme é enfim, esmiuçada.